| Impulsionar
o Movimento Estudantil Popular Revolucionário:
Tarefa
da Corrente Democrática do Estudantes
“Os
estudantes social-democratas (comunistas) não têm direito de renunciar
a semelhante trabalho, sejam quais forem as circunstâncias. E
por mais difícil que seja esse trabalho no momento presente, por
muitos que sejam os fracassos que sofram alguns ou outros agitadores
em uma ou outra universidade, associação de estudantes, assembléia,
etc., lhes diremos: chamai e lhes abrirão! O trabalho de agitação
jamais é em vão. Seu êxito não se mede unicamente pelo fato de
alcançarmos agora, no ato, a maioria ou acordo para a ação política
coordenada. É possível que não consigamos isso, no ato: precisamente
porque somos um partido proletário organizado, não podemos afligir
pelos reveses transitórios, e sim realizar nosso trabalho com
tenacidade, de modo imutável, com firmeza, inclusive nas condições
mais difíceis.” (Lênin, “O Movimento Estudantil e a Situação Política
Atual”)
Somente
nos afastando do velho e oportunista movimento estudantil de Une
e Ubes foi possível construir algo realmente novo. Somente a partir
da negação total, profunda e científica do velho construiríamos
o novo. Essa é uma lei da natureza: o novo só surge a partir da
destruição do velho.
O
marco inicial deste importante processo de construção do novo
movimento estudantil data de novembro de 1995, Congresso da Ubes,
Goiânia. Neste congresso, diante da impossibilidade de qualquer
discussão séria (pois este não é o objetivo destas atividades),
rompemos com todo o oportunismo no movimento estudantil. Decidimos
nos organizar a parte para construirmos um movimento desintoxicado
da burocracia, eleitoralismo, pacifismo e legalismo; da
utilização das entidades estudantis como poder de barganha em
acordos e de suas direções atreladas com a burguesia. Demarcamos
claramente nossa posição frente a toda esta gente - PCdoB, PT,
PSTU, PCBrasileiro - e aplicamos a decisão de construir o campo
revolucionário, que tenha ligação profunda com as amplas massas
estudantis e populares e organize-as para a luta.
Com
esta correta decisão é que se tem desenvolvido a corrente proletária
revolucionária no movimento estudantil. Estudantes decididos a
adotarem a concepção científica do mundo, assimilando a ideologia
do proletariado através do estudo e da prática, decididos a viver
com as massas mais pobres da cidade e do campo, trabalhar e lutar
com elas, servindo-as. Estudantes decididos a não se intimidarem
com a repressão, a não aceitarem calados e imóveis a violência
deste podre Estado contra o povo; decididos a lutarem de todas
as formas contra o sistema capitalista e os regimes de fome, miséria
e opressão que ele dissemina em nosso país e em todo mundo.
A
partir desta análise passamos a trabalhar dentro das escolas secundaristas
e universidades, no intuito de construirmos um novo movimento
estudantil que conte com uma forte organização de base pois, como
dizia Lênin, quem possui grandes objetivos necessita de uma forte
e sólida organização para concretizá-los.
Nosso
movimento luta contra o imperialismo, contra a burguesia, contra
o latifúndio e toda reação, pela revolução e pelo socialismo.
Entendemos que a democracia burguesa é a ditadura de classe da
burguesia para oprimir e explorar a classe operária, os camponeses
e as massas populares de uma forma geral. Por isso mesmo não temos
ilusão nenhuma com qualquer governo burguês fantasiado de democrático
e seus processos eleitorais corruptos e farsantes. Sabemos que
temos de nos preparar no plano teórico e prático para darmos nossa
contribuição à luta revolucionária de nosso povo.
