REITOR CHAMA PM PARA REPRIMIR GREVE

Gás lacrimogêneo e de pimenta, cães e cassetetes contra grevistas da UFF

No dia seguinte Conselho Universitário pede demissão de superintendente e desautoriza reitor de permitir a entrada policial em quaisquer circunstâncias

Assim como aconteceu na UnB, em 1968, e na USP, em 1977, a Polícia Militar entrou em um campus universitário - desta vez, na UFF, para reprimir trabalhadores e estudantes.

Gás lacrimogêneo e de pimenta, cães e cassetetes. A Reitoria da UFF chamou a PM para reprimir o protesto pacífico dos grevistas, ontem, no Valonguinho. Os manifestantes foram violentamente espancados. O estudante de economia Antares Valente e o técnico-administrativo José Carlos Bianco, além de espancados, foram detidos e interrogados. Antares foi atendido no HUAP com fortes dores de cabeça e escoriações no rosto

No dia 25/10, o Comando de Greve Unificado (professores, estudantes e servidores) havia decidido fechar os portões do campus do Valonguinho, com o objetivo de abrir negociação com o governo em Brasília. A mobilização também tinha como objetivo o atendimento a reivindicações específicas da UFF junto à reitoria, como o reajuste das bolsas estudantis de R$ 180,00 para R$ 300,00. Os três segmentos estão parados há quase 70 dias, por recursos para o Plano de Carreira dos técnico-administrativos, política salarial para os docentes, melhores condições de trabalho e assistência estudantil.

Mostrando sua face autoritária (além de privatista), o reitor Cícero Fialho e o superintendente administrativo Mário Ronconi preferiram chamar a PM a apostar no diálogo. Covardemente, a Polícia Militar agrediu vários manifestantes com socos e spray de pimenta. A presença da polícia na universidade, com o aval da reitoria, acabou resultando numa ação truculenta, com vários feridos e duas detenções arbitrárias.

Manifestantes ocupam reitoria - indignados com a atitude da reitoria, os manifestantes seguiram para o gabinete do reitor da UFF, Cícero Fialho, e ocuparam o local. Ainda no meio do protesto, o reitor admitiu que mandou chamar a polícia mas não esperava esse resultado. Para o diretor da ADUFF, Juarez Duayer, o que aconteceu foi uma selvageria. "Não havia tumulto. Eu estava lá desde a manhã. Fomos surpreendidos com a violência da polícia. Os policiais foram chamados pelo reitor e saíram de dentro do campus da UFF, eu nem sei como. Vamos ver que medidas jurídicas tomaremos. A PM não pode entrar em espaços federais. É absurdo. O estudante agredido nem era grevista e foi à universidade para assistir aula. Mas também ficou revoltado com a ação da polícia e por isso protestou!", declarou o dirigente. Os docentes e técnicos administrativos ocuparam a reitoria até a liberação do estudante e do funcionário. Os estudantes continuam a ocupação até a reunião do CUV, nesta quarta-feira, 26/10.

No dia seguinte ao confronto, estudantes professores e funcionários ocuparam a reunião do conselho universitário denunciando as agressões e exigindo o afastamento do superintendente administrativo Mário Ronconi e do Reitor Cícero Mauro Fialho em coro "DEMISSÂO, DEMISSÂO, DEMISSÂO!!!", apoiados pela maioria dos conselheiros que indignados cobravam explicações do reitor, a reunião do Conselho se transformou em um grande ato de protesto, um professor membro do conselho ao saber do ocorrido chegou a fazer uma intervenção emocionado acabou passando mal e foi levado ao hospital com complicações cardíacas.

Apesar da tentativa de alguns conselheiros de se retirar da reunião afim de que esta não tivesse quorun de deliberação, a maioria permaneceu e em coro foi aprovado por decisão que será vetada a entrada da Polícia Militar e Civil na Universidade Federal Fluminense em quaisquer circunstâncias, ou seja, a reitoria a partir de agora a reitoria esta desautorizada a permitir a entra da polícia militar e civil na universidade.

O Conselho universitário em votação por contraste indicou o afastamento do superintendente administrativo Mário Ronconi, que chefiou a repressão sobre a greve, será montada uma sindicância para apurar o ocorrido e avaliar a demissão de Ronconie e avaliar a participação do reitor, que de antemão já admitiu ter chamado a PM, e assim avaliar pedido de abertura de impeachment de Cícero Mauro Fialho.


FORA A POLÍCIA MILITAR DA UFF

 
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