| O
caráter revolucionário e nacional da ciência e da técnica em nosso
país
O
homem é produto da natureza, o seu mais avançado desenvolvimento.
Longe de ser o “câncer do planeta” como querem alguns, ele é a
realização da matéria enquanto ser pensante. E é justamente a
capacidade de pensar que difere os homens de todos os outros seres.
Como não atua somente com respostas condicionadas ao meio ele
é capaz de realizar gigantescas transformações no mundo, mesmo
com sua força e tamanho pequenos foi o que, sem qualquer comparação,
mais transformou a realidade que está inserido. Esta capacidade
de pensar nada tem de mágico e teve como base bem material nada
mais que sua mão com seu polegar opositor. Foi este pequeno detalhe,
que dá ao homem a capacidade de movimento de pinça com os dedos,
que nos fez pensar. Aliás, mais que isto, foi esta característica
presente em determinada espécie de macaco que possibilitou e impulsionou,
através do trabalho, sua transformação em humano. Com esta mão
o homem primitivo foi capaz de tornar seu trabalho muito mais
eficiente e preciso. E nossos antepassados precisavam trabalhar
muito para superar as debilidades naturais, no trabalho da luta
por sua sobrevivência foi que o cérebro do homem se desenvolveu.
A mão com polegar opositor e o trabalho geraram o que somos hoje,
Homo sapiens.
Nosso
telencéfalo altamente desenvolvido é a chave para a superioridade
do homem em relação a todos os demais animais, pois nós ao contrário
de todos os outros seres realizamos não mais um simples trabalho,
mas sim um trabalho pensado. Quando um homem corta uma árvore
ele o faz consciente, ou seja: antes de derrubá-la o homem “planeja”
tal ato na cabeça ou a derruba antes “na cabeça”. Já um castor
derruba simplesmente por instinto. Não é atoa que o pobre castor
derruba árvores do mesmo jeito desde seu surgimento, ao contrário
do homem, que com o passar do tempo é capaz de desenvolver técnicas
cada vez mais aperfeiçoadas, pois como temos a capacidade de refletir
sobre a realidade, podemos melhorar a cada experiência. Somos
a matéria em seu movimento mais complexo e desenvolvido. Só os
humanos podem ter consciência de sua existência. Conhecer e transformar
a realidade é então a razão da existência humana.
KARL MARX
O maior cientista de todos os tempos

A
ciência é a luta do homem por conhecer a realidade, o mundo. É
a infinita busca pela verdade. E desde o início de nossa existência
buscamos interpretar o mundo que nos cerca, conhecer as leis da
natureza, prever seus fenômenos. O desenvolvimento científico
impulsionou o avanço da técnica possibilitando-nos interferir
cada vez mais no meio. É com base nesta interferência no meio,
a luta por dominar a natureza, que se assentou os primórdios de
nossa sociedade. Desde sua origem, na luta pela produção das suas
necessidades materiais e espirituais, o homem entrou em determinadas
relações sociais, independentes de sua vontade e que determinavam
o seu pensamento. A luta pela produção é a mais antiga, a originária
forma de prática social do homem. O desenvolvimento das formas
como o homem produz e o aumento da complexidade de suas relações
sociais, chegado em um determinado estágio de desenvolvimento,
fez surgir a sociedade de classes antagônicas. A partir deste
estágio, o da conformação da sociedade de classes antagônicas,
surge uma nova forma de prática social, a da luta de classes,
que elevou enormemente sua capacidade de produção dentro de um
determinado modo que, atingido um certo grau de desenvolvimento,
passa a entravá-lo. As relações sociais estabelecidas entre os
homens na produção material de sua existência de um determinado
modo, no seu início impulsiona o progresso geral e chegado a um
certo grau de seu desenvolvimento, passa a entravá-lo. Daí que
surge a necessidade de um novo modo de produzir que libere o progresso
e prossiga seu desenvolvimento. E isto é feito pela própria luta
de classes.
