| Lula,
o sucessor de FHC
Para
analisarmos os reais significados da eleição da
Frente "popular" eleitoreira devemos situá-la
no momento histórico em que vivemos. As ações
do imperialismo norte-americano depois dos acontecimentos de 11
de setembro marcam um auge na ofensiva geral contra-revolucionária.
Os ianques com a justificativa da "guerra contra o terrorismo"
passaram por cima de todos os tratados e acordos internacionais,
ridicularizaram a ONU e enquadraram a Europa. O bombardeio e invasão
do Afeganistão e o genocídio que agora fazem no
Iraque, foram claramente diferentes de todas as ações
imperialistas que ocorreram durante a década de 90. No
entanto, toda esta ofensiva imperialista não é resultado
de uma expansão do capitalismo, é resultado de uma
crise geral deste sistema que está à beira da bancarrota.
O
Brasil, como parte semicolonial do sistema imperialista mundial,
encontra-se afundado na crise do capitalismo burocrático,
cuja economia se acha escorada nas mais frágeis estacas.
Depois de entregar todo o parque industrial nacional durante as
privatizações, de ter setores estratégicos
como o energético, o das telecomunicações
e o da mineração nas mãos de grandes corporações
internacionais, a economia brasileira encontra-se completamente
dependente dos capitais especulativos. Com isto vivemos uma instabilidade
permanente, que necessita da manutenção dos juros
altos e da desvalorização do real. Porém,
o dólar alto aumenta a inflação, que já
atinge violentamente o povo brasileiro, e os juros elevados aumentam
a recessão e a dívida externa.
O
podre Estado brasileiro é composto essencialmente por duas
classes reacionárias, a grande burguesia e o latifúndio.
Mas estas classes não são uniformes, existem frações,
que economicamente correspondem a interesses contraditórios
dentro da cadeia de produção capitalista. A grande
burguesia brasileira historicamente tem se dividido em duas frações:
a burocrática e a compradora (veja quadro no final da matéria).
A grave crise econômica do sistema leva à divisões
das classes dominantes, a ascensão do oportunismo ao poder
é resultado, antes de tudo, destes conflitos entre as frações
das classes dominantes. A vitória de Lula é a sucessão
da administração de FHC. A única diferença
que tende a surgir em relação ao antigo governo
será no terreno econômico, porque o triunfo eleitoral
do oportunismo marca a retomada do controle do aparelho de Estado
pela fração burocrática da burguesia. Em
determinado momento as políticas econômicas do novo
governo entrarão em conflito com certos modelos estabelecidos
a partir da administração Collor e aprofundados
nos oito anos de FHC. Estas diferenças não representam
de forma alguma confrontações com a política
do imperialismo, senão acomodações de interesses
de frações das classes dominantes, em meio à
crescente crise econômica e social.
A
política do governo Lula de cumprimento das metas do FMI
é a mesma de FHC, não é à toa que
o presidente do Banco Central escolhido por ele foi eleito deputado
federal pelo PSDB. Nenhum governo de país algum do Terceiro
Mundo tem recebido elogios tão generosos e freqüentes
do FMI e Banco Mundial como o atual governo brasileiro. Enquanto
mantém e zela pelo cumprimento rigoroso da política
econômica do imperialismo, que aprofunda o esmagamento econômico
e social do país, o governo da frente "popular"
oportunista eleitoreira, faz barulho com seu "Fome Zero",
promove junto com os monopólios de comunicação
a campanha de histeria sobre violência e segurança
pública e centra a articulação palaciana
no Congresso pela aprovação de suas três reformas:
a da previdência, a tributária e a política.
Estas são as vias pelas quais o governo busca criar as
condições para o que chamam de retomada do crescimento
econômico e "desenvolvimento com justiça social".
O
que está por trás da vitória eleitoral do
oportunismo
Ao
analisar como a gerência do oportunismo dá continuidade
e aprofunda a política imperialista no país, devemos
ter de forma clara as causas de seu triunfo eleitoral para enxergarmos
exatamente que interesses de classes representam. São três
as causas do triunfo eleitoral do oportunismo: 1) profunda divisão
das classes dominantes reacionárias devido à crise
econômica do país e do sistema capitalista mundial.
Esta crise econômica se expressa diretamente na decomposição
do Estado, na corrupção e no caos social, situação
que impossibilitou às classes dominantes disputarem unidas
o processo eleitoral, dividindo-se em várias candidaturas;
2) crescente descontentamento das massas com os oito anos de governo
FHC, sentimento que em sua grande parte se expressa através
da participação nas eleições ao votarem
na oposição; 3) A candidatura de Lula foi a que
mais acumulara, perante a opinião pública, a imagem
de oposição ao governo FHC.
