Exigimos
todos os nossos direitos!
Rio
de Janeiro
UFRRJ:
Reitoria é ocupada em protesto contra o aumento abusivo
no bandejão
No
dia 04 de dezembro de 2003, os estudantes da Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro ocuparam a reitoria para exigir a redução
do valor do bandejão. Inesperadamente houve um aumento
nos preços que eram de R$1,45 para R$1,75. A forma utilizada
para esse aumento da alimentação foi totalmente
autoritária e antidemocrática tendo o Conselho Universitário
(CONSU), se reunido durante não mais do que três
minutos, e o reajuste foi logo aprovado. Isto revela o total descaso
com os anseios e angustias dos estudantes que não têm
condições de arcar com este custo, além de
outras despesas, e força um número crescente de
estudantes a abandonar suas atividades acadêmicas.
Isto
acontece porque a estrutura da universidade exclui a participação
dos estudantes, sendo que apenas o MEC e o presidente da República
decidem quem vai dirigir esta instituição. O reitor
tem como principal tarefa servir aos grandes investidores do capital,
passando ao controle dos monopólios estrangeiros a produção
intelectual do nosso país para fazer pesquisas de custo
mais baixo e de acordo com seus interesses. O que significa na
prática, impulsionar o processo de privatização
na universidade. Após o golpe no CONSU, os estudantes,
de forma organizada, decidiram ocupar a reitoria para demonstrar
seu repúdio e mostrar que estão dispostos a lutar
pelos seus direitos, lutar por uma universidade pública
e gratuita, tendo como horizonte a transformação
social.
Um
ano de luta pela moradia na UFF
Na
Universidade Federal Fluminense (Niterói-RJ), a precarização
da assistência estudantil, um problema que atinge todas
as universidades públicas deste país, toma contornos,
cada vez mais graves.
Em
outubro de 2003, completou-se um ano desde que um grupo de estudantes,
cansados da inércia e burocracia do velho movimento estudantil,
resolveram criar uma nova alternativa independente de luta.
Foi
feita uma ampla convocação a todos os estudantes
para a construção de um espaço capaz de debater
com seriedade uma perspectiva de luta estudantil independente
e combativa. Foi com esse espírito que na segunda reunião,
na Casa do Estudante Fluminense, foi criado o Fórum de
Luta pela Moradia na UFF. Os participantes do Fórum assumiram
a responsabilidade de promover debates, divulgação
em sala de aula, panfletagem, entre outras atividades acerca da
questão da moradia. Uma outra tarefa do Fórum foi
a iniciativa de debruçar-se sobre um trabalho de levantamento
de dados sobre as necessidades dos estudantes da UFF, e das possibilidades
de construção de tal moradia a partir do exemplo
de outras universidades que desenvolvem esse trabalho, como a
UFMG e UNICAMP, que tiveram lutas históricas pela moradia,
conquistando alojamento para os estudantes após uma longa
ocupação de prédios nas universidades.
O
Fórum organizou uma grande movimentação,
e a palavra de ordem “Moradia já!” foi para
as ruas, em uma manifestação de mais de 200 estudantes,
que partiram do campus Gragoatá, e ocuparam a reitoria
durante uma sessão do Conselho Universitário, onde
foi entregue uma cópia do “dossiê da moradia”
a cada um dos conselheiros.
Logo
após, veio a greve, onde as assembléias foram gradativamente
esvaziadas devido a ação da pelegada. Ainda assim,
a organização independente dos estudantes e servidores
sustentou a bandeira de luta contra a privatização
da universidade e promoveram atividades durante todo esse período.
Foram organizados debates sobre a assistência estudantil,
a privatização das universidades, a luta pela terra,
além de atividades culturais.
Na
volta as aulas, fortaleceu-se a organização e os
debates prosseguem, a perspectiva é de intensificar a luta,
até a vitória!
Só
a luta garante a Moradia!
Moradia:
Na contra-mão da privatização!
Moradia:
O direito é nosso e o dever da Reitoria!
