Estudantes do Chile enfrentam Lei Geral da Educação (LGE)
A LGE já
foi aprovada pela Câmara de Deputados em 19 de junho e será
votada pela Comissão de Educação do Senado dia 12 de agosto
Protesto
contra a LGE e em defesa da estudante Maria Música
Sepulveda que derramou uma jarra de água na ministra de
educação, Mónica Jiménez. A faixa maior diz: "Se nos
molham molhamos vocês" - em referência aos jatos de água
utilizados pela polícia para reprimir manifestações e à
ação feita pela estudante Maria.
A LGE (Lei Geral da Educação) foi formulada para substituir a
LOCE (Lei Orgânica Constitucional de Ensino) promulgada em março
de 1990 pelo fascista Augusto Pinochet que gerenciava o país
desde 1973 – após golpe militar orquestrado pelos USA.
A LOCE legalizou todo o processo de desmonte da educação pública
aprofundado nas décadas anteriores sob o regime militar. A Lei
desvinculou o Estado (federal) da responsabilidade para com a
educação pública e transferiu-a para os municípios – foi o
processo conhecido como “municipalização”. Ao lado disso, a LOCE
incentiva a criação de instituições privadas de ensino com
dinheiro público e aponta para o atrelamento da educação às
demandas do mercado.
O movimento estudantil e os sindicatos de professores denunciam
que na prática a LGE mantém toda a essência da famigerada LOCE.
Assim como nós aqui no Brasil denunciamos os projetos do governo
oportunista do PT que contêm palavras bonitas para dizer que
está defendendo a educação pública para na prática desmontá-la e
privatizá-la (vide “reforma” universitária e suas partes avulsas
como Pro-Uni, DCN´s, REUNI etc.), os estudantes chilenos também
denunciam o governo oportunista da pseudo-socialista Michelle
Bachelet que aplica todos os ditames das agências do
imperialismo, princip
Estudante joga água na
ministra Mónica. Carro
policial reprime manifestação com jato d'água. Uma lição
pedagógica para a ministra de educação.
almente dos USA, dizendo que
representam "o melhor cenário para a educação pública" (Bachelet
em entrevista, referindo-se à LGE).
A LGE deixa sentidos ambíguos no texto, não definindo, por
exemplo, o compromisso do Estado em financiar a educação. Os
estudantes denunciam que o setor privado continuará abocanhando
recursos públicos com a Lei e que esta não acaba com a
municipalização implementada por Pinochet.
A LGE também aprofunda a retirada de autonomia das instituições,
criando mecanismos de controle e regulação da educação pelo
governo, com o estabelecimento de um Conselho Nacional da
Educação (com caráter consultivo e com o propósito de aprovar
currículos nos colégios), de uma Agência de Qualidade da
Educação (para avaliar o ensino) e uma Superintendência de
Educação – que fiscalizará os colégios e aplicará sanções.
Estudantes,
professores e trabalhadores da educação denunciam também o
caráter discriminatório do processo de seleção contido na Lei,
que leva em consideração a condição sócio-econômica dos
estudantes.
Enfim, a Lei
Geral da Educação implementada por Bachelet é a LOCE de Pinochet
maquiada. Constitui em pequenos ajustes da antiga LOCE às novas
demandas do imperialismo. É mais uma medida gestada nos escritórios do Banco
Mundial que visa destruir a educação pública, prejudicar o povo
e beneficiar o setor privado.
Veja vídeo das manifestações nos últimos meses:
Abaixo, traduzimos
um manifesto publicado em junho, um dia antes da aprovação pelos
deputados: