1-Canção
do espantalho
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Quando
o corpo vai pr’um lado e vai pro outro o coração
Cante que só passarinho, jogue o corpo na canção,
eeê boi...
Que o coração vê caminho e os pés se
movem no chão, eeê boi...
Ah ei!
Sou cantador de Cajazeira e vim cantar a minha gente
Gente que não foge do laço, gente que não
corre de macho, nem de onça ou de mulher
Vem cantar a minha gente lá das bandas de Cajazeira onde
o coronel diz que é dono de tudo
Coronel Fragoso...! horroroso, viúvo, velho, barrigudo,
como dizia o bom Joaquim, pelas ruas de Pinhancó, fazendo
chacota quando alguém dizia que em compensação...
ele tinha a casa mais bonita da cidade...
Ahei! Eeeeê.. ahhhh!
Quero um cantinho nessa feira pra cantar a minha gente
Gente que não foge de fera, gente que não corre
de guerra, de arruaça e o que vier...
E não foge tampouco do coronel Fragoso, de quem todo mundo
corre ou quase se borra de medo, quando ele vem subindo a Jaqueira
enfezado com a debandada de sua gente...
Ou com a seca do sertão...!
Quem quiser que venha ver os causo que eu conto com satisfação
pra clarear as cabeças que vão pensar sobre os acontecidos
em Cajazeira... lá onde o coronel diz que é bom
que só Deus porque dá a metade pra quem planta e
cuida do seu gado...
Quem quiser que venha ver se tá tudo certo ou errado pelos
causo acontecido
Se gostar que faça uso e bom proveito!
Se não gostar...
Continue deixando tudo esquecido...
2-História
que se conta
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Toda
história que se conta tem mentira dentro
Tem valente que não é valente, tem tristeza que
não leva a gente
Tem amor que acaba de repente..., tem chão verde que não
dá semente...
Eita
mineiro eeê, eita mineiro ah... venha cá que eu trago
história, venha cá se arrepiar,
Venha cá, venha cá, venha cá que eu trago
história... venha cá se arrepiar!
Toda
mentira que se conta tem verdade dentro
Tem covarde que um dia é valente, tem tristeza funda que
só cacimba,
Tem amor que acaba de repente..., até chão seco
um dia dá semente...
3-Meu
nome é Zé do Cão
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Atenção
se esconda agora...
Põe a capela no padre, tira o padre da capela, põe
a janela na moça, tira a moça da janela,
Que aí vem desembestado o mais cruel e malvado jagunço
dessa onça de terra. (2X)
“Meu
nome é Zé do Cão, jagunço não
nego não
A vida me deu por sorte levar a morte pelo sertão
Meu nome é Zé do Cão, de morte eu inteiro
mil
Meu Deus é minha peixeira e meu padroeiro Santo Fuzil.”
Novamente
o refrão com o coro no fundo: Põe a capela no padre...
4-Pena
e penar
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Lamento
(aboio)
Não sei mais sorrir, não sei mais chorar...
Vou fazer das penas o meu penar
Numa ave branca, e sair pro céu
E seguir no céu os caminhos do mar
E olhar o mar e ficar no mar
E deixar no mar a pena e o penar
E depois voltar, sem pena e penar
E depois sorrir e depois chorar.
5-Tulão
das Estrelas
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É
do povo: sofrimento traz sabedoria
Filho que sai da terra volta diferente
Volta trazendo uma vontade dentro
volta trazendo uma vontade dentro!
É
do povo: sofrimento traz sabedoria
Filho que sai da terra volta diferente
Volta trazendo uma vontade dentro...
Trote
de cavalo ao fundo
- Bento, Terêncio, Severino e Luca... vem cá, vem
cá me ouvir...
Não ta certo ir-se embora, não tá certo não
partir.
Quem parte morre lá fora, quem fica morre de não
ir êh, êh...
