A justa guerra pela terra

O Movimento Estudantil Popular Revolucionário em visita à sede da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia realizou uma conversa com seus principais dirigentes, que fizeram um relato da situação da luta pela terra no estado. Iniciando com um breve histórico, os companheiros da Liga afirmaram que desde o início do povoamento de Rondônia existiam várias tomadas de terra. Mas o grande fato que marcou uma virada na luta pela terra foi a grandiosa "Batalha de Santa Elina", que foi divulgada pela grande imprensa e pelos oportunistas como o "Massacre de Corumbiara", ocorrido em 9 de agosto de 96. Segundo a Liga, apesar dos assassinatos e de toda a violência cometida pela polícia e jagunços contra as 600 famílias de camponeses pobres, a heróica resistência imposta pelos camponeses, que lutaram até o último minuto com seus instrumentos de trabalho e espingardas de caça, ficou marcado na história como um grande exemplo de luta para todos aqueles que não mais suportam as humilhações e a miséria imposta pelo governo e latifundiários. Desde então a luta pela terra em Rondônia tem se acirrado cada vez mais. Os latifundiários têm contratado pistoleiros para, junto à polícia e com o aval da justiça do estado, perseguirem, torturarem e assassinarem os camponeses que tomam terras e os dirigentes da LCP. No entanto, as massas não se intimidaram milhares de camponeses pobres têm se organizado junto a Liga e tomado as terras do latifúndio. Em fevereiro a Liga dos Camponeses enviou uma comissão à Brasília para denunciar as perseguições, seqüestros, torturas, esquartejamentos e bárbaros assassinatos de camponeses cometidos por pistoleiros e policiais a serviço de madeireiros e latifundiários no Estado. A situação é de uma guerra declarada onde os latifundiários armam seus exércitos particulares de jagunços e policiais e promovem um terror sem limites.

GOVERNO E LATIFÚNDIO TORTURAM E ASSASSINAM CAMPONESES

Há mais de três anos a região de Nova Mamoré tem sido palco de uma nova página da história da luta pela terra em Rondônia. O município que fica a 60 Km de Buritis é cortado pela BR-421 que dá acesso a cidade de Guajará -Mirim na fronteira com a Bolívia.

Nos últimos meses tem vivenciado a violência dos bandos armados que atuam impunemente a serviço de grandes latifundiários. Numa área de grandes extensões de terras devolutas, destinada pelo INCRA para projetos de assentamento, centenas de famílias camponesas deram início a estradas, roçadas, plantio etc.

Mas devido a existência de mata virgem rica em madeira de lei, como o mogno, vários latifundiários passaram a usar de violência para expulsar as famílias, bloqueando estradas com formação de pastos, cercas, porteiras, deixando várias famílias no isolamento e ainda sendo ameaçadas constantemente por jagunços. No caso da área hoje conhecida por Fazenda Condor há três anos moravam num pequeno vilarejo 40 famílias, que por se negarem a deixar suas terras foram surpreendidas certo dia por um exército de homens armados que chegaram atirando, quase todos foram assassinados, os sobreviventes ficaram com seqüelas. Os latifundiários da área conseguiram abafar as informações sobre este assassinato em massa de camponeses pobres de tal forma, que os únicos a saberem do fato eram os moradores da área, que temiam falar sobre o assunto.

