Unir
toda a América Latina contra a Alca e o imperialismo
Nos últimos anos no Brasil e em toda a América
Latina, tem-se discutido muito acerca da implantação
de uma Área de Livre Comércio das Américas,
a tão falada Alca. A criação desta área
“livre” é uma antiga proposta dos imperialistas
norte-americanos e consiste na eliminação de todas
as tarifas alfandegárias hoje existentes. Estas tarifas
são um recurso utilizado por todos os países para
defender suas economias nacionais da concorrência monopolista
estrangeira. Por exemplo, quando uma mercadoria dos EUA ou de
outro país entra no Brasil (sem ser por contrabando)
ela sofre uma taxação de 20% em média,
percentual que varia com o tipo de mercadoria e de acordo com
o local de origem. Assim o produto importado fica mais caro
e torna o nacional mais competitivo. É justamente para
acabar com qualquer pretensão protecionista dos governos
da América Latina e para dificultar o comércio
com outras potências, que o imperialismo ianque quer implementar
a Alca.
Alca,
iniciativa dos ianques para enfrentar sua crise
A
crise de superprodução que afeta todo o capitalismo
mundial transforma a disputa pelo controle de mercados uma questão
de vida e morte para os monopólios imperialistas. Sobram
mercadorias, faltam compradores. E para os ianques salvarem sua
economia em crise só existe uma saída: eliminar
a concorrência.
Existem
dois tipos de concorrência para seus produtos, uma são
as empresas nacionais, que em geral são médias ou
pequenas e só sobrevivem graças à proteção
das tarifas de importação, e a segunda, e principal,
é a concorrência com outras potências imperialistas,
principalmente da Europa (Alemanha, França e Espanha) e
da Ásia (Japão, China e Rússia).
A
criação da Alca é para o imperialismo ianque
a eliminação dessas duas formas de concorrência
na América Latina, pois seus produtos penetrarão
em todas as nações do continente sem pagar taxas
de importação. Isto permite a manobra monopolista
de entrar nos mercados com preços muito mais baixos que
a concorrência, quebrando-a para em seguida com o domínio
soberano, impor o preço que bem entender. Isto significa
a destruição das já fracas e cambaleantes
economias nacionais. É impossível concorrer com
os monopólios norte-americanos cuja produção
é subsidiada por bilhões de dólares injetados
pelo governo, além do alto nível tecnológico
e da exploração de mão de obra barata e das
matérias primas saqueadas das colônias e semicolônias.
Exemplo
da aplicação dessa política ocorreu recentemente
no México. Em 1995 os Estados Unidos e Canadá impuseram
ao México um acordo semelhante à Alca, o chamado
Nafta (Área de Livre Comércio da América
do Norte). O Nafta simplesmente arruinou toda a produção
indígena de milho, pois para os camponeses mexicanos era
impossível concorrer com o milho produzido com grande quantidade
de insumos e tecnologia pelos norte-americanos, que passou a entrar
no México sem taxa alfandegária.
A
criação da Alca significa transformar toda a América
Latina em mercado cativo para os monopólios norte-americanos.
A América Latina que os ianques sempre consideraram sua
base mais segura, uma extensão territorial de seus domínios,
não pode seguir como terreno de disputas crescentes com
outras potências imperialistas, como o imperialismo europeu,
japonês e russo que usam o Mercosul em sua disputa por hegemonia
com os norte-americanos.
Para
os ianques, a América Latina é o quintal dos EUA
Os
imperialistas norte-americanos nunca esconderam seus propósitos
de submeter a América Latina ao seu mais absoluto controle.
A chamada “Doutrina Monroe” com seu lema “América
para os americanos”, proclamada em 1823, sempre significou
“América para os norte-americanos”.
Os
governos da América Latina, completamente vendidos principalmente
aos ianques, já vêm há muito tempo colocando
em prática todas as medidas econômicas de interesse
geral do imperialismo para aumentar seus lucros colossais: entrega
das estatais; entrega das fontes de matéria prima (recursos
minerais, petróleo, água, energia, madeira, etc.);
irrestrita liberdade de remessa de capitais dos monopólios
aqui instalados para suas matrizes; ampla liberdade para aplicação
de capital especulativo (bolsas de valores); extinção
de qualquer tipo de subsídio ou proteção
para a produção nacional; aumento da concentração
da propriedade da terra na mão do latifúndio em
detrimento dos camponeses; extinção dos direitos
dos trabalhadores, duramente conquistados há décadas
como a aposentadoria, a jornada de 8 horas, carteira assinada,
férias, 13.º (o que chamam de “desregulamentação”)
e generalizando a “terceirização” da
mão de obra.
Hoje
o montante das riquezas que são extraídas no Brasil
pelo imperialismo, em apenas um ano, é superior à
riqueza apropriada por Portugal durante todo o período
de sua dominação colonial. O resultado desse aumento
colossal de transferência de riquezas para as potências
imperialistas é mais miséria e opressão sobre
os povos e submissão dos países dominados.
