III
Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo
A
alegria do reencontro, após um ano de lutasque sacudiram
as escolas e universidades de norte a sul, apagaram o cansaço
da viagem. Na manhã chuvosa do dia 13 de novembro, uma
a uma iam chegando as delegações, trazendo na bagagem
a luta, a vibração, a cultura de todas as regiões,
contadas e cantadas pelos diferentes sotaques do nosso imenso
país.
“-
Vamos todos companheiros! As malas vão para os alojamentos!
As companheiras por ali, os companheiros me acompanhem!”
- Assim, a medida que iam chegando, os companheiros se instalavam
e deslocavam-se para o café da manhã. Um ônibus
de Minas Gerais havia se atrasado pois deveria percorrer várias
cidades para embarcar mais delegações.
Enquanto
a comissão de alimentação terminava de servir
o café, o auditório da Faculdade de Direito da UFG
ia sendo preparado para a plenária de abertura. Os companheiros
iam chegando e ocupando as primeiras filas enquanto ao som de
músicas populares, reencontrávamos os “velhos
amigos” de tantas lutas, relembrando a I e II Assembléias,
aguardávamos o início da plenária com redobrada
expectativa.
Os
últimos ainda acabavam de chegar e tomar seus lugares,
quando um companheiro da coordenação de Goiânia,
pelo microfone dava as boas vindas a todos convocando para a composição
da mesa de abertura companheiros representando a Liga dos Camponeses
Pobres do Norte de Minas, Escola Popular, Movimento Feminino Popular,
Diretórios Acadêmicos de filosofia e História
da UCG e UFG, Centros Acadêmicos de Pedagogia das federais
do Paraná e Pará, Representantes de Grêmios
estudantis do Nordeste e Rio de Janeiro e União Colegial
de Minas Gerais.
Após
a saudação de abertura, trovejou a Internacional
– hino do proletariado mundial, cantado pelos revolucionários
em todos os países, desfraldando a bandeira de luta dos
povos do mundo. Todos de pé cantavam:
“Bem
unidos façamos, desta luta a final, uma terra sem amos,
a Internacional!”
Com
entusiasmo e grande combatividade, celebramos o reencontro dos
companheiros de todas as regiões do país com uma
vibrante plenária de abertura, certos de que esses seriam
quatro dias de riquíssimos debates, trocas de experiências
e grandes definições.
Um
novo movimento, uma nova organização
Ainda
no intervalo do almoço chegou a última delegação.
A garoa que teimava em cair, apressou o desembarque dos últimos
companheiros, que rapidamente colocaram a bagagem nos alojamentos
e foram almoçar, para logo em seguida prosseguirmos os
trabalhos e dar início as discussões. Na primeira
seção após o informe da coordenação
sobre a organização da assembléia, uma mesa
composta em sua totalidade por companheiras deu abertura aos trabalhos
da III ANEP. “As mulheres constituem a metade do céu”
– disse o Presidente Mao Tsetung - , e se esta parte do
céu permanece serena, as tempestades revolucionárias
que devem varrer o velho mundo, se reduzirão a nuvens passageiras.”
A
mesa foi presidida pelas companheiras Bárbara Flores e
Maria Aparecida, presas durante a manifestação antiimperialista
no Rio de Janeiro em março desse ano, que contaram um vivo
relato da manifestação e prisão, fazendo
uma contundente denúncia da situação carcerária
em nosso país. A emoção foi grande quando
relataram a recepção feita pelas detentas em Bangu
6 que prestaram grande solidariedade as nossas companheiras e
vibraram com sua libertação. Toda a plenária
repetiu o grito de guerra dos presos durante a manifestação
realizada em frente a Polinter onde estava preso o companheiro
Marcelo: “Liberdade pra lutar, Liberdade pra estudar!”
O
tempo para as discussões do primeiro dia ficou curto devido
aos imprevistos causados pelos atrasos e ajustes que deveriam
ser feitos para organização do encontro. Antes do
jantar foi apresentada a proposta de divisão das comissões
de trabalho: limpeza, alimentação, saúde,
disciplina e agitação. Além de normas de
funcionamento e disciplina: não consumir drogas, alojamentos
separados para homens e mulheres, zelar pela limpeza e organização
do espaço cedido pela universidade.