Organizar
o Novo Movimento Estudantil nas escolas secundaristas e universidades
Construir
e desenvolver a tendência mais radical, mais combativa e mais
atuante no movimento estudantil tem demandado grande esforço e
zelo da vanguarda revolucionária, ou seja: a política no posto
de comando, disciplina, método e abnegação. Temos sempre que realizar
nossas atividades com a mais ampla propaganda do socialismo e
do caminho para sua conquista no Brasil: a revolução democrática
popular e anti-imperialista, cujo caminho único e possível é o
da violência revolucionária das massas e da construção desde já
de embriões de poder popular, de instrumentos próprios da revolução,
condição imprescindível para a derrubada de todo esse sistema
explorador e opressor. Compreendendo que a situação de exploração
e opressão dos camponeses nos países coloniais e semi-coloniais
é a opressão mais aguda, que demanda a aliança desse com a classe
operária, como base de uma frente única de classes revolucionárias,
sob hegemonia do proletariado, para cercar e destruir o sistema
de exploração e opressão.
É
esta compreensão proletária que nos impulsiona a lutar sem reservas
por desenvolver junto aos estudantes o movimento popular revolucionário
para que o movimento estudantil seja base da revolução, parte
da frente única revolucionária e não campo da diluição e vacilação
pequeno-burguesa que o ameaça dada suas próprias características,
para que não sirva à contra-revolução. Daí que, são tarefas imprescindíveis
um conjunto de atividades que vão desde organizar palestras, exposições
e vendas de materiais revolucionários, debates, exibição de filmes
e músicas revolucionárias, passando pela agitação e lutas contra
os governos de turnos da grande burguesia e latifundiários, serviçais
do imperialismo, até a luta pela completa destruição do seu estado
genocida. Contra o governo de FHC, sua política de liquidação
da soberania do país, de destruição da capacidade produtiva nacional,
de destruição da capacidade intelectual do país com o desmantelamento
dos centro de pesquisas científicas e gradual privatização do
sistema de ensino em geral e da universidade em particular. Contra
quaisquer governos surgidos desse processo eleitoral apodrecido
destinado a dar legitimidade e perpetuar o estado reacionário
em benefício da luta revolucionária pela destruição deste velho
e carcomido Estado, pelo triunfo da revolução e construção do
novo estado da nova democracia.
No
plano imediato e mais específico, lutamos por organizar de forma
planejada e por etapas, partindo das universidade e escolas mais
importantes, atividades relacionadas com o mundo da educação,
buscando exercer cada vez mais o controle e verdadeira autonomia
pelas mesmas, transformando-as em bases da revolução. Não se pode
subestimar que o inimigo planejou para as universidades, políticas
de reduzir sua já combalida e minguada autonomia, se que assim
pode se chamar, até seu completo fim.
O
Trabalho de Massas do Novo Movimento Estudantil
“Em
todo o trabalho prático do nosso Partido, toda a direção correta
é necessariamente ‘das massas para as massas’. Isso significa
recolher as idéias das massas (idéias dispersas, não sistematizadas),
concentrá-las (transformá-las por meio do estudo em idéias sintetizadas
e sistematizadas), ir de novo às massas para propagar e explicar
essas idéias de maneira que as massas as tomem como suas, persistam
nelas e as traduzam em ação; e ainda verificar a justeza dessas
idéias no decorrer da própria ação das massas. Depois é preciso
voltar a concentrar as idéias das massas e levá-las outra vez
às massas, para que estas persistam nessas idéias e as apliquem
firmemente. E assim por diante, repetindo-se infinitamente esse
processo, as idéias vão-se tornando cada vez mais corretas, mais
vivas e mais ricas. Tal é a teoria marxista do conhecimento (Mao
Tsetung em, “A propósito dos métodos de direção”)
Rechaçamos
por completo e combatemos toda a prática do oportunismo, repudiamos
e denunciamos os antros de oportunismo que há muito tempo se tornaram
a Une e Ubes, e todos os partidos dessa esquerda legal eleitoreira
oportunista traidores do povo, como parte do trabalho revolucionário
que temos que temos realizado e seguiremos realizando.
