| Contra
a privatização das Universidades:
Boicotar
todas as taxas!!!
Cobrança
de taxas: escancara a privatização das universidades
A
universidade pública no Brasil está sendo privatizada.
Esta não é uma longínqua possibilidade é
algo que já está acontecendo. A expulsão
de 6 estudantes da Faculdade de Educação da UFMG,
que boicotaram a taxa de matrícula semestral de R$ 147,00,
no primeiro semestre de 2002, foi a comprovação
desta realidade. A repressão ao movimento começou
quando toda a UFMG ficou sabendo a notícia de que 23 estudantes
haviam se matriculado sem pagar a taxa. Temendo que o movimento
se alastrasse, a reitora Ana Lúcia Gazzola, tentou imediatamente
"cortar o movimento pela cabeça". Nem nas universidades
particulares as reitorias são tão rápidas
para expulsar ou cancelar matrícula dos inadimplentes.
A ação desesperada da reitora demonstrou que a cobrança
de taxas não é um mero detalhe na administração
universitária, na verdade com a semestralidade os estudantes
estão arcando com uma responsabilidade que é do
governo. O boicote e as expulsões descortinaram o acelerado
processo de privatização.
A
maioria das universidades públicas do nosso país
cobra taxas para tudo. No início são taxas de histórico,
biblioteca, que progressivamente vão aumentando até
se transformarem em matrículas e mensalidades. Esta privatização
gradual, que o governo procura ocultar, já está
bem desenvolvida na UFMG, UFG, UPE, Unimontes, UEMG, Unitins e
outras. Os meios podem ser vários, mas o resultado é
um só. A privatização das universidades é
uma realidade que ameaça os estudantes de todo o país.
Sucatear
para privatizar
Os
oito anos de governo FHC marcaram o início do processo
de privatização das universidades. O processo de
privatização cumpre dois objetivos fundamentalmente:
primeiro, reduzir os gastos do orçamento da união,
garantindo o pagamento dos juros da dívida externa; o segundo
é o de passar para o controle dos monopólios estrangeiros
a produção intelectual das universidades do nosso
país.
Nos
últimos anos temos assistido a um progressivo corte das
verbas para as universidades públicas. A privatização
das empresas estatais aumentou a crise orçamentária,
causando uma redução gigantesca das bolsas de iniciação
científica. Ano a ano o governo Federal vem reduzindo os
repasses destinados às universidades públicas. Em
1994, o percentual do PIB investido nas instituições
federais de ensino superior foi de 0,52%, e em 1999 foi de 0,4%.
Em valores absolutos isto corresponde a 4,1 bilhões de
reais investidos nas IFES em 1994, e apenas 3,5 bi em 2000. No
fim de 2002 muitas universidades decretaram moratória das
dívidas de água e luz. Isto porque o governo, até
o mês de novembro, não havia enviado para as universidades
nem o que havia sido aprovado em seu orçamento, o que já
é muito pouco e só cobre o salário de professores
e funcionários e o pagamento de serviços essenciais.
O Hospital das Clínicas da UFMG ficou em situação
calamitosa faltando álcool e algodão. A Universidade
Federal do Piauí chegou a estar ameaçada de fechar.
O
projeto proposto por FHC de "Autonomia financeira" das
universidades públicas visa alterar o artigo 207 da Constituição,
acabando com o financiamento do Estado ao ensino público
e "concedendo" autonomia financeira às IFES (Instituições
Federais de Ensino Superior). Neste caso, a universidade teria
"liberdade" para captar recursos privados para cobrir
seus gastos, podendo inclusive cobrar mensalidades, taxas, etc.
Este projeto elaborado pelo Banco Mundial já está
sendo aplicado em vários países. O Chile é
um exemplo, "hoje, como o Estado cobre apenas 25% dos gastos
das universidades públicas, estudar numa instituição
estatal sai tão caro quanto fazer um curso superior particular."
