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9
de agosto de 2001: seis anos da batalha de Santa Elina
Camponeses
de Rondônia seguem firmes na resistência à repressão, na luta
pela destruição do latifúndio e conquista da terra
Na
madrugada do dia 9 de agosto de 1995, centenas de policiais fortemente
armados e pistoleiros fardados invadiram um acampamento de camponeses
pobres na fazenda Santa Elina, município de Corumbiara, Sul de
Rondônia. Foi uma ação covarde arquitetada por latifundiários,
juízes, PM e pelo governo do estado. Um grande aparato de mais
de 500 policiais e para-militares foi montado para reprimir as
cerca de 350 famílias que lá estavam acampadas desde julho do
mesmo ano. Estas famílias eram todas de camponeses pobres da região
que, sem mais nenhuma alternativa de sobrevivência, se organizaram
para ocupar a fazenda Santa Elina.
O
estado de Rondônia tem um histórico de enfrentamentos entre camponeses
e latifundiários; centenas de pobres já foram assassinados na
luta pela terra. Na invasão ao acampamento da fazenda Santa Elina
12 camponeses foram assassinados, entre eles uma mulher e uma
criança de 7 anos - Vanessa Santos Silva. O massacre só não foi
ainda maior devido a forte resistência imposta pelos camponeses,
que se defenderam com destemor. Além dos assassinatos a polícia
montou um campo de concentração e por um dia inteiro torturou,
violentou mulheres e humilhou os trabalhadores, com toda a selvageria
e ódio reacionários. Durante a investida na madrugada, em que
os camponeses rechaçaram os ataques, a tropa de assassinos não
avançou, o que somente conseguiu fazer quando o dia já clareava
e esgotara a munição da resistência camponesa. Ainda assim, para
penetrarem no acampamento utilizaram mulheres e crianças como
escudo. No acampamento, os assassinos praticaram todo tipo
de barbaridades contra pessoas imobilizadas, chegando ao cúmulo
de obrigar um jovem a comer pedaços do cérebro de um outro camponês
que tivera a cabeça esfacelada por golpes de porretes.
Tal
selvageria desenfreada foi cometida com intuito de amedrontar
as massas camponesas para que elas não ousassem mais tomar terras.
Porém “o sangue não afoga a revolução, senão que a rega”;
isto foi comprovado pelos camponeses pobres de Rondônia que, após
a Batalha de Santa Elina, intensificaram a luta pela terra, espalhando
as tomadas de terras por todo o estado e por todo o Brasil.
Há
exatamente um ano atrás, o julgamento do caso Corumbiara revelou
toda farsa da justiça quando se trata de julgar os crimes do Estado
e das classes dominantes. Como era de se esperar nenhum dos conhecidos
responsáveis pelas atrocidades cometidas contra as massas pobres
de Rondônia foi condenado e preso. Como no caso de Eldorado de
Carajás as autoridades que ordenaram o massacre, os latifundiários
que ajudaram coordená-lo e os oficiais da polícia que comandaram
as operações nada sofreram. Um dos que participaram diretamente
na coordenação do crime, o latifundiário Antenor Duarte, conhecido
organizador de paramilitares, famoso por seus crimes contra camponeses
e indígenas, não teve seu nome sequer citado na fase final do
processo.
Mas
nada se pode esperar desta justiça a serviço do latifúndio e da
burguesia; a verdadeira vingança dos assassinados em Santa Elina
está sendo feita na luta. Hoje, neste estado, uma forte tempestade
começa a se levantar; são os homens e mulheres organizados na
Liga dos Camponeses Pobres que, como continuadores dos que caíram
em combate, seguem bravamente a luta contra o latifúndio. Os camponeses
de Rondônia, com seu sangue derramado na fazenda Santa Elina abriram
uma nova fase na luta camponesa em nosso país. Com suas pesadas
e calejadas mãos mostrarão que o único caminho para a conquista
da terra é a revolução agrária, com a destruição de todo o latifúndio
e a entrega imediata da terra para quem nela trabalha. Como um
grande e violento tufão as massas camponesas vão se levantar e
varrer todo o latifúndio e toda a repressão contra o povo para
as páginas mortas da história. O ódio represado de camponeses
e operários por anos de exploração, como uma torrente se voltará
contra a burguesia e o latifúndio, contra seu Estado podre e sanguinário.
As mortes de milhares de companheiros lutadores e de massas pobres
de nosso país será vingado!
As
classes dominantes tremem de ódio, mas principalmente de medo
dos camponeses pobres de Rondônia, que do meio da selva em suas
pequenas choupanas - com seus chinelos de dedo e braços fortalecidos
pelo duro trabalho de sol a sol - fazem suas “contas para o dia
que vai chegar”. “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem
mandou dar!”
Aumenta
a repressão, cresce a resistência
Atualmente
os latifundiários têm intensificado a perseguição aos dirigentes
da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia. Com a desculpa de evitar
novas tomadas de terras no sul do estado, policiais militares
prenderam e agrediram diversos camponeses, invadiram casas sem
mandato judicial, pressionam as pessoas por informações e invadiram
a Escola Família Camponesa que se localiza na zona rural de Corumbiara.
Esta invasão ocorreu no dia 15 de maio deste ano, quando um grupo
de 9 homens, composto por 4 policiais e três elementos civis (
eram policiais que participaram do assassinato de camponeses na
Fazenda Santa Elina em 1995) entrou na escola durante a aula disparando
tiros em várias direções. Na presença das crianças o professor
Carlos foi espancado com golpes de coronhada na cabeça e detido
juntamente com outros funcionários da Escola. Assustadas, as crianças
foram levadas para fora da Escola, enquanto os policiais seguiram
gritando palavrões e agredindo a todos; quebraram o piso do banheiro
aos berros de “cadê as armas?” além pressionarem o professor
e os demais funcionários para que eles revelassem as casas onde
estava sendo preparada uma suposta ocupação. Antes de ir embora
os policiais roubaram fitas de vídeo, livros e outros materiais
da Escola. A Escola foi construída com o esforço das famílias
camponesas e é mantida por elas.
Tais
arbitrariedades não ficarão impunes. Os camponeses e as organizações
de trabalhadores no estado exigem a apuração dos fatos e punição
para o bando de policiais/pistoleiros agressores, a reparação
dos estragos na Escola e a devolução dos materiais roubados pelos
criminosos.
Neste
momento cabe a nós, estudantes, fazermos de nossas escolas verdadeiras
caixas de ressonância para a voz dos camponeses pobres de Rondônia.
Mesmo sob situações extremamente difíceis eles seguem lutando
pela conquista da terra. Devemos organizar campanhas de solidariedade
dando apoio mais efetivo à luta dos camponeses pobres!
Viva
a heróica Batalha de Santa Elina!
Glória
aos camponeses que tombaram na luta!
Abaixo
o terrorismo policial em Rondônia!
Viva
a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia! |