Greve
em defesa da educação pública
O
governo e o monopólio de comunicação tentam
omitir a greve dos servidores, professores e estudantes nas instituições
federais de ensino superior, usando como biombo os escândalos
do “mensalão” e a hipocrisia da “limpeza
ética” no PT e no Congresso.

Estudantes
se reúnem em frente à Faculdade, encontram os
portões fechados, conseguem entrar e ocupam a sala
da reitoria |
Nos
últimos meses agravou-se o apodrecimento político
do Estado brasileiro como expressão da crise do capitalismo
burocrático. Ela envolve a alta cúpula do governo,
sua base aliada, além da própria oposição
parlamentar, revelando toda a senilidade desse arremedo de República.
A
atual gerência FMI-PT vem aprofundando as medidas antipovo
das administrações anteriores. Tal política
tem levado à decadência e privatização
dos “serviços públicos” como saúde
e educação, provocando um brutal sucateamento do ensino,
baixos salários de professores e servidores, desqualificação
profissional, sonegação de recursos para pesquisa
e extensão, além das péssimas condições
dos equipamentos e estruturas físicas dos prédios
e dependências.
Diante
da proposta de “aumento” aos profissionais da educação
de 0,1% feita pelo governo, “reajuste” que é
um verdadeiro afronto à categoria (no maior dos salários
do setor representa irrisórios R$5), professores e servidores
iniciaram, há cerca de dois meses, uma verdadeira batalha
em defesa da educação pública. A greve nacional
da educação federal cresce e se expande pelo país.
Entre Universidades Federais, CEFET's e todas unidades do Colégio
Pedro II(RJ), já são mais de 40 instituições
paralisadas. O movimento conta ainda com forte apoio do movimento
estudantil que já decretou greve de estudantes em grandes
universidades como a UFF (Universidade Federal Fluminense) e UnB
(Universidade de Brasília).
Pior
que Cardoso...
A
educação pública brasileira, agredida sistematicamente
na última década pela gerência FHC encontrou
no gerente Luiz Inácio um adversário ainda pior. Posando
de eficiente preposto para dirigir republiqueta, com status de “funcionário
do mês” do imperialismo, cumpre todos os ditames do
Banco Mundial e FMI para a educação: cortes sistemáticos
de verbas (que em geral acabam no meio do ano); falta de professores,
laboratórios, bolsas e nenhum reajuste salarial para profissionais
da educação. Como se não bastasse, aplica o
maior de todos os ataques contra educação brasileira:
a contra-reforma universitária — que busca pôr
fim à autonomia e ao caráter público gratuito
do ensino superior.
A
administração semicolonial vem mantendo o mesmo padrão
de recursos para reajustar os servidores desde 2003: pouco mais
que 1 bilhão para 1.225.000 funcionários públicos
(ativos e inativos). Para 2006 o plano é de 1,5 bilhão,
ou seja, com esses recursos a coisa não deve ser diferente
dos 0,1% deste ano.
A
folha de pagamento de todos os servidores nacionais representa 5%
do PIB brasileiro, enquanto os juros da dívida pública
ultrapassam 11% do PIB e chegarão a 160 bilhões este
ano.
A
fim de aumentar a parcela concedida ao pagamento da dívida,
o governo FHC cortou despesas públicas equivalentes a 2,5%
do PIB em 2002. A administração FMI-PT retirou 3,25%
em 2003 e 4,2% em 2004. Em 2005, até agosto, foram retirados
6,5% do PIB.
Um
reajuste linear de 18% e a incorporação da GAE(1),
da GED(2) e da GEAD(3) nos valores máximos para os ativos,
aposentados pensionistas e paridade, requerem apenas cerca de R$1,3
bilhões anuais.
Hoje,
apenas 5% (3,9 milhões) dos jovens brasileiros chegam ao
ensino superior, sendo que destes reduzidíssimos 5%, apenas
1/5 se beneficiam do ensino público gratuito. Este número
absurdo se deve à política imposta pelo imperialismo
de corte total de verbas para a educação pública
e todo tipo de incentivo aos tubarões do ensino privado.
