As jovens na luta pela emancipação da mulher

Vimos nas últimas comemorações do dia 8 de março, toda uma espalhafatosa propaganda sobre a suposta “libertação” das mulheres. O Movimento Feminista burguês, juntamente com as classes dominantes, difundem que as mulheres adquiriram sua “liberdade sexual”, que romperam com o machismo e opressão existentes. Atribuem a esse dia o marco dessa “libertação”, chamando-o de “Dia Internacional das mulheres”, como exemplo da “luta de todas as mulheres contra os homens”.

Na verdade, o dia 8 de março não é o dia de todas as mulheres. Ele foi definido pela Conferência de Mulheres Socialistas, em 1910, na Dinamarca, como o dia Internacional da Mulher Proletária. Em 8 de março de 1853, centenas de mulheres operárias da fábrica têxtil Cotton, em Nova Iorque, levantaram uma combativa greve exigindo melhores salários, condições dignas de trabalho e outros direitos. Essa luta massiva das mulheres foi violentamente reprimida pela polícia, que cercou a fábrica e, covardemente, nela ateou fogo. A ação criminosa da polícia resultou no assassinato de dezenas de operárias, que resistiram e mantiveram-se firmes durante todo o combate.

O exemplo dessas operárias fabris nos mostra que sua luta não pode se dar ao lado das mulheres burguesas, exploradoras, das policiais e governantes do Estado burguês; essas servem a sugar as riquezas de seu trabalho diário. As mulheres do povo têm interesses radicalmente opostos aos privilégios dos homens e mulheres opressores. Por isso, o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher Proletária, expressa que a luta das mulheres oprimidas e exploradas não se dá em combate aos homens de sua classe, e sim às classes dominantes, que além de explorarem ao máximo as mulheres e homens pobres, são os mesmos que difundem uma cultura e ideologia que rebaixa, estigmatiza e inferioriza socialmente a mulher.

Dessa forma, o discurso do feminismo burguês e de toda a reação, tenta ocultar: 1º) que a luta da mulher por sua emancipação faz parte da libertação de todo o povo do jugo do capital, e 2º) que a opressão cultural e ideológica sobre a mulher se aprofundou nas últimas décadas, o que é dissimulado pela tagarelice feminista burguesa sobre a “libertação sexual” da mulher.

“Libertação sexual” ou opressão sexual?

Através da cultura que difunde, o imperialismo tenta imobilizar e massacrar ideologicamente o povo. Particularmente as mulheres são alvo dessa dominação cultural e ideológica. A imagem da mulher é exacerbadamente mercantilizada, brutalmente transformadas em meras mercadorias.

A primeira razão disso, facilmente perceptível por todos, é a movimentação do comércio de mercadorias direcionado ao público feminino, tais como: a indústria de cosméticos e têxtil (que ditam a ‘moda’ para vender mais e mais produtos); as dezenas de revistas bestiais sobre “fofocas”, família, relacionamento conjugal, enfim, criando um suposto “mundo cor-de-rosa” da mulher, completamente desligado da realidade social; a indústria cultural, dentre outras. No marketing de inúmeras mercadorias, utiliza-se a todo momento o corpo da mulher para disputar a atenção dos consumidores (chegando ao ponto de a exibir nua ou seminua em propagandas de bebidas ou até mesmo de calçados). Além disso, a indústria do sexo, que impõe à mulher a condição de objeto de prazer, movimenta bilhões e enriquece alguns poucos, às custas de sua completa banalização e prostituição.

O interesse imperialista em atingir as mulheres não se limita à questão econômica, mas consiste principalmente na opressão ideológica que sua subjugação acarreta.

Os programas de TV como o humorístico “Zorra Total”, “Big Brother”, entre tantos outros, vendem a imagem da mulher como um ser estúpido, besta que só tem algum valor quando seu corpo corresponde aos padrões impostos culturalmente pela burguesia.

A degeneração da mulher aparece de forma escandalosa nas músicas que falam sobre ela. O tradicional e popular “samba de raiz” é completamente deteriorado pelas gravadoras, resultando na produção de músicas que a humilham e rebaixam, e ainda, padronizando ridículas coreografias pornográficas. Além disso, a banalização do sexo é levada ao extremo com o degenerado “funk”, que tem no foco de suas músicas a mulher como objeto de prazer do homem. Na tentativa de arrastar setores da intelectualidade para esta cultura podre, Caetano Veloso chama as mulheres de “vagabundas’’ e “piranhas”.

