Nasceu em Cerqueira Cesar, SP, no dia 19 de janeiro de 1944,
filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Resende
de Souza Nazareth.
Desaparecida, desde 1972, na Guerrilha do Araguaia, quando
contava 28 anos. Integrante do Destacamento A das Forças
Guerrilheiras. Este Destacamento passou a chamar-se Helenira
Resende após sua morte.
Depoimento de Helenalda Rezende, sua irmã:
“Em que leito de rio correrá seu sangue?
Lenira , para uns ... Preta para os colegas da USP ... Nira
entre os familiares, Fátima para os companheiros do Araguaia...
Helenira foi, acima de tudo, uma cidadã brasileira consciente
de seus atos, que empunhou a bandeira da justiça e da
liberdade, lutando obstinadamente até a morte.
Nascida na pequena cidade de Cerqueira Cesar, próximo
a Avaré, mudou-se para Assis aos 4 anos, onde cresceu,
tendo concluído o Curso Clássico na EEPSG ‘Prof.
Clibas Pinto Ferraz’. Participante da Seleção
de basquete da cidade, sobressaiu-se como uma das melhores jogadoras
da região da Alta Sorocabana, tendo também sido
contemplada com várias medalhas no atletismo, na modalidade
de salto à distância.
Dedicada ao estudo da teoria marxista, desde cedo sua presença
se fez sentir como líder estudantil que, com posições
avançadas defendia com firmeza suas propostas. Fundadora
e lª presidente eleita do Grêmio Estudantil da Escola,
já se pronunciava nos palanques e na Rádio Difusora
de Assis, durante campanhas políticas dos candidatos
que julgava dignos de seu apoio.
E desde então, ou talvez desde o berço, foi-se
formando 1íder estudantil, grande oradora nos Congressos
Estudantis e nas manifestações de rua dos anos
60. Foi vice-presidente da UNE, em 1968.
‘Estudante nota cem’ (depoimento de uma professora),
ingressou na Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia,
no Curso de Letras onde, através dos movimentos estudantis,
passou a viver intensamente a vida política do país.
Com seus alunos de Português de duas escolas estaduais,
uma no Jardim Japão e outra em Guarulhos, preparava peças
de teatro consideradas subversivas na época.
Helenira foi presa a primeira vez quando conclamava os colegas
a participarem de uma passeata em maio de 1968, em São
Paulo. E, no mesmo ano, mais uma vez foi presa, no 30° Congresso
da UNE, em lbiúna com outros 800 estudantes. Nesta ocasião,
quando o ônibus que os transportava passava pela Avenida
Tiradentes, conseguiu entregar a um transeunte um bilhete que
foi levado à sua residência à Rua Robertson,
no Cambuci, avisando à familia de sua prisão.
Procurada pelos policiais como Nazareth e apontada como sendo
uma das líderes do movimento, foi transferida do Presídio
Tiradentes para o DOPS onde caiu nas garras do famigerado Fleury,
que a jurou de morte.
Uma outra mensagem foi entregue então, à sua
familia avisando sua localização e a dos companheiros
José Dirceu, Antônio Ribas, Luís Travassos
e Vladimir Palmeira. A polícia continuava negando sua
prisão, enquanto um policial não identificado
atuava como mensageiro entre o DOPS e o Cambuci. Após
alguns dias de ‘vai e vem’ ao DOPS, o contato direto
com Helenira foi conseguido por intermédio da advogada
Maria Aparecida Pacheco. Alguns dias depois a ‘estudante’,
como era chamada pelo carcereiro, foi transferida para o Presídio
de Mulheres do Carandiru, onde ficou detida por dois meses.
Seu Habeas Corpus foi conseguido um dia antes da edição
do AI-5. A partir de então passou a viver na clandestinidade,
tendo residido em vários pontos da cidade e do país,
antes de se dirigir ao Araguaia.”
Morta a golpes de baioneta, em 29 de setembro de 1972, depois
de metralhada nas pernas e torturada. Enterrada na localidade
de Oito Barracas.
No Relatório do Ministério da Marinha encontra-se
a cínica “informação”de que
se encontra foragida. No arquivo do DOPS/PR, o nome de Helenira
consta em uma gaveta com a identificação: “falecidos”.
Declarações da ex-presa política Elza
de Lima Monnerat, em Auditoria Militar, à época,
afirmou que “... Helenira, ao ser atacada por dois soldados,
matou um deles e feriu outro. Metralharam-na nas pernas e torturaram-na
barbaramente até a morte...”
De 1969 a 1972 (mesmo após sua morte na Guerrilha do
Araguaia) sua família foi chamada a prestar declarações
ao DOPS/SP e ao II Exército.
Em 06 de junho de 1979, um jornal publicou sobre Helenira que:
“...o lugar onde estava virou uma poça de sangue,
conforme falaram soldados do PIC (Pelotão de Investigações
Criminais)... e confirmaram que a coragem da moça irritou
a tropa. Helenira foi morta a baionetadas!” No jornal
“A Voz da Terra”, de 08 de fevereiro de 1979, há
uma extensa matéria que, sob o título “A
Comovente História de Helenira”, conta a história
dessa combatente pela liberdade no Brasil. Até hoje,
sua família, oficialmente, de nada foi informada.