No
entanto, sabemos que somente esta atitude firme frente ao oportunismo
encastelado não é suficiente. De nada adiantaria milhares de panfletos
de denúncia política se nosso trabalho não estivesse profundamente
enraizado em nossas escolas e universidades, assim devemos persistir.
É decisivo seguir levando mais a fundo o princípio que tem nos
norteado de que o centro da ação revolucionária são as massas,
são elas que decidem tudo, são elas que fazem a história. Pois
para nós, a luta não teria nenhum sentido se não estivesse centrada
nas massas como forças fundamentais para resolver seus problemas,
para conquistar e realizar seus amplos interesses. Nosso trabalho
não seria revolucionário se nos contentássemos em formar pequenos
círculos de debate e estudo da teoria revolucionária. A razão
de ser da luta parte da existência das massas nas duras condições
em que vivem. Para realizar os interesses das amplas massas populares
é indispensável que elas se organizem cada vez mais adquirindo
consciência profunda dos seus problemas e das formas justas de
resolvê-los e esse deve ser nosso objetivo central: levar aos
estudantes de cada escola a boa nova do socialismo; colocar nossa
energia revolucionária a serviço da luta do povo, organizando
um número cada vez maior de jovens que se disponham a dedicar
suas vidas à conquista da libertação de nosso povo.
É
necessário combater o oportunismo desenvolvendo uma prática nova
e verdadeiramente revolucionária. Realizar entre as massas jovens,
principalmente estudantis, um trabalho paciente nas diferentes
esferas política, ideológica, cultural e orgânica. Além de tal
conteúdo combativo, classista, revolucionário que deve impregnar
a nossa prática, sua forma deve partir de centrar no fortalecimento
do trabalho de base, no trabalho “miúdo”, cotidiano, começando
da nossa sala de aula, na constituição e desenvolvimento de grupos,
núcleos, comitês, etc., nos locais de estudo e centros de atividades
culturais e esportivas, visando com nossa atuação cotidiana elevar
o nível teórico, político e ideológico de ativistas e massas onde
estamos atuando.
Organizar
por escolas e fortalecer aí a atividade junto às massas, participando
do seu dia a dia, levantando suas reivindicações e organizando
nos mais diferentes níveis a luta das massas, além de um permanente
trabalho de informação, agitação política, de denúncias do imperialismo,
da reação, da burguesia e do latifúndio, esforçando-se para realizar
da forma mais criativa um sistemático trabalho de propaganda revolucionária.
Para esse trabalho de base é imprescindível partir de situações
e fatos concretos para organizar a denúncia e a propaganda, utilizando
as mais variadas formas que possam atrair e aproximar os elementos
avançados atingindo profundamente as massas.
De
um modo geral o trabalho de massas nas suas distintas etapas deverá
no plano político levantar as reivindicações mais sentidas, apontar
a origem dos problemas, as causas que provocam e mantêm o povo
na miséria e debaixo da opressão, denunciando os diferentes governos
de plantão da grande burguesia e do latifúndio a serviço do imperialismo.
Afirmar
a linha revolucionária no movimento estudantil
Apontar
que este sistema de exploração e opressão é o sistema capitalista,
que só espalha fome, doenças, morte, ódio, egoísmo, injustiça
e opressão do homem. Mostrar que a alternativa é de classe, é
o socialismo, sistema social dos trabalhadores e que para atingi-lo
devemos conquistar o poder popular e assegurar a construção da
nova sociedade. Mostrar que a luta estudantil verdadeiramente
revolucionária tem que compreender esta questão e não se contentar
em travar uma luta por conquistas imediatas, na ilusão de que
é possível conquistar uma escola democrática, que desenvolva o
saber garantindo a todo o povo o acesso a ele, sem uma mudança
radical na sociedade, sem que o povo tome o poder.
Para
fortalecer o trabalho ideológico de massas, é decisivo que nos
eduquemos todos do ponto de vista de classe, difundir a ideologia
do proletariado, termos claro o papel do Estado, como instrumento
de violência da burguesia, do latifúndio e do imperialismo. Educar
as massas na luta contra o aparelho policial-militar. Desenvolver
e encarnar os símbolos da luta como a bandeira vermelha internacional
dos trabalhadores, as canções combativas de luta, a Internacional.
