Homenagem
à Walquíria Afonso da Costa
Homenagem
prestada pela Executiva Mineira de Estudantes de Pedagogia no
25º ENEPe Julho 2005
Walquíria
Afonso da Costa nasceu em Uberaba no Triangulo Mineiro dia 2 de
agosto de 1947, filha de Edwin Costa e de Odete Afonso Costa.
Desaparecida
desde 1974 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 27 anos.
Walquíria
fez o curso primário na Escola Normal de Patos de Minas/MG,
e as duas primeiras séries do curso ginasial, no Ginásio
Rio Branco, em Bom Jesus de Itapapoama, Rio de Janeiro.
Com a transferência de sua família para Pirapora, terminou
o ginasial no Colégio Nossa Senhora do Santíssimo
Sacramento.
No
período de 1963 a 1965, estudou no Colégio São
João Batista, em Pirapora, onde terminou o Curso Normal de
formação de professoras, e lecionou em alguns grupos
escolares da cidade.
"Wal"
- como era chamada - prestou concurso público para o Estado
em 1966 e, nomeada na primeira chamada, transferiu-se para Belo
Horizonte, onde passou a lecionar.
Aluna
exemplar, ocupando sempre os primeiros lugares nas escolas por onde
passou, Walquíria prestou o vestibular para o Curso de Pedagogia,
na Universidade Federal de Minas Gerais, classificando-se em segundo
lugar.
Freqüentou
apenas os três primeiros anos do Curso, quando passou a tomar
consciência dos problemas políticos e sociais do País
e, em particular, da própria Universidade. Nessa época,
Walquíria gostava muito de cantar e tocar violão.
Junto
com outros companheiros funda o Diretório Acadêmico
da Faculdade de Educação, em 1968.
Neste período importantes lutas são levantadas contra
cortes de verbas contra os acordos MEC-USAID, fechamento de restaurantes
universitários, Decreto-Lei 477 etc.
As
perseguições políticas começaram a se
intensificar. O prédio da Faculdade de Educação
é cercado, muitos estudantes são presos, torturados
e intimados a comparecer ao DOPS.
Nesse período, Walquíria era Vice-Presidente do Diretório
Acadêmico. Muito perseguida pela polícia, Walquíria
entra então para a clandestinidade
Em
Janeiro de 1971, Walquíria e seu companheiro Idalízio
Aranha ambos militantes do Partido Comunista, decidem se mudar para
a região do Araguaia no Sul do Pará, onde juntamente
com dezenas de estudantes de todo país, passariam a viver
e lutar com camponeses pobres.
Nessa
mesma época Walquíria teve a casa de sua família
invadida por agentes da repressão (DOPS/MG), sob a alegação
de envolvimento em reuniões estudantis.
Vera
como era chamada no Araguaia , fez parte do Destacamento B, comandado
por Osvaldo Orlando da Costa, na localidade de Gameleira. Fora uma
destacada guerrilheira, valente e leal foi provavelmente a última
a ser presa pelo exército, após uma longa fuga de
dez meses na mata amazônica.
"Wal"
foi aprisionada em 25 de dezembro de 1973, quando pedia comida e
água na casa de um camponês da região. “Wal”
foi levada de helicóptero para a base militar de Xambioá,
onde após resistir bravamente a torturas, foi executada com
três tiros.
Mas assim como outras dezenas de militantes, seus restos mortais
até não foram entregues à família.
Walquíria
Afonso da Costa - de muitas lembranças e tantas saudades,
alta, clara, cabelos castanhos e lisos, rosto ovalado, inteligente
e leal é nome da antiga rua 10, no bairro Nova Pirapora,
em Pirapora, Minas Gerais.
Walquíria e Idalízio e tantos outros companheiros
que tombaram no Araguaia haviam descoberto em meio as lutas estudantis,
que o a papel histórico da juventude e da educação
é o de servir ao povo e a sua emancipação,
junto a camponeses lecionavam e alfabetizaram camponeses, prestavam
socorros médicos, além de trabalhar e ajudar nas tarefas
cotidianas.
Moradores
da região ainda hoje lembram com saudades dos estudantes
que viveram na região, ficando assombrados com tamanha selvageria
promovida pelo exército, contra aquela juventude tão
simples e abnegada, que haviam deixado suas casas para viver com
eles.
Rendemos
pois homenagem a essa grande lutadora do povo. Seu exemplo de abnegação
e coragem são fontes inesgotáveis de inspiração
e força no prosseguimento da luta.
Nem
mesmo a morte da companheira "Wal" é capaz de apagar
a chama de sua luta, o nome de Walquíria estará gravado
para sempre nos corações e mentes dos estudantes brasileiros.
A
melhor homenagem que podemos render a Walquíria Afonso da
Costa é o compromisso de continuar sua luta, mantendo de
pé as bandeiras sob a consigna de “Por uma educação
que sirva ao povo” como parte da luta por uma nova sociedade
e um novo mundo. |