| Governo
promove escalada de violência contra movimento camponês
A
escalada de violência no campo é resultado da política
do governo federal, que reproduz a estratégia da ditadura
do Estado Novo de Getúlio, que inclusive à época
fechou o parlamento. FHC instituiu uma legislação
fascista contra a luta pela terra, ao mesmo tempo que gastou milhões
em propagandas na televisão anunciando as porteiras abertas,
milhares de assentamentos por todo o país, Reforma Agrária
etc., etc., etc.
O
jornal Folha de São Paulo, desmentiu uma parte dessas mentiras,
com dados do próprio governo, mostrando que só 8%
das famílias contadas como assentadas poderiam assim ser
chamadas, e um próprio técnico do Incra –
MG se encarregou de completar a desmoralização e
as mentiras da propaganda governamental, como diz reportagem do
jornal Hoje em Dia de Belo Horizonte, em 24/05/2002 com o superintendente
substituto do Incra em BH, Antônio Carlos da Silva: “Temos
cerca de 40 mil famílias pré-cadastradas para assentamento
em todo o Estado (Minas). Com as condições operacionais
que temos hoje, precisaríamos de uns 20 anos para poder
assenta-las. Isso não se faz da noite para o dia.”
Na
verdade, a essência da política agrária do
Estado é a perpetuação do sistema latifundiário.
Por
baixo de toda a publicidade do governo, feita das mais escandalosas
mentiras, nada resta senão a mais dura realidade de sofrimentos
e penúrias sem fim de milhões de famílias
de camponeses pobres sem terra e os dos chamados “Projetos
de Assentamentos do Incra”. A estes batalhões de
famintos, se somam milhões de pequenos proprietários
arruinados pelos mil tentáculos do latifúndio, dívidas
aos bancos, falta de créditos, pouca terra para o cultivo,
trabalho brutal sem máquinas agrícolas, carência
de sementes de qualidade, de fertilizantes e venenos, falta de
transportes e estrutura da armazenagem, falta de preços
para a produção, perseguição dos órgãos
fiscalizadores como Ibama e Polícia Florestal, contratos
de parceria impostos pelos latifundiários, pressão
de agiotas e atravessadores e, além disso, ainda enfrentando
secas e geadas.
Mas
a luta e a revolta dos camponeses pobres não se detém.
A contradição secular entre a imensa concentração
de terra nas mãos de poucos e milhões de famílias
sem terra ou com pouca terra, empurra todos os dias as massas
camponesas para a decisão de tomar as terras que precisam
para nelas plantar e viver.
São Paulo: Perseguição a José Rainha
O
dirigente camponês José Rainha, sofreu um atentado
em fevereiro deste ano. O fazendeiro Roberto Junqueira, que atirou
em Rainha, foi preso em flagrante porém, liberado 15 dias
depois. Ao mesmo tempo que liberta o latifundiário, a polícia
e a justiça aumentam a perseguição a José
Rainha.
Alguns
meses após o atentado, o carro onde Rainha viajava como
carona, foi parado numa blitz. Os policiais encontraram ali uma
arma, que o motorista assumiu ser sua, porém na delegacia
o dirigente camponês recebeu voz de prisão ficando
23 dias preso por porte ilegal de arma. Essa blitz foi claramente
uma armação, pois no mesmo momento de sua prisão
o Jornal Nacional da Globo já divulgava uma notícia
dizendo ser o MST um movimento armado e perigoso e chamando José
Rainha de “chefe”.
Apesar
da ação criminosa de latifundiários e seus
bandos de pistoleiros na região do Pontal do Paranapanema,
a justiça decretou nova prisão de José Rainha,
que havia sido libertado por habeas corpus, agora sob a acusação
de furto e formação de quadrilha. Enquanto aguarda
derrotar mais essa medida arbitrária, Rainha e outros dirigentes
e companheiros estão sendo obrigados a viver clandestinamente.
Rondônia: Governo Bianco realiza novos ataques aos camponeses
pobres e aos direitos do povo
Estimulados
pela política repressiva do governo federal, desde maio
o governo Bianco e o Comando da Polícia Militar tornaram
público mais um plano criminoso para expulsar mais de 2
mil famílias de camponeses pobres de suas terras. Demonstrando
sua submissão aos latifundiários da região,
expulsaram centenas de famílias camponesas ateando fogo
nos barracos dos acampamentos Paulo Freire em Nova Brasilândia,
Antônio Conselheiro em Jorge Teixeira, Gonçalo no
Vale do Anari e Lamarca (Burareiro) em Ariquemes.
