Passe
Livre para todos estudantes!
Nos
últimos meses temos assistido a radicalização
da luta pelo passe livre estudantil em várias cidades e
capitais do país. No ano passado milhares de estudantes
pararam as ruas da capital baiana por semanas. Já neste
ano a luta se desenvolveu atingindo patamares de radicalização
mais elevados. Destacamos a luta dos estudantes de Florianópolis,
Fortaleza, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Todos pudemos assistir
às cenas da radicalização do movimento estudantil
e a decisão dos estudantes de ir até o fim pela
conquista deste direito.
Em
Fortaleza vimos a prefeitura ser totalmente apedrejada e várias
viaturas da guarda municipal serem viradas e queimadas, diante
da recusa do prefeito de não receber os estudantes e atender
as suas reivindicações. Em Florianópolis,
manifestações com milhares de estudantes e vários
ônibus queimados, além do fechamento de uma das principais
pontes da cidade. Tudo isto contra o abusivo aumento do preço
das passagens. Os estudantes pressionam de tal forma os governos
locais que, por exemplo, em Florianópolis a prefeitura
chegou a pedir intervenção de tropas federais para
tentar deter os estudantes.
Ao
contrário do que os reacionários monopólios
de comunicação propagam, esta radicalização
não é conseqüência da ação
de "vândalos" ou "marginais", mas sim
da rebeldia da juventude que com toda a justeza luta pelos seus
direitos.
Dois
fatores na nossa realidade proporcionaram este desenvolvimento
na luta pelo passe livre. A primeira é o agravamento da
crise e da carestia de vida. Ninguém suporta mais pagar
os abusivos preços no transporte coletivo para estudar.
Milhares de estudantes são obrigados a deixar a escola
porque não podem pagar a passagem do ônibus, enquanto
alguns poucos empresários monopolistas dos transportes
lucram milhões em cima da exploração do povo.
O segundo fator para o desenvolvimento e a caracterização
de todas estas lutas é a independência do movimento
estudantil. A ausência do governismo da Ubes e Une na organização
destas lutas libera a energia dos estudantes que há tempos
estava aprisionada pela burocracia destas entidades.
O
que todas estas experiências demonstram é que devemos
seguir firmes para encurralar todas as prefeituras exigindo o
passe livre. Isto faz parte do direito ao acesso à educação
e portanto deve ser garantido pelo Estado. Onde já existe
o passe livre, a luta é para mantê-lo. Onde não
existe é para conquistá-lo e onde existe meio-passe,
a luta é para que seja integral. Somente com muita pressão
e manifestações combativas e radicalizadas podemos
conquistar mais este direito.
Rebelião
estudantil em Fortaleza
No
dia 03 de junho, a cidade de Fortaleza, capital do Ceará,
presenciou uma das maiores e mais combativas manifestações
estudantis dos últimos anos. Cerca de 5 mil estudantes,
a maioria secundaristas, tomaram as ruas do centro e marcharam
rumo a prefeitura. Os estudantes não foram recebidos pelo
prefeito Juracy Magalhães (PMDB) e se rebelaram com a arrogância
dos seus puxa-sacos de plantão. O resultado foi uma enorme
revolta estudantil. Duas viaturas da guarda municipal foram viradas
e incendiadas, e praticamente todos os vidros da prefeitura foram
quebrados. A polícia militar chegou 20 minutos depois com
sua truculência de sempre. Dezenas de estudantes foram feridos
e cerca de 20, a maioria deles menor de idade, acabou presa. Mas
o resultado da confrontação foi bem mais favorável
para a massa e o prefeito corrupto teve que amargar um prejuízo
de mais de 100 mil reais.
Toda
esta revolta dos estudantes de Fortaleza tem um motivo. Através
da Etusa (Empresa que controla o transporte público da
cidade) a prefeitura quer limitar o direito do meio-passe estudantil,
restringindo-o a dois passes por dia. Com
a implementação da bilhetagem eletrônica,
na prática já limitaram o direito dos estudantes
que trabalham e recebem vale-transporte, porque antes era possível
vendê-los e dobrar o número de viagens feitas. É
contra a limitação da meia-passagem e a bilhetagem
eletrônica que os estudantes estão se mobilizando.
Foi
organizado um Comitê do Passe Livre, que reúne diversos
movimentos de luta e alguns sindicatos. Isto tem impulsionado
a luta na capital cearense e garantido a continuidade da luta.
Depois desta manifestação já foi organizada
uma outra, onde o prefeito foi obrigado a receber os estudantes.
E está sendo preparada uma grande passeata, para o início
de agosto, que reunirá os estudantes da grande Fortaleza
para exigir o meio-passe metropolitano. Com a combatividade expressa
nestes protestos, temos certeza que os estudantes arrancarão
vitórias em mais uma luta.
A
luta explode em Florianópolis
São
dias de intensa revolta estudantil na capital de Santa Catarina.