A
Alca já é uma realidade; os ianques põem
em marcha novos planos de dominação
As
decisões já foram tomadas, políticas estão
sendo postas em prática, acordos abertos e secretos já
firmados; 2005 é apenas a data fixada para seu início
formal. O Mercosul que foi usado pelo imperialismo europeu para
criar embaraços aos ianques já está morto.
Os EUA estão usando sua condição de maior
potência imperialista do mundo para colocar pra fora seus
concorrentes europeus. A bancarrota da Argentina está levando
os monopólios e bancos europeus a amargar prejuízos
bilionários.
E
o irrefreável agravamento de sua crise tem tornado insuficientes
as medidas que os ianques têm adotado para explorar e submeter
os povos e países de todo o mundo. Cada vez mais estão
saindo do terreno econômico e caminhando para o terreno
militar. E a América Latina, é base para seu sonho
dourado de “hegemonia mundial”, ou melhor, de “hegemonia
universal e por um milhão de anos”. É sempre
assim que sonham os impérios enquanto caminham para sua
inevitável ruína.
O
controle do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia)
e da Base de lançamento de foguetes de Alcântara,
no Maranhão; a instalação de bases militares
ianques ao longo de toda a região fronteiriça amazônica
sob a pretexto de campanhas antidrogas não deixam dúvidas
que os EUA se preparam para impor, sob as botas de seu exército
assassino, a dominação da Amazônia e de tudo
que for de seu interesse.
O
imperialismo é uma tendência para a reação,
para o fascismo e a guerra de rapina. O aumento da exploração
e opressão sobre os povos de nosso continente, provocado
por essa política colonial faz crescer a revolta das massas
exploradas.
A
implementação da Alca já elevou violentamente
todas as contradições no continente, as explosões
das massas nas ruas da Argentina, Venezuela e Chile já
são conseqüência direta deste agudizamento.
Isto é apenas o início das tempestades que se avizinham
com a expansão da gravidade da crise por todo o continente.
A América Latina sempre foi palco de lutas e batalhas heróicas
dos povos contra a opressão. A criação da
Alca porém, dá às lutas de nosso continente
uma dimensão superior. O imperialismo ao radicalizar a
exploração do continente unifica todos os povos
latino-americanos na luta antiimperialista. As conseqüências
da implantação da Alca exporão mais claramente
que o imperialismo ianque é o maior inimigo de todos os
povos.
Oportunistas
eleitoreiros apoiam a Alca
Os
revisionistas, os oportunistas e eleitoreiros em todo o continente
latino-americano, com sua política de ocupar espaços
no Estado estão comprometidos até a alma em contratos
de bom entendimento com o imperialismo ianque, europeu e russo.
Capitulam diante do imperialismo com o discurso de defesa do “fortalecimento
do Mercosul”, dizendo que assim o país estaria se
“preparando para ingressar em melhores condições
na Alca”, que estaria “fortalecendo a economia regional”
e “aumentando a influência do Brasil na região”.
Tudo isso é defendido por FHC em sua função
de gerente lacaio do imperialismo. É muito descaramento
chamar esta política colaboracionista de luta antiimperialista
como querem os oportunistas eleitoreiros. É isso que quer
dizer o ditado popular “passar gato por lebre”. O
Mercosul é uma iniciativa dos monopólios já
instalados no cone sul (inclusive norte-americanos), utilizado
pelo imperialismo europeu para fazer frente à Alca do ponto
de vista exclusivamente imperialista, isto é, querem uma
“Alca” para eles. Defender o Mercosul como uma alternativa
aos ianques é propor simplesmente “trocar de amo”,
o que já vem ocorrendo há séculos na história
de nosso continente (Espanha, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos...
todos estes são apenas diferentes patrões que por
aqui passaram).
Para
derrotar a Alca temos que derrotar o imperialismo
Lutar
contra a Alca não é lutar pelo impedimento de sua
implantação, é ilusão não perceber
que isto já se deu. A luta contra a Alca é a luta
de vida e morte dos povos latino-americanos contra o imperialismo
ianque, pois se ela é condição de sobrevivência
para os Estados Unidos, é ao mesmo tempo a causa do aumento
da miséria e opressão dos povos da região,
representando portanto, interesses antagônicos e irreconciliáveis.
E esta não será uma luta curta, será uma
prolongada luta que passará necessariamente pela união
de todos os povos latino-americanos contra o inimigo comum e contra
as classes dominantes lacaias de cada país.
Só
há uma saída para a libertação das
nações e povos oprimidos, a revolução!
Revolução que nos liberte do jugo semicolonial que
nos é imposto pelo imperialismo e garanta a construção
de uma nova democracia rumando para o socialismo. |