Juventude grega
se rebela contra assassinato de estudante
"Eu acho que a
violência é justificada. Manifestações pacíficas não podem
solucionar o problema. Eles precisam sentir a pressão das
pessoas para não fazerem isso novamente." (estudante em
reportagem para BBC)
Manifestante
enfrenta polícia assassina com uma pedra na mão
Andreas Grigoropoulos
Na
noite de sábado, dia 6 de dezembro, a polícia matou em Atenas o
estudante de 15 anos Andreas Grigoropoulos com um tiro no peito.
Assim como no Brasil, estes assassinatos cometidos por
instituições do Estado (como exército e polícia) não são exceção
na Grécia, mas precisamente a aplicação de uma política de
repressão ao povo. Por isso, para protestar contra a violência
diária do Estado contra o povo (que também se expressa com o
desemprego, a fome, privatização do ensino e demais políticas
antipovo) dezenas de milhares de jovens foram às ruas e
sacudiram várias cidades do país, mostrando a rebeldia da
juventude e sua audácia em não abaixar a cabeça pra governo
nenhum.
Os protestos se
iniciaram no próprio sábado, continuaram no domingo e seguem
durante esta segunda-feira. Enquanto a polícia continua sua
repressão, prendendo, batendo, atirando, jogando bombas de gás
etc. os manifestantes se defendem com paus, pedras e coquetéis
molotovs. Diversos bancos e lojas estão destruídos por causa dos
confrontos que iniciaram em Atenas e já eclodem em Salônica,
Corfu, Patras, Creta, Honia e outras cidades de norte a sul do
país. Na Alemanha, manifestantes ocupam o consulado da Grécia em
solidariedade.
Esta é a justa
rebelião contra a política assassina do Estado grego e o nível
de vida cada vez mais precário do povo. A vida na Grécia tem
piorado cada ano que passa com sucessivas medidas contra a nação
e o povo implantadas pelo governo subserviente. Há alguns anos
atrás, os estudantes enfrentaram com greve uma “reforma”
universitária que, inclusive, tem muitas semelhanças com a
“reforma” que enfrentamos aqui no Brasil, com avanço da
privatização e atrelamento do ensino às demandas do mercado
capitalista.
Uma reportagem da
BBC publicou as falas de um estudante que manifestava: "Não é a
primeira vez. Eles sempre matam pessoas, imigrantes, gente
inocente, e sem nenhuma justificativa. Eles mataram (o
adolescente) a sangue frio", disse. "Eu acho que a violência é
justificada. Manifestações pacíficas não podem solucionar o
problema. Eles precisam sentir a pressão das pessoas para não
fazerem isso novamente".
Enquanto o
imperialismo se atola em mais uma grave crise, os povos em todo
o mundo se levantam em lutas e golpeiam seu inimigo comum. Na
Europa, só no último mês a juventude protagonizou enormes lutas
como as greves na Alemanha e Espanha contra cortes de verba no
ensino e na Itália contra a
Reforma Gelmini. Agora, dezenas de milhares de jovens
incendeiam as ruas da Grécia no seu justo direito de rebelião!