Nossos
encontros, ao contrário do que expressam os encontros dos
oportunistas, devem significar uma nova organização,
uma nova cultura, uma nova disciplina consciente e coletiva. A
chuva torrencial na tarde daquele dia alagou as salas do DCE da
universidade, local onde havíamos colocado as bagagens
das delegações. Além disso o DCE não
oferecia condições para alojar todos os companheiros
e era um local próprio para as reuniões do velho
movimento – escuro, sujo e desorganizado – não
para o novo movimento que estava ali reunido. Vários companheiros
estavam sem se banhar e cansados pois algumas delegações
haviam viajado até 4 dias para a Assembléia.
Percebendo
esses problemas a coordenação propôs que colocássemos
essa questão para discussão em plenária.
Esse foi um momento importante, exercício de uma verdadeira
democracia através da critica e auto-critica por parte
de todos. Quando foi aberta a plenária, os problemas foram
colocados na mesa e debatidos um a um. Sobre os banhos, definimos
responsáveis para organizar um quadro de horários
dos homens e mulheres para que todos pudessem se banhar. Uma comissão
já havia retirado as bagagens do DCE e transferiu para
a plenária. A faculdade cedeu as salas de aula do prédio
da Pedagogia para os alojamentos. O companheiro da Liga dos Camponeses
animou a plenária com poucas palavras mas de forma clara
e objetiva “- já estamos alimentados e temos um coletivo,
e com isso podemos resolver qualquer problema”. Também
foi esclarecido o funcionamento das comissões de trabalho.
Foi criticada a disposição das faixas e da mesa
na plenária, o companheiro que falou sobre esse ponto salientou
que a III ANEP deveria expressar a “cara” do novo
movimento, e deveria apresentar uma bela plenária com as
faixas e bandeiras dispostas organizadamente, a mesa centralizada
e a plenária dividida uniformemente nas cadeiras. Um companheiro
chamou a atenção para o cansaço gerado pela
viagem e necessidade de descansarmos rapidamente para estamos
bem dispostos para a discussão do dia seguinte. Satisfeitos
com a resolução dos problemas, fomos todos dormir
para acordarmos bem cedo no dia seguinte pois os alunos da faculdade
entravam às 7:00 para as aulas.
Um
novo dia, Avante companheiros!
De
pé às 6:15! Para espantar o sono, um café
quentinho e muita música popular. Assim foi aberta a plenária
no segundo dia de trabalho. Chique-chique, tambor, violão
e o pandeiro saudaram o novo dia. Exclamações de
surpresa dos companheiros ao entrar e ver a plenária com
uma nova disposição: a mesa centralizada, as faixas
bem colocadas e uma enorme bandeira vermelha do MEPR ao fundo.
Dois
companheiros, um representando o Cebraspo – Centro Brasileiro
de Solidariedade aos Povos, e um dirigente operário, apresentaram
uma rica e emocionante palestra sobre a situação
política Nacional e internacional. Foram abordados temas
como: a luta de resistência do povo iraquiano, a resistência
palestina, a guerrilha do Araguaia e a luta em defesa da soberania
da Amazônia, além do caso da sabotagem do foguete
em Alcântara e a ocupação militar ianque na
região a luta no campo em nosso país e necessidade
da luta contra o oportunismo para forjar uma nova organização
combativa e de luta. Os palestrantes passaram o restante do dia
conosco, respondendo as perguntas e participando dos debates em
plenária. Levantaram a plenária ao se despedirem,
afirmando que a juventude tem papel decisivo na luta popular revolucionária
em nosso país, e que ficaram bastante impressionados e
emocionados com nossa organização. Deixaram uma
saudação a todos os estudantes combativos do país,
nos desejando êxitos em nossa luta.
Ainda
nesse dia, durante a última seção: a mesa
composta pelos companheiros “Tira-teima” e coordenadora
da Escola Popular apresentaram o quadro do desenvolvimento da
Escola Popular e da luta dos camponeses pobres no Norte de Minas.
Foi dirigido o convite a todos os companheiros para conhecerem
o trabalho da Escola no Norte de Minas e para participarem de
sua construção.
O
encerramento do segundo dia, após o jantar foi com muita
música e dança. Ao som do tambor, violão,
pandeiro e triangulo, “caímos” no forró
e no embalo das mais belas músicas populares. Quem deu
o tom foi a Frente Cultural de Belo Horizonte e os companheiros
Marcinho da Gaita e Cliff do Norte de Minas. Também tivemos
a participação especial da delegação
do Pará que deu um verdadeiro show de Carimbó –
dança típica da região que contagiou a todos.
As mulheres no meio da roda de saia rodada e os homens sem camisa
com a calça dobrada até os joelhos. Todos aprendemos
o refrão:
“Embarca
morena embarca, molha o pé mas não molha a meia.
