Aos 21 anos, estava divorciada.
lrreverente, libertaria, mulher de sedutora beleza, lara começa
intensa prática política, sem deixar de se fazer
charmosa, a ponto de pedir às amigas alguma roupa nova
emprestada, quando a política não lhe dava tempo
ou recursos para buscá-la nas lojas. lara não
via motivos para descuidar da beleza em meio às lides
políticas. Professora universitária, feminista,
defensora da igualdade dos direitos, sonhava também com
o amor que chegaria um dia, e com os filhos que traria ao mundo,
ao mundo de injustiças que devia ser transformado. Para
cooperar nesta transformação, lara ingressa na
POLOP, onde logo participa da dissidência e das discussões
sobre a via da luta armada. Foi esse rumo que tomou. Na VRP,
encontra Carlos Lamarca, o amor que ela buscava. A partir daí,
foi a companheira de Lamarca de todas as horas e agruras.
Foram protagonistas heróicos
da história de amor e combate, esperança e luto
que passou a ganhar contornos de mito e minar as fundações
da ditadura.
Em abril de 1971, em discordância
com a VPR, Lamarca e lara ingressam no MR8. Em junho, vão
para a Bahia, onde Lamarca se envereda no sertão, para
estabelecer bases da organização no interior.
Com a prisão de companheiros, dos órgãos
de segurança obtém informação e
iniciam o cerco ao guerrilheiro. Em Salvador, lara é
morta, aos 27 anos, em circunstâncias ainda não
esclarecidas.
Sobre sua morte, há duas
versões. Uma delas, a oficial, diz que teria ocorrido
após tiroteio com policiais deslocados do Rio para prendê-la;
consta que lara se matou para escapar à perseguição
e à tortura. A outra versão, sustentada por alguns
companheiros, é de que teria sido presa e levada para
a sede do DOPS local, onde a torturaram e mataram.
lara foi sepultada por sua família
no cemitério israelense de São Paulo. Seus sonhos
de amor e revolução foram covardemente destruídos.
Os assassinos ignoram que amor e justiça são da
essência humana; por isso, simplesmente, a fugaz trajetória
de lara é imortal.
HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO!