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Katmandu
assiste a comício maoísta sem precedentes
5
de Junho de 2006. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.
A 2
de Junho, o Partido Comunista do Nepal (Maoista) realizou um enorme comício
público em Katmandu, com uma dimensão que o país
nunca antes vira. Esta foi a primeira vez em que os maoistas puderam desenvolver
qualquer actividade pública na capital desde há vários
anos. Estimativas da dimensão da multidão iam de “pelo
menos 200 000 pessoas” (BBC) até meio milhão. O trânsito
foi desviado do centro da cidade por causa das enormes multidões
que enchiam as ruas. Centenas de veículos de transportes públicos
emprestados trouxeram as pessoas das zonas libertadas revolucionárias
e outras zonas rurais de todo o Nepal central. Muitas das pessoas nunca
antes tinham estado na capital. Houve quartos de hotel a preços
especiais e foram erguidas tendas por todo o lado. Entre os moradores
das zonas urbanas presentes, muitos eram apoiantes dos maoistas e outros
queriam ouvir o que os maoistas tinham para dizer. A responsabilidade
pela protecção da multidão e por manter tudo organizado
e disciplinado foi atribuída a milhares de jovens voluntários,
incluindo um grande número de raparigas. Todos usavam t-shirts
vermelhas com uma imagem do Presidente Prachanda do PCN(M). As forças
governamentais tinham instalado perigosas redes de arame farpado e forças
de segurança fortemente armadas estavam preparadas para impedir
a multidão de marchar rumo ao palácio real, situado a apenas
algumas centenas de metros do local do comício.
A localização tinha um grande significado político.
A multidão extravasou largamente o teatro ao ar livre e espalhou-se
pelo Tudikhel, um terreno para paradas militares situado atrás
do teatro, que nunca antes estivera aberto ao público. Até
essa altura, servira exclusivamente para as cerimónias do rei.
As pessoas sentaram-se nas cadeiras que até aí raramente
tinham visto traseiros que não os do rei e dos seus generais feudais.
Foram colocadas bandeiras vermelhas comunistas na tribuna da parada, que
nunca antes tinha visto outros símbolos que não os da dinastia
feudal dos Shah.
Além de espectáculos de música e de dança,
o principal orador foi Kirshna Bahadur Mahara, líder da equipa
que prepara as negociações entre o PCN(M) e o parlamento
recentemente reinstalado. Ele criticou os partidos parlamentares por se
terem afastado do acordo em 12 pontos com o PCN(M) que levou à
insurreição nacional contra o rei e pela sua teimosa relutância
em dissolver o parlamento e convocar eleições para uma assembleia
constituinte.
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