Os principais latifundiários da região são Carlos Schumann que tem propriedades em Vilhena e Chupinguaia (sul do estado), além de serrarias ilegais que atuam na região de Nova Mamoré, a Fazenda Schumann tem cerca de 42.000 hectares. Outro latifundiário é conhecido como Geraldo da "Condor", que também é empresário dono de uma das maiores distribuidoras de produtos alimentícios do estado. Seus dois latifúndios na na região têm cerca de 364.000 hectares. Também são conhecidos na região de Buritis os latifundiários Nenê da laminadora e Toninho Samaritano, todos estes citados acima são assassinos de trabalhadores e contam com os serviços de uma dezena de facínoras atrelados à estrutura do Estado. Como é o caso do Dr. Eliseu, candidato a deputado pelo PT e delegado na cidade de Ariquemes, conhecido por contratar pistoleiros para expulsar camponeses de suas
terras, atuam com ele os pistoleiros Diamantino e Donizete Moage. Da mesma forma atua o Sargento Alves da PM de Ji-Paraná, que já grilou mais de 300 alqueires expulsando camponeses, atuam com ele o soldado Silvio da PM ,o agente da polícia civil Rubão e os pistoleiros Bigode e Dionísio todos moradores na cidade de Buritis. Os métodos utilizados por este grupo são a tortura com espancamentos, afogamento, onde amarram as pessoas nas mãos e pernas, recentemente assassinaram um jovem da região conhecido como Edmílson e sumiram com seu corpo.

O INCRA tem atuado em conluio com latifundiários, vendendo áreas da União destinadas a reforma agrária como é o caso de 8 áreas vendidas pelo ex-representante da superintendência estadual em Porto Velho, Paulo Brandão (conhecido pelos camponeses da região por sua capacidade de enrolar nas negociações) que apesar de concluída sua gestão, continua atuando nos "bastidores" do INCRA. Sabe-se que chegou a cobrar R$ 80.000 por algumas propriedades.

Hoje mais de 150 famílias resistem aos ataques constantes dos jagunços e temem por sua segurança. No ano passado um camponês de idade, conhecido como Maninho, foi abordado por um grupo de homens armados quando estava na beira do rio Jaci. Ali mesmo foi espancado a golpe de coronhas, teve o pé e braço decepado, foi castrado e em seguida afogado no rio. Outros três companheiros desapareceram recentemente, suspeita-se que foram assassinados e tiveram seus corpos queimados. Os companheiros "Gaúcho da Pedra" e Benedito, além de outros 12 que moram na região, por se recusarem a abandonar suas terras foram torturados e humilhados por bandos de pistoleiros. No dia 27 de novembro, dia do 2o turno das eleições, quatro companheiros foram cercados por jagunços numa emboscada montada por Antônio Corrêa, a mando de Carlos Schumann. Três companheiros, conseguiram escapar mas o companheiro Ozeías Martins de Souza foi feito refém e conduzido até uma estrada próxima, onde foi alvejado por dezenas de tiros a queima roupa. Ainda tentaram queimar o corpo junto com sua moto, os companheiros que escaparam não sabiam de sua morte, chegaram até a cidade e acionaram a polícia militar que recusou-se registrar a ocorrência e resgatar o jovem. Foi preciso reunir mais de 50 companheiros para resgatá-lo, quando chegaram na estrada encontraram o corpo.

A cerca de um mês os operativos da COE (Comando de Operações Especiais - PM) estiveram na região para apurar a ligação dos camponeses no assassinato do gerente da Fazenda Schumann. Utilizaram helicópteros e toda parafernália numa ação de guerra, espalharam o terror entre os moradores das cidades e povoados vizinhos.

A fazenda Schumann tem sido o cenário de vários enfrentamentos entre camponeses e latifúndio, os companheiros decidiram resistir na área e lutar por seus direitos. Há vários meses estas atrocidades vem ocorrendo sem que nenhuma providencia tenha sido tomada, os companheiros da fazenda Schumann a exemplo de tantos outros que lutam pela terra no Brasil estão sendo perseguidos e ameaçados de morte. No entanto o governo do estado de Rondônia e o governo federal nada tem feito para apurar os crimes cometidos contra os trabalhadores da área e garantir a posse da terra aos que lá trabalham há tanto tempo. Em nota enviada aos jornais, à comissão de direitos humanos e vários políticos e autoridades de Brasília a LCP exigia: "Exigimos punição aos envolvidos nos assassinatos dos camponeses da região de Nova Mamoré, Campo Novo e Buritis! Exigimos liberação imediata de todas áreas tomadas aos camponeses da região! Exigimos punição aos funcionários do INCRA e latifundiários envolvidos na venda de terras da região!"