No
entanto, é preciso explicitar ainda, como dentro de um
processo eleitoral farsante, totalmente controlado, o oportunismo
conseguiu se impor sendo que por três vezes consecutivas
fora derrotado. Desde a segunda derrota para FHC, em 1998, a direção
do PT veio fazendo uma verdadeira limpeza do partido de seus vestígios
do socialismo pequeno-burguês (o que chamam de radicalismo).
O IIº Congresso do PT, 2000, foi chave para este controle
do partido e ampliação das alianças com a
direita tradicional. Lula ameaçou não concorrer
se não fossem feitas alianças mais amplas e apresentou
como vice ideal o nome de José Alencar, grande empresário
monopolista do setor têxtil. Um ano antes das eleições
divulgam a "carta ao povo brasileiro", onde expuseram
o programa de governo elaborado por notórios banqueiros
e pelo ex-ministro do planejamento do regime militar, Delfin Neto.
Com todo o programa estando em consonância com as exigências
do FMI, os oportunistas ganham o importante apoio dos monopólios
de comunicação, particularmente da rede globo, que
tem forte influência no resultado eleitoral.
Outros
fatores como as pugnas dentro do próprio grupo palaciano
contribuíram para a vitória dos oportunistas. FHC
não conseguiu lançar um candidato seu e José
Serra impôs sua candidatura ao PSDB e à sua base
de alianças. Na verdade, o grupo de FHC já vinha
se enfraquecendo com as sucessivas crises e escândalos de
seu governo. O fato político mais importante que marca
a divisão das classes dominantes foi a ruptura e radicalização
do enfrentamento de FHC e o senador ACM durante o escândalo
do painel eletrônico do senado, que resultou na renúncia
do senhor "feudal" do nordeste. Este fato significou
a ruptura da base governista (burguesa-latifundiária).
Tal fato expunha a gravidade da crise do Estado. A partir deste
episódio tornou-se inevitável o naufrágio
do grupo palaciano.
As
operações e ataques de José Serra às
candidaturas que estava lhe causando esvaziamento político
e perda eleitoral acabaram favorecendo Lula. A operação
da polícia federal contra a ex-governadora do Maranhão,
Roseana Sarney, e toda a campanha televisiva de ataque a Ciro
Gomes, candidato que mais se adequava aos interesses ianques,
levaram a um isolamento ainda maior de Serra. Assim, tudo contribuiu
para o triunfo eleitoral do oportunismo.
O
enfraquecimento de Ciro Gomes e o isolamento de José Serra
contribuíram com a política oportunista de aglutinação
da burguesia burocrática em torno da candidatura de Lula.
Aglutinação que já estava sendo feita com
a composição de chapa com José Alencar. Isto
já diz respeito quanto a que interesses de classe representa
de fato o atual governo. Lula foi eleito para representar os interesses
da fração burocrática da burguesia, que havia
emergido no controle do poder de Estado a partir do movimento
de 1930 com Getúlio Vargas. A hegemonia desta fração
atravessou várias crises nos anos 40, 50 e 60, mas consolidou-se
com a administração militar surgida do golpe de
1964. Com a eleição de Collor perdem o poder para
a fração compradora, mas se enfraquecem principalmente
com a eleição de FHC. O próprio FHC, em sua
primeira posse, 1994, afirmara: "Minha eleição
para a presidência da República representa o fim
da Era Vargas".
A
fração burocrática ficou por baixo no controle
do Estado nos últimos 10 anos e buscava se articular para
retomá-lo. O oportunismo historicamente tem servido a esta
fração da burguesia em suas disputas com a fração
compradora. Assim foram as direções oportunistas
do Partido Comunista e assim se cumpre na atualidade com a frente
"popular" oportunista, hegemonizada pelo PT, seguida
por outros oportunistas e revisionistas como PCdoB, PCB, PPS,
PSTU e demais grupelhos. É impossível vencer as
eleições podres desta caricatura de democracia burguesa
sem ter por trás fortes interesses econômicos das
classes dominantes locais e internacionais. Seria impossível
a vitória de Lula sem a sustentação dada
pela fração burocrática da burguesia e sem
o aval do imperialismo. São os interesses econômicos
da grande burguesia burocrática que estão por trás
da vitória do oportunismo.
