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Banco Mundial é uma expressão do imperialismo de
hoje. Suas políticas desenham um padrão de inserção
dos países periféricos e semiperiféricos
na economia-mundo...Como parte da ofensiva para “comodificar”
a educação, promove o apagamento da fronteira entre
o que é público e o que é privado. É
forçoso reconhecer que muitos desses traços estão
desenhando a política educacional do mandato de Lula da
Silva.
Wolfowitz
no Banco Mundial: educação como segurança
Roberto Leher
No
final do Século XX foi possível constatar uma estranha
convergência entre a doutrina “desenvolvimento é
segurança” e o “culturalismo” –
não apenas na acepção direitista de um Huntington
– mas também na formulação inspirada
na esquerda pós-moderna. Ambas linhagens de pensamento
situaram a cultura (e a educação) como instância
dominante, deslocando o lócus de determinação
da economia política para a cultura. Assim, amparado pela
teoria do capital humano (TCH), o Banco Mundial passa a sustentar
que a educação é o fator chave da riqueza
das nações e um instrumento decisivo para operar
a governabilidade, servindo de ferramenta para aliviar a pobreza
por meio de políticas focalizadas. Prevaleceu a idéia
de que a maior ameaça para o capital é a presença
de culturas não “democráticas” e adversárias
do mercado, portadoras de cosmovisões e concepções
que, se não forem vigorosamente transformadas (e, se necessário,
destruídas), mais cedo ou mais tarde irão colidir
com a democracia liberal. Eis o choque de civilizações.
É claro que quando os culturalistas acadêmicos afirmam
que o cimento que une os povos do Sul é a cultura (afirmando
uma identidade terceiro-mundista), não estão propugnando
que essa cultura precisa ser removida. Ao contrário, muitos
desses estudos advogam um radical (e inconsistente) relativismo
cultural. O que importa é que o problema do imperialismo
deixa de ser determinante para ser apenas mais um elemento da
análise histórica e, certamente, o menos importante.
Os padrões culturais, alternativamente, são afirmados
como os de maior envergadura.
A origem da água que faz mover o moinho neoliberal pode
ter origem em diferentes nascentes, o que importa é o moinho
em movimento. Certamente, o deslocamento do lugar do imperialismo
e do capitalismo dependente em favor da cultura foi operatório
para as ideologias dominantes. Rapidamente, os organismos internacionais,
como o Banco Mundial, passaram a sustentar que a educação
é o fator chave para a riqueza das nações,
desde que bem direcionada em termos de valores, de crenças
e de disposições de pensamento. Um dos principais
formuladores do pensamento neoliberal, Hayek, já havia
postulado que a educação pública é
um mal, pois difunde valores destrutivos como a igualdade, a solidariedade
e a cidadania. Somente a educação privada pode ser
afinada pelo diapasão do mercado, inculcando bons valores
como o individualismo e a competição. A TCH, por
sua vez, ensinou que uma educação referenciada nas
demandas do mercado pode melhorar a renda dos indivíduos
e dos países.
Esse debate chegou ao Banco Mundial no final da década
de 1960 e, de maneira mais sistemática, nos anos 80 e 90.
Frente a um robusto processo de lutas anticoloniais e socialistas,
nos anos 70, e à iminente derrota no Vietnã, os
senhores do mundo, objetivando a segurança e a governabilidade,
fortaleceram as trincheiras cultural e educacional como parte
das políticas de desenvolvimento.
Foi nesse contexto de procura de novas estratégias que
permitissem a continuidade da ação imperialista
dos EUA na Guerra Fria, mas sem as garras da águia bélica
à mostra, que o ex-Secretário de Defesa Robert McNamara
foi nomeado, em 1968, pelos EUA para a direção do
Banco Mundial. Em sua longa gestão, concluída em
1980, McNamara converteu o Banco no principal organismo internacional
relacionado à educação e, certamente, na
instituição que mais orientou o sentido das reformas
educacionais dos países periféricos e semiperiféricos.
Para que o caminho da redefinição da educação
em instrumento de governabilidade (e segurança) ficasse
livre de qualquer empecilho (igualdade, cidadania, conhecimento
como patrimônio da humanidade…), bastaria apenas remover
o que restara de influência da UNESCO. Reagan e os direitistas
organizados na Fundação Heritage se encarregaram
disso. Junto com Thatcher, os EUA saíram da UNESCO em 1984,
abrindo um horizonte virtuoso para o Banco Mundial.
