| 4º
Encontro Nacional do Movimento Estudantil Popular Revolucionário
Fevereiro
foi um mês de muito trabalho em todas as regiões
do país. Em meio às reuniões de coordenação
e plenárias regionais que definiram as delegações
para o encontro nacional, tivemos que organizar as lutas que despontavam
nas escolas e universidades. Foi o mês que marcou o desfecho
de uma importante etapa da luta contra a cobrança de matrícula
na FFPP (Petrolina-PE) e Unimontes (Montes Claros-MG). Momento
marcado pela ofensiva imperialista, quando ianques ainda preparavam
o ataque ao Iraque.
Foram
nessas condições, que dezenas de companheiras e
companheiros, representando delegações de todo o
país, reuniram-se em Goiânia no 4º Encontro
Nacional do MEPR, que se realizou de 1 a 4 de março. Após
seis meses de luta pelo cumprimento das tarefas lançadas
pela 2ª Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo,
o 4º Encontro Nacional do MEPR, teve como tarefa central
realizar o balanço de nossa prática deste último
período, fazer a análise da aguda crise internacional
e dos significados do triunfo eleitoral do oportunismo, traçar
um plano para as lutas que travaremos até a 3ª Assembléia
Nacional e eleger uma nova Coordenação Nacional
do MEPR.
A
plenária de abertura refletiu toda a vibração
do reencontro dos companheiros após um período de
luta concentrada pelos quatro cantos do país, trazendo
os informes das lutas e ricas experiências dos embates com
a reação e os oportunistas. Todos esses sentimentos
se condensaram quando cantamos juntos, novamente, "A Internacional",
hino do proletariado revolucionário cantado pela classe
operária em todo o mundo. Retumbaram novamente, a plenos
pulmões nossas palavras de ordem: "Servir ao povo
de todo o coração, tropa de choque da revolução!",
"Cresce, cresce, por todo o Brasil, o novo movimento popular
estudantil!", "Abaixo a Guerra imperialista!",
"Resistir, lutar, construir o poder popular!".
Com
essa vibração e combatividade realizou-se o 4º
Encontro Nacional do MEPR. Cada dia de trabalho iniciava bem cedo
com uma série de exercícios físicos. Assim,
preparamos a tropa de choque da revolução, física
e mentalmente, para os embates do presente e futuro. Para realizar
os estudos de forma mais detida os companheiros distribuíram-se
em grupos; a limpeza dos alojamentos e da plenária e a
alimentação foram organizados coletivamente por
comissões de trabalho. Nossos dias eram encerrados com
saraus preenchidos com animadas representações da
cultura regional de cada delegação, danças,
músicas, poesias, leitura de contos e narrativas que falam
da vida e da luta do povo. Foram produzidas belas apresentações
que expressam a forma de pensar e agir, produzir e lutar das massas
e do proletariado, totalmente diferentes do lixo cultural oferecido
pelo imperialismo.
O
resultado de nossos debates e do balanço da nossa prática
no último período, apontou novas e importantes tarefas
para o MEPR e para as organizações que o compõem.
A plenária de encerramento do 4º Encontro Nacional
aprovou uma série de propostas que desde já estão
sendo cumpridas. A combativa manifestação realizada
nas ruas do Rio de Janeiro em resposta aos bombardeios ianques
ao Iraque é uma expressão exata da qualidade de
nosso Encontro, demonstra nossa capacidade de ação
e o vigor com que os companheiros de todas as regiões têm
cumprido as tarefas definidas. Outra meta já alcançada
é a edição do terceiro número do Jornal
Estudantes do Povo, importante material para difusão das
lutas travadas nas universidades e escolas do país e de
propaganda das posições do MEPR. Publicamos agora
as principais resoluções do 4º Encontro Nacional.
Universidades
Públicas
Devemos
exigir que sejam atendidas todas as bandeiras levantadas durante
a greve das federais de 2001: incorporação das gratificações
aos salários de professores e funcionários, plano
de carreira, abertura imediata de concurso público; bem
como as bandeiras de democratização: fim imediato
da lista tríplice para reitor e eleições
com voto universal, eleições para diretores de faculdade
e chefes de departamento; e: mais verbas para a educação,
aumento de vagas e preenchimento das vagas remanescentes, etc.
A
luta mais importante a ser travada é a luta contra a privatização
das universidades. A expulsão de 6 companheiras da UFMG,
por terem boicotado a matrícula, deixou claro que a cobrança
de taxas é a principal estratégia de privatização
da universidade pública. O Boicote às taxas também
serviu como um divisor de águas entre quem realmente defende
o ensino público. Na entrevista que concedeu na sede da
Une, o ministro Cristóvam Buarque afirmou que continuará
a cobrança de taxas nas universidades públicas,
com a "sábia" declaração "quem
pode deve pagar". Será com esta lógica que
o governo atuará. Instituirá a cobrança para
uma parte dos estudantes da universidade, como é feito
na UFMG, concedendo aos "carentes" o direito de nada
pagar em uma universidade que por lei é pública
e gratuita. Esta medida de corporativização e divisão
dos estudantes é típica do oportunismo, particularmente
do Sr. Cristóvam Buarque, inventor do "bolsa esmola"
e mestre em colocar o povo como dependente e associado do Estado.
O MEPR está lançando uma Campanha Nacional de Luta
contra a privatização das Universidades, convocando
todos os estudantes a "BOICOTAR TODAS AS TAXAS!". Esta
é a forma de luta que mais pressiona o governo, somente
assim podemos evidenciar o problema da falta de verbas. Enquanto
continuarmos pagando pelo que deveria ser repassado pelo governo
eles não aumentarão em nada o orçamento para
a educação.
Universidades
particulares
Exigimos
a redução imediata das mensalidades nas escolas
e faculdades particulares. Não podemos aceitar os engodos
de crédito educativo e seus juros exorbitantes. O ministro
da educação disse que as mensalidades das faculdades
são altas porque os estudantes são "moles".
Pois é o que veremos! Nossa política é a
de boicotar até reduzir as mensalidades! A conta quem paga
é o MEC! E se os donos de faculdades particulares começarem
a reclamar que com a redução não vão
conseguir manter o funcionamento de suas instituições
o que devemos defender é a Estatização das
universidades e faculdades particulares! Devemos seguir aprofundando
nossa linha de defesa dos estudantes inadimplentes, ampliar nossa
denúncia, pois a inadimplência é intensificada
pelas altas mensalidades cobradas pelas universidades.
Secundaristas
A
principal luta dos secundaristas é a luta "Pelo fim
da aprovação automática", pelo direito
de estudar e aprender. O ensino médio em nosso país
vive uma verdadeira decadência, como não há
repetência o governo reduz seus gastos com a educação.
Os alunos concluem o 2º grau semi-analfabetos, o ensino tornou-se
uma formalidade. As segundas épocas não são
mais um estudo de reposição de conteúdo,
são simplesmente provas, geralmente só para cumprir
formalidades, e as dependências podem ser acumuladas indiscriminadamente
sem que haja de fato repetição da matéria.
Nesta luta é fundamental a aliança com pais, professores
e diretores democráticos. Devemos ir às ruas para
por fim a este desleixo do Estado com os estudantes secundaristas.
Escolas
técnicas
Para
os companheiros das escolas técnicas a principal luta é
pela revogação do decreto lei 2208, que pôs
fim à vinculação do ensino médio ao
ensino técnico. Este decreto lei do governo FHC simplesmente
arruinou todos os Cefet´s e escolas técnicas do país,
transformando-as em verdadeiros centros de treinamento para empresas
multinacionais. O que antes eram as únicas escolas públicas
de 2º grau com maior qualidade simplesmente foram liquidadas.
Cefet´s que antes tinham mais de 5000 estudantes têm
hoje menos de 2000. Esta é uma luta de todos os estudantes
secundaristas. A vinculação do ensino médio
ao ensino técnico representa também uma maior democratização
da educação, pois é o melhor caminho de acesso
à universidade para os filhos do povo.
Derrotar
as reformas do governo
A
luta contra as medidas já tomadas pelo atual ministro da
educação é peremptória. São
medidas que dão continuidade em todos os níveis
às políticas de FHC e Paulo Renato. Na verdade,
Cristóvam Buarque como um funcionário do Banco Mundial
seguramente irá desenvolver todas as políticas tomadas
anteriormente. Vejamos irá manter o Provão, implementará
a política de cotas, criará o programa "Analfabetismo
zero" (leia-se "Amigos Da Escola 2"), ampliará
o bolsa "esmola". É claro que irá perfumar
toda esta sujeirada com sua conhecida demagogia. Num passe de
mágica o Provão passará a ser uma forma democrática
de comparar as universidades, o ranking das melhores para determinar
quais recebem mais verbas será agora "justo e nacionalista".
As cotas serão a "democratização"
da universidade já que pobres e negros poderão estudar
nelas. Democratização coisa alguma, Já que
o número de vagas permanece o mesmo! O "Analfabetismo
zero" também é apresentado como uma medida
democrática, o que este projeto significa é a exploração
de mão de obra universitária evitando que o governo
contrate mais professores e invista na escola pública.
Une e Ubes estão agora no governo, deixaram de ser um instrumento
do oportunismo para ser um instrumento do Estado, do MEC na implementação
de suas reformas. Não devemos combater estes oportunistas
como se fossem apenas uma corrente pelega no movimento popular,
mas sim como entidades governistas que farão de tudo para
viabilizar as políticas estatais.
Forjar
o MEPR nas lutas combativas
Os
êxitos alcançados em nossas lutas e os duros golpes
que assestamos em nossos inimigos comprovam que o novo movimento
estudantil cresce com vigor e faz tremer as hostes da reação.
Nos diferenciamos do movimento estudantil governista e burocrata
não por mobilizar milhares de estudantes em lutas gigantescas,
mas sim por apresentar uma postura firme e por não vender
os nossos princípios no jogo sujo dos acordos parlamentares.
As mobilizações maiores serão ainda por algum
tempo dirigidas pelo oportunismo, mas isto não nos intimida.
Cada dia de governo representará maior desmascaramento
dos oportunistas, a luta revolucionária, progressivamente,
se transformará na única alternativa para as amplas
massas de nosso país.
Nesse
último período o MEPR apresentou um grande crescimento
nossa presença saltou de 5 para 15 estados. Nosso movimento
se organiza e se forja dirigindo lutas combativas e radicalizadas
pelos direitos dos estudantes e na defesa dos direitos de todo
o povo. Essas são as bandeiras de luta do Movimento Estudantil
Popular Revolucionário. As bandeiras vermelhas da juventude,
que se organiza para servir ao povo de todo o coração
se espalharam. O MEPR cresce, avança, engrossa suas fileiras
com novos e bravos
companheiros e companheiras decididos a marchar na linha de frente
em luta por novas escolas e universidades, por um novo poder,
uma nova democracia. A corrente proletária dos estudantes
se prepara para ser a tropa de choque da revolução!
Viva
o MEPR! |