Um
governo da burguesia, do latifúndio e do imperialismo
O
oportunismo concretamente estabeleceu alianças com a grande
burguesia, isto está expresso na composição
de seu ministério. O favorecimento à fração
burocrática é evidente, mas setores da burguesia
compradora também tiveram de fazer parte da composição
para assegurar os compromissos com o capital financeiro internacional.
Tiveram que nomear para a presidência do Banco Central Henrique
Meirelles, executivo ex-presidente mundial do Bank of Boston.
Os restantes: o já citado vice-presidente; o ministro da
Indústria e Comércio, Luis Fernando Furlan, proprietário
da Sadia Alimentos e maior exportador de galinhas do país;
o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, grande proprietário
de terras, homem do agro-business (agricultura para exportação),
opositor de qualquer reforma agrária e defensor do cultivo
da soja transgênica; o ministro da Defesa o embaixador José
Viegas, que foi embaixador na Rússia e no Peru, tido como
articulador de negócios obscuros de FHC e Fujimori; e o
ministro dos Transportes deputado Anderson Adauto, indicado por
José Alencar e que tem ligações com o tráfico
de drogas no triângulo mineiro são todos representantes
da burguesia burocrática. Os quadros do PT que assumiram
postos importantes são: José Dirceu, ministro da
Casa Civil, Antônio Palocci, ministro da Fazenda, do Planejamento
Guido Mântega, da Previdência Social Ricardo Berzoini,
do Meio Ambiente a senadora Marina Silva, do Trabalho Jaques Wagner,
da Educação Cristovam Buarque. A esquerda do PT
ficou contemplada com a indicação de Miguel Rosseto
para o ministério do Desenvolvimento Agrário. O
PCdoB ficou com o poderoso e importantíssimo ministério
dos Esportes. Pela composição do ministério
percebemos que se trata de um governo composto para administrar
a crise, dar continuidade às políticas exigidas
pelo imperialismo e contemplar as tarefas que o governo FHC não
foi capaz de realizar.
O
governo Lula tenta fazer agora uma transição, não
entre a política de FHC para uma política popular,
e sim, de uma administração que favorecia em todos
os sentidos a burguesia compradora para uma administração
que favoreça a burguesia burocrática. A disputa
entre as frações burocrática e compradora
será a base de todas as crises políticas que irá
viver o governo dos oportunistas. Exemplo destas contradições
que emergirão são o descontentamento do vice-presidente
com as altas taxas de juros, que não podem conter por muito
tempo a explosão inflacionária e tem conduzido ao
fechamento de pequenas e médias empresas. A grande burguesia
exportadora (integrante da burguesia burocrática) depende
da desvalorização do real e de subsídios
para conseguir concorrer no disputa-
díssimo mercado internacional.
Os
discursos do governo de que os bancos são os principais
beneficiados com os juros altos e que a política do governo
busca uma transição para frear os lucros bancários,
não passam de pura retórica da época de oposição.
A primeira medida que os oportunistas lograram aprovar no congresso
nacional foi uma emenda constitucional de José Serra, que
legaliza o aumento desenfreado dos juros e avança para
a independência do Banco Central, o que só aumenta
o poder das posições do setor financeiro dentro
da economia. Estas medidas favorecem a fração compradora,
cujos negócios se constituem principalmente na comercialização
dos produtos importados, esta é a fração
que mais se adequa atualmente aos interesses do imperilaismo ianque,
até porque lucrará com a implementação
da ALCA. Para enfrentar esta fração, os setores
da burguesia burocrática, retomam as velhas teses da CEPAL
(Comissão Econômica para a América Latina)
de "substituição de importações",
de modelos inflacionários e déficits orçamentários,
somados a algumas reformas que possibilitem a ampliação
do mercado interno. Estas são as propostas "novas"
dos setores de "esquerda", taxados de radicais pelos
monopólios de comunicação. Políticas
que foram aplicadas recentemente pelos militares e por José
Sarney. Com essa retórica, diferentes correntes do oportunismo
acenam com propostas populistas para pressionar o governo. Desde
os "radicais" do PT, MST e outros, passando por Brizola,
até José Alencar representam os interesses dos grandes
industriais e comerciantes. A política de substituição
de importações nada tem de nacionalista. Como a
produção industrial e agropecuária, é
totalmente dependente de componentes e insumos importados a riqueza
continua fora do Brasil. Para termos idéia a Embraer, maior
exportadora brasileira, para exportar no último ano U$
1,7 bilhões teve que importar 1,1 bi, somos apenas montadores,
do último jato somente os carpetes e o trem de pouso foram
produzidos no Brasil.