Rapidamente, “governos sensatos” passaram a encampar
a agenda do Banco Mundial como se fosse a sua própria agenda.
Com efeito, um governo somente é avaliado como de “boa
governança” se as suas políticas coincidirem
com as do FMI, do Banco Mundial e da OMC (não casualmente
as mesmas preconizadas por Washington). Igualmente, acadêmicos
que almejam sucesso em suas carreiras para migrar para o aparato
do Estado ou para ocupar um lugar de destaque nos organismos internacionais,
nas corporações e mesmo nas grandes ONG’s,
sabem que as idéias do Banco Mundial são ótimas
idéias que devem ser difundidas.
Banco Mundial: educação na doutrina da segurança
Quando Robert McNamara assumiu a presidência do Banco Mundial
a iminente derrota dos EUA no Vietnã impunha um desafio
aos estrategistas: como vencer a Guerra Fria em um contexto em
que a guerra aberta se mostra inviável? McNamara foi para
o Banco imbuído da idéia de que chega uma hora em
que a vitória não pode ser assegurada apenas pelas
armas. Daí sua crença na tese de que desenvolvimento
é segurança. Esta doutrina, combinada com a “guerra
de baixa intensidade”, afirmou-se como dominante nas três
últimas décadas do século XX. Era preciso
mostrar em atos que o capitalismo era superior ao socialismo e,
como a Guerra Fria havia se deslocado para as periferias, eram
necessárias políticas que incorporassem os países
no desenvolvimentismo. Os países rebeldes seriam derrotados
por ações militares contínuas protagonizadas
por forças locais, apoiadas pelos EUA, como, por exemplo,
a Unita em Angola ou os “contras” na Nicarágua
sandinista.
Como parte dessa estratégia, McNamara passou a alocar um
montante cada vez maior de verbas na rubrica educação
e logo o Banco se converteu no Ministério da Educação
dos países periféricos. De fato, a primeira grande
investida foi na difusão de escolas técnicas, preferencialmente
no campo, lócus de insurgências e território
para exportar o pacote da “Revolução Verde”.
Assim, para resolver simultaneamente os dois problemas, o Banco
passou a apoiar iniciativas de educação técnica
no campo, objetivando formar uma geração adepta
do capitalismo agrário e da “Revolução
Verde”, um pacote que beneficiava importantes setores econômicos
estadunidenses, como as corporações das sementes
híbridas, dos insumos químicos (Dow Chemical fora
dirigida por McNamara) e das máquinas (Cartepillar etc.).
Com a afirmação das políticas neoliberais
– expressão da crise estrutural do capitalismo –
os países periféricos e semiperiféricos deveriam
abandonar o sonho de se converterem em Novos Países Industrializados,
redirecionando os seus aparatos produtivos para o agronegócio
e para a exportação de commodities mais ou menos
manufaturadas, prioridades complementares ao capital financeiro
– o principal beneficiário das divisas captadas nas
exportações.
O Banco Mundial, baseado em estudos “científicos”
e “neutros”, conclui que, nas periferias, a melhor
taxa de retorno para os investimentos em educação
está presente no ensino fundamental. Assim o Banco lidera
o movimento de volta ao fundamental. Contudo, a uma educação
fundamental redefinida. A boa política descentraliza, focaliza
a ação do Estado nos mais pobres, institui sistemas
centralizados de avaliação e remunera os docentes
por produtividade. Reformas curriculares devem aproximar a formação
dos estudantes do mercado.
As universidades públicas, assentadas no princípio
da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão,
deveriam ser severamente combatidas pois, nos termos do Banco,
“a gratuidade privilegia os já privilegiados”,
tese balizada pelo Nobel Gary Becker, proeminente teórico
da direita da Escola de Chicago. A pesquisa, por sua vez, ainda
conforme o Banco, é um desperdício de recursos,
visto que nesses países serve apenas para reinventar a
roda. As palavras de ordem do Banco são a diferenciação
das instituições de ensino superior (fortalecendo
as instituições privadas e voltadas para o ensino,
os “escolões”) e a diversificação
das fontes de financiamento, abrindo caminho para o autofinanciamento
(modelo chileno).