(JB, 12/06/97).
São
duas as formas de arrecadar esta verba privada para a universidade,
uma é o próprio bolso dos estudantes, através
da cobrança de taxas. A outra é a criação
das Fundações de direito privado existentes em todas
as universidades do país. Estas fundações
"sem fins lucrativos" teriam a função
de dar apoio às universidades, mas na verdade são
elas que sustentam a universidades. Por exemplo, na UFMG a verba
do MEC para 2002 foi de 360 milhões de reais, o que deu
para pagar somente funcionários, professores e contas básicas.
Os outros gastos, particularmente com as pesquisas, foram cobertos
por recursos captados por fundações como a FUNDEP
(Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa), que em
2001 captou 50 milhões de dólares, três vezes
a mais do que o repasse feito pelo MEC. O que é isto senão
a privatização? Como estas fundações
privadas controlam os recursos elas definem quais pesquisas serão
financiadas ou não.
A
principal justificativa para a cobrança de taxas na universidade
é a de que o governo não tem recursos suficientes
para sustentá-la. Porém, dinheiro não falta
ao FMI. No último empréstimo feito ao governo FHC,
o Fundo Monetário, exigiu que fosse reservado de 3 a 4,5%
do PIB anual para o pagamento da dívida pública.
É o que eles chamam de superávit primário,
que é apresentado pelos monopólio de comunicação
como se fosse a salvação do Brasil. Este acordo
ratificado pelo governo Lula, diz que este ano o governo brasileiro
irá entregar para os banqueiros internacionais cerca de
80% do orçamento federal, para as universidades públicas
nem 1%.
O
ministro Cristovam Buarque aparece com as mesmas desculpas de
Paulo Renato e FHC para não mandar mais verbas para a universidade.
Em entrevista publicada na revista da UNE afirmou: "Não,
não sei hoje como resolver os problemas relacionados com
a falta de recursos financeiros. Sobretudo levando em conta que
eu serei parte de um time. E este time tem uma série de
outros setores prioritários, não vai poder voltar
o apagão. Não pode deixar as estradas ficarem esburacadas.
A gente precisa é cuidar da saúde, porque a saúde
no Brasil está muito ruim. Eu sou ministro da educação,
mas eu não vou pedir que tire dinheiro dos remédios
para colocar nas escolas." Ora, senhor Cristovam Buarque,
não queremos e não aceitamos que se tire dinheiro
nem dos remédios, nem dos hospitais, nem das estradas.
Exigimos que se aplique na educação, saúde
entre outros, o dinheiro do povo que enriquece os banqueiros,
especuladores, empresários monopolistas e latifundiários
através dos juros da dívida pública, que
aliás, não é dívida, é roubo.
A
privatização da universidade não é
algo espontâneo, é uma necessidade dos imperialistas
e das classes dominantes. Para os monopólios internacionais
é a possibilidade de fazer pesquisas a baixo custo, aos
governantes é o corte de verbas para setores que beneficiam
o povo restando-lhe mais recurso para seus negócios escusos.
Na lógica deste governo de burgueses e latifundiários
a "Autonomia financeira" é uma necessidade diante
da grave crise econômica que atravessam.
Chantagear
e dividir os estudantes
A
chantagem em cima de nós estudantes, para que paguemos
as taxas é muito grande. Uma das táticas que reitorias
e diretorias utilizam, com a ajuda dos oportunistas da UNE, é
colocar estudante contra estudante, ou estudante contra a população.
