A
juventude quer Revolução!
O
Jornal Estudantes do Povo número 3, sai em um momento de
grandes acontecimentos no mundo e em nosso país. A vitória
de Lula nas eleições presidenciais, em meio à
mais grave crise econômica do Brasil e a uma radicalização
da ofensiva imperialista, suscita em muitos a esperança.
Nós também temos esperança, não em
Lula ou em Bush, temos esperança no povo, nas massas oprimidas
de todo o mundo, no povo brasileiro, no povo iraquiano. Karl Marx
diz que a revolução é como as dores de um
parto. Esta comparação se dá provavelmente
porque para os alemães a palavra "esperança"
corresponde também à gravidez. É algo muito
significativo, pois esperança e gravidez são a vontade
e a construção de uma nova vida. Esta nova vida
não surge do nada, não cai do céu, precisa
ser fecundada. Gravidez e esperança se misturam são
expectativas e riscos. A revolução é como
um parto, onde dores e alegrias se fundem, onde o choro e o riso
se encontram. A esperança é a revolução,
mulheres e homens se juntando e lutando por uma vida nova.
O
imperialismo como um monstro desembestado arrasa países
e assassina milhares de massas pobres. Fazem isto em nome da liberdade!
Mais revoltante do que toda a violência imperialista, que
nunca deixou de existir, é a falsificação
diária feita pelos monopólios de comunicação
(a chamada grande imprensa). Escondem com o maior descaramento
toda a verdade, tentam se passar como imparciais quando estão
divulgando tudo o que ordenam os norte-americanos. Nem o nazismo
escondeu com tanto zelo seus crimes. Em que mundo estamos? Para
onde a burguesia conduziu a civilização humana?
Em
nosso país não é diferente. Lula chega ao
poder prometendo mudanças, FHC também falava de
mudanças e inclusive tem elogiado as que Lula tem feito.
Arrocho salarial, reforma da previdência, privatização
da educação, pagamento da dívida externa
são as "mudanças" que exigem George Bush
e o FMI. Falam de "Fome zero" e decretam um salário
mínimo miserável de 240 reais. Falam de "Fome
zero" e dizem que vão assentar menos famílias
camponesas que o último governo. Com a mesma argumentação
de FHC dizem que vão fazer a reforma da previdência
para acabar com os privilégios. Lula vai à TV se
dizer indignado com uma aposentadoria de 53 mil reais, mas a proposta
de reforma não toca nos privilégios, somente ataca
os direitos dos pobres. Lula não ficou nem um pouco indignado
com a anistia que seu governo concedeu à dívida
previdenciária da Varig, que era de 500 milhões
de reais, para ele isto não é privilégio.
Vemos o governo cortar 5,1 bilhões da saúde e da
educação. Assistimos a posse de um funcionário
do Banco Mundial para ministro da educação, o ex
governador do D.F. Cristovam Buarque. A verdadeira prioridade
do governo é mandar dinheiro para o FMI, reservando quase
80% do orçamento federal para o pagamento da dívida
pública. Nenhuma diferença da era FHC, a não
ser por insistirem em apresentar estas medidas como para o bem
do povo. Basta de cinismo e demagogia!
Nenhum
político nem a "cooperação" de
uma potência imperialista nos dará uma vida nova,
só podemos tê-la como resultado de nossos esforços.
A História é assim, as transformações
não ocorrem pelos desejos ou pelas promessas são
as ações concretas que fazem a diferença.
Companheiros, somos jovens e devemos pensar nisto muito seriamente.
Pretendemos viver em um mundo onde a mentira, a hipocrisia e a
demagogia são reinantes? Viver em um mundo onde bombas
caem dos céus e são apresentadas como presentes
divinos, onde um governo oportunista acaba com os direitos do
povo dizendo que é para o nosso bem? Por mais que haja
falsificação não é possível
ocultar a verdade. Os norte-americanos são imperialistas
desvairados e estão sugando todas as riquezas do Iraque,
o atual governo de plantão não passa de oportunistas
que traficam com as esperanças do povo, esta é a
realidade. Não é possível esconder a miséria
e a fome em que vive nosso povo.
A
revolução nunca foi tão necessária.
Não haverá uma nova vida enquanto houver imperialismo
e um Estado burguês-latifundiário serviçal
dos imperialistas em nosso país. Os mais de três
meses de governo Lula comprovam que enquanto a burguesia não
for derrubada do poder não haverá mudanças.
Comprovam também que estas mudanças jamais ocorrerão
pela via eleitoral, este é um jogo totalmente controlado,
para vencê-lo é preciso antes de tudo se vender ao
imperialismo. A invasão do Iraque revela claramente toda
a violência da dominação imperialista. O fim
da ONU não é o fim de uma instituição
de paz e sim a prova de que o que está em preparação
é uma nova guerra mundial entre as potências imperialistas
por uma nova repartição do mundo entre elas através
das guerras de rapina, massacres e genocídios sobre os
povos do Terceiro Mundo.
Contra
a violência do imperialismo aliado aos governos lacaios
dos países semicoloniais só podemos responder com
a justa violência das massas oprimidas. A guerra pela libertação
da dominação colonial e contra o Estado burguês-latifundiário
é uma guerra justa, é a revolução.
Para termos uma nação livre enfrentaremos forças
poderosas, teremos que lutar contra os reacionários de
nosso país e contra o imperialismo, particularmente o ianque.
É uma luta dura, mas que vale a pena. É preferível
morrer lutando do que viver de joelhos. Muitos pensam serem perigosas
estas aspirações, mas não há liberdade
sem riscos. Olhemos para o que o EUA está fazendo no Iraque
e pensemos, vamos permitir que, eles que já controlam toda
nossa economia venham se apossar da nossa Amazônia, como
fazem agora com o petróleo iraquiano? A implantação
da Alca, por exemplo, que já se encontra em marcha é
a forma de transformar a América Latina num mercado cativo
para as corporações norte-americanas. Nós
jovens seguramente não o permitiremos. Junto com os operários
e camponeses expulsaremos os ianques de nosso país e derrubaremos
a burguesia e o latifúndio do poder. E assim será
feito em todo o mundo. Esta é a nossa esperança! |