Viemos de muito longe fazer barulho na terra alheia...”
3º
dia: O resultado de uma grande virada
Quem
havia pensado que a III Assembléia Nacional estava pronta
e acabada naqueles 13 a 16 de novembro, enganou-se por completo.
Além dos altos e baixos enfrentados na preparação
durante a campanha de arrecadação de fundos, quando
tivemos por diversas vezes que ouvir “-Não...”
ou “-quem sabe outro dia”, até mesmo quando
vibrávamos comemorando ao conseguir R$ 100 ou mesmo a doação
do transporte como contribuição de um apoiador.
ainda muito nos aguardava.
Eis
que amanhece o 3º dia de trabalhos!
Quem
deu o “Bom dia” foi a flauta, o violão e o
tambor, que irresistivelmente convidavam todos a chegar mais perto
e participar da grande festa da cultura popular. Assim foram chegando
nossos companheiros do forró, da Catira e do Carimbó.
Aproximaram-se todos trazendo danças e cantoria. A plenária
transbordava alegria e vibração... nos olhares e
expressões de alegria, podíamos notar o resultado
da vitória de todos.
As
faixas mais altas e bem arrumadas, as fileiras de cadeiras uniformemente
ocupadas, a mesa mais dinâmica e organizada, os horários:
todos cumpridos de acordo com o planejado. As comissões
trabalhando com determinação, todos numa sincronia
que somente pode ser compreendida e operada pelo novo movimento
que avança e tem em suas mãos um futuro radiante.
Os oportunistas jamais compreenderão como esse pequeno
grupo compacto pode vibrar tanto mesmo sob os ataques do inimigo.
Que se preparem os oportunistas e revisionistas! Que se prepare
toda a reação e o latifúndio! Esse é
o novo movimento que se organiza e se une aos lutadores do povo
para servi-lo de todo o coração! Realmente, como
afirmamos em letras garrafais no Jornal Estudantes do Povo Nº
3: “Vamos sacudir o país!”
Após
os informes sobre a programação, procedemos a divisão
dos grupos:
O
companheiro da mesa dizia:
-
Grupo um! Coordenadores: Fulano, Cicrano e Beltrano. Levantem
as mãos companheiros, para que todos possam vê-los!
Atenção! Todos que tiverem em seu crachá
no canto direito o número um podem acompanhar os coordenadores
para a respectiva sala na Faculdade de Pedagogia!
-
Onde? - Pergunta alguém.
-
Lá onde ficam os dormitórios companheiros! Vamos
andando!
Prontamente
a orientação era atendida e prosseguia:
-
Grupo dois!...
Estudamos
nos grupos nesse dia as teses sobre educação. De
volta a plenária, já à tarde, novas atividades
culturais. A delegação do Norte de Minas apresenta
um Belo Poema de Carlos Drumond de Andrade “Carta a Stalingrado”
celebrando o aniversário da Revolução bolchevique.
Na última seção desse dia, contamos com a
participação do Movimento pela Educação
Popular (MEP) e estudantes da UFMG do Comitê de Luta contra
a Privatização que sintetizaram o tema das teses
sobre a luta por: “Defender com unhas e dentes a educação
pública e gratuita!” e o combate à Reforma
Universitária do Banco Mundial.
Os
companheiros da Frente Cultural presenteiam a todos com uma bela
composição sobre o MEPR e sua luta. Compuseram entre
os intervalos de cada seção uma música que
traz a história dos 8 anos de forja do Movimento Estudantil
Popular Revolucionário. Toda a plenária em uníssono
cantava o refrão: “Cresce, cresce, cresce, cresce
em todo o Brasil, o novo movimento popular estudantil!...”
Terminado
o debate, todos rapidamente deslocaram-se uns para o jantar, outros
diretamente para o banho. Nessa noite contaríamos com um
grande evento! O refeitório lotado refletia para todos
a vibração e saldo positivo daquele dia. Um companheiro
da coordenação de Goiânia dava o aviso a todos:
-
Companheirooooôs... Companheiraaaaaáas! Todos devemos
nos organizar rapidamente pois a apresentação cultural
vai começar às 22:00! Não devemos nos atrasar!
Antes
mesmo da apresentação da noite, uma “orquestra”
de garfos e facas tocou uma bela sinfonia de batuques nos pratos
e mesas regida pelo “maestro” Cliff . Essa atividade
“musical”tornou-se, depois de comer (é claro),
a ocupação preferida de todos no refeitório.