Essas ações do Banco Mundial foram objeto de diversos
trabalhos acadêmicos, teses e material de divulgação
e propaganda. Os governos foram denunciados e os trabalhadores
em educação se converteram em importantes protagonistas
das lutas antineoliberais em toda a América Latina.
Poucos governos seguiram dando publicidade aos seus acordos e
convênios com o Banco Mundial. Os contratos se tornaram
cada vez mais sigilosos. Com o objetivo de reverter essa imagem
negativa – e frente às resistências e aos confrontos
de sindicatos, de partidos e de movimentos, expressas por meio
de consignas “Fora já daqui, o Banco Mundial e o
FMI” -- o Banco Mundial mudou a feição de
suas políticas mas tão somente de modo epidérmico,
conclamando os países devastados pelas políticas
de ajuste estrutural, por ele encaminhadas, a se engajarem na
luta pelo alívio à pobreza. Este foi o sentido da
nomeação de James Wolfensohn para a presidência
do organismo. O hábil novo presidente convoca ONG’s,
movimentos, prefeituras e governos estaduais, inclusive governados
por coalizões com presença da esquerda, a compartilhar
as políticas do Banco, firmando parcerias para a “boa
governança”. Examinando o caso brasileiro, é
fácil constatar que o Banco não modificou em nada
as suas convicções neoliberais. Mas munido da nova
retórica foi mais fácil encaminhar a sua agenda.
Assim, de um lado, o Banco faz juras de amor ao alívio
à pobreza e, de outro, encaminha junto com o FMI, por meio
de condicionalidades, as políticas de ajuste neoliberal
de segunda geração. De um lado, convoca ONG´s
e sindicatos-cidadão a se engajarem em seus projetos e,
de outro, incentiva os governos a enfraquecer os sindicatos por
meio de reformas sindicais e trabalhistas. No caso específico
da educação apóia a fragmentação
dos contratos dos docentes em municípios paupérrimos,
a formação aligeirada de professores, a quebra do
“monopólio” do saber docente por meio do uso
intensivo de tecnologias educacionais e, se necessário,
patrocina novas entidades dóceis à sua agenda.
As críticas ao Banco tornam-se mais pontuais e alguns antigos
críticos chegam a afirmar que o Banco quer um neoliberalismo
com rosto humano, que os contratos não ferem a soberania
e que a idéia de que o Banco, junto com o FMI, são
as formas de ser do imperialismo, além de injusta, é
sectária e intransigente. Nesse novo contexto, governos
eleitos em um contexto de crítica ao neoliberalismo não
titubearam em estampar o logo do Banco Mundial em seus eventos,
quase como uma grife, explicitando as parcerias e os novos tempos.
Antes de examinar o significado da nomeação do falcão
Paul Wolfowitz para a instituição, é preciso
apontar como o Banco está presente no Brasil e, em especial,
no governo de Lula da Silva.
Banco Mundial e o governo Lula
Quando o então candidato Lula da Silva deu publicidade
a sua Carta aos Brasileiros, assegurando que todos os contratos
e a política macroeconômica teriam continuidade,
muitos analistas acreditaram que isso seria algo transitório,
para evitar turbulências e o suposto caos. A realidade é
outra. A agenda do governo coincidiu com as dos organismos de
Bretton Woods (reforma da previdência social, parceria público-privada,
reforma sindical e trabalhista, expansão da educação
superior por meio do fornecimento privado, conversão das
universidades em loci de inovação tecnológica,
em suma, os exemplos são inúmeros).
A nomeação do economista Murilo Portugal, em abril
de 2005, representante do Brasil no FMI desde 1998, com passagem
também pelo Banco Mundial, como o número dois do
Ministério da Fazenda, logo após o governo anunciar
que não renovaria o acordo com o FMI, apenas confirma a
permanência da agenda dos organismos de Bretton Woods. É
também um importante elo de continuidade com o governo
Cardoso: Portugal foi secretário do Tesouro Nacional de
1992 a 1997 e assessorou o ex-ministro Pedro Malan (Fazenda) durante
o governo FHC. Agora, os dois principais auxiliares de Palocci
na Fazenda, Portugal e Joaquim Levy, secretário do Tesouro,
trazem no currículo passagem pelo FMI.
Não causa surpresa que, recentemente, o Banco Mundial aprovou
um macroempréstimo ao País para que as reformas
estruturais de nova geração tenham continuidade.