O estopim para que explodisse toda esta revolta foi o aumento
da passagem, no dia 27 de junho, que fez de Florianópolis
a cidade do Brasil com o maior preço de passagem no transporte
coletivo urbano.
Durante
este ano de 2004, várias atividades, atos e manifestações
foram organizadas. Em abril os estudantes organizaram uma manifestação
com mais de 800 estudantes. Atos também foram realizados
nos terminais rodoviários. A marca da combatividade tem
sido uma das principais marcas deste movimento. Quando a prefeitura
anunciou o aumento de 15,6% na tarifa, os estudantes colocaram
para fora toda a sua rebeldia. Estudantes e população
que não suportavam mais os altíssimos preços
das passagens pararam ruas, terminais e até a ponte principal
da cidade. Ônibus foram queimados na madrugada. A cidade,
que é numa ilha, parou.
Mais
de 3 mil estudantes foram para as ruas. Não se intimidaram
com o ataque da prefeitura que perseguiu e ameaçou as lideranças
do movimento. O movimento continuou até que às 22h30
do dia 7 de julho, quando o juiz Jurandi Borges Pinheiro, do Supremo
Tribunal Federal, deferiu liminar contra a prefeitura de Florianópolis,
Cotisa e empresas de ônibus, revogando o aumento nas passagens
de ônibus por 30 dias. Esta foi uma vitória e demonstração
da força dos estudantes e do povo em luta.
A seguir publicamos trechos da entrevista ao Jornal Estudantes
do Povo com o estudante Marcelo Pomar, militante da Tropa de Choque
Cultural, uma das organizações que está à
frente desta luta.
JEP
- Você poderia nos contar um pouco sobre o histórico
da luta pelo passe livre em Florianópolis? A luta de vocês
é também pela redução das tarifas,
de que forma estas duas bandeiras se articulam?
Marcelo
- Nossa luta pelo passe livre começou no ano de 2000, basicamente
através de um abaixo-assinado que coletou 25.000 assinaturas
na cidade. Vale lembrar que Florianópolis tem cerca de
350.000 mil habitantes. Esse abaixo assinado serviu como entrada
em muitas escolas, sobretudo nas secundaristas. No final desse
processo inicial de coleta de assinaturas entregamos os abaixo-assinados
na Câmara dos Vereadores, que apresentou um projeto de lei
que reivindicava o passe livre para os estudantes de todos os
níveis, no trajeto casa-escola-casa. Esse projeto foi apresentado
por um parlamentar do Partido dos Trabalhadores. Desde de então
uma forte pressão se abateu sobre a Câmara dos Vereadores,
por um lado por parte dos empresários do transporte coletivo,
da prefeita e de boa parte dos vereadores, que na realidade são
a mesma coisa, e por outro do movimento dos estudantes que reivindicava
a aprovação deste direito. As lutas pelo passe livre
e pela redução das tarifas se articulam plenamente
porque fazem parte de um projeto comum a todos nós de garantia
de condições plenas de locomoção,
baseadas no direito livre de ir e vir, de ter acesso à
educação, à cultura e ao lazer. O transporte
coletivo deve ser visto como uma questão pública
e de Estado, bem como a educação e a saúde.
Essas são conquistas históricas da humanidade, que
a lógica do capitalismo atual procura inverter, jogando
todas elas para a iniciativa privada. Então entendemos
que não há oposição entre elas, senão
uma oposição temporal, tendo em vista que um dia
pretendemos estabelecer passe livre não só para
os estudantes, mas para toda a população, num sistema
de transporte baseado numa tributação mais justa
daqueles que realmente se beneficiam com o transporte coletivo,
ou seja, os empresários, industriais, e afins, que dependem
do transporte para a locomoção das forças
de trabalho que fazem a economia de uma cidade funcionar.
JEP
- Os movimentos pelo passe têm sido reprimidos em diversas
regiões do país. Isso demonstra o temor que as classes
dominantes e os tubarões do transporte têm dos estudantes
e do povo organizado. Você que foi um dos estudantes presos
e está sendo processado e perseguido por participar da
luta, como encara a repressão?
Marcelo
- Com destemor e segurança que estamos do lado da razão
e da verdadeira justiça. Coloco-me do mesmo lado dos sem-terra
de Eldorado dos Carajás, dos presos políticos torturados
e assassinados nos porões da ditadura e de tantos outros
que antes de nós sofreram para que a bandeira de um mundo
melhor pudesse chegar às nossas mãos. É nossa
tarefa não nos intimidar. A força de nossas lutas
é muito maior que a perseguição sobre nós
executada.
JEP
- O movimento de vocês é independente e demonstra
ter autonomia em relação aos governos e prefeituras.
Qual é a posição de vocês sobre a Une
governista; na opinião de vocês a Une hoje representa
verdadeiramente os interesses dos estudantes?
A
Une foi um importante instrumento de luta e de representação
estudantil durante os anos de chumbo neste país. Teve inegável
importância para a constituição de um determinado
tipo e um determinado tempo do movimento de juventude no Brasil.
Hoje sua representação é débil, e
