| Cristovam
Buarque: Um funcionário do Banco Mundial
Cristovam
Buarque, o ministro da educação do governo Lula
não podia ser outro: foi um dedicado funcionário
do BID1 - Banco Interamericano de Desenvolvimento (1973-79), onde
trabalhou quando morou em Washington. Ele é hoje, um dos
principais teóricos do PT. Economista, cientista político,
engenheiro mecânico, professor universitário, ex-governador
do D.F. (1995-98), ex-reitor da UNB, autor de vários livros,
com projetos aplaudidos pela ONU, atualmente Ministro da educação
e consultor do Banco Mundial. Cristovam Buarque é hoje
o "quadro" do imperialismo mais preparado na área
de educação. Por isso tem em sua frente um desafio:
concretizar o processo de privatização e mercantilização
da educação no Brasil.
O
PT até que tinha outros nomes para a tarefa, mas nenhum
deles agradaria tanto ao imperialismo como Cristóvam Buarque.
Ser Ministro da Educação não é tarefa
simples. A educação é um importante instrumento
da superestrutura estatal para o controle das massas, o conhecimento
e o não conhecimento são armas importantes para
a revolução, e a contra revolução
respectivamente. Além do que, a educação
dentro do mercado liberal, é um lucrativo "produto"
ou "serviço" (como alguns preferem), com alta
demanda devido a sua necessidade no mundo de hoje.
A
educação é ponto destacado nas orientações
do FMI (Fundo Monetário Internacional), OMC (Organização
Mundial do Comércio) e do Banco Mundial, orientações
que devem ser seguidas por aqueles que "precisam" destas
organizações, como os governantes do país.
Mas seguir as orientações, e fazer as "reformas"
que o imperialismo tanto necessita tem um entrave, que o próprio
FMI reconhece em um de seus documentos: a resistência estudantil.
Os estudantes, como parte do povo, resistem ao avanço das
políticas nocivas aplicadas por esse governo servo do imperialismo.
Está aí a importância de ter quadro experimentado,
de confiança do imperialismo para levar adiante sua política.
O FMI exige que se passe o "grosso" do ensino superior
para a iniciativa privada (a parcela mais lucrativa); a manutenção
de algumas universidades públicas, porém sustentadas
por parcerias e fundações privadas, transformando
a educação em serviço "fiscalizado"
pelo governo; exige a manutenção de instituições
de ensino básico e certa parcela do ensino médio
como responsabilidade do Estado. Garantiriam assim qualificação
mínima para o mercado além de grande oferta de mão
de obra, mantendo baixo o salário. Essa política
sempre foi defendida e aplicada pelo PT em seus governos. Políticas
assistencialistas para o povo pobre que eles tem a cara de pau
de chamar de excluídos, como se o sistema não produzisse
e necessitasse destes para se manter.
Cristovam
Buarque, na sua formação desde a França até
o tempo em que trabalhou nos EUA, se consolidou como um teórico
de tipo "social-democrata", ora keynesiano, ora pseudomarxista.
No fundo um grande liberal que assimilou muito bem a ideologia
imperialista. Depois que veio para o Brasil, dentre outras coisas,
foi reitor da Universidade de Brasília (1985-89), onde
abriu o terreno para o processo de privatização
da Universidade aplicando medidas como a criação
dos "centros de captação de recursos"
e incentivo de "parcerias com a iniciativa privada".
Projeto que visa transformar algumas poucas universidades públicas
em centros de excelência o mais "autônomo"
possível. Entendendo como autonomia a retirada da responsabilidade
do governo com seus custos, transferindo-os para a "sociedade",
ou seja, parcerias privadas que imporiam seus interesses, cobranças
de taxas ou até mesmo criação de fundos privados
na condução de tais centros.
Mas
foi como governador do Distrito Federal que Cristovam mostrou
toda sua fidelidade e competência ante os interesses da
grande burguesia, do latifúndio e do imperialismo. Criou
e aplicou programas assistencialistas e demagógicos, como
"Saúde em casa", "Escola Candanga"
(aprovação automática), e o mais ovacionado
pela ONU e pelo Banco Mundial: o "Bolsa Escola", que
são típicos programas governamentais norte-americanos
usados para tentar esconder a pobreza existente nos EUA. Foi aplaudido
por vários organismos imperialistas, pois servia de exemplo
para outros estados, para o governo federal e até para
outros países. Grande exemplo da aplicação
das orientações do Banco Mundial nos países
dominados. Políticas para manter o sistema, amarrar a necessidade
das massas às políticas do Estado e tentar conter
seu levante.
O
"Bolsa Escola" consiste em distribuir R$15,00 a cada
criança matriculada e com freqüência controlada,
num limite de 45,00 por família, ou seja, para no máximo
três filhos. Mas isso para famílias que tem renda
comprovada inferior a R$90,00 (menos de meio salário).
Certamente nenhum menino vai sair das ruas dos grandes centros
urbanos por causa de R$15,00 por mês. Ganham isso por dia
(muitas vezes para ajudar os pais desempregados), ou pior, entram
para o tráfico ou crime organizado: caminho que encontram
para sobreviver num mundo de miséria. Alguém viu
diminuir o número de crianças nas ruas? Não
diminuiu, e nem vai diminuir com programas demagógicos,
e não adianta dizer que o resultado é em longo prazo:
com ou sem "Bolsas Esmolas", a miséria só
vai aumentar até que o povo se levante para destruir este
sistema gerador de misérias.
