Eduardo
Collen Leite
Dirigente
da Acão LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
Técnico
em Telefonia.
Filho
de Alberto Collen Leite e Maria Aparecida Leite, nasceu em Campo
Belo, Minas Gerais, em 28 de agosto de 1945.
Morto
aos 25 anos, em São Paulo.
Eduardo
fez seus estudos em São Paulo, para onde sua família
se mudou.
Muito
jovem começou sua militância política, integrando-se
à POLOP.
Em
1967, foi incorporado ao Exérctio, servindo na 7ª
Companhia de Guarda e, posteriormente, no Hospital do Exército,
no bairro do Cambuci.
Em
1968, vinculou-se à Vanguarda Popular Revolucionária
(VPR), da qual se retirou para fundar a Rede Democrática
(REDE), em abril de 1969. Posteriormente, Eduardo, juntamente
com outros componentes dessa organização, passaram
para a Ação Libertadora Nacional (ALN).
O
assassinato de Eduardo Leite, o “Bacuri” é
um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já
que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos,
deixando-o completamente mutilado.
Foi
preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado
Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa.
Passou pelo CENIMAR/RJ e DOI-CODI/RJ, onde foi visto pela ex-presa
política Cecília Coimbra, já quase sem poder
se locomover.
Do
local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência
particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores
chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a
polícia. Ao constatarem de que se tratava da equipe do
delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das
torturas.
Após
ser torturado na sede do CENIMAR, no Rio de Janeiro, Eduardo foi
transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo,
cujo delegado titular era o próprio Fleury.
Novamente
transferido para o CENIMAR/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado
até meados de setembro, quando voltou novamente para São
Paulo, sendo levado para a sede do DOI/CODI. Em outubro, foi removido
para o DEOPS paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado
“ fundão” (celas totalmente isoladas).
No
dia 25 de outubro, todos os jornais do país divulgaram
a nota oficial do DEOPS/SP relatando a morte de Joaquim Câmara
Ferreira (Comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta
nota, foi inserida a informação de que Eduardo Leite
havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado
nos arquivos do DOPS, a transcrição de uma mensagem
recebida do DOPS/SP pela 2ª seção do IV Exército,
assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª
Seção do II Exército, dizendo “que
foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita
o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado”.
O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira
após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores.
E mais adiante diz “Eduardo Leite, o ‘Bacuri’,
cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades,
havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira
(..). Aproveitando-se da confusão, Bacuri, (...) logrou
fugir (...)”. Estava evidenciado o plano para assassinar
Eduardo.
O
testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às
celas do DEOPS paulista neste período prova que Eduardo
jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser
quando era carregado para as sessões diárias de
tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições
de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após
2 meses de torturas diárias.
O
comandante da tropa de choque do DEOPS/SP, tenente Chiari da PM
paulista, mostrou a Eduardo, no dia 25, os jornais que noticiavam
sua fuga.
Para
facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais
prisioneiros do DEOPS percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos
Santos Barbosa, responsável pela carceragem do DEOPS àquela
época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção
de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à
carceragem e longe da observação dos demais presos.
Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças
e fechaduras de sua cela foram oleadas de forma a evitar ruídos
que chamassem a atenção.
Os
prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de
seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente.
Aos
50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado
de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de
condições de pôr-se em pé, com o corpo
repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados
de seus companheiros. .
Eduardo
não foi mais visto. Os carcereiros do DEOPS, freqüentemente
questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que
ele havia sido levado para interrogatórios em um andar
superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam
apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo
nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava
no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio
era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados
especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso,
deveriam permanecer escondidos.
No
dia 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42
dias após seu seqüestro do DEOPS, os jornais do país
publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em um tiroteio
nas imediações da cidade de São Sebastião,
no litoral paulista.
A
noticia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar
as condições da inclusão de seu nome na lista
das pessoas a serem trocadas pela vida do Embaixador da Suíça
no Brasil, que havia sido seqüestrado no dia 7 de dezembro.
Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível
soltar o preso Eduardo que, oficialmente estava foragido e, além
do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura.
A
única alternativa para o delegado Fleury foi criar mais
uma morte em tiroteio.
O
corpo de Eduardo foi entregue à família, que constatou
o nível animalesco a que chegaram as torturas a ele infligidas.
Seu
corpo, além de hematomas, escoriações, cortes
profundos e queimaduras por toda a parte, apresentava dentes arrancados,
orelhas decepadas, e os olhos vazados, segundo o testemunho de
Denise Crispim, esposa de Eduardo, desmascarando por completo
a farsa montada pelo delegado Fleury e sua equipe.
O
exame necroscópico solicitado pelo delegado José
Arary Dias de Melo, de Santos, é assinado pelos médicos
legistas Aloysio Fernandes e Décio Brandão Camargo,
que responde não à pergunta se houve tortura, e
confirma a falsa versão oficial de que Eduardo morreu em
tiroteio, às 22:00 horas do dia 08/12/70, em Boracéia,
estrada que liga o Distrito de Bertioga com o de São Sebastião
(SP).
Os
Relatórios do Ministério da Aeronáutica e
Marinha confirmam a versão policial.
Durante
o período em que foi torturado, Eduardo esteve nas mãos
do delegado Fleury e sua equipe, composta por membros do famigerado
Esquadrão da Morte. Entre eles podem ser identificados
os investigadores João Carlos Trali, vulgo Trailer, José
Carlos Campos Filho, vulgo Campão, Ademar Augusto de Oliveira,
vulgo Fininho, Astorige Corrêa de Paula e Silva, vulgo Correinha
e vários outros conhecidos apenas por apelidos.
O
assassinato de Eduardo foi denunciado por diversas vezes na 2ª
Auditoria da Justiça Militar de São Paulo por seus
companheiros de prisão, mas o juiz Nelson Guimarães
Machado da Silva negou-se sempre a registrar a denúncia
nos autos dos processos.
Denise
Peres Crispim, sua esposa, estava grávida quando foi presa.
Saiu do país, logo após ser libertada, vindo a nascer,
no exterior, a filha Eduarda, que ele não chegou a conhecer.
Tribuna
de Minas
1
de maio de 2002
Sobrevivente
do terror vive hoje longe da política
O
mecânico José Salvati Filho, 56 anos, também
é sobrevivente do terror e da tortura vividas, inicialmente,
no QG, em Juiz de Fora.(...)
(...)Quando
teve a prisão preventiva relaxada, estava ferido e doente.
Acabou fugindo para São Paulo e se tornando integrante
da Ação Popular Marxista-Leninista (AP). Lá
foi preso por agentes do Deops/SP, onde sofreu choques elétricos
e teve uma vértebra quebrada durante uma sessão
de espancamento.
Salvati
presenciou a noite em que o mineiro Eduardo Collen Leite, o Bacuri,
membro da Aliança Libertadora Nacional (ALN), foi levado
por policiais do Deops. "Quando tiraram o Bacuri da cela,
gritamos para os policiais: assassinos. Tínhamos certeza
de que ele seria morto", lembra.(...)
HONRA
E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO!
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