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Governo
ataca direito dos trabalhadores
Dentre as três reformas propostas por Lula, a reforma da
previdência é a que mais atinge os direitos dos trabalhadores.
O governo do bandido FHC já acabou com uma série
de conquistas, desde então, a aposentadoria deixou de ser
por tempo de serviço e passou a ser por tempo de contribuição,
tendo como idade mínima 60 anos para os homens e 55 para
as mulheres. Quando vigorava o sistema de aposentadoria por tempo
de serviço, um trabalhador que havia começado sua
jornada aos 12 anos podia se aposentar com 42, agora só
se aposenta quando a vida já está no fim, pois a
média de vida do brasileiro é de apenas 65 anos.
A usurpação dos direitos dos trabalhadores feita
por FHC, visava principalmente a redução dos "gastos"
do governo com os aposentados, a lógica da reforma de Lula
é exatamente a mesma, sendo uma reforma totalmente anti-povo,
FHC não conseguiu levá-la a cabo devido a pressão
da oposição no Congresso Nacional, PT e PCdoB, que
são justamente quem agora estão concretizando-a.
O
fim da previdência social é uma exigência do
imperialismo, tanto que o FMI tem promovido esta reforma em todos
os países do Terceiro Mundo. A reforma da previdência
tem dois objetivos centrais: 1) diminuir os gastos do governo
com a seguridade social, e 2) passar para o controle do capital
financeiro os vultuosos recursos das altas aposentadorias, privatizando
a parte lucrativa do sistema previdenciário. As medidas
como o aumento do tempo de contribuição, a taxação
dos inativos (isto é, os aposentados continuarem pagando
imposto ao INSS), o fim da aposentadoria dos trabalhadores rurais
e a desvinculação do aumento do salário mínimo
com o aumento das aposentadorias, são as metas da reforma.
É claro que não as aplicarão em sua totalidade,
pois isto causaria uma revolta generalizada, arrancam nossos direitos
parte por parte para nos dividir. Mas a concretização
de qualquer uma destas metas colaboram com os planos do FMI.
As
justificativas técnicas da necessidade da reforma são
muitas. Há anos os monopólios de comunicação
vêm martelando uma propaganda falsa, que busca esconder
as reais causas do chamado "rombo da previdência".
Uma série de mentiras têm sido repetidas com intuito
de justificar a retirada dos direitos dos trabalhadores. Dizem
que as principais causas da crise no sistema previdenciário
são os chamados privilégios do funcionalismo público,
não se cansam de "denunciar" as absurdas aposentadorias
de militares e magistrados. Tentam passar que todo o funcionalismo
público recebe altas aposentadorias e se aposenta com muito
pouco tempo de contribuição, dizem que o envelhecimento
geral da população diminui a arrecadação
previdenciária tornando inviável o sistema de seguridade;
argumentam ser impossível manter a aposentadoria dos trabalhadores
rurais já que estes não contribuem diretamente para
o fundo. Esta é a versão deles, mas está
longe de ser a verdade.
É
fácil percebermos que a causa do "rombo da previdência"
não se encontra nas altas aposentadorias de militares e
magistrados, ou nos "privilégios" do funcionalismo
público. Não somos defensores de juízes ou
de generais, mas é mentira dizer que o rombo se encontra
aí. Esta propaganda é só para enganar o povo,
dizer que está fazendo a reforma para cortar privilégios
dos ricos quando na verdade ataca realmente os direitos dos pobres.
O "rombo da previdência" se inicia quando o governo
literalmente rouba o dinheiro dos trabalhadores cobrindo gastos
seus com dinheiro do fundo previdenciário. Outra causa
do rombo é a sonegação do imposto previdenciário,
o INSS. Todos os trabalhadores de carteira assinada têm
o INSS descontado diretamente na fonte, mas as grandes empresas
não pagam a sua parte e muitas vezes não repassam
o que recolhem de seus empregados. A Caixa Econômica, por
exemplo, deve ao INSS 900 milhões de reais, a Varig devia
500 milhões de reais e teve sua dívida perdoada
pelo governo Lula. Toda esta sonegação é
responsável por um rombo de bilhões de reais. É
preciso desmistificar também a mentira de que os funcionários
públicos têm privilégios e recebem altos salários,
isto corresponde somente a uma minoria, a média das aposentadorias
do setor público é de apenas 400 reais e não
de milhares como quer passar o governo e a grande imprensa.
Acabar
com a aposentadoria rural significará um verdadeiro crime.
Este direito que foi adquirido somente nos anos 90 para os trabalhadores
agrícolas representa uma fonte de recursos essenciais para
os camponeses pobres. Falar que estes trabalhadores não
podem se aposentar porque não contribuem para o Fundo é
uma verdadeira injustiça. O trabalho no campo é
essencialmente informal, mas não existe labuta mais difícil
do que cultivar uma roça. Ao invés de pensar em
acabar com a aposentadoria dos camponeses o governo devia pensar
em dar-lhes "privilégios", concedendo a eles
um salário mais digno, pois é com seu suor e sangue
que constroem sua riqueza.
Toda
as mentiras que utilizam para justificar a reforma já é
uma demonstração que ela não trará
boa coisa ao povo. A proposta de reforma da previdência
apresentada por Lula, após reunião com todos os
governadores, deixa claro quem eles querem atacar. Lula foi a
TV se dizer indignado com uma aposentadoria de 53 mil reais, mas
não ficou nem um pouco indignado com a anistia de 500 milhões
da dívida previdenciária da Varig. Se ele quer acabar
com os privilégios por que não limita o número
de aposentadorias que se pode ter? A reforma apresentada por Lula
não toca em nenhum privilégio de juízes e
militares e com certeza depois de aprovada, o safado que recebe
53 mil continuará recebendo a mesma quantia. A reforma
Lula/FMI ataca é o povo quando propõem o aumento
do tempo de contribuição, ataca a pequena-burguesia
quando taxa em 11% as aposentadorias acima de 1100 reais (lembremos
que quem recebe salários nesta quantia já pagam
imposto de renda de 27,5%).
É
demagogia e mentira falar que as reformas são para acabar
com os privilégios. As reformas de Lula são a continuidade
das de FHC. Além de ser um descarado ato contra o povo,
estas reformas agora defendidas por PT e PCdoB são um grande
desmascaramento do oportunismo. Estes fizeram carreira e construíram
seus mandatos em cima da "defesa" do direito dos aposentados
e agora aplicam exatamente tudo o que se diziam contra. É
asqueroso, até as justificativas são as mesmas.
O energúmeno presidente da Une, Felipe Maia, falando "em
nome dos estudantes" disse que "realmente é preciso
acabar com os privilégios", ele não passa de
um FHC em miniatura.
Nós
estudantes devemos participar ativamente da luta contra a reforma
da previdência. Não podemos permitir que mais este
ataque seja feito aos direitos do povo. Devemos defender nossos
professores, desmascarar as mentiras do governo de que eles têm
privilégios. Privilegiados são os banqueiros, burgueses
e empresas que sonegam o INSS.
Abaixo
as reformas do governo Lula/FMI ! |