A
luta de classes é o motor da História”, pois ela com suas contradições
antagônicas, que só se resolvem com a transformação das relações
de produção (a forma como os homens e suas classes se relacionam
na luta por produzir), produziu as revoluções sociais e bruscas
modificações na forma como o homem produzia e consequentemente
na sua forma de pensar.
A
terceira forma de prática social do homem é a investigação e experimentação
científica. E ela é, em geral e sobretudo, a sistematização das
outras duas outras formas: a luta pela produção e a luta de classes.
É o conhecimento, sua elaboração, a ciência em seu desenvolvimento
constante. A ligação da ciência com a revolução social se encontra
no fato de que essa exige honestidade e desinteresse. Somente
quem deseja transformar toda a realidade social pode desenvolver
estas qualidades. Para as classes dominantes exploradoras do trabalho
humano não interessa, a partir de determinado momento, a revelação
da verdade. Necessitam do obscurantismo para manterem as massas
sob seu regime de exploração e opressão. A ciência é portanto
inimiga do status quo, ela é em essência transformação, pois conhecer
é transformar. Neste sentido, hoje, a chamada produção científica
da burguesia nada tem de ciência pois não serve para libertar.
Todo o desenvolvimento da técnica burguesa está voltada para o
lucro de alguns poucos burgueses mantido pela a exploração de
bilhões de trabalhadores. O que aprendemos ser ciência, e que
a mídia em geral difunde, são incrementos tecnológicos em suas
bugigangas que aparentemente representam grandes avanços. Mas
que avanço para a humanidade representa um DVD, microondas ou
um carro que aceita comando de voz? Nenhum. O que aparentemente
são produtos confortáveis não passam de mercadorias que dominam
seus produtores. E é uma dominação concreta pois, por mil vias,
somos forçados à necessidade delas, o que nos causa a impressão
de que cada novidade era o que faltava para nosso bem estar. Mas,
basta ver que nunca estamos satisfeitos para perceber que não
são nossas necessidades que criam estas mercadorias, e sim estas
mercadorias que criam tais necessidades. A
burguesia produziu ciência, mas claro, somente em seu período
revolucionário, no período que destruía sem piedade toda a velharia
do mundo feudal, dando assim grandes contribuições para o desenvolvimento
da humanidade. Estes cientistas burgueses, como não podia deixar
de ser, foram em sua época grandes revolucionários. Foi este espírito
revolucionário burguês que deu à sociedade humana o renascimento,
o iluminismo, o movimento naturalista e racionalista, o desenvolvimento
das matemáticas com o cálculo diferencial e uma nova concepção
da geometria, da física com as descobertas do eletromagnetismo,
da biologia com a teoria da evolução das espécies, da química
com a divisibilidade e transformação da matéria, na filosofia
com a retomada do materialismo e da dialética, da economia com
os primórdios das leis do valor, renda e mais-valia (a rigor mais-valia
é uma categoria de Marx), das ciências sociais com o pensamento
socialista, ainda utópico, de uma nova sociedade. Todas estas
mudanças e avanços combinados com um grande desenvolvimento da
produção, primeiramente com o mercantilismo e depois com a revolução
industrial, se deram em luta aberta contra toda estrutura econômica
e social da sociedade feudal. Foram duros embates contra as relações
feudais e a cultura de medo e obscurantismo determinada por esta.
Mas ao tomar o poder, a burguesia busca consolidá-lo num estado
como instrumento para manter e ampliar a exploração do proletariado,
bem como a dominação em geral, passando à luta direta e aberta
contra essa nova classe. De classe revolucionária que joga papel
revolucionário na história passa a desempenhar papel reacionário.
