| Viva
os 32 anos da gloriosa Guerrilha do Araguaia!
Lavradores,
Peões e Castanheiros da Região do Araguaia! Moradores
de São Domingos, Brejo Grande, Itamirim, Palestina, Santa
Cruz, Santa Isabel, São Geraldo, Araguanã e Itaipavas!
Povo
de Marabá, São João do Araguaia, Araguatins
e Xambioá!
Assim,
com esse ardente chamado, as Forças Guerrilheiras do Araguaia
lançavam manifesto à população na
ocasião do primeiro aniversário da resistência
armada, de “algum lugar das matas da Amazônia”
em 12 de abril de 1973.
O
comunicado dizia: “O povo está cansado de sofrer,
não mais tolera o cativeiro, almeja uma vida feliz, quer
acabar com o atraso, a fome e a miséria. Justamente o movimento
guerrilheiro surgiu para libertar a pobreza, impulsionar o progresso
do interior, pôr fim ao criminoso poder dos militares, acabar
com as arbitrariedades da polícia e com a exploração
dos poderosos.”
Hoje,
passados 32 anos, a Guerrilha foi e segue sendo exemplo de heroísmo
e devoção dos filhos e filhas de nosso povo, que
decididos a servi-lo de todo o coração, derramaram
seu valoroso sangue pela causa da libertação do
jugo do imperialismo e do latifúndio. A resistência
armada empenhada pelos guerrilheiros do Araguaia marcou profundamente
o povo da região que a eternizou com versos e cantorias,
entoadas pela gente simples da região. Está gravada
nas páginas de luta do povo brasileiro, como iniciativa
decisiva para derrubada completa do arcaico e podre regime, iniciando
com heroísmo o tortuoso caminho que as futuras gerações
empreenderão para abrir para um futuro radiante as portas
da história.
Honra
e glória aos heróis de nosso povo!
Viva
o heroísmo do povo combatente!
Conquistar
a terra, destruir o latifúndio!
Abaixo
textos sobre a Guerrilha do Araguaia
COMUNICADO
Nº 6 DAS
FORÇAS GUERRILHEIRAS DO ARAGUAIA
Com
grande pesar e profundo sentimento revolucionário, as
Forças Guerrilheiras do Araguaia Comunicam a morte em
combate da heróica e devotada lutadora da causa do povo
HELENIRA RESENDE.
Quando
cumpria um encargo de observação, Helenira foi
descoberta por um Bate-pau e em seguida cercada por soldados
acantonados no lugarejo denominado São José. Não
se atemorizou. Atirou enquanto pôde. Atingida por uma
rajada da metralhadora, caiu mortalmente ferida, derramando
se sangue pela liberdade e pela independência da pátria.
Cumpriu com honra e dignidade seu dever de membro das forças
guerrilheiras do Araguaia.
Universitária
e dirigente da União Nacional dos Estudantes, Helenira
veio para o campo com o objetivo de ligar-se aos camponeses
e participar de suas lutas, sendo conhecida pelo nome de Fátima
na região em que morava. Tornou-se muito estimada por
todos os que a conheciam. Ao sobrevir o ataque das forças
da ditadura contra os moradores do Sul do Pará, incorporou-se
aos que resistiram de armas na mão . Revelou grande coragem,
espírito de iniciativa e capacidade de comando. Gozava
de imenso prestígio entre seus companheiros.
O
exemplo revolucionário de Helenira Resende jamais será
esquecido pelo povo, em particular pela juventude. Os estudantes
lembrar-se-ão sempre daquela que , além de guerrilheira,
se destacou como valorosa militante do movimento democrático.
Reverenciando
a memória e tão brava combatente, o comando das
Forças Guerrilheiras do Araguaia, decide dar seu nome
ao grupo ao qual ela pertencia.
O
grupo de combate Helenira Resende há de crescer e realizar
proezas dignas dessa heroína de povo brasileiro.
Honra
e glória a Helenira Resende!
Morte
aos que perseguem e atacam os moradores e os combatentes do
Araguaia!
Por
um Brasil livre e independente!
O
Comando das Forças Guerrilheiras do Araguaia
Minha
filha, minha heroína*
Irene Creder Corrêa
Hoje nascia uma
flor
cheia de beleza, alegria e fulgor.
Contra a injustiça e a opressão sempre lutou,
e na estrada da liberdade e do amor caminhou.
Aos pobres e oprimidos entregou seu coração
na luta contra os algozes do povo e da nação,
nesta guerra justa talvez tenha caído
nas garras ferozes do inimigo
Nesta batalha covardemente eles a venceram,
mas de uma coisa não se aperceberam:
Que outras flores nascerão
E o caminho dela seguirão,
e seu cheiro se espalhará,
e seu perfume todo o povo sentirá.
A vitória então chegará afinal
e você será heroína nacional.
*Poema
em homenagem a Maria Célia Corrêa (Rosa), feito
por sua mãe, no dia do aniversário da filha, 31/03/1979,
no Rio de Janeiro. Maria Célia era irmã de Elmo
Corrêa e cunhada de Telma Regina, ambos também
guerrilheiros no Araguaia, militantes do Partido Comunista do
Brasil. Os três estão entre os mortos e desaparecidos
em combate na gloriosa Guerrilha do Araguaia.
|