Vitoriosa Assembléia Nacional do Novo Movimento Estudantil 

Nos dias 29, 30 de abril e 1º de maio, no Colégio Marconi, em Belo Horizonte, realizou-se um grandioso encontro estudantil. Foi a Assembléia Nacional do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, onde reuniram-se mais de 500 ativistas estudantis de todas as regiões do país. Esta assembléia concluiu um rico processo de mais de seis meses de preparação: neste, foram feitos debates por Escola e encontros regionais, nos quais foram discutidos a crise que nosso país e todo o sistema capitalista está vivendo, a falta de democracia nas escolas, a necessidade de lutar por um novo currículo nas Universidades e a única saída para todos estes problemas - a organização de um forte movimento popular revolucionário, de um novo movimento estudantil que através da luta revolucionária construa o Poder popular. 

Uma vibrante plenária de abertura 

Logo pela manhã do domingo, dia 29, as delegações começaram a chegar. O credenciamento dos participantes iniciou-se às 8 horas da manhã. Os companheiros que iam chegando acomodavam suas bagagens e iam pegar um café bem quente. Num clima de bastante animação e entusiasmo todos ajudavam nos trabalhos de organização,  montagem do palco e arrumação das cadeiras. As músicas de luta serviam para dar ritmo ao trabalho. O local foi decorado com bandeiras vermelhas, estandartes e faixas com consignas políticas, além de murais sobre a luta dos estudantes e do povo no Brasil e no mundo.

Iniciou-se a plenária de abertura com todos de pé para o canto da “Internacional”, hino histórico do proletariado mundial, entoado em todas as partes do mundo pelos revolucionários e pelas massas em luta. Ao final da música todos gritaram com muita força e ardor revolucionário as palavras de ordem de “Escola que é prisão, vai ter Rebelião”, “Resistir, lutar, construir o Poder popular”, “Eleição é farsa não muda nada não, o povo organizado vai fazer revolução”. 

As Comissões de Trabalho e a organização da Assembléia Nacional 

No primeiro dia foram formadas as Comissões de Trabalho eram responsáveis pela organização geral da Assembléia. Eram oito as comissões: comissão de organização, credenciamento, agitação, disciplina, alimentação, limpeza, segurança e saúde. 

Empolgantes atividades culturais 

Durante toda a Assembléia Nacional houveram atividades culturais, tanto musicais como teatrais. Todas as delegações apresentaram alguma atividade. Cantaram-se músicas populares, de luta camponesa, músicas históricas e outras compostas por alguns companheiros. Todas elas eram acompanhadas com muita animação. A Frente Cultural de Belo Horizonte, fez uma bela e emocionante apresentação teatral. Foi encenado um ato da peça “Tão  Heróico Destino” – que fala sobre a luta camponesa e a revolução em nosso país.

As discussões 

O nível das discussões, a atenção e concentração dos participantes demonstraram a qualidade da Assembléia Nacional. Fica provado que é possível reunir mais de 500 estudantes para debater e compreender o processo revolucionário brasileiro. Os debates entraram nas questões principais do mundo hoje: a crise nacional e internacional que vivemos, sua única saída - a revolução - e a necessidade de desencadear-se uma campanha de combate ao oportunismo para abrir espaço à construção do movimento revolucionário.

Encerraram-se os dois primeiros dias com a certeza da causa revolucionária, com a decisão redobrada, com a compreensão aprofundada, com os corações acelerados e as mentes serenamente rebeldes!


A vermelhíssima manifestação do 1º de Maio 

O fechamento do encontro foi a realização, junto aos  companheiros da Frende de Defesa dos Direitos do Povo, de uma manifestação pelas ruas de BH. Esta combativa manifestação repercutiu muito na imprensa devido ao grande número de bandeiras vermelhas, do enfrentamento com a polícia e principalmente por ter sido o único ato de protesto organizado no Brasil nesta data histórica. O fechamento da Assembléia assustou a burguesia e a todos  os oportunistas.  

A saída da manifestação do Colégio Marconi às 9 horas da manhã foi feita em quatro colunas bem organizadas. Todas as pistas da principal avenida de BH foram ocupadas. Nesse momento a polícia chegou como de costume: com truculência e repressão. Com sirenes ligadas e dando voz de prisão a esmo, no intuito de provocar,  queriam impedir a continuidade da passeata. Porém, não teve jeito. Mesmo com mais de cinco viaturas no local e vários policiais tentando prender companheiros a manifestação prosseguiu. Mandaram a passeata parar, mas quem obedeceu?  Aquela manifestação não era do velho movimento estudantil mas sim do novo, do popular revolucionário. Gritaram, mas ninguém parou. Para se desvencilhar  da polícia, os estudantes começaram a marchar; o tarol, o bumbo e o tam-tam, davam a marcação. As palavras de ordem estavam mais sonoras e vibrantes; as colunas mais organizadas, a combatividade elevada, a decisão triplicada; essa foi a resposta à repressão.

Já não era mais um protesto, era uma batalha: tropa de choque da repressão versus vanguarda de choque da revolução! Ao tentarem uma nova investida conheceram as mulheres combativas, que se apresentaram com tapas, gritos e  pesadas bandeiradas. “Que mulheres são estas?” devem ter se perguntado. A autoridade das massas se impôs e a passeata prosseguiu. Três estudantes foram presos, mas neste momento não era possível mais deter ninguém: as passeatas haviam se encontrado. Era a passeata de operários, moradores de vilas e favelas e rodoviários que, com muitas crianças, levavam bandeiras vermelhas e estandartes do grande Karl Marx, do camarada Lênin e do Presidente Mao Tsetung*. O protesto seguiu vibrante; em seu percurso populares nas janelas colocavam lençóis vermelhos para saudar os manifestantes. O ato se encerrou na principal praça do centro de Belo Horizonte, com o canto da “Internacional” e a queima das bandeiras dos imperialistas norte-americanos e do Estado genocida de Israel.

A Assembléia marcou data para a varredura completa do lixo oportunista do movimento estudantil. A corrente proletária do movimento  estudantil chegou para arrepiar as hostes da repressão e do oportunismo; foi às ruas no 1º de Maio para anunciar que bons tempos virão. Estes são apenas os primeiros sopros da tempestade popular; são apenas os primeiros ecos da Intifada da juventude palestina, ecos que retumbam nas rebeldes caixas de ressonância da juventude brasileira! Essa é parte da indestrutível nova grande onda da revolução mundial. O seu tarol é um dos primeiros tambores da rebelião popular, vai na linha de frente da revolução. Esta é a sua vanguarda de choque, decidida a servir ao  povo de todo o coração!


* Líder revolucionária e dirigente do Partido  Comunista da China, durante a grande revolução cultural proletária (1966-1976 ), e que após o golpe e a restauração burguesa foi presa por sua posição firme de lutar contra a restauração capitalista na China, sendo assassinada em 1989 pela ditadura burguesa.
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