Para
neutralizar estas pressões o governo se vinculará
ainda mais com as posições direitistas. Com a necessidade
de deter uma maioria confortável no parlamento se aproximam
dos setores mais reacionários do latifúndio. Tanto
que em relação a questão agrária,
não foram capazes de rever a Medida Provisória reacionária
de FHC, que a emitiu para tentar impedir as invasões de
terras através da criminalização do movimento
camponês e da suspensão por dois anos da vistoria
dos latifúndios invadidos. O governo já deixou claro
sua posição de "reforma agrária pacífica
e sem violência" dizendo que irá assentar menos
famílias camponesas do que FHC e mandando o seu ministro
da "ala radical", Miguel Rosseto, visitar a liderança
reacionária dos latifundiários, que encabeça
a organização de paramilitares no campo e que já
declararam guerra aos camponeses.
Em
relação ao imperialismo a posição
de Lula não é menos oportunista. Criado e financiado
pelo imperialismo europeu, sonham com alianças e grande
negócios com a Europa, Rússia e China, porém
ao chegar ao poder se agacham desavergonhadamente para os ianques.
Sua posição na política internacional na
atual guerra é vergonhosa. Agora que estão no governo
são mais canalhas do que nunca. Publicamente posam de críticos
ao EUA e entre as paredes lambem suas botas até a sola.
Lembremos que após sua eleição, Lula viajou
a Washington para reunir-se com Bush e acertou com ele as três
pastas de grande interesse ianque, o que obrigou Lula a anunciar
desde a sede do império os nomes para presidente do Banco
Central, para os ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente.
Seu objetivo é ameaçar alianças com outras
potências para barganhar uma vaga no conselho permanente
de segurança da ONU.
Diante
destas descaradas provas de ligações íntimas
com todos os setores da burguesia, do latifúndio e do imperialismo,
alguns setores da "esquerda" têm a coragem de
dizer que Lula está em disputa. O PSTU fala que é
preciso "convencer" Lula, ganhá-lo para posições
populares. Lula realmente está em disputa, não entre
o povo e a burguesia, mas sim entre as frações da
burguesia. Quem disputa Lula são as frações
burocráticas e compradoras, o imperialismo ianque versus
o europeu.
As
políticas reacionárias do governo Lula
Em
que consiste essencialmente a política do governo da frente
"popular" oportunista eleitoreira? Consiste em promover
as três reformas, as que ficaram pendentes no governo FHC.
Estas, pela pressão que a burguesia, os seus monopólios
de comunicação e dos diversos partidos políticos
fazem pela sua imediata concretização, por si só
revelam que são reformas reacionárias. Objetivamente
visam cumprir dois objetivos: um que é de interesse de
todas as classes dominantes e buscar adequar a máquina
estatal inoperante, podre e atolada na corrupção,
de forma a dar-lhe um mínimo de funcionalidade e fachada
para manter sua dominação. Para isto, é problema
chave a reforma política que abarca todo o sistema de relações
dos chamados três poderes (executivo, legislativo e judiciário),
desde o funcionamento dos partidos até ao sistema judiciário,
penitenciário e de segurança pública. Aproveitando
do crescimento da criminalidade, da qual o Estado é parte,
dão grande publicidade no "combate à violência",
para com isto obterem uma nova "lei de defesa do Estado democrático",
medidas legais draconianas para potenciar a ação
do Estado, para justificar toda a repressão sobre as massas
que, a cada dia, com a crescente miséria, passarão
às lutas mais massivas e radicalizadas. As outras, a da
Previdência e a Tributária, diz respeito às
pugnas entre as diferentes frações das classes dominantes
quanto à defesa de seus interesses e privilégios
a partir da máquina de Estado (sobre a reforma da previdência
veja mais na página 24).
Abre-se
um novo ciclo da luta de classes no país
Um
partido, que pela ausência da direção revolucionária
proletária no país, golpeada profundamente e afundada
pelo revisionismo, pôde galgar degrau a degrau, como a coligação
das forças mais rancorosas da pequena-burguesia, sindicalistas
treinados pelo IADESIL, grupos trotsquistas, guerrilheiros arrependidos,
aliança galvanizada pelos intelectuais financiados pela
Fundação Ford (CEBRAP), protegidos pelo véu
clerical e abençoados pela Santa Igreja Católica
Apostólica Romana e seu papa Carol Voitila, pôde
contar até mesmo com um Lech Valessa da Silva. Para dar
tintura ao discurso radicalóide e aval de esquerda, o PT
trouxe o selo do revisionismo cubano e suas teorias de "frentes
de esquerda", "revolução socialista de
um só golpe" e "luta armada" somente como
meio de barganha para a capitulação e enganar incautos.