Nos
últimos meses, em todo o Estado vive-se uma escalada de
repressão e perseguição do governo e pistoleiros
do latifúndio contra os camponeses:
-
Três companheiros de Vanessa – Corumbiara, um de Machadinho,
oito do acampamento Gonçalo – Vale do Anari, foram
presos pela polícia, com ajuda do IBAMA.
-
Em Cerejeiras e Ariquemes, os policiais receberam propinas dos
fazendeiros para perseguir os camponeses.
-
Em Corumbiara uma camponesa foi espancada por um policial e sofreu
forte hemorragia.
-
Em Colorado do Oeste, duas camponesas sofreram humilhação
e tentativa de abuso sexual pelo Comando da PM local.
-
Em Jaru, um policial escoltou e acobertou o roubo de madeira nas
terras da fazenda Barlat tomadas pelos camponeses.
-
A política do governo de criminalização da
luta camponesa tem gerado uma crescente violência sobre
o povo pobre. Em Jaru, no último dia 22 de junho, a camponesa
Selma, 29 anos, mãe de três filhos, do acampamento
Esperança foi assassinada por motivo banal por um vigia
de um supermercado. Selma estava no estacionamento do supermercado,
procurando por um banheiro, quando o vigia lhe disparou pelas
costas. A camponesa morreu a caminho do hospital.
-
O dirigente da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, o
camponês Pelé, sofreu um atentado no último
dia 6 de julho. Ele e seu cunhado estavam indo de moto de Machadinho
para Cujubim, onde participariam de uma assembléia no acampamento
Sol Nascente. Por volta das 21 horas eles foram abordados por
quatro homens em duas motos, que tentaram fecha-los e logo em
seguida dispararam vários tiros para matá-los. Pelé
e seu companheiro conseguiram fugir ao cerco dos pistoleiros.
-
Na região norte do Estado, os latifundiários divulgaram
uma lista com o nome de quatro dirigentes da Liga que pretendem
assassinar.
Todo
este ódio do Estado contra o movimento camponês da
região é uma inútil tentativa de deter o
crescimento da organização combativa dos camponeses
que hoje funde a luta pela terra com a luta dos pequenos e médios
produtores por crédito e garantia de comercialização
de seus produtos, com a luta dos taxistas, estudantes, professores
e demais setores populares.
Pará: Dirigente camponês é assassinado
Bartolomeu
Morais da Silva, conhecido como Brasileiro, foi assassinado na
madrugada de segunda-feira (22/07) em Vila Castelo dos Sonhos,
oeste do Pará. Ele era delegado sindical do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Altamira e ficou conhecido na região
por defender os posseiros que ocuparam uma área conhecida
como “Big Vale”, que era disputada por madeireiros
e fazendeiros. Ele estava ameaçado de morte e já
havia feito a denúncia junto a Ouvidoria Agrária
do Incra.
Minas Gerais: Governo prepara massacre de camponeses pobres
O
governo Itamar Franco anunciou recentemente que empregará
a violência para fazer o despejo de 400 famílias
de camponeses em Frei Inocêncio (Leste do Estado) de mais
100 famílias em Perdizes (Triângulo Mineiro) e de
200 famílias no acampamento Bandeira Vermelha em Montes
Claros (Norte de Minas).
A resposta dos camponeses tem sido mais mobilização.
As famílias de Frei Inocêncio promoveram uma marcha
até a cidade pólo da região, Governador Valadares
para denunciar os planos de massacre do governo. Os camponeses
de Perdizes ampliaram têm angariado crescente apoio nas
cidades vizinhas como Araxá e no Norte de Minas, o espírito
de combatividade pode ser sintetizado neste trecho que retiramos
de um panfleto da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas.
“Conclamamos
todos, trabalhadores, pequenos e médios comerciantes, estudantes,
intelectuais e honestos da região: nos mobilizemos para
impedir e sustar essa onda de violência, tão revoltado
está o povo com a violência cotidiana gerada por
esse sistema perverso e concentrador de riquezas.
Serenos
e conscientes, resistiremos e defenderemos nossas posses e as
de todos os camponeses em luta! É nossa resposta contra
a fome, a miséria, o desemprego, que se espalham pelos
campos do Norte de Minas. É compromisso com nossos companheiros
e filhos. É nossa resposta contra as centenas de terras
abandonadas, contra ir mendigar nas cidades e bater nas portas
dos bancos pedindo crédito, contra o cativeiro do Projeto
Jaíba, contra a roubalheira que fizeram e fazem com o dinheiro
da Sudene, que encheu a burra dos latifundiários e quase
transformou nosso sertão em deserto.
Conquistar
a terra. Destruir o latifúndio!
Terra
para quem nela vive e trabalha! |