| Presídio
de Challapalca, o inferno peruano
No
Peru existem mais de 10 mil presos políticos e prisioneiros
de guerra, a maioria detida durante o governo fascista de Alberto
Fujimori. Sob a acusação de "terrorismo"
estes revolucionários são mantidos encarcerados
sem direito a advogados e julgados em cortes militares pelos chamados
"juízes sem rosto" (que como os carrascos na
época medieval cobrem o rosto durante o julgamento para
não ser identificados). O atual governo, apresentado como
"democrático", mantém exatamente a mesma
política de isolamento e tortura oficial nos presídio
aplicada por seu antecessor. A situação do dirigente
do Partido Comunista do Peru, Abimael Guzman, o Presidente Gonzalo,
é a mais grave: ele está incomunicável desde
novembro de 1992, sendo impossível saber suas atuais condições
de saúde, ou mesmo se está vivo ou morto. No dia
17 de maio, completa-se 23 anos que o PCP dirige a guerra popular
no Peru. Enfrentando as mais bárbaras perseguições
os revolucionários peruanos seguem indobráveis e
dão a todo o mundo um exemplo de persistência e decisão
revolucionárias. Publicamos, abaixo, trechos de uma carta
de familiares de presos políticos e prisioneiros de guerra
que denuncia a terrível situação dos cárceres
peruanos.
"Isolamento:
A política na prisão de Challapalca é chamada
oficialmente de ‘Regime Especial Fechado’, mas é
comumente conhecida como prisão de ‘punição’
porque sua filosofia é a de que os prisioneiros podem ser
‘reabilitados’ através da pressão, tortura
e até a morte. O fato de Challapalca se localizar em um
local remoto, em uma região ‘extraterritorial’
serve a esses objetivos, já que o direito nacional e internacional
referente aos direitos humanos não são observados.
Visitas: devido à distância em que se situa a prisão,
ao alto custo do transporte e às difíceis condições
para se chegar até lá, os familiares não
podem visitar os prisioneiros com freqüência.
"Direito
à defesa: muitos prisioneiros precisam submeter ao tribunal
documentos para revisão de seus processos, etc. mas não
podem fazê-lo porque a prisão é muito distante
e eles são extremamente pobres, não tendo recursos
para realizar sua defesa.
"Nutrição:
como exigência mínima para o tratamento dos prisioneiros
das Nações Unidas foi estipulado que cada prisioneiro
receberia alimneto de boa qualidade e com quantidade adequada.
Este não é o caso de Challapalca.
"Saúde:
o médico que trata dos prisioneiros aparece uma vez por
semana; não há um dentista permanente; o dentista
que aparece é de dois em dois meses e se os presos não
marcaram consultas não podem vê-lo. A situação
dos prisioneiros se agrava pelo fato de que a prisão está
a quase 7 horas da cidade mais próxima.
Espancamento
sistemático, tortura e morte-genocídio: Às
7:30 da noite de 21 de setembro de 2001, os prisioneiros foram
levados para Challapalca com as mãos amarradas às
costas. Quando chegaram na prisão foram espancados e torturados
ferozmente pelos guardas da prisão. Mais tarde foram forçados
a tirar suas roupas e os guardas continuaram a espancá-los
e roubaram os seus pertences.
"As
celas dos prisioneiros: as celas em que os prisioneiros vivem
são desenhadas para puni-los e torturá-los. As janelas
são pequenas, têm vidraças escuras e um bloco
de cimento que impede a luz do sol de entrar. Durante a noite,
junto às celas, os guardas atiram para o ar, jogam explosivos,
apitam, batem seus cassetetes nas barras e entram nas celas de
madrugada impedindo os prisioneiros de dormirem.
Finalmente,
exigimos o direito de todos os prisioneiros retornarem a seus
lugares de origem, para serem cuidados por seus familiares. Agradecemos
muitíssimo sua atenção e estamos confiantes
que as exigências colocadas neste documento coincidam com
os direitos garantidos pela lei. Esperamos receber seu valioso
apoio para que a lei seja cumprida e para que os direitos dos
prisioneiros e da família dos prisioneiros sejam respeitados
e que se dê um basta à situação atual
em que todos os nossos direitos estão sendo constantemente
violados.
Sinceramente,
As família dos Prisioneiros Políticos da Prisão
de Challapalca, Lima 31 de abril de 2002". |