No cone sul do Estado

A região do cone sul é onde se localizam as melhores terras de Rondônia. É portanto alvo de muita cobiça dos latifundiários mais poderosos da região, que durante vários anos tem expulsado camponeses de suas terras e promovido matanças de trabalhadores como foi o caso da Batalha de Santa Elina, no município de Corumbiara. Desde 2001 os principais latifundiários do cone sul tem se articulado junto a polícia do Estado e elementos conhecidos como "chefes da pistolagem" e lançado uma campanha orquestrada de perseguição aos camponeses que se organizam para lutar pela terra. Prisões, ameaças, perseguições, invasões de domicílio e escolas, torturas de camponeses e professores, abusos de autoridade, uma arbitrariedade e impunidade sem limites.

No dia 06 de fevereiro no Fórum de Colorado D’oeste, realizou-se uma audiência pública a fim de apurar as denúncias contra policiais militares de Vilhena, Colorado e Corumbiara, que no dia 15 de maio de 2001 invadiram com tiros as dependências da Escola Família Camponesa, no assentamento Vitória da União, município de Corumbiara. Estavam presentes na audiência vários policiais e latifundiários. Entre eles Maércio Sartor e Alceu Feldman ambos responsáveis diretos pela campanha de terror levada a cabo pela Polícia Militar e jagunços desde 2001. O juiz da comarca de Colorado, Jonnhy Gustavo Clemes, ao invés de apurar a violência policial praticada contra os camponeses e professores quando da invasão da escola, passou a acusar a participação da escola nas tomadas de terras daquela região, fazendo da audiência uma verdadeira reunião de cúpula dos latifundiários com a polícia. O próprio juiz presenteou a todos com um álbum com fotografias de várias lideranças do Movimento, de simpatizantes, professores, alunos, na verdade um livro de identificação policial das pessoas que lutam ou apoiam a luta pela terra no cone sul e no Estado.

Em uma nota publicada no mês de fevereiro deste ano a Liga dos Camponeses Pobres denunciava:

"Toda esta armação comandada pelo juiz Jonnhy Gustavo Clemes junto ao comando da PM e o governador Ivo Cassol mostra que estes não passam de "pau mandado" dos latifundiários do cone sul. Que a justiça no Estado é a justiça para os ricos, para proteger seus negócios escusos e corruptos. Passam por cima dos mais elementares direitos do povo e não respeitam sequer as próprias leis que eles mesmos fizeram para assegurar seus privilégios e exploração do povo."

"Estes governo e justiça não têm moral para fechar as escolas do povo ou incriminar os camponeses pobres que lutam pela terra, um governo que fecha uma sala de aula atrás da outra, governo falido que tem uma dívida pública de mais de nove milhões, um governo de corruptos e ladrões safados, grandes burgueses e latifundiários que roubam as melhores terras e enchem os bolsos com todo o dinheiro através de financiamentos milionários, perdão das dívidas e todo tipo de maracutaias, enquanto assassinam, prendem e torturam camponeses pobres que lutam pela terra e pela sobrevivência. A luta combativa e decidida é o único caminho para mudar esta situação. Nem ameaças, nem prisões intimidarão a luta dos camponeses pobres pela terra. A LCP cresce por todo o estado e os camponeses pobres tomarão todas as terras do latifúndio! A LCP conclama a todos a apoiarem a luta dos camponeses pobres que estão destruindo o latifúndio."

Defender os camponeses pobres e apoiar sua luta justa é uma tarefa das mais importantes para todo estudante que deseja servir ao povo, se ligar aos camponeses pobres, fazer de seus inimigos nossos inimigos também. O Movimento Estudantil Popular Revolucionário levanta bem alto esta bandeira, façamo-la a bandeira de todos os estudantes brasileiros.

CONQUISTAR A TERRA! DESTRUIR O LATIFÚNDIO!

ABAIXO O GOVERNO DE BURGUESES E LATIFUNDIÁRIOS!

POR UM GOVERNO DE OPERÁRIOS E CAMPONESES!

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