Quatro
federais podem perder autonomia
Folha Dirigida 07/4/05
Mirando no setor particular, o Ministério da Educação
(MEC) incluiu no anteprojeto da Reforma Universitária
novas exigências para que as instituições
tenham o status de universidade. No entanto, as regras atingem
quatro das oito federais da Região Norte. Todas estão
ameaçadas de perder a autonomia e serem transformadas
em centros universitários.
De
acordo com o artigo 13 do anteprojeto, para manter o status
de universidade, as instituições devem possuir
no mínimo três cursos de mestrado e um de doutorado,
assim como um mínimo de 50% do corpo docente titulado.
Os requisitos deixam de fora as federais do Tocantins, Acre
e Roraima, que possuem apenas um curso de mestrado, e a do Amapá,
que não possui nenhum programa de pós-graduação
registrado pela Capes.
Além
disso, a Universidade Estadual do Amazonas também está
ameaçada. Apesar dos três programas de mestrado,
a instituição não possui doutorado. Para
os reitores, o texto é injusto e agrava as diferenças
regionais. Eles reclamam da falta de políticas de incentivo
do governo federal para a região.
Inicialmente
ameaçada, a Universidade Federal de Rondônia (Unir)
está prestes a atingir a meta e escapar da nova classificação.
A instituição acaba de oficializar seu primeiro
curso de doutorado. "Luto contra esta discriminação,
pois as universidades daqui estão sempre relegadas a
segundo plano. Não tivemos qualquer apoio, nem da Capes,
nem do CNPq, nem do MEC, nem da Sesu. Fizemos um esforço
interno sobrehumano para que estes cursos saíssem do
papel", diz o reitor Ene Glória da Silveira.
Silveira
afirma que, quando assumiu, a universidade tinha apenas seis
doutores. Hoje, são 110 professores com o título.
O mesmo se verifica entre os mestres, que saltaram de 38 para
170. "Crescemos mais de 1000% através de uma política
nossa", reclama o reitor.
Estudo
da Capes mostra abismo
O
último levantamento da Capes mostra o tamanho da diferença
entre as regiões brasileiras. Na avaliação
referente ao período entre 2001 e 2003, foram contabilizados
1.745 cursos de pós-graduação na Região
Sudeste, contra apenas 88 na Região Norte. O Centro-Oeste
é a segunda mais carente em pesquisa, com um total de
168 cursos de pós-graduação. Já
o Sul e o Nordeste aparecem com 563 e 408 cursos, respectivamente.
O
reitor da Unir afirma que este "abismo" é resultado
de uma política excludente e discriminatória.
"As universidades da Região Norte estão em
franca expansão. Mas o problema é grave, pois
a Capes não tem qualquer política específica.
Mesmo quando as linhas de pesquisa são voltadas para
a nossa região, as universidades do Sul e Sudeste são
priorizadas", afirma.
Apesar
da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes) não contestar as
exigências em suas emendas, Silveira evita polêmica.
A entidade pediu prazo de três anos para que as federais
atendam aos requisitos. De acordo com Silveira, a Andifes estaria
assumindo também uma política de prioridade para
as instituições menores.
"É
uma política diferenciada tanto para a distribuição
de recursos quanto para a distribuição de vagas.
Se respeitássemos a matriz do MEC, por exemplo, nossa
instituição receberia apenas nove vagas no próximo
concurso. Mas receberemos 54", afirma o reitor.