Toda essa propaganda sobre a mulher atribui a ela uma clara e bem definida função social: a de mera reprodutora, objeto sexual que se destinará, posteriormente, a ser mãe, preocupada exclusivamente com seus filhos e marido, alheia à sociedade e à luta de classes. Esse é o papel que as classes dominantes tentam impor à mulher. Ao mesmo tempo que exaltam seu corpo e sexualidade, a chamam de burra e incapaz. Dizem para as jovens: “preocupe-se com seu corpo, ande na moda, se enquadre no padrão de beleza, seja fonte de prazer. Não pense, não lute. Você não serve para isso.” E para as trabalhadoras, “escravas do lar”: “chegue do serviço e arrume a casa, cozinhe, lave, passe, cuide de seus filhos e do marido, garanta as condições mínimas para que ele vá trabalhar, para que eu possa continuar explorando sua força-de-trabalho. Esse é seu maior mérito; seja dócil e passiva à sua condição”.

Ao longo dos séculos o Movimento Feminino, quando adotou uma posição classista e atuou junto do movimento popular, conquistou vários direitos democráticos para as mulheres. Porém, o que o feminismo burguês apresenta como “libertação sexual” é uma liberdade aparente, pois só significa a intensificação da alienação e opressão cultural e ideológica sobre a mulher. Muda-se a forma, porém permanece o conteúdo milenar de desvalorização e subestimação de suas capacidades, com a intenção de desviar toda sua força e energia de lutar contra as injustiças e pela revolução, de tentar calar a voz da metade dos oprimidos.

A emancipação da mulher só pode ser efetivada através da revolução. Isso explica-se tendo em vista a origem de sua opressão, que aparece com a propriedade privada e a divisão da sociedade em classes. No estágio superior da barbárie, o homem, como dono dos instrumentos da produção, passa a aproveitar-se do excedente e impõe a monogamia como forma de organização familiar, para garantir que suas riquezas fossem herdadas para seus filhos legítimos. Durante todo o período anterior a civilização o comunismo primitivo, prevalecera o matriarcado, em que as mulheres exerciam as funções de maior importância na sociedade e gozavam de privilégios. Já sob o patriarcado, seu papel no processo de produção foi secundarizado, surgindo então, as berrantes lendas sobre a inferioridade da mulher. Engels afirmou: “A perda do direito materno foi a grande derrota histórica das mulheres.” Como a opressão sobre a mulher surge com o aparecimento da sociedade de classes, somente com a passagem ao estágio superior do socialismo, o comunismo, em que as classes sociais forem abolidas, haverá completa emancipação feminina.

Romper todas as cadeias de opressão!

É tarefa urgente e fundamental na luta contra a submissão da mulher combater todo o lixo cultural produzido para aprisioná-la e adormecê-la, valorizando a verdadeira cultura popular. Ao mesmo tempo, combater as relações superficiais e mesquinhas, nas quais homens e mulheres tornam-se objeto uns dos outros. “Liberdade” no relacionamento não significa a mulher ter uma postura tão promíscua quanto a que é incentivada nos homens, desde que nascem.

Por outro lado, as relações de extrema dependência entre o casal acarretam muitas vezes, num sentimento possessivo, que define os limites da participação de cada um na vida social, sendo esses os mais estreitos para as mulheres. Tais relações se sustentam nesse sentimento de dependência, no qual aparentemente, um não vive sem o outro (em geral, são as mulheres que pensam não conseguir viver sem o homem). Assim, a relação se fecha em si mesma.

Devemos lutar por revolucionarmos nossas concepções, desenvolvendo relações de novo tipo, baseadas no sentimento de companheirismo, respeito e confiança recíprocos. Participar da luta por um mundo novo, contribuir com a causa revolucionária de alguma forma só fortalece os sentimentos de amor e união. Nessa nova prática como agentes transformadores da História, homens e mulheres se igualam. Na luta por romper com toda a exploração e dominação capitalista, as mulheres se fortalecem e vão, pouco a pouco, rompendo com os preconceitos e subestimação que pesam sobre elas.