A
mesma política, que fez com que, em algumas regiões,
a proporção de instituições privadas
chegue à cifra de 89,9% sobre as instituições
públicas, faz com que este desastre ganhe novo impulso com
o Prouni (Programa Universidade Para Todos), já que torna
o negócio ainda mais lucrativo porque, além de mensalidades,
as privadas recebem dinheiro público, e todo tipo de incentivo.
De
acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
(Inep) a gestão FMI-PT conseguiu superar a, até então,
recordista FMI-PSDB na concessão de autorizações
de abertura de novas instituições privadas de ensino.
Apenas entre janeiro e agosto deste ano, das 290 instituições
de ensino criadas 94% ou seja, 273 estabelecimentos são particulares.
Nenhum outro governo na história do país havia permitido
abertura de tantas instituições privadas em tão
pouco tempo.
O
anteprojeto de “reforma” universitária, que o
governo petista almeja implementar, é um dos maiores golpes
contra estudantes e professores da história. Significa isentar
de responsabilidade o estado de financiar o ensino público,
dando plena “autonomia” para que as universidades possam
fechar acordos com fundações privadas, alavancando
ainda mais o processo de mercantilização do ensino.
Frente
ao quadro caótico em que se encontra a educação
pública brasileira, professores e servidores se unem à
luta pela recomposição salarial de 18%, pelas bandeiras
democráticas, pela “valorização do trabalho
docente e em defesa da universidade pública, gratuita, autônoma,
democrática, laica, contra a mercantilização
da educação e pelo aumento da dotação
orçamentária para as IFES”.
Somam-se
ainda as bandeiras incorporadas pelo movimento estudantil: contra
a “reforma” universitária, pela assistência
estudantil, pelo aumento das bolsas etc.
A
Une/PCdoB declara oficialmente ser a favor da greve, mas o sindicato
de docentes dirigido pelo mesmo PCdoB é contra. Como não
poderia ser diferente, atuam na greve como verdadeiros agentes infiltrados
do governo, primeiro tentando a todo custo impedir o início
da greve.
CUT
e UNE lado a lado
Mas,
uma vez deflagrada, atuam exatamente como faziam na década
de 90 e em 2000: por dentro, tentam impedir sua radicalização
e buscam de toda forma entregar nossos direitos na primeira mesa
de negociações com o governo.
Apenas
em 2005, como recompensa por serviços prestados, a UNE recebeu
1,2 milhões de reais do governo federal. Passaram a organizar
também diversos acordos com as Forças Armadas, desde
o policialesco Projeto Rondon até receberem uma amistosa
carona em avião da FAB que conduziu os governistas à
Venezuela, para participarem do Festival Mundial da Juventude.
A
CUT por sua vez além de colaborar com governo para a “reforma”
sindical e trabalhista, passou a assumir a linha de frente no ataque
aos direitos dos trabalhadores, à frente do Ministério
do Trabalho, Luiz Marinho, ex-presidente da entidade, gerencia a
política de arrocho e miséria. A CUT, além
de fator desmobilizador, vem atuando junto ao governo contra greve
nas federais na tática de dividir a categoria, negociando
acordos em paralelo com o governo.
Após
várias cobranças feitas ao MEC, o comando nacional
de greve do Andes recebeu no dia 14/10, o ofício 555/05/SEAD-MEC.
O documento, além de não atender as reivindicações
do comando, busca dividir a categoria propondo aumento diferenciado.
De
acordo com o Andes (sindicato nacional dos docentes) o ofício
emitido pelo governo enfatiza a presença da CUT nas formulações
do MEC, chegando a insinuar que a proposta de acréscimo de
R$105 milhões ao montante de recursos foi conseguido junto
ao Ministério do Planejamento com a intercessão da
central sindical. Sendo que o ANDES, que representa os professores
em greve de todo o país, desfilou-se da CUT desde o início
do ano. Além disso, a importância que o MEC atribuiu
à CUT é para não reconhecer a pressão
exercida pela greve nas federais.