É que a burguesia, como parte principal de uma nova formação social
que surge do seio da velha sociedade feudal a destrói é revolucionária
e ao mesmo tempo, sendo uma classe que também se sustenta na exploração
do trabalho, é contra-revolucionária. Daí, dentre outras decorrências,
não leva até o fim a luta contra o idealismo inclusive se aliando
e mantendo várias instituições feudais como a Igreja Católica.
A verdade, necessariamente, deixará de interessar à burguesia
e esta trai seus precursores caindo na mediocridade, na leviandade,
na falsificação e no espírito comercial falsificado como ciência.
Este caráter reacionário do pensamento burguês se acentua quando
sua sociedade capitalista entra em seu estágio monopolista e superior,
que é sua última e decadente fase, o imperialismo. A partir daí
nada de progressista é produzido pela burguesia, ela rompe totalmente
com a ciência, prostituindo-a. E mesmo quando realiza descobertas
estas se perdem em seu pensamento limitado pela necessidade de
justificar e manter a exploração de centenas de milhões, de até
bilhões de pessoas para sobreviver enquanto classe, entravando
todo o progresso, decompondo a sociedade, depredando e degradando
todas as condições naturais da Terra.
Todos
aqueles que querem ser cientistas, que querem produzir ciência
devem ter em mente que não basta transformar a matéria somente
no laboratório ou na sala de aula. Há que fazê-lo em todas as
esferas de nossa vida. Para contribuirmos com a ciência devemos
estar comprometidos com o progresso geral das amplas massas de
nosso povo, com sua completa libertação de todas as formas de
exploração e opressão. Contribuir e apoiar sua luta de alguma
forma. Portanto o caráter revolucionário da produção científica,
está no fato de que ela só pode ser feita longe dos marcos da
dominação burguesa reacionária, fora de seu controle, consequentemente
está em contrário dos interesses do imperialismo. Assim, o desenvolvimento
científico caminha junto da luta pela libertação popular e nacional,
contra a dominação reacionária imperialista. Devemos ter sempre
em mente que só com a total libertação do domínio imperialista
é que teremos condição materiais e subjetivas para produzirmos
ciência.
Toda
produção científica ocorre na luta pela produção e dentro da luta
de classes e que na época do imperialismo é impulsionada pelo
pólo mais avançado e revolucionário da contradição que encerra
esta sociedade, o proletariado. Caminha junto do povo e buscará
sempre resolver os problemas das grandes massas. Assim que, concretamente
em nosso país, segundo as leis que tem regido seu desenvolvimento
econômico-social, se faz necessário dar cabal solução à pendente
questão agrária, camponesa, nacional e proletária. Impulsionar
a revolução agrária baseada no programa do proletariado para o
campesinato pobre e levar de forma ininterrupta a revolução democrática
para o socialismo é o marco no qual se pode, concretamente, produzir
ciência em nosso país hoje. De nada adianta pensar em “grandiosos
projetos” pois estes são infinitamente menores que o de
transformar nosso país e o mundo. Que comecemos com pequenos projetos
mas que sejam nossos, a ciência tem a marca da ousadia. Os verdadeiros
amantes da ciência lutam pelo novo mundo pois nele teremos o pleno
desenvolvimento científico, onde se levantarão as bases materiais
para as mais gigantescas transformações sobre as quais se abolirão
as classes sociais, a exploração do homem pelo homem, as diferenças
entre cidade e campo, as diferenças entre trabalho manual e intelectual
e as desigualdades entre mulheres e homens. Onde toda a humanidade
estará liberta do idealismo, em que sairemos do reino da necessidade
para entrarmos no reino da liberdade, onde todos sem exceção serão
cientistas. Aí sim veremos a ciência fluir. Por “sorte” nossa
o conhecimento da humanidade é infinito e sem limites é a capacidade
humana. Pois a contradição é a lei única universal que rege a
transformação incessante da matéria eterna e assim sendo, a razão
da existência humana nunca acabará e sempre teremos novas descobertas
a fazer para dar solução à contradição entre o velho e novo, entre
o certo e o errado. |