Divulgar a história das lutas de nosso povo, nossos heróis são
as massas de nosso país, que lutam e sempre lutaram por uma nação
livre e fraterna.
A
justa conduta moral do militante do novo movimento estudantil
“Qual
é o critério que permite determinar se um jovem é ou não revolucionário?
Como fazer tal distinção? Apenas existe um critério: verificar
se este jovem quer ou não ligar-se às grandes massas operárias
e camponesas e se, efetivamente, se liga a elas. Se ele ligar-se
aos operários e camponeses, e se o faz efetivamente, então é um
revolucionário; no caso contrário, é um não revolucionário ou
um contra-revolucionário. Se hoje ele se liga às massas de operários
e camponeses, hoje ele é um revolucionário. Mas se amanhã ele
deixa de ligar-se a elas ou passar a oprimir as pessoas simples
do povo, então ele será um não revolucionário ou um contra-revolucionário”
(Mao Tsetung em “A orientação do movimento da juventude” - 4 de
maio de 1939)
Uma
das mais importantes lutas que temos que travar no seio de
nossa Corrente e do movimento estudantil é a luta por animar a
todos no esforço por adotar uma conduta correta, desenvolvendo
uma moral revolucionária, como fator determinante para destruirmos
toda a podridão da moral burguesa hipócrita, individualista e
egoísta. A luta por nossos objetivos maiores só poderá triunfar
se construirmos desde já uma nova forma de convivência e relacionamento
entre nós.
Devemos
exercitar a crítica e autocrítica como o único modo correto de
combatermos desvios que a sociedade burguesa introduz dentro de
todos nós. A sociedade pela qual lutamos e sonhamos um dia realizar,
o socialismo, é feita de fraternidade e solidariedade coletivas
e desde já devemos praticá-las. Temos que lutar hoje, companheiros,
para transformar nossa organização em embriões da sociedade futura.
Uma
das questões a destacar-se nesta luta é o enfrentamento do problema
do álcool e das drogas. Todos sabemos o quanto é destruidor para
os seres humanos do ponto de vista da saúde física e mental e
da vida familiar. A sociedade capitalista facilita e estimula
a utilização das drogas e do álcool por duas razões: a primeira
é que ela representa um fabuloso negócio onde se lucra bilhões
de dólares; a segunda é que a droga, o alcoolismo são instrumentos
eficientes para afastar as massas da compreensão real dos seus
problemas, tornando-as apáticas e descrentes, facilitando a exploração
e a dominação.
E
nós do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, que estamos
cada dia mais conscientes e mais dispostos a dar nossas vidas
pela luta do nosso povo, acreditamos no futuro luminoso que a
humanidade tem pela frente e portanto não necessitamos de qualquer
fórmula química que nos faça sonhar. Nossos sonhos são realizáveis
e o construímos a cada dia, com cada pequena ação de cada um de
nós no rumo revolucionário. O que devemos nos propor a cada dia,
companheiros, é trabalharmos para nos formarmos seres humanos
melhores, para nos formarmos comunistas!
Convocamos
a todos estudantes do Brasil, àqueles que se revoltam diante deste
sistema capitaslita e que não aceitam como natural um mundo tão
injusto como este em que vivemos; que tenham o espírito rebelde
e ousado; que estejam dispostos a dar uma contribuição para a
revolução em nosso país; chamamos todos àqueles que querem ser
continuadores das gerações passadas de jovens e estudantes brasileiros
que nunca baixaram a cabeça diante da repressão e sempre se decidiram
a lutar ao lado do povo, àqueles que tenham no coração e nas mentes
a decisão da juventude palestina, convidamos a todos estes a ingressarem
em nosso movimento para juntos trilharmos o luminoso e libertador
caminho da revolução! |