No
comando do governo do DF, além de mostrar competência
na aplicação da política imperialista, Cristovam
Buarque, também ganhou experiência no combate as
lutas populares. Foi ele quem inaugurou a repressão a tiros
contra a manifestação, com ocorreu em 1998, durante
a greve dos federais. Na tentativa de desocupar um terreno público
tomado à margem da rodovia estrutural no DF, acionou por
várias vezes a truculenta polícia. Mesmo com vários
ataques com tratores, cavalaria, cães e com a ação
da tropa de choque, os que lutavam para conquistar um teto para
suas famílias, resistiram bravamente. Nos confrontos a
polícia, além de destruir o pouco que algumas famílias
tinham (mobília, madeira e lonas), agrediu homens, mulheres,
crianças e dois moradores foram executados após
um destes confrontos. Uma mulher e dois homens foram seqüestrados
durante a noite por policiais que invadiram seus barracos. Tentaram
intimidar o povo com assassinatos por ter desafiado o poder dos
exploradores e enfrentado a repressão. Porém um
dos homens sobreviveu e denunciou. Desmascarou o governo e o Estado,
mostrando para que e para quem serve a polícia. As famílias,
não recuaram e conquistaram a sua moradia
Como
governador conduziu um arrocho salarial a tal ponto, que mesmo
com o trabalho dos oportunistas do PT no sindicato dos professores
do DF, teve que enfrentar uma combativa greve. Essa foi reprimida,
havendo inclusive perseguição a professores grevistas:
de fazer inveja a qualquer governo da direita assumida. Com seu
demagógico "governo popular" criou tamanho repúdio
no povo pobre, que mesmo com o uso da máquina administrativa
conseguiu não se reeleger, cedendo seu lugar para Joaquim
Roriz, conhecido corrupto populista que ganhou carisma por denunciar
a demagogia do então governador, e se passar por homem
do povo diante de tamanha impopularidade e arrogância de
Cristovam. É bom lembrar que os professores do DF cobram
até hoje o dinheiro da ASEFE (Associação
dos Servidores da Fundação Educacional do DF), quase
20 milhões que foi desviado pelo PT para financiar campanhas
eleitorais de seus candidatos, incluindo aí Cristovam Buarque,
que nega, e alega falta de provas, pois quem poderia provar eram
os membros da diretoria da entidade filiados ao PT.
Radicalizando
a política de FHC e Paulo Renato
Como
bem qualificado oportunista, Cristovam Buarque, sabe que na crise
atual do sistema imperialista, para agradar seus amos vai ter
que colocar em dia o trabalho de Paulo Renato. Justificará
a política do governo passado de arrocho salarial, cortes
no orçamento para educação e para as universidades
em particular, a nenhum concurso para professores, etc. Precisa
radicalizar no caminho deixado pelo governo de FHC. Mas para isso
é preciso preparar terreno, ser "criativo" (como
muito gosta de falar), falar em mudanças, mesmo que seja
para "longo prazo". Isso sem falar em conter os anseios
dos estudantes e do povo. E para isso servem os agentes do MEC
no seio dos estudantes: UNE e UBES (União Nacional dos
Estudantes e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas)
que passam agora por uma institucionalização completa:
a fase final da decomposição dessas entidades.
Os
objetivos de continuar e radicalizar o processo de privatização
da educação no nosso país ficou claro em
uma entrevista dada à revista da UNE (Movimento, Revista
da UNE, nº6, janeiro de 2003, publicidade governista feita,
dizem eles, com dinheiro dos estudantes). Cristovam Buarque afirmou
ao defender as fundações de direito privado dentro
das universidades publicas que: "Antes de buscar dinheiro
dentro do governo nós temos que buscar dinheiro fora do
governo para financiar as universidades". É uma clara
defesa da mercantilização do ensino e da pesquisa
deixando-os reféns da origem do recurso; é abrir
campo às taxas e mensalidades. Propõe uma "autonomia
financeira" das universidades publicas, dizendo que o governo
não tem verba para a educação e que é
preciso ser "criativo", procurar os recursos na sociedade,
como se os elevados impostos já não viessem do povo.
Quando se trata de dinheiro para banqueiro, para pagamento de
juros, para perdão de dívidas de latifundiários,
para aumento de salários de deputados e juízes,
as verbas surgem aos montes, sumindo sempre que fala-se de educação,
saúde e tudo que serve ao povo.
Sobre
o papel da produção cientifica nas universidades
e seu caráter nacional, sobre a autonomia das pesquisas,
o ministro deixa claro ao falar das fundações e
das "parcerias com a empresas privadas": "... Se
fizer dentro da universidade, a patente pode ser dos dois. Em
alguns casos não vejo problema de compartilhar essa patente,
ou até abrir mão dela, se isso interessar ao Brasil".
Ainda
defende os cursos seqüenciais, tipo pós-médio
e tecnólogos, que são na verdade uma desqualificação
do ensino superior, uma maneira barata e lucrativa de capacitar
o exército de reserva de desempregados para manter no limite
mínimo todos os salários. Defendeu também
a privatização do ensino superior, tentando mostrar
como positivo o crescimento espantoso das instituições
privadas, que hoje já tem perto de 75% dos estudantes matriculados.
Essa expansão do ensino superior particular, em parte se
deu através de investimentos públicos: faz parte
do processo de privatização. O governo não
construiu mais universidades públicas e vem desmontando
as existentes. Exigimos o aumento de vagas e educação
básica e média de qualidade e gratuita.
Mas
o Ministro Cristovam Buarque não perde por esperar! Contra
este que aplicará uma política antipovo, nós
estudantes lutaremos com as bandeiras da democratização
do conhecimento, com qualidade e a gratuidade no ensino básico,
médio e superior que sirva ao povo e a construção
de um novo poder.
ABAIXO
O MINISTRO DA PRIVATIZAÇÃO!
ABAIXO
O OPORTUNISMO GOVERNISTA DE UNE/UBES!
VIVA
O MOVIMENTO ESTUDANTIL POPULAR REVOLUCIONÁRIO!
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