O empréstimo consolida as prioridades estipuladas no Plano
Plurianual (PPA) do Governo brasileiro e as Metas de Desenvolvimento
do Milênio das Nações Unidas. São previstos
novos investimentos de até US$ 7,5 bilhões no período
2004-07. Os recursos do Banco (acompanhados, como sempre, de suas
condicionalidades) se fizeram sentir no Orçamento da União.
Conforme o INESC, em 2004, as verbas do Banco no Orçamento
da União totalizaram R$ 576 milhões e, em 2005,
o Projeto de Lei de Orçamento registra um salto para R$
5,97 bilhões: um crescimento de 1000%!
Distintamente das expectativas, a presença do Banco é
mais ampla do que no governo Cardoso e isso emoldura grande parte
da educação nos marcos definidos pelo organismo.
No Brasil, nas duas últimas décadas, o Banco Mundial
investiu mais de US$ 2,1 bilhões somente em educação,
modificando o perfil, as prioridades e promovendo uma radical
transformação nas fronteiras entre o público
e o privado. Entre as principais medidas que o Banco incentivou
em termos de políticas, é possível citar:
a focalização do/no ensino fundamental, a descentralização,
a criação de mecanismos centralizados de avaliação
concebidos como instrumentos para a intervenção
do governo e do mercado na educação, a conversão
das escolas em lócus das políticas assistenciais
(Bolsa Família, por exemplo), o adestramento da força
de trabalho nas unidades de formação técnico-profissional,
o combate ao modelo europeu de universidade, a autonomia como
desregulamentação das instituições
universitárias para atuarem no mercado e, mais amplamente,
o aprofundamento da mercantilização da educação.
O investimento em desenvolvimento humano do Banco envolve 10 projetos,
totalizando US$ 1,44 bilhão - representa um terço
do programa do Banco no Brasil, 28% do total da América
Latina e 16% do investimento mundial do Banco nessa área.
Atualmente, o Banco Mundial financia dois grandes projetos de
educação, o Fundo Escola 2 e 3; em 2003 e 2004,
foi convidado pelo MEC para apoiar a reforma universitária.
As prioridades do Banco nunca estão desvinculadas das estratégias
de governabilidade. No período McNamara, como visto, o
Banco apoiou escolas técnicas rurais objetivando minar
as bases de possíveis insurgências. Atualmente, a
prioridade do organismo é atuar na “despolitização”
da reforma agrária, inserindo-a no escopo do capitalismo
agrário, e atuar na educação de jovens e
adultos nas periferias, na educação do campo e na
ação junto às chamadas minorias étnicas,
sustentando que o problema da miséria imposta aos negros
e aos povos indígenas não tem relação
com a condição de classe – como se a classe
social não tivesse cor na América Latina –
sendo uma questão restrita à identidade e à
cultura, enfoque discutido na introdução deste texto.
O que significa Wolfowitz no Banco Mundial?
Antes de chegar à administração da máquina
de guerra de W.W. Bush, como secretário Adjunto de Defesa
dos EUA, Wolfowitz fora embaixador dos EUA na Indonésia,
fornecendo armas para que este país massacrasse o povo
do Timor Leste. Foi com base nessa experiência que montou
o operativo para promover um dos maiores genocídios das
últimas décadas contra o povo iraquiano e afegão,
podendo contabilizar mais de 100 mil crianças e jovens
mortos pelas forças imperialistas somente no Iraque.
Como lembra Ignacio Ramonet, Wolfowitz é conhecido como
velociraptor, o destrutivo dinossauro do conhecido filme de Spielberg.
Mas na política concreta isso não é ficção.
É importante lembrar que a ocupação do Iraque
é parte de uma concepção geoestratégica
que está assentada na Guerra Infinita. Não somente
é um belicismo truculento e assassino, mas um belicismo
movido por estratégias políticas. A nomeação
de outro falcão para a ONU, John Bolton, é parte
desse processo.
A nomeação de Wolfowitz consolida a tese da guerra
infinita também no âmbito dos organismos internacionais.
Isso não significa, porém, que haverá um
outro Banco Mundial radicalmente distinto do de Wolfensohn. Ou,
em outros termos, a despeito da crença ingênua (?)
de ONGs e governos “progressistas”, a essência
da política de Wolfensohn expressava a política
de Washington durante todo o primeiro mandato de W.W. Bush, apesar
da aparência de um certo multilateralismo. As políticas
destrutivas do Banco certamente não foram mudadas por Wolfensohn,
vide o aperto do ajuste estrutural em diversos países.
