Itália:
“Reforma” de Berlusconi/Gelmini é privatização do ensino público
Diversas
reitorias estão ocupadas. Manifestações de rua são diárias.
Greve Geral dia 30 de outubro paralisou o país.
Mais de um
milhão de estudantes secundaristas, universitários, professores
e trabalhadores em educação sacodem o país para derrotar a
“reforma” do ensino aplicada pelo governo de Silvio Berlusconi.
Dois decretos da “reforma” já foram aprovados na Câmara de
deputados e no Senado (decreto 112 convertido em lei 133 e
decreto-lei 137).
Em meio ao
aprofundamento da crise financeira do sistema imperialista, as
classes dominantes têm se preocupado em expedir medidas para
salvar suas grandes empresas e bancos com dinheiro público, além
de aprovar políticas para cortar direitos e diminuir gastos com
o povo. É sob esta lógica que o governo italiano aprovou a
“reforma” Gelmini (sobrenome da ministra da Educação) para
desmontar o sistema público de ensino.
Em agosto foi
aprovada a lei 133 cujo conteúdo diz respeito ao ensino
superior. Entre as modificações danosas ao ensino público estão
o corte de verbas, a transformação das Universidades
Públicas em Fundações Privadas e a demissão de
professores e funcionários.
O
corte de verbas está programado da seguinte forma (em Euros):
456 milhões em 2009; 1,650 milhão em 2010; 2,538 milhões em
2011; 3,188 milhões em 2012. Como se vê, um corte drástico de
recursos – que integrará o montante destinado a salvar os
grandes capitalistas que se despedaçam em mais uma crise.
A transformação das
Universidades Públicas em Fundações Privadas é a medida
escancarada para acabar de vez com o compromisso do Estado na
manutenção das Instituições e passar o ensino para as mãos do
setor privado. É destruir o sistema nacional de ensino, custeado
pelo Estado, e passar as Universidades para mãos de empresas
que, sem nenhum compromisso com o desenvolvimento científico,
colocarão a produção de conhecimentos a serviço dos seus lucros.
Este é o ponto norteador da privatização do ensino superior.
A demissão do quadro
docente e de técnicos-administrativos também é colossal: está
previsto o fim de 86.000 postos de trabalho. Mais uma
medida para conter gastos públicos – estes mesmos que, hoje,
estão indo aos bilhões para grandes bancos em crise.
O decreto 137 foi
aprovado no dia 29 de outubro no Senado em meio a intensas
mobilizações em toda a Itália. Esta parte da “reforma” diz
respeito ao ensino primário.
Um dos pontos mais
polêmicos é o do “professor único” que determina um único
professor para todas as disciplinas até a 5ª série (hoje são 3
professores, dividindo as disciplinas, para cada 2 turmas). O
novo sistema começará já em 2009.
Outro ponto que
precariza o ensino primário é a redução das horas de aula
de 29-31 por semana para 24 horas. Além de prejudicar o ensino o
governo criou outro problema: os pais, que obviamente não
tiveram sua carga de trabalho diminuída, precisarão arranjar
meios para ocupar seus filhos (ou pagar para que cuidem deles).
Está claro que as famílias mais pobres serão as mais afetadas.
Também está definido
grande corte de verbas do ensino público primário: para
os próximos 4 anos serão 7,8 bilhões de euros que deixarão de
ser destinados para a educação escolar. Além deste corte
absurdo, o Estado demitirá 87 mil professores e 44 mil
funcionários.
Este é o início do
resultado de mais esta crise do sistema imperialista. Os países
avançados e as classes dominantes farão de tudo para que os
povos e nações oprimidas paguem por esta crise. Isto significa
que os operários, camponeses, estudantes, professores, enfim,
trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, devem unir toda
sua energia para não permitir mais exploração e fazer com que
sejam os ricos que paguem por esta crise.
Milhões de
desempregos, corte generalizado de direitos do povo, redução de
gastos sociais... As classes dominantes farão de tudo para
salvarem seus patrimônios e só o povo organizado pode deter esta
ofensiva e empurrar para os grandes capitalistas a conta de sua
própria crise.
A “reforma” do
ensino na Itália já afirmou o fim da educação pública e gratuita
e a demissão de milhares de trabalhadores. Este será o caminho
adotado por todos os governos seja dos países imperialistas e,
principalmente, das colônias e semicolônias - como o Brasil -
para salvarem-se da crise.
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Abaixo a reforma Gelmini!
Defender o ensino público e gratuito!
Morte ao imperialismo! Viva a
rebelião popular!
Rebelar-se é justo!