Venha
e tente, senhor ministro!
O
ano de 2004 será decisivo para o movimento estudantil brasileiro.
É o ano em que se definirá o rumo da universidade
brasileira, se esta será privatizada ou não. Os
últimos movimentos do governo deixam ainda mais evidente
os objetivos da “reforma” universitária em
curso. Já em outubro do ano passado, na renegociação
do acordo com o FMI, uma das exigências dos banqueiros foi
o fim da gratuidade no ensino superior. Em novembro, o Ministério
da Educação, patrocinado pelo Banco Mundial, realiza
o Seminário Universidade século XXI, onde são
apresentadas, e não discutidas, as metas da “reforma”.
Em dezembro, o Ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu,
faz declarações na imprensa dizendo que esta reforma
será “tão polêmica quanto a reforma
da previdência” e assim como nesta o “pau vai
comer”. Agora em janeiro na reforma ministerial, Lula ao
demitir o falastrão Cristovam Buarque argumentou que “como
está realizando uma reforma nas universidades quer alguém
de fora do mundo acadêmico”. Fica claro que mais esta
contra-reforma do governo Lula-FMI nada mais é do que a
privatização das universidades públicas.
Enquanto
isto, está em trâmite na Câmara Federal o projeto
de emenda constitucional que legaliza a cobrança de taxas,
matrículas e mensalidades nas universidades públicas.
Segundo a proposta da deputada Selma Shoms(PT-PR) se revogará
o inciso 4 do artigo 206 da Constituição que garante
a gratuidade no ensino superior. Mais uma vez a justificativa
ideológica desta contra-reforma é o “fim dos
privilégios”, pois segundo o Banco Mundial os alunos
de universidade públicas são ricos e portanto devem
pagar. Esta lógica demagógica é absurda,
parte do pressuposto de que os pobres estão nas faculdades
particulares para concluir que os alunos das federais e estaduais
devem pagar! No final das contas o “fim do privilégio”
resulta que todos pagarão para estudar. Simplesmente não
se toca uma vírgula sobre o aumento de vagas nas universidades
e da melhoria do ensino médio. Para os estudantes pobres
o resultado desta reforma é um só: encerra-se a
possibilidade de um curso superior gratuito.
A
Une, entidade oficial do governo Lula, cumpre direitinho o seu
papel de arauto do Banco Mundial no movimento estudantil, com
o slogan que diz que esta reforma mudará o Brasil. Não
passam de oportunistas vendidos. A troco de carguinhos no governo
aceitam de bom grado o maior ataque à universidade brasileira,
nem o acordo MEC-USAID dos milicos em 64 ia tão longe.
É ..., mas a reforma universitária está sendo
um bom negócio para a cúpula dos vampiros que controlam
a Une e o seu partideco revisionista. O PcdoB de Amazonas e Rabelo
aceitou apoiar a privatização das universidades
a troco do Ministério da Coordenação Política
e da Agência Nacional do Petróleo, que ficou nas
mãos (e que mãos!) do dedo-duro Haroldo Lima.
No
Brasil o caminho é a luta
Em
nosso país a crise segue se aprofundando. Por mais maquiagem
que faça a rede globo e os marqueterios do governo a situação
de vida do povo sofre um pioramento constante. Os monopólios
de comunicação apresentam como grandes conquistas
a redução do risco-país e o recorde de pontos
do índice bovespa, mas o que estes resultados significam
para a nossa vida? Nada. O que estes mentirosos procuram ocultar
é a realidade, é o fato de existirem 2 milhões
de desempregados só em São Paulo, é a redução
de 13% da renda média dos brasileiros, é a diminuição
em 16% do consumo de alimentos no Brasil. A demagogia do neopopulista
Luis Inácio é cada vez mais ineficiente para conter
a revolta das massas.
Em
nosso país também é crescente a resistência
popular. Os camponeses pobres cansados das direções
reformistas se acercam cada vez mais do caminho revolucionário,
por todo o país aconteceram congressos massivos onde se
conclamou a unidade do movimento camponês em torno da bandeira
da revolução agrária. Em todos os rincões
Roraima, Maranhão, Ceará, Bahia e Mato Grosso do
Sul, povos indígenas se levantam em sua justa luta pela
terra e pelo direito de produzir. Nas cidades camelôs enfrentam
a repressão das polícias militares e guardas municipais
exigindo o justo direito de trabalhar.
E
para nós estudantes brasileiros que perspectiva se abre?
Diante deste descalabro social e da tentativa escancarada de privatizar
a universidade pública o MEPR convoca a unidade e a luta
sem quartel contra mais esta contra-reforma do Banco Mundial.
É chegada a hora de mostrarmos a força de nossa
juventude, miremos nos exemplos heróicos dos jovens palestinos,
iraquianos e bolivianos. Os estudantes de Salvador com sua histórica
luta pelo passe-livre já apontaram o caminho. A luta contra
a cobrança de matrículas e mensalidades também
avança nas universidades públicas, no final do ano
passado os estudantes de engenharia da UFMG ganharam uma ação
coletiva garantindo a matrícula sem o pagamento da semestralidade,
em janeiro deste ano os alunos da UPE de Petrolina também
conquistaram o direito à gratuidade para os 2500 estudantes
da FFPP.
Mais
do que uma ameaça, o Ministro José Dirceu quando
disse que “o pau vai comer” na reforma universitária,
fez um afronta a nós estudantes. O que pensa “senhor”
ministro, que vamos nos intimidar? Que somos covardes como você
que lutou em 68 contra o MEC-USAID e agora faz ameaças
aos jovens para garantir sua aplicação? Pode estar
certo que não, seu traidor! Somos rebeldes, temos brio,
nos inspiramos naqueles muitos jovens que não se venderam
como Manoel Lisboa, Helenira Resende, Dinalva, Honestino Guimarães,
Mário Prata, Antônio Vanucci, Bacuri e tantos outros.
O pau vai comer? Venha e tente seu ministrinho burguês!
Mas esteja preparado, pois como diriam nossos amigos camponeses:
“o risco que corre o pau corre o machado”!
Viva
a luta combativa e revolucionária!
Rebelar-se
é justo! |