Goiás
MEPR
denuncia perseguições aos camponeses pobres diante
do Ministro da Justiça
No
dia 22 de setembro de 2003, ocorreu, no Auditório da Faculdade
de Direito da UFG, em Goiânia, a abertura do “I Congresso
Brasileiro de Ciências Penais”, e uma ousada ação
do Movimento Estudantil Popular Revolucionário. Diante
de um público de estudantes, professores, e ainda desembargadores,
juízes, delegados, secretários de Estado, o governador
de Goiás, Marconi Perilo, e outros repressores do povo,
o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, fazia
seu discurso.
O
Ministro falava dos rumos da Reforma do Judiciário, defendendo
as medidas de repressão ao “crime organizado”:
construção de presídios de segurança
máxima, instalação de presídios federais,
isolamento das “lideranças”, aumento exorbitante
dos efetivos da Polícia Federal e das Polícias Militares
nos Estados, formação das “forças-tarefa”
de repressão, com reforço dos armamentos.
Tudo
corria “normalmente”, até que, logo após
terminar o discurso do ministro, os companheiros de Goiânia
subiram a tribuna reivindicando o direito a palavra, o que nos
foi negado pelos seguranças do evento.
Argumentamos,
discutimos, e, no meio da discussão, demos a volta nos
seguranças, subimos no palco e tomamos o microfone! Diante
de todos, abrimos duas faixas, que diziam:
“O
povo quer terra e não repressão!
Abaixo
as reformas Lula/FMI!
Todo
apoio à luta camponesa!
Liberdade
aos presos políticos!” |
|
E
assim, ao microfone, foi feita a denúncia das inúmeras
prisões e assassinatos de camponeses pobres desde o início
de 2003. Do início do ano até aquela data, 50 camponeses
tinham sido assassinados, e nenhum latifundiário mandante
foi punido. Enfatizamos as prisões dos camponeses em luta
em Goiás, Rondônia e no Pontal do Paranapanema. Denunciamos
que o dirigente José Rainha estava mantido no Presídio
de Segurança Máxima de Presidente Bernardes-SP.
“É para isso que querem reformar o Judiciário
e construir presídios de segurança máxima!
É a pena para quem luta pela reforma agrária!”.
Verbas para a saúde e educação, nenhuma,
mas, para repressão, o governo tem muita verba.
Durante
toda a semana, fervilharam discussões e comentários
na Faculdade de Direito da UFG, sobre o absurdo da perseguição
aos camponeses pobres trazendo a tona esse debate do qual tanto
se esquiva o governo Lula.
UFG:
Prossegue firme a luta contra a privatização
Com
o acúmulo de um ano de lutas que teve como saldo a vitória
dos estudantes no boicote à taxa de matrícula na
Universidade Federal de Goiás, o MEPR realizou em dezembro
de 2003 o I Seminário de Luta contra a Privatização
da UFG, onde foi debatido o combate as políticas reacionárias
do governo contidas na chamada “reforma universitária”
que o MEC-Banco Mundial preparam para 2004 e reafirmaram a decisão
de resistir à privatização organizando um
massivo boicote às taxas para esse ano. O MEPR ao longo
do ano, o trabalho persistente e a propaganda da luta, repercutiram
de forma que o DCE da universidade entrasse na justiça
contra as taxas, o que beneficiará todos os estudantes
da UFG.
Além
da ação do DCE, aproximadamente 200 estudantes de
vários cursos se decidiram por entrar na justiça
e reforçar sua vitória, dispostos a lutar por seus
direitos numa universidade cada vez mais
privatizada.
Reitoria
anuncia a privatização dos Restaurantes Universitários
A
Reitoria da UFG anunciou no final do ano de 2003 que as aulas
em 2004 começarão com os dois Restaurantes Universitários
privatizados. A Reitoria se escondeu em jogadas burocráticas
– disse que os funcionários dos RU´s seriam
demitidos, e “lamentou” não poder contratar
novos funcionários, por “falta de verbas”,
e pela falta de concurso público.
Usando
a prática moribunda da chantagem, a Reitoria disse que
a privatização dos RU´s era a “única”
saída para que eles não fossem fechados, e aprovou
essa inaceitável venda da estrutura da universidade num
farsante Conselho Universitário no último dia de
aulas. Os pelegos do PcdoB fazendo coro com a reitoria, defenderam
a privatização nas salas de aula, e por onde passaram
foram repudiados pelos estudantes.
