Estudantes ocupam Unimep em protesto contra demissão de 148 professores e

Professores ratificam a greve


A crise nas universidades particulares ligadas a instituições religiosas vive um novo capítulo com a demissão de 148 professores da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Localizada a 162 quilômetros de São Paulo, a reitoria da instituição está tomada pelos estudantes desde sexta-feira (08/12), em protesto contra a medida arbitrária. Com as demissões, várias defesas de mestrado e doutorado marcadas para esta semana não poderão ser realizadas. A conclusão do semestre, prevista para o próximo dia 16, também ficou indefinida.

As demissões foram comunicadas por e-mail e surpreenderam os professores. A reitoria alega que a universidade não tem mais como arcar com a folha de pagamento, que segundo informou corresponde a 82,6% de sua receita líquida. Diante das sucessivas negativas por parte da reitoria de receber os representantes dos professores, a Adunimep (Associação dos Docentes da Unimep) entrou com um pedido de mediação, em caráter de urgência, no Ministério Público do Trabalho. Até o final da tarde hoje, a Adunimep aguardava o agendamento da audiência.

Em entrevista coletiva à imprensa local, o reitor Davi Ferreira Bastos disse que os critérios de demissão foram salários altos, professores mais antigos, aposentados ou que tenham outro emprego. Bastos também declarou que a Unimep implantará uma nova tabela salarial com redução de 20% a partir de janeiro de 2007 e que a universidade não pretende contratar professores para as vagas abertas com as demissões. Ele ainda afirmou que os professores não poderão entrar em sala de aula para finalizar o semestre e que os não demitidos deverão se “readequar”.

A Adunimep rechaça as declarações do reitor. De acordo com a associação, muitos professores demitidos não têm salários altos nem um segundo emprego. Para alguns, a situação é ainda pior, pois são casais que trabalhavam somente para a Unimep. Os dirigentes do sindicato afirmam que a comunidade universitária não ignora a crise financeira e tem contribuído ativamente para sua superação.

Uma prova de que os docentes estavam colaborando com a instituição para que a crise fosse superada foi a aceitação da renúncia de 15% dos salários, proposta pela Diretoria Geral da Unimep em maio. “No pacto firmando entre os docentes e a universidade, em vigor, há propostas dignas e factíveis para se negociar a superação da crise financeira preservando-se o Projeto da Universidade que construímos. Mas todo esse trabalho está sendo ignorado e agora a Unimep nos surpreende com essas demissões”, afirma a Adunimep

As demissões representam uma falta de compromisso não somente com alunos e professores, mas um desrespeito ao próprio estatuto da universidade, que determina que esse tipo de medida deve ocorrer após consulta ao Conselho das Faculdades. Hoje à noite os professores se reunirão em Assembléia para avaliar a hipótese de entrar com uma ação civil coletiva pela reintegração dos docentes e também definir as diretrizes para a continuidade do protesto.

Indignados com as demissões arbitrárias, estudantes e docentes ocupam o Campus Taquaral da Unimep desde quinta-feira (07/12). O protesto silencioso acontece em frente à Igreja Metodista Central, com distribuição de panfletos.

Adunimep: professores ratificam a greve

Reunidos em Assembléia, na noite desta quarta-feira (13), os professores da Unimep deliberaram, por unanimidade novamente, pela ratificação da greve proposta na Assembléia de segunda-feira.

Dos 140 professores, a maioria era de não demitidos, que estavam ali, especialmente, em solidariedade aos amigos. Houve muitos momentos emocionantes na fala de alguns deles que lembraram as lutas travadas e as vitórias conquistadas, o que deu força para que o movimento se fortaleça.

Os professores deliberaram também por formar uma Comissão de Ética e outra de Mobilização do Campus Santa Bárbara D’Oeste para conduzir os manifestos.
Na próxima sexta-feira (15) haverá outra Assembléia, às 19h30, para discutir e avaliar os resultados da segunda Audiência de Mediação, designada para o mesmo dia às 9h30.

Informe importante

Ao final da votação, a estudante Maria do Carmo Morales Pinheiro, membro da APGED (Associação de Pós-Graduação em Educação), informou que os alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unimep (PPGE) estavam enfrentando problemas com o Coordenador Geral, por sua omissão diante desta grave situação de repressão.

Decidiram, então, convocar uma Assembléia para discutir o momento atual, a qual foi realizada na tarde de hoje, no Campus Taquaral.

Durante as reflexões, os estudantes cobraram postura do Coordenador que comunicou o seu afastamento, por um período, do programa. Indignados, os estudantes reivindicaram sua renúncia e como o movimento foi forte, o Coordenador acabou, realmente, renunciando ao cargo.

Esta Assembléia deliberou também pela produção de um documento que será encaminhado à Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Ministério da Educação) solicitando uma visitação pedagógica à universidade.

 
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