“O
folclore e a cultura popular são a alma do povo brasileiro!”
Apresentação
de “Rubinho do Vale”
Antes
mesmo da apresentação tão esperada, todos
já ocupavam seus lugares junto ao palco. Enquanto aguardávamos,
os companheiros do Morro Alto (Região Metropolitana de
Belo Horizonte) cantaram um Rap composto na própria Assembléia,
cantado por todos os participantes. Dizia: “Arde como fogo,
corta como navalha, a vitória do povo tarda mas não
falha!”
Rubinho
é recebido com festa, uma companheira anuncia a apresentação
e todos chegam mais pertinho para não perder nenhum detalhe.
Daí então o que temos é uma grande festa!
Muitos não o conheciam, mas todos já haviam ouvido
falar dele. Rubinho começou a apresentação
com um “Boa noite!” e um “Viva o povo brasileiro!”
Cantamos
e dançamos as belas canções do Vale do Jequitinhonha
com Rubinho do Vale durante uma hora. Hora inesquecível.
Os companheiros que começaram um pouco tímidos foram
se soltando aos poucos até que formamos uma grande corrente
de mãos dadas. Ao som do “trenzinho caipira”
nosso trenzinho – as mãos dos companheiros de trás
segurando os cotovelos dos da frente - correu e percorreu toda
a extensão do pátio da universidade. Rubinho tocou
vários ritmos e músicas. Alegrou a todos com a mais
rica e autentica cultura do povo brasileiro cantada pelos camponeses
e povo sofrido do Jequitinhonha. Não são músicas
que sugerem uma banalização sexual, vulgarização
da mulher ou o uso de drogas. Não! Cantamos a vida e a
luta do povo. Vibramos com aquela linda apresentação
e não queríamos parar de dançar até
que o segurança da universidade chamou atenção
para o horário de fechar os portões. Foi uma noite
memorável!
Agradecemos
a presença de Rubinho do Vale, e após apertos de
mãos, gravamos em nossos corações e mentes
o belo refrão de uma de suas canções: “O
folclore e a cultura popular são a alma do povo brasileiro!”
Todos
ao trabalho! Encerramento da III ANEP
O
último dia não amanheceu com clima de despedida,
mas de muito trabalho. Acordamos todos, rapidamente partindo para
o café. Nos aguardava a plenária para discussão
Sobre as lutas nas universidades e escolas. Concluímos
o debate sobre as lutas do MEPR em todo o país . A plenária
desde cedo, ansiosa aguardava a exibição de um filme
contendo a história do movimento.
Os
últimos ajustes concluídos e o telão foi
trazido para o centro do palco. Apagaram-se as luzes. Todos atentos
assistiam as primeiras cenas. Primeiramente o congresso da UBES
em Goiânia – 1995, quando foi desmascarada a política
eleitoreira do oportunismo, que traficava com os interesses dos
estudantes. Na primeira cena, o companheiro com o microfone intervém
atacando o velho movimento: “ – Companheiros, nós
temos mais o que fazer, devemos romper com essa via parlamentar
e construir o movimento real!” (Aplausos)
Em
seguida todos acompanharam atentos o desenvolvimento histórico
do movimento: 1997: a manifestação contra a Alca
e Mercosul em BH, as lutas pelo passe livre e congressos da UCMG,
A I ANEP e a vermelhíssima manifestação do
1º de maio no seu encerramento, gravamos as palavras do companheiro
do Paraguai presente nessa Assembléia: “Los comunistas
pisan fuerte!”. Logo em seguida a II ANEP e a apresentação
musical de Sérgio Ricardo. Todos cantaram “Calabouço”
baixinho, relembrando a bela música. Recordamos também
a manifestação realizada no encerramento da II ANEP
com a queima da bandeira ianque em frente ao consulado norte-americano
no RJ. Eles mal esperavam que menos de um ano depois o MEPR estivesse
de volta, mais forte e mais decidido a lutar contra o imperialismo.
Finalmente
a grande manifestação antiimperialista do Rio de
Janeiro. A frase de Lênin corria na legenda e ao fundo a
grande bandeira do MEPR trazia consigo as colunas de companheiros
conformando um compacto grupo. A citação de Lênin
de “Que fazer?” – 1902 dizia: “Pequeno
grupo compacto, marchamos firmemente de mãos dadas por
um caminho escarpado e difícil. Rodeados de inimigos por
todos os lados marchamos quase sempre sob seu fogo. Nos unimos
em virtude de uma decisão livremente adotada, precisamente
a fim de lutar contra os inimigos e não cair, dando um
passo atrás no pântano vizinho cujos moradores nos
reprovam desde os primeiros momentos por havermos separado em
um grupo à parte e escolhido o caminho da luta e não
o da conciliação”.