Nossa reza é fé na terra, fé nas “mão”
que a gente tem
- Cuidado Zé Tulão, a vontade do coronel é
faca de duas pontas!
- Eu sei disso meus irmão! O ano todo a gente só
plantou pra semente dar.
Temo é que ficar pra cumprir nosso trato com seu coronel
que vai ter de pagar
- Não adianta Zé Tulão, chuva que é
bom não cai e não vai ter nada pra ninguém.
Vem o coronel pra levar a metade dele, a nossa parte a seca já
levou.
- Nada disso não oxente a nossa parte o coronel vai ter
que nos entregar
Se a terra é dele e a seca é da terra, a terra e
a seca são lá do seu coronel!
Trote
de cavalo ao fundo
Lá
vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão
das estradas lá vou eu , Eeê boi...
Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio,
Tulão das estradas lá vou eu , Eeê boi...
Eeê boi...
6-Pé
na estrada
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Vamo
falar lá com seu coronel, que não ta certo não
a gente dividir
De tanta vaca ficou umazinha só, de tanto milho umas espiguinha
só
E todo mundo quer, e tem razão de se querer, e todo mundo
quer e tem seus filhos e tem mulher
Não tá certo ficar vendo o mundo se acabar, no refrão
das amarguras, no sonho do mar
E todo mundo quer, e tem razão de se querer, e todo mundo
quer e tem seus filhos e tem mulher
e todo mundo quer e tem razão de se querer e todo mundo
quer...
Fé
na terra e pé na estrada, ferra o pensamento e vamo andar
Olha a morte chegando na dança do amanhecer
Olha os anjos trazendo excelência no seu cantar
Olha o que é vem lá longe os capetas todos de terno...
Vêm pra levar mais um pecador...
Olha os olhos da morte espiando em toda a nação
Ouve o cantar dos anjos abrindo as portas do céu
Veja a vereda e o fogo trazendo o inferno em festa
Olho por olho em cada olhar...
Virgem Santa meu medo é tanto que chego a me arrepiar
Quando vejo meus companheiros partindo pra não voltar
Nessa estrada desesperada: chegança em nenhum lugar
Quando a terra se arrebenta sem jeito de consertar...
7-Noite
de Maria
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Em
noite de luar no céu, Maria do Grotão, ai, se deu
Um cão latindo ao longe, Zé Tulão derrubou
sua fulô
E os gemidos de Maria, só quem pode ouvir foi mandacaru
Homem,
que só é bom sonhar, sonhar que o mundo vai se acabar
Que a gente foi pra longe, onde ninguém tem carência
de levar
O que a gente fez nascer, com trabalho e dor, morte e amor.
8-Mutirão
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Primeiro
dia de folga, combinaram o mutirão
Veio todo o povoado ajudar o Zé Tulão:
Bento, Terêncio, Severino e Lucas, homem, mulher, velho,
criança e cão
Todo mundo deu seu pouco até Maria do Grotão.
“Amarra
o pau, bate o pau segura com o pau de forquilha e bota o outro
pau,
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha
e bota um outro pau...
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha
e bota um outro pau,
Macacada amarra o pau...”
“Lá
vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão
das estradas lá vou eu, eeê boi... (2X)”
“Amarra
o pau, bate o pau segura com o pau de forquilha e bota o outro
pau,
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha
e bota um outro pau...
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha
e bota um outro pau,
Macacada amarra o pau...”
“Lá
vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão
das estradas lá vou eu, eeê boi... (2X)”
9-Festa
do mutirão
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Hei!Aê
Jackson, é do pandeiro! Segura!
Zé
Tulão pagou com festa o trabalho dos irmãos
Teve canto, desafio, xaxado, côco e rojão
Bento, Terêncio, Severino e Luca, homem, mulher, velho,
criança e cão
Todo mundo abriu a roda pra Maria e Zé Tulão.
“Amarra
o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate
o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura
dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura
dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco...”
“Lá
vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão
das estradas lá vou eu , Eeê boi...