A
luta contra a privatização está só
começando, os estudantes não vão admitir
serem mais explorados enquanto o que resta de assistência
estudantil é esgotado pela política de privatização
do MEC-Banco Mundial.
Luta
combativa derruba a cobrança de taxas
No
início do 2.º semestre de 2003, 34 estudantes do Centro
Federal de Educação Tecnológica de Goiás
garantiram o seu direito de estudar gratuitamente boicotando a
absurda taxa de matrícula (de R$ 80,00). Persistindo na
luta e divulgando amplamente este fato, foi conquistada uma grande
vitória: a derrubada da cobrança da taxa de matrícula
para 2004. E a luta continua pela garantia e manutenção
do direito conquistado, pois já pretendem implantar uma
fundação privada na instituição, para
continuidade da política de privatização.
Luta
pelo passe-livre em Goiânia
Em
consonância com os estudantes de todo o país, os
estudantes de Goiânia também se organizam na luta
pelo direito ao passe-livre estudantil e pela qualidade do transporte.
A cada dia aumenta o número de estudantes que exercem o
direito ao passe-livre por conta própria, pulando as catracas
dos ônibus. Após organizar o “Dia do Pulão”
e de bloquear o principal cruzamento da cidade, em novembro de
2002, os estudantes de Goiânia infligiram mais um golpe
ao Estado serviçal dos burgueses monopolistas do transporte
coletivo, com a adesão do DCE da UFG e de 2 grêmios
estudantis. Numa manifestação no dia 1.º de
outubro de 2003, cerca de 200 estudantes da UFG, UCG e secundaristas
ocuparam a sede da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos,
exigindo o passe-livre estudantil e a redução do
preço das passagens.
A
Polícia Militar tentou com violência desocupar o
prédio, enfrentando a resistência dos estudantes,
que reagiram combativamente, o confronto deixou o prédio
semi-destruído. Três estudantes foram presos, na
vã tentativa do Estado de intimidar os que lutam. Mas os
estudantes mantiveram-se firmes, e terminaram a manifestação
desafiando a repressão, pulando as catracas dos ônibus.
Minas
Gerais
Estudantes
da UFMG seguem boicotando as taxas.
Mais
de 150 estudantes da UFMG aderiram ao boicote à taxa de
matrícula, entrando na justiça com processos individuais
e o D.A. da Escola de Engenharia entrou com processo em nome dos
4500 estudantes desta faculdade, obtendo liminar garantindo o
direito de todos estudarem sem pagar. Se a reitoria da UFMG achava
que ia barrar a luta contra as taxas expulsando estudantes da
universidade estava muito enganada. Teve que voltar atrás
nesta decisão e ainda por cima enfrentar a luta dos estudantes
que tem crescido. Apesar da tentativa de coerção
e intimidação que tem imposto, mandando a boleta
diretamente para a casa dos estudantes, dificultando o processo
de matrícula por parte dos que tem boicotado, a luta tem
tido cada vez maior adesão. Já foi realizado um
seminário de luta contra a privatização,
que reuniu estudantes da UFMG e UEMG além de manifestações
na porta da reitoria exigindo o fim da taxa. Mais recentemente
a reitoria tem tentado impor uma taxa de inscrição
para o mestrado, e mais uma vez os estudantes da UFMG estão
se organizando para impedir isto.
“Criança
na Universidade”
Os
estudantes de pedagogia da UEMG organizaram no dia das crianças,
em outubro do ano passado o projeto “criança na universidade”.
Os estudantes da própria faculdade organizaram várias
oficinas para as crianças e adultos. Todos os recursos
para a realização do projeto foram levantados pelos
estudantes e professores daquela faculdade. Houve apresentação
do coral das crianças da Vila Bandeira Vermelha e todas
as crianças, inclusive estas aproveitaram muito deste dia.
Foram várias semanas de preparação para um
projeto que deu muito certo e que seguirá dando frutos.
Pará
UEPA:
Lista tríplice: caricatura de democracia
No
mês de novembro de 2003, a Universidade do Estado do Pará
realizou a eleição para a “escolha”
do reitor que estará à frente da instituição
no quadriênio 2004-2008. A palavra “escolha”
poderia figurar nesse texto sem aspas, não fosse a famosa
lista tríplice, presente no referido pleito.