Geralmente o discurso das reitorias é assim: "a universidade
pública deve ser gratuita, porém se vocês
pararem de pagar, vamos ter que fechar o hospital universitário",
como aconteceu na Unimontes – Montes Claros- MG. Ou então
"vamos ter que despedir os professores contratados",
como aconteceu em Petrolina na UPE. Ou ainda, "os estudantes
carentes vão ficar sem assistência estudantil",
como discursa a reitora Ana Lúcia Gazzola da UFMG. Inventam
portanto uma contradição entre os estudantes, quando
a verdadeira contradição é com o governo
que tem a obrigação de mandar verba para a universidade
e não manda. Querem fazer o povo de Montes Claros acreditar
que a culpa do Hospital Universitário não funcionar,
é dos estudantes que não pagam taxa de matrícula,
e não do governo que não está nem aí
para a saúde do povo, pois suas famílias se tratam
nos melhores hospitais. Querem fazer os estudantes da UPE acreditar
que o problema de não ter professor é culpa de quem
boicotou a taxa, e não do governo que não manda
verba para pagar professor. Querem fazer os estudantes da UFMG
acreditar que a culpa de não ter assistência estudantil
é dos estudantes que boicotam taxas, e não do governo
que tem obrigação de arcar com todos os custos da
educação, inclusive a assistência estudantil.
Na
UFMG, a reitoria tenta justificar a cobrança de matrícula
dizendo que é legítima por ser destinada aos estudantes
carentes e não aos custos da universidade. Mas a assistência
estudantil faz parte dos custos e também é responsabilidade
do governo. Dizem que as taxas são justas, pois isto divide
renda entre os estudantes. Que dividam os superlucros dos banqueiros,
monopolistas e latifundiários. Isto de dizer que os estudantes
devem dividir renda entre si é a mesma demagogia do projeto
fome zero, que dá migalhas para o povo e enche o bolso
destes empresários capitalistas.
Sempre
tentarão nos dividir e nós não podemos cair
nesta cilada. Devemos nos organizar em unidade, em luta cada vez
mais combativa pressionando de fato as diretorias, as reitorias
e o governo para exigir todos os nossos direitos.
Avança
a luta contra a privatização nas universidades
Em
várias universidades do país os estudantes têm
organizado importantes lutas combativas contra a privatização
e o sucateamento da educação. Foram greves, boicote
às taxas, manifestações e ocupações
de reitorias. Na Unimontes o boicote dos estudantes levou a conquista
do fim da taxa semestral de matrícula em 11 cursos. Na
Unitins,os estudantes fizeram uma greve bastante combativa, enfrentaram
policiais em manifestação e garantiram a ampliação
do espaço físico da universidade. Na UEMG (Universidade
Estadual de Minas Gerais) os estudantes entraram com ação
popular na justiça e conquistaram em primeira instância
o fim das taxas. Na FFPP , faculdade da Universidade de Pernambuco
o boicote de mensalidades chegou a 65% dos estudantes.
O
boicote às taxas tem demonstrado ser a forma mais avançada
de luta contra a privatização. Não adianta
falar que é contra a privatização e produzir
milhares de cartazes e adesivos contra ela, se não nos
organizamos para atingir com ações cada vez mais
radicais esta política. Os discursos e adesivos feitos
pelo oportunismo não fazem nem cócegas naqueles
que planejam e executam a privatização da universidade.
Ficar parado esperando que algum governo "bonzinho"
resolva mandar verbas para a universidade é uma grande
ilusão, é isto que a Une sempre difundiu, como oportunistas
escolados no meio desta política apodrecida enganam e traem
os estudantes. Medimos a intensidade do golpe na política
de privatização pela reação daqueles
que a aplicam. A histeria que tomou conta das reitorias e diretorias,
particularmente no caso das expulsões, onde estão
sendo efetivados os boicotes é demonstração
clara disto.
Oportunistas
se desmascaram e defendem a cobrança de taxas
Em
todas as partes o boicote desmascarou àqueles que só
defendiam a educação gratuita em seus discursos
demagógicos. Reitoria, diretorias, oportunistas se uniram
para arrumarem milhares de desculpas que justificassem a cobrança
de taxas, retirando a responsabilidade das mãos do governo.