Este partido pôde fazer carreira rapidamente, passando de
temerários inimigos da "patronal" e do capitalismo,
"bolcheviques trotsquistas" e "perigosos castristas-guevaristas"
que a reação agitava em seus meios, aos mais conciliadores
e descarados defensores do capital. Já a partir das primeiras
administrações municipais e estaduais conquistas
puderam por à prova de fato o que representavam, trazendo
à superfície sua verdadeira essência oportunista
reacionária, que se achava soterrada pelas frases ultra-revolucionárias
e que hoje expõem sem o menor pudor. De fato, um partido
que granjeou apoio e credibilidade em amplas camadas sociais através
de uma oposição sistemática às políticas
aplicadas no país, conquistou, com o voto popular o topo
da máquina de Estado, fundiu-se com ela, se identifica
com ela, torna-se ela própria. Pela primeira vez na história
de nosso país, forças políticas, que se opunham
(ainda que somente em aparência) ao Estado reacionário,
conquista sua direção pelas vias definidas e permitidas
pelo próprio Estado em nome de promover reformas, que possam
dar uma sobrevida à esta maquinaria de opressão
secular sobre nosso povo. Isto marca o fim de todo um ciclo da
luta de classe no país e o início de um outro e
novo: o da revolução proletária através
da revolução de nova democracia.
Toda
a "ética na política", verdadeiro programa
do PT na oposição, tem se transformado em questão
de dias na mais emporcalhada latrina. Os chefes petistas estão
hoje tendo que suar a camisa para encobrir os mais escabrosos
escândalos de corrupção e outros crimes que
vêm à tona cada vez mais, dada a radicalização
da pugna entre as frações e círculos de poder
das classes dominantes. E terão que se dedicar cada dia
mais a esta tarefa imunda pois disto dependerá a sobrevivência
do seu governo em meio de inúmeras crises que atravessará.
O caso dos "grampos" de Antonio Carlos Magalhães
é um exemplo contundente. Necessitam dos votos da bancada
que o senhor "feudal" do nordeste comanda para aprovar
seus mirrados projetos. Tudo isto confirma que o oportunismo serve
ao capitalismo burocrático, e agora no poder, confirma
que serve como tábua de salvação das classes
dominantes reacionárias e seu caduco Estado. Neste sentido,
o governo encabeçado pelo PT representando forças
políticas, com maior ou menor modificação
orgânica, é o último partido que as classes
dominantes reacionárias, serviçais do imperialismo,
principalmente ianque, contam para tentar uma sobrevida para seu
regime de exploração e opressão. A crise
mundial aí está, a luta entre as diferentes potências
fará agravar a luta entre as diferentes frações
das classes dominantes locais. O capitalismo burocrático
em nosso país chegou ao seu momento mais grave, entrou
na sua fase agonizante, as forças do atual governo farão
de tudo para se manter no poder e salvar a reação,
e por mais tempo que se arraste em sua agonia, por fim, afundarão
com todo o apodrecido sistema. Fatalmente o oportunismo se dividirá
recompondo-se com os setores mais retrógrados e carcomidos
da sociedade brasileira. A parte detentora de maior poder no PT
será o núcleo central da reação contra-revolucionária,
outra menor abrirá dissidência e defenderá
uma terceira via. Nem o governo repressivo, nem a revolução.
Isto é inevitável. Ao fim e ao cabo, fará
o jogo da reação e será alvo também
da revolução. O longo período em que se desenvolverá
a luta de classes no país nas novas condições,
será entremeada por acontecimentos cuja essência
é esta sintetizada acima.
Frações
da grande burguesia
A
burguesia compradora surge no processo de escoamento da
produção agrícola, cana e café,
no final do século XIX. Cuida principalmente da circulação
de mercadorias. As medidas econômicas que a favorecem
são: paridade do real com o dólar (o que barateia
as importações), privatização
das estatais e juros altos.
A
burguesia burocrática é uma fração
ligada à produção, mas não tem
um caráter progressista como busca apresentar oportunismo.
É uma burguesia que se desenvolveu as custas do capital
monopolista e é totalmente dependente do Estado para
crescer. As políticas que lhe favorece são:
desvalorização do real (facilita a exportação),
inflação e juros baixos. |
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