A
lista tríplice é um mecanismo utilizado pelo governo
para assegurar que somente estarão no posto de direção
aqueles que segurem a risca sua cartilha privativista para a universidade.
Um
processo eleitoral com fins anti democráticos, só
poderia ser regido por estatutos da mesma categoria. Em uma universidade
onde temos, 11.274 estudantes, 1.011 professores e 1.054 funcionários,
o peso dado ao voto dos estudantes é insignificante e não
decide nada nos resultados, já que não existe paridade
entre as categorias.
A
resposta dada pela massa de estudantes foi contundente. Mais de
50% dos estudantes não votaram, sem contar com aproximadamente
2% de votos brancos e nulos. Some-se a isso o fato de um grupo
de professores contratados, que chegam a quase 60% dos docentes
da UEPA, terem lançando uma carta aberta à comunidade
acadêmica declarando que não votariam em nenhum candidato
devido aos mesmos só se preocuparem com os referidos professores
em época de eleição.
O
atual reitor, Fernando Palácios, “reelegeu-se”
sob a denúncia de utilização da máquina
administrativa, compra de votos e outros expedientes comuns a
esse tipo de gente. O segundo colocado teve impugnada sua candidatura
pela comissão eleitoral (que era composta em sua maioria
por partidários do atual reitor), acusado também
de compra de votos. Ele entrou com um processo na justiça
para anular a eleição, acusando Fernando Palácios
de ter cometido o mesmo crime. A justiça até agora
não se pronunciou sobre o assunto, estando suspenso o envio
da lista tríplice para o governador.
Em
um momento que se discute o projeto de autonomia universitária,
esta forma de eleição é estratégica
para o governo, pois deixará no comando quem melhor obedecer
seus mandos. O projeto de autonomia universitária consiste
em a Universidade buscar recursos em fundações de
direito privado e novas fontes de recursos. O que acontece no
Brasil inteiro é que essas fundações pertencem
a grandes empresas que submetem toda a pesquisa científica
das universidades aos seus interesses. Muitas das vezes as novas
fontes de recursos saem do bolso dos estudantes com a cobrança
ilegal de taxas.
Diante
dos criminosos planos do governo para nossa universidade se faz
imperativa a luta por eleições democráticas
para reitor e para diretores de centro.
Não
participar dessa farsa significa não legitimar, defender
a democracia, e a educação publica e gratuita.
Por
uma universidade nacional, autônoma, democrática
e a serviço do povo!
Secundaristas
paraenses fazem greve contra o sucateamento do ensino
A
Escola Estadual Bráulia Gurjão situada no município
de Conceição do Araguaia é a segunda maior
do estado, tem mais de 2000 alunos e é mostra que somente
a organização é capaz de arrancar todos os
nossos direitos. Durante um semestre várias turmas ficaram
sem aulas de química e por algumas vezes chegavam professores
que avaliavam os alunos somente com trabalhos sem ter dado aula
nenhuma. O que provocou a revolta geral de todos estudantes que
não desejam apenas notas, exigiam aulas de qualidade, queriam
aprender o conteúdo.
Organizados
através do grêmio estudantil se levantaram e fizeram
uma paralisação. Fecharam os portões a cadeado
convocando todos a não entrar nas salas até que
um representante da SEMED- secretaria de educação-
dissesse o dia que viria os professores, e não aceitariam
enrolaração. Já estavam cansados de serem
enganados, o que exigiam era tão pouco e a própria
SEMED nas suas propagandas dizia que todos tem o direito a uma
educação de qualidade. Onde estava este direito?
Foram necessário 2 dias de greve para que as autoridades
aparecessem para dar explicações.
Esta
luta pela educação não é só
dos estudantes. Professores, pais de alunos e estudantes universitários
foram até a escola dar seu apoio, porque entenderam que
esta é uma briga dura e que não pode deixar para
depois. Conquistada essa importante vitória, a luta continua,
pois a reposição das aulas não pode ser só
de fachada. Um semestre foi perdido e isto ficará marcado
no aprendizado dos alunos. O grêmio da escola está
alerta e decidido a levar até o fim essa importante luta. |