Luta,
mais luta!
A
necessidade continuada do imperialismo de deter todo e qualquer
desenvolvimento científico nacional coloca a educação,
particularmente a educação superior, entre as áreas
estratégicas da dominação colonial. Acabar
com qualquer resquício de autonomia de nossas instituições,
arruinar a educação pública para logo vendê-la,
se apoderar do conhecimento produzido pela intelectualidade nacional
através da mercantilização do ensino e impedir
a todo custo o acesso do conhecimento ao povo, são as metas
coloniais para a educação, o arrocho salarial cumpre
parte desse papel de sucateamento total.
Nos
últimos vinte anos não houve nenhum aumento salarial
para professores sem greve. Os poucos direitos democráticos
que ainda temos em nossas universidades, como o próprio caráter
público do ensino, é fruto de combativas greves de
professores da década de 90 e 2000, destacadamente a massiva
greve de 2001.
Sem
luta agora, o reajuste salarial e as verbas acontecerão só
depois de 2007, já que o próprio ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo afirmou que esta é última negociação
do governo, já que 2006 é ano eleitoral e o governo
demonstrará ao mercado que não transigirá em
sua política de contenção de gastos com os
servidores em benefícios de grandes banqueiros e industriais.
Em
2007, o governo irá alegar que tem que “arrumar a casa”.
Portanto, mais do que nunca, levar a greve às últimas
conseqüências é uma grande necessidade para a
garantia de nossos direitos.
À
beira-mar de lama
Enquanto
governos e governistas UNE/UBES/CUT se afundam no mar de lama de
Brasília, abrem grandes perspectivas para o movimento estudantil.
Apoiar incondicionalmente a greve de professores e servidores na
suas justíssimas reivindicações é um
dever para todo movimento estudantil.
A
melhor forma de apoiarmos a luta dos trabalhadores da educação
é colocar lado a lado as reivindicações de
professores e servidores e as reivindicações estudantis.
O
(des)governo vem sendo obrigado a adiar sucessivamente a votação
da contra-reforma universitária. Agora, na maior crise política
de sua história, os planos colonialistas para a educação
se vêem ameaçados, tanto pela incapacidade de dar prosseguimento
à sua mega contra-propaganda, marcante dos anos anteriores,
quanto pelo ressurgimento do autêntico movimento estudantil.
Estudantes
da UFSC deram grande exemplo para os seus colegas de todo país:
ocuparam a reitoria reivindicando o aumento das bolsas, mantiveram
o reitor detido, sem poder ir ao banheiro ou beber água,
resistiram às pressões e às ameaças
de invasão da Polícia Federal e em 5 horas de ocupação
conquistaram aumento de R$20,00 nas bolsas estudantis.
Estudantes
do tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, retomam
seus grêmios e engrossam a greve de professores — na
sexta feira, 21 de outubro, chegaram a impedir com piquete a realização
de uma prova que aconteceria durante a greve.
O
segundo ano consecutivo da greve dos bancários, encerrada
com a conquista das reivindicações, deu grande exemplo
para todo povo brasileiro. Agora, devemos intensificar nossa organização.
Somente uma greve combativa com piquetes, ocupações
passeatas e nenhuma conciliação, pode sair vitoriosa
— não somente nas reivindicações, mas
também como parte do levantar das lutas das massas no nosso
país.
Aproveitemos
a greve para derrubar os muros das escolas e faculdades, discutindo
problemas como o passe-livre estudantil, a revolução
agrária em nosso país, o problema da moradia, trazendo
combatentes e pessoas do povo para dar aulas aos estudantes.
Só
assim conquistaremos uma educação pública que
sirva ao povo e derrotaremos as políticas antipovo do governo
de plantão da burguesia burocrática, do latifúndio
e do imperialismo.
MEPR
– Movimento Estudantil Popular Revolucionário
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1. Gratificação de Atividade Executiva
2. Gratificação de Estímulo à Docência
3. Gratificação Específica de Atividade Docente
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