Ao contrário, nunca os países da periferia pagaram
tanto tributo neocolonial da dívida e abriram tantas possibilidades
de negócios para as corporações, por meio
de parcerias público-privadas, da criação
de fundos de pensão, das reformas sindical e trabalhista,
reformas que, em sua totalidade, fazem parte das condicionalidades
do Banco Mundial e do FMI, duas faces da mesma moeda no que se
refere ao ajuste estrutural.
Contudo, há elementos novos. Mais do que por possuir um
estilo diferente, Wolfowitz é parte do núcleo sólido
do governo Bush e deve operar de maneira mais direta e incisiva.
Seguramente, não hesitará em manter o Banco Mundial
no Iraque, mesmo que os seus funcionários sejam um alvo
importante para os insurgentes. Assim, a agenda do Banco deve
ter nuances importantes, como, por exemplo, no tema segurança
e governabilidade, temas nodais para o núcleo dirigente
do governo estadunidense.
Wolfowitz irá manter o Banco associado ao FMI como cão
de guarda dos interesses de Washington. A imagem do Banco será
mais real, condizente com a natureza de suas políticas.
É igualmente provável que alguns governos “progressistas”
voltem a esconder o logo do Banco que perderá um pouco
de seu (exótico) encanto. Assim, como assevera Boaventura
de Sousa Santos, “Os movimentos e as ONGs do Fórum
Social Mundial que ainda tinham dúvidas sobre o caráter
imperialista e destrutivo do Banco Mundial e do FMI deixaram de
as ter, o que deve traduzir-se em mais forte mobilização
para protestar contra estas instituições e para
preparar alternativas realistas. A frase à entrada da sede
do Banco Mundial em Washington, DC, ´o nosso sonho é
um mundo sem pobreza´, mostra agora a sua verdade cruel:
o fim da pobreza será um sonho enquanto existirem instituições
como o Banco Mundial e o FMI”.
Considerações finais
O Banco Mundial é uma expressão do imperialismo
de hoje. Suas políticas desenham um padrão de inserção
dos países periféricos e semiperiféricos
na economia-mundo. Por isso, o seu modelo educacional não
permite a negação das condições de
heteronomia cultural. Sufoca a liberdade e o ato de criação
pedagógica, inviabiliza as políticas universais
baseadas na igualdade fundamental dos humanos, fragmentando, por
meio de políticas focalizadas, o sistema público
de educação. Como parte da ofensiva para “comodificar”
a educação, promove o apagamento da fronteira entre
o que é público e o que é privado. É
forçoso reconhecer que muitos desses traços estão
desenhando a política educacional do mandato de Lula da
Silva.
Compete aos movimentos sociais e ao conjunto das entidades do
Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública avaliar
como o Banco Mundial segue oprimindo os cérebros do MEC.
As evidências são fortes, consistentes e devastadoras.
Uma primeira iniciativa derivada da análise crítica
é identificar, nas políticas concretas, as linhas
de força das políticas do Banco e promover intensa
pressão para que o governo brasileiro interrompa essas
medidas e os acordos com o Banco Mundial. Quisera fosse apenas
um constrangimento ter Wolfowitz em uma mesa sobre a reforma universitária
fazendo uma preleção em defesa do MEC (vale lembrar
que outrora o velociraptor foi decano do curso de relações
internacionais da John Hopkins). É muito mais grave. É
a confirmação da tese de Thatcher de que “não
há alternativa”. E as lutas que pulsam na América
Latina terão de mostrar que a história será
feita conforme as lutas dos protagonistas, embora, como nos ensinou
Marx, não nas circunstâncias escolhidas por nós.
Aijaz
Ahmad. Linhagens do presente. SP: Boitempo, 2000.
Exemplo significativo: Seminário Internacional Universidade
no Século XXI realizado pelo MEC em novembro de 2003.
WB, Report No. 24343-BR – BRAZIL Next Steps for Education
in Four Selected States in Brazil, March, 2003. Ver especialmente
a seção The Educational Exclusion of Rural, Indigenous,
and Quilombo Children.
Wolfowitz . La Voz de Galicia (www.rebelion.org),consultado em
13/5/05.
Boaventura de Sousa Santos. Economia e a Guerra. Visão,
31 de Março de 2005. |