| Em
defesa do direito de estudar e aprender!
O
governo FHC, ao mesmo tempo que cortou verbas da educação,
gastou milhões em propaganda para dizer que colocou todas
as crianças na escola! Apresentaram estatísticas
que falam que a educação está às mil
maravilhas, que o povo finalmente garantiu seu direito constitucional
à educação e de freqüentar uma escola.
Mas toda essa propaganda não passa de uma grande demagogia.
A escola pública está cada vez pior, sendo destroçada
pelas políticas do Estado brasileiro que governa para os
ricos pisando sobre o povo. Quanto mais falam em nossos direitos
mais os violam. Assim como é mentirosa a democracia que
dizem existir em nosso país, é também mentirosa
a preocupação que dizem ter pela nossa educação.
A
educação vive hoje um verdadeiro caos e o motivo
é que não há recursos para a escola pública.
As salas de aulas estão abarrotadas de alunos; as escolas
não possuem a estrutura necessária, algumas não
têm nem ao menos uma biblioteca para estudarmos; não
há recursos para o salário dos professores; os estudantes
que não conseguem aprender são aprovados automaticamente
para a próxima série, mesmo não tendo aprendido
o conteúdo necessário; grande parte dos estudantes
se forma hoje na 8a série praticamente analfabeta; a criminalidade
cresce a cada dia dentro das escolas públicas. No turno
noturno e na periferia, os estudantes ficam literalmente largados,
tratados como se fossem marginais.
A
realidade é descrita pela aluna Andréia Aparecida
Costa do colégio Marconi de BH : "o aluno pode entrar
na sala, falar ‘presente’ e ir embora, que mesmo assim
passa de ano e se forma, independente se atingiu o conhecimento
mínimo necessário. No terceiro ano, os alunos são
certificados, mas não têm a menor perspectiva de
inserir no mercado de trabalho, acaba aceitando qualquer coisa
que aparece, são manipulados." Ou "simplesmente
o aluno tá fora da universidade, não consegue entrar.
É uma ilusão passar no vestibular, pois a escola
não dá base para isso."
Quem
têm estímulo para estudar deste jeito? Muitas vezes
nos perguntamos: porque estou gastando o meu tempo dentro da escola,
quando poderia fazer um milhão de outras coisas?
E
para piorar, as perspectivas não são nada boas.
Lula e seu ministro da Educação, Cristovam Buarque,
assumiram o mandato anunciando o corte de R$ 14 bilhões
no orçamento de saúde e educação.
Isso demonstra que a educação não é
prioridade para nenhum desses governos. Querem impor a ignorância
e o desconhecimento, como disse Andréia "Acho que
os governantes têm o interesse de regredir o país
a uma nação colonial, deixando o povo sem conhecimento,
para ser manipulado"
Abaixo
a trapaça da Aprovação Automática!
"Na
minha concepção a Escola Plural é um crime
contra a nação; aprova automaticamente as pessoas
que não aprenderam, as mesmas que serão o futuro
da nação."
"Na
escola plural, aprendizado não tem. Os professores são
desestimulados e se desinteressam em ensinar. Acabam não
dando aulas direito, deixam os alunos fazerem o que querem. O
que conta na escola plural não é aprendizado, o
que conta é a presença."
"Na
minha escola não houve nenhuma discussão sobre a
escola plural antes dela ser implantada. Os alunos não
tiveram nenhuma participação, não deram opinião
em nada. O único seminário que ficamos sabendo ocorreu
em outra escola, em outro bairro."
"Todos
os alunos não concordam com a escola plural porque é
uma farsa."
"Não
mudou nada em relação a atenção da
prefeitura com a educação; o que mudou foi a aprovação
automática para dar números para os governos fazerem
suas propagandas. Os governos falam do número de pessoas
que foram alfabetizadas, mas que alfabetização é
esta?"
(Trechos
da fala da aluna Andréia Aparecida, do turno noturno da
Escola Municipal Marconi - BH )
A
fala desta companheira expressa o sentimento dos estudantes das
escolas onde está sendo implantado o projeto da aprovação
automática. A Escola Plural implementada pela prefeitura
do PT em BH, faz parte deste projeto. O projeto "Progressão
Continuada", do atual ministro da educação
Cristovam Buarque (quando era governador do DF) que impôs
o fim à repetência escolar, foi apresentado como
inovador e progressista. Mas isto não passa de demagogia,
pois os estudantes saem da escola sem nada aprender.
Dizem
que com este projeto estão democratizando a escola e o
ensino, garantindo o nosso direito de não sermos mais reprovados.
Mas este sistema de aprovação automática
tem sido constantemente reprovado na prática, pois de democrático
ele não tem nada. Implementado na maioria dos estados e
prefeituras sem a menor discussão prévia com a comunidade
escolar, foi imposto goela abaixo dos estudantes e professores.
Quem decide se os estudantes serão ou não reprovados,
são as Secretarias de Educação, que não
conhecem de perto a realidade de nossas escolas e as necessidades
dos estudantes. Para isto, estas impõe diversas formas
de avaliação para que não seja necessário
avaliar o conteúdo das matérias, para que todos
os estudantes, os que heroicamente aprenderam alguma coisa e os
que nada aprenderam, passem para o próximo ano, ou ciclo.
O
ensino como está só tem gerado o desestímulo
e o não aprendizado. As matérias são dadas
"pelos cocos", o ensino não é levado a
sério, não estão nem aí para os estudantes.
Passamos anos na escola fingindo que aprendemos e os professores
fingindo que ensinam. Nos dão um diploma e acham que está
resolvido o problema. Porém, ao tentarmos um vestibular,
qual será nossa condição de competir com
um estudante que estudou nas melhores escolas particulares? Não
teremos condições, porque Aprovação
Automática é só para filho de pobre, que
tem que estudar em escola pública! Nas particulares, eles
nem pensam em implementar.
