USP
é acusada de cobrar mensalidade
Para promotor, universidade está cobrando por cursos,
por meio de fundações privadas; instituição
não se pronunciou
Folha de S.Paulo
O Ministério Público Estadual acusa a USP de cobrar
mensalidade por cursos de pós-graduação
e de especialização por meio de fundações
privadas.
Ontem,
o promotor de Justiça da Cidadania Luiz Fernando Rodrigues
Pinto Jr. entrou com ação civil pública
na 6ª Vara da Fazenda Pública contra a universidade.
Na ação, à qual a Folha teve acesso, o
promotor pede que os cursos parem de ser ministrados e que a
instituição, que é pública, não
possa emprestar seu nome para emissão de certificados
em cursos mantidos por entidades privadas que cobrem mensalidade.
A
USP informou que não se pronunciaria sobre o caso por
desconhecer o conteúdo da ação.
De
acordo com o promotor, a universidade tem convênio com
31 fundações. Essas entidades civis firmam parceria
com a instituição e oferecem cursos em que são
cobradas mensalidades. Entre 5% e 10% do valor arrecadado é
repassado para a USP.
Uma
estimativa da Adusp (associação dos professores
da universidade) aponta que 25 dessas instituições
movimentaram, em 2001, R$ 458 milhões, equivalente a
36% do orçamento da USP naquele ano. A associação
é contra as fundações.
Os
acordos, segundo Pinto Jr., ferem o artigo 206 da Constituição
Federal, que estabelece "gratuidade do ensino público
em estabelecimentos oficiais".
Um
dos exemplos citados na ação é a FIA (Fundação
Instituto de Administração), conveniada à
FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade). São oferecidos cursos como MBA em varejo,
que custa R$ 25.500 à vista -há quatro opções
de parcelamento.
O
promotor vê ilegalidade também no fato de os cursos
funcionarem nas dependências da USP, com a utilização
de docentes da universidade, alguns com contrato de dedicação
exclusiva.
O
promotor resume assim a questão: "Os cursos são
oferecidos com o principal propósito de propiciar uma
fonte alternativa de remuneração aos professores
da USP, bem como garantir receitas para entidades civis, [..]
não beneficiando a própria universidade, pois
esta, além de ceder suas instalações, com
os custos de energia, água etc., [...] acaba por receber
apenas um pequeno percentual de toda a receita".
Divergências
O tema é polêmico dentro da USP. Há setores
que compartilham com a posição do promotor de
Justiça da Cidadania. Outros defendem que as fundações
facilitam o contato com setores de fora da universidade-por
exemplo, uma empresa interessada em contratar uma consultoria
feita por membros das faculdades. Além disso, permitem
captação de recursos extras.