Os oportunistas fazem coro com o discurso das reitorias que aplicam
a política de privatização. A defesa da cobrança
de taxas que fazem no seio do movimento estudantil, prova como
eles serão importantes para o governo na viabilização
de suas políticas. Na UFMG ficou muito clara a posição
da UNE – PCdoB, que controla o DCE da UFMG e DA da faculdade
que as companheiras foram expulsas. Quando mobilizávamos
para uma manifestação contra a expulsão,
em uma reunião de conselho de D’As, o DCE disse que
não apoiaria a manifestação, pois assim estariam
apoiando uma posição "política"
do Comitê de lutar contra a privatização da
UFMG. Não podem apoiar a "política" do
boicote, mas apoiam a "política" da reitoria
de expulsar estudantes que estão simplesmente lutando por
seus direitos. Não participaram sequer de um abaixo-assinado
contra as expulsões, literalmente se calaram diante da
absurda e ilógica expulsão de 6 estudantes que não
pagaram matrícula em uma universidade pública.
Como
se não bastasse, o DCE organizou em conjunto com a reitoria
da UFMG e a FUMP – Fundação Universitária
Mendes Pimentel, que gerencia a cobrança de taxas –
um seminário para discutir a importância da assistência
estudantil. A conclusão que obtiveram foi que enquanto
não houver um plano nacional para a assistência estudantil
os estudantes deverão continuar pagando a taxa de matrícula.
Este seminário foi feito com o único intuito de
legitimar as medidas autoritárias e privatizantes da reitoria.
O DCE defende a reitora e se coloca contra o boicote porque ele
recebe uma parcela da taxa ilegal que é cobrada dos alunos.
São contra o boicote pois representa uma ameaça
para seu rico dinheirinho com o qual sustentam sua política
oportunista, suas mordomias e suas campanhas eleitoreiras. Qualquer
semelhança com os politiqueiros do planalto não
é mera coincidência, afinal o DCE/ PCdoB também
faz de tudo para garantir o seu quinhão da verba dos estudantes.
São um instrumento muito útil para a reitoria, na
medida que estão entre os estudantes e trabalham pela divisão
destes, servem como desmobilizadores e desorganizadores da luta.
Particularmente agora que estão no governo, serão
ainda mais contra a luta pelo fim das taxas. Como aplicadores
das políticas do MEC inventarão mil e uma justificativas
para nos "convencer" que a cobrança de taxas
nas universidades públicas é algo muito bom.
Boicotar
todas as taxas
O
boicote às taxas que estudantes de várias universidades
do país tem organizado, demonstra nossa disposição
na luta pela garantia dos nossos direitos. Ao mesmo tempo desmascara
todos aqueles que falam em ‘defesa da universidade pública’,
mas que de fato se esforçam para aplicar e justificar todas
as medidas de privatização, principalmente a cobrança
de taxas.
Seguimos
afirmando: não haverá verba para a universidade,
incluindo a assistência estudantil, enquanto nós
continuarmos pagando pelo que deveria vir do Ministério
da Educação. O boicote à matrícula
é atualmente a forma mais importante que temos de pressionar
o governo para que mande mais verbas para as universidades. Esta
desculpa de que temos que continuar pagando é para que
se engesse a organização estudantil e não
lutemos por nossos direitos. As lutas e vitórias que tem
se seguido por todo o país devem servir de exemplo para
que esta forma de luta se generalize. Serão os estudantes
na luta pela universidade pública gratuita de fato, contra
a política de privatização. Não queremos
migalhas! Exigimos todos os nossos direitos! Não tenhamos
a ilusão de que a privatização das universidades
irá ser barrada sem muita resistência e luta combativa
dentro das escolas e universidades. E é por isto que devemos
organizar uma ampla campanha de boicote a todas as taxas dentro
da universidade!
Abaixo
a privatização das universidades públicas!
Contra
a privatização, boicote é solução!
Pra
não privatizar, nós vamos boicotar! |