Um mito muito difundido é a de uma suposta natureza frágil e delicada da mulher. Porém, o que na aparência se apresenta como uma “admiração” e “valorização” da “beleza feminina”, é na verdade, um grande desprezo pela mulher, serve para rotulá-la de fraca e débil, emocionalmente instável e facilmente abalável, etc.

Essa “teoria” cai por terra quando analisamos a História. Em todos os processos revolucionários, as mulheres demonstraram sua fúria, disposição e capacidade de lutar pela libertação popular. Na inesquecível Comuna de Paris as mulheres combateram à baioneta e ao lado dos homens de sua classe, as forças reacionárias. Destacaram-se tanto na luta, amedrontando toda a burguesia, que inclusive um jornalista burguês chegou a dizer: “se na França existisse somente mulheres, que terrível nação seria”. Na Revolução Russa, as camaradas assumiram postos de direção no movimento das massas e no Partido Bolchevique. Na Revolução Chinesa, as mulheres tiveram um papel destacado na direção da grande Revolução Cultural Proletária, que combateu profundamente todos os velhos e retrógrados hábitos sociais, a cultura machista milenar e estimulou todas as mulheres a lançarem-se na linha de frente da transformação socialista. Atualmente, vemos as mulheres no mundo inteiro se levantando na luta antiimperialista e pela revolução; as iraquianas nos dão o exemplo, no combate às tropas ianques no Iraque.

Em nosso país, toda a história da luta popular também é marcada pela atuação firme das mulheres. Há vários exemplos, como a combativa e conhecida “greve das professorinhas”, de 1979, em Belo Horizonte. No campo revolucionário, temos o marco da heróica Guerrilha do Araguaia, 1972/74 na qual muitas jovens (em sua maioria estudantes) se integraram às massas camponesas daquela região para desenvolver a luta armada revolucionária, dirigida pelo Partido Comunista.

Além disso, há ainda as lutas por melhores condições de vida (saúde, creches para seus filhos, contra o corte de água e luz, por moradia digna, etc.). No dia-a-dia as mulheres donas-de-casa e as trabalhadoras do campo e da cidade, travam feroz batalha pela sobrevivência e sustentação familiar, o que as leva a diversos enfrentamentos (contra os patrões e latifundiários; contra as prefeituras, suas demagogias e burocracias; contra a polícia e os jagunços; etc.).

Os exemplos não se esgotam e nos mostram que, como são mais oprimidas, por sofrerem dupla opressão (a de classe e a sexual), as mulheres também resistem mais, são mais revolucionárias. Quando desperta sua revolta, nada as detém!

No MEPR também não é diferente. As companheiras assumem progressivamente o papel de direção. Cada vez mais se destacam por sua conduta justa, séria e compromissada, por sua combatividade e firmeza. Foi o que vimos nas manifestações que realizamos em março, no Rio de Janeiro, assim como nas demais regiões do país: as mulheres na linha de frente, defendendo as bandeiras do movimento e enfrentando a truculenta polícia com coragem e decisão.

As estudantes que participam do MEPR são também militantes do Movimento Feminino Popular – MFP, organização classista de mulheres, que busca potencializar o rompimento das barreiras que impedem a sua participação na luta de classes, elevando sua politização e compreensão científica da realidade.

Companheiras, não nos calemos diante de toda opressão a que somos submetidas! Não somos vagabundas, inferiores, incapazes ou objeto sexual. Não dancemos as ridículas coreografias que comparam as mulheres a éguas e cachorras. Nos rebelemos contra a podre cultura machista, que faz parte da ideologia burguesa. Não aceitemos que as relações entre homens e mulheres sejam superficiais, puramente sexuais. Engajemos na luta revolucionária de nossa classe.

Briguemos, companheiras! As mulheres são linha de frente na luta pela sua emancipação!

Inscrição numa fotografia de milicianas

“Estas belas e valentes heroínas com suas carabinas

Sob o esplendor da aurora nos campos de exercícios

As filhas da China têm aspirações pouco vulgares
Desprezam as sedas,

amam sua roupa de combate"

1961, Presidente Mao Tsetung.

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