Sentimos
em nossos corações a marcação do tarol
que dava o ritmo à manifestação e a plenária
mal se conteve nas cadeiras, quando foram lançados contra
a fachada do consulado dezenas de pedras e coquetéis molotóv.
No final da fita, assistimos as reportagens de TV sobre a manifestação
realizada em Belo Horizonte contra a guerra imperialista, quando
a resposta popular foi maior que a repressão e foi manchete
de todos os jornais: As cenas dizem mais que mil palavras. Centenas
de manifestantes nas ruas, obrigaram a fechar a loja do Mc Donald´s,
resistiram a investida policial. A plenária vibra quando
uma companheira abre a porta de um carro da polícia, solta
à força sua filha e parte para cima dos policiais
que recuam. Deviam pensar embasbacados: “Que mulheres são
essas?” O repórter narra para um telejornal local:
“O protesto terminou com 4 estudantes presos e 15 policiais
feridos, os manifestantes confirmaram que pertencem ao Movimento
Estudantil Popular Revolucionário, o mesmo que teve seus
militantes presos por atacar o consulado no Rio de Janeiro.”
Outro repórter diz: “É legítimo o direito
da garotada de manifestar, e devemos levar em conta que eles estão
em consonância com o mundo inteiro.”
Terminada
a exibição, a plenária não cabia mais
no auditório. Estava introduzido com aquelas vivas cenas
o balanço histórico do movimento. Pelo microfone,
as companheiras da plenária são convocadas para
subirem ao palco, todas respondem “Despertar a fúria
revolucionária da mulher!”
Toda
a plenária de pé, presencia uma das cenas mais belas
produzidas pela III ANEP, quando metade da plenária, nossa
“metade do céu”, sobe ao palco e canta a plenos
pulmões uma bela canção de luta do Movimento
Feminino Popular. Na linha de frente, as companheiras bárbara
Flores e Maria Aparecida, que outrora estavam presas em Bangu
6, e hoje encontram-se novamente entre os companheiros desafiantes
e altivas, cantam ainda mais fortes e decididas.
Aberta
a última seção, um companheiro em nome da
Coordenação Nacional sintetiza o Balanço
do MEPR sobre as nossas bandeiras e a luta nas escolas e universidades
em todo o país. Recorda os companheiros que tombaram em
combate, os quais hoje, retomamos seu caminho erguendo alto e
resolutamente a bandeira de construir o MEPR por todo o país.
Aberta a plenária para as intervenções finais,
um mar de braços erguidos solicitavam sua inscrição.
Em 3 minutos, um terço da plenária já estava
inscrita para o balanço e despedida das delegações.
Foi um momento marcante: surgiram novas poesias traçadas
rapidamente carregadas e emoção e dos mais belos
sentimentos de amor ao povo e a luta. As delegações
se despedem deixando compromisso de prosseguir a luta do MEPR
em suas regiões. A última intervenção
recorda aqueles os bravos companheiros que tombaram na resistência
armada contra o regime militar e na guerrilha do Araguaia: “
- certamente se estivessem aqui presentes, nossos companheiros
Honestino Guimarães, Manoel Lisboa, Emanuel Bezerra, Helenira
Rezende, João Batista Franco Drumond, Bacuri, e tantos
outros estaria na primeira fila nos aplaudindo e nos convocando
para avançar adiante na luta. Devemos honrá-los
e prosseguir seu caminho...!” “ Nosso movimento, suas
sementes disseminadas em todo o país, devem crescer como
fortes brotos, resistir à tempestade e à seca, resistir
e combater o oportunismo para sermos amanhã fortes árvores
e um robusto pomar!”
Novas
apresentações culturais feitas pelas delegações,
marcaram com grande emoção nossa despedida. Gravando
na história, a vibrante e vitoriosa III Assembléia
Nacional dos Estudantes do Povo!
Saudações
a todos os companheiros e companheiras que lutam com o MEPR em
todo o país erguendo alto a bandeira de “Defender
com unhas e dentes a educação Pública e gratuita!”
Saudações
a todos os companheiros e apoiadores que contribuíram para
a realização desse grandioso evento!
Servir
ao povo de todo o coração! Por escolas e universidades
democráticas e a serviço do povo! |