Fazem
de tudo para mostrar que todas as crianças e adolescentes
estão nas escolas, mas não aumentam um centavo de
verba para educação, pelo contrário, só
cortam. Assim um número maior de estudantes passam pela
escola, mas com um custo muito menor, pois pouco gastarão
para darem um diploma de mentira. Isto de aprovar os estudantes
automaticamente é a forma mais avançada do governo
cortar verbas. Antes, em muitas escolas, existia cargo para professores
dar aula de reforço fora do horário regular de aulas.
Os estudantes que ficavam de recuperação tinham
um mês para estudar antes da prova, tempo que era preenchido
com aulas e trabalhos junto aos professores. Então, cortaram
os professores de reforço; depois, os professores que davam
aula de recuperação, além de diminuir o tempo
para fazer a prova. Passamos a ter que estudar sozinhos o conteúdo
que tivemos dificuldade de aprender durante um ano inteiro. Mas
para o governo ainda existiam gastos "desnecessários",
já que muitos estudantes eram reprovados. Eis que surge
então a aprovação automática, que
liquidou todas as formas de reposição de conteúdo.
Sai muito mais barato para o governo.
O
projeto não reconhece que pessoas diferentes têm
dificuldades diferentes, e que por isso demandam atenções
diferentes, o que faz com que aqueles que não conseguiram
aprender se sintam ainda mais marginalizados. A aprovação
automática retira o direito democrático dos que
não conseguiram aprender o conteúdo ministrado devido
a dificuldades de aprendizagem, de terem mais tempo para estudar.
O
que os governantes querem é que após 8 anos de escola
todos estejam com o diploma do 1o grau, para terem, como disse
a aluna Andréia, números em suas estatísticas.
Não estão preocupados em garantir o nosso direito
de ter acesso ao conhecimento científico, de cursar uma
Universidade, de ser profissionais capacitados e a serviço
de nosso povo e nossa nação.
Cresce
a resistência contra a Aprovação Automática
Em
todos as cidades onde funciona o projeto, como Belo Horizonte,
São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília, estudantes,
pais e professores se revoltam. Veja uma entrevista dada a um
jornal paranaense (Gazeta do Povo) por um leitor indignado, João
dos Reis, em 11/07/2002: "Discutir a questão do sistema
de ciclos e aprovação automática requer investimento
financeiro, melhores instalações, assessoria pedagógica,
melhores condições de trabalho, profissionais com
salários justos. E não é isso que os governos
do Estado do Paraná e São Paulo querem para a escola
pública. Eu espero que todos aqueles que aprovaram esse
sistema – governadores, deputados, prefeitos, vereadores,
secretários de governo – retirem seus filhos das
escolas particulares e os coloquem em escolas públicas,
onde ensinar e aprender deixou de ser importante".
É
hora de nós estudantes nos organizarmos para colocar abaixo
esse projeto antidemocrático, exigindo das secretarias,
prefeituras, governos estaduais e MEC o fim da aprovação
automática!
Em
Minas Gerais, a entidade secundarista dos estudantes - União
Colegial de Minas Gerais, em conjunto com professores e com a
Faspa (Federação de Associações de
pais), aprovou em seu último Congresso a luta pelo fim
da Aprovação Automática. Os estudantes já
estão se organizando dentro de suas escolas para derrotar
o Projeto da Prefeitura de Fernando Pimentel - PT, e o projeto
"Escola Sagarana" da rede estadual de ensino.
Não
se trata aqui de defender o antigo sistema de avaliação,
pois este também era antidemocrático. As notas eram
utilizadas não como forma de nos avaliar, mas como forma
de reprovar o aluno, constituindo-se num atestado de burrice.
O problema não é se teremos ou não as notas,
mas se seremos de fato avaliados a fim de garantir o aprendizado.
Para isso, as aulas de reforço devem ser feitas durante
todo o ano, a fim de garantir que aqueles estudantes com maior
dificuldade possam acompanhar a turma. O que não pode é,
por falta de investimento em aulas de reforço e profissionais
especializados, permitir que cheguemos no final do ano sem ter
aprendido o conteúdo e simplesmente nos passar automaticamente,
porque reprovar automaticamente como se fazia antes passou a ser
caro demais para um governo que destina quase 80% de seu orçamento
apenas para o pagamento da dívida pública.
Uma
grave conseqüência dessa política é o
índice de abandono escolar. A maioria de nossos colegas
desiste durante o ano, ou por terem que ajudar no sustento de
suas famílias, ou por não verem a necessidade do
estudo, pois a escola a partir do momento que não ensina,
deixa de ser importante. As notas por si só não
expulsam ninguém, o que expulsa é o não aprendizado
e as péssimas condições de vida das classes
trabalhadoras.
Então,
que discutam as causas do problema e não apenas como fazer
emendas e reformas que apenas aprofundam a situação
de opressão sobre o povo em nosso país. Educação
é direito do povo e a escola deve garantir acima de tudo
o aprendizado! E para garanti-lo é necessário investir
na educação, prover maiores recursos, valorizar
mais os professores e não cortar gastos como fazem todos
os governos.
Não
somos apenas índices nas estatísticas do governo
e não aceitaremos mais ser marginalizados por esse sistema.
Educação é direito do povo!
Abaixo
a política de corte de verbas!
Abaixo
a trapaça da Aprovação Automática!
Temos
direito de estudar e aprender, ousar lutar, ousar vencer!
Por
escolas democráticas e que sirvam ao povo! |