Tulão das estrelas, tulão raio, tulão das
estradas lá vou eu Eeê boi...”
Bento,
Terêncio, Severino e Luca, homem, mulher, velho, criança
e cão
Todo mundo abriu a roda pra Maria e Zé tulão
“Amarra
o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate
o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura
dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura
dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco...”
“Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão
raio, Tulão das estradas lá vou eu , Eeê boi...”(2X).
10-Briga
de faca
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-
Bento, Terêncio cadê eles?...
- Foi o jagunço que matou!
- Bento, Terêncio cadê eles?...
- Foi o jagunço do coronel!
A
noite que vinha era escura, um santo aí podia “lumiá”?
Noite de zona, lobisomem, dos homem do “Seu” coronel
Mataram Terêncio dormindo e Bento fazia um bentinho.
Pegaram todo o milho que tinha, a pobre da vaquinha Zabé.
Severino ta morto no mato e Luca ficou sem cabeça.
Só falta você Tulão...!
- Eê... sai da toca seu jagunço, que eu não
mato à traição,
sai da toca seu macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem
macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
- Eê ... vem que eu dou conta de cinco, vem que eu dou conta
de seis...
vem jagunço traiçoeiro que eu mato um de cada vez.
Vem
macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
- Eê... tome peixeira no bucho! Agora é cinco que
era seis...
tome peixeira no bucho, lá se foi um, dois e três...
Vem
macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
- Eê tome peixeira no bucho, agora só tem nós
três...
tome peixeira no bucho falta um sendo que eram seis.
Vem
macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
11-Martelo,
bala e facão
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Som
de troca de tiros
Zé
do Cão:
“Zé tulão é chegada a tua hora, vá
fazendo teu último pedido
É na faca é na foice é no estampido, é
no verso é na rima é sem demora
Já que tu vai correr comece agora, que no fim da peleja
esta Maria
Vai levar das minhas mãos a luz do dia, pois só
sendo jagunço em qualquer lida
Pode o cabra possuir tudo na vida, e entregar a uma mulher toda
a alegria...”
Zé
Tulão:
“Treme a terra e trovão se arrebenta, toda vez que
um vaqueiro se enfurece
mãos pro céu se levantam numa prece, corre o fraco
e o forte não se agüenta
para o rio mais não se movimenta, e se então é
por amor a luta dobra
pois coragem de amar tenho de sobra, se acabou Zé do Cão
prepara a cova
que eu te capo, de aleijo, dou-te sova, e te faço rastejar
pior que cobra...”
Zé
do Cão:
“É o inferno no meu canto de guerra, pois consigo
arrancar da pedra o pranto
O meu nome é temido em todo o canto, onde voam as aves
sobre a terra
E se existe um amor atrás da serra, não há
nada que feche o meu caminho
Eu enfrento a vereda e todo espinho, onde vem Zé Tulão
segura o tombo
Te sangro te esfolo castro e zombo, sou leão e tu és
um passarinho...”
Zé
Tulão:
“Se é um inferno o seu canto de guerra, é
um inferno o meu canto de paz
por amor eu derrubo Satanás, bem e mal são a luta
dessa terra
Mas comigo o que é mau a lança ferra, corre Cão,
Pé-de-Vento e Lúcifer
Corre todo diabo que vier, pelo bem desse amor divino eu nego
Eu enfrento um batalhão e não me entrego, Zé
do Cão tu pra mim é [um qualquer]...”
12-Macauã
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Vem
dos porões do reino animal, Macauã.
Satanás diz que ele é seu pai e a mãe do
Zebedeu, Macauã.
Lamento
cantado ao fundo.
Rei
dos dragões do reino animal, Macauã.
Rei dos trovões do reino animal, Macauã.
Satanás diz que ele é seu pai e a mãe do
Zebedeu, Macauã.
Satanás diz que ele é seu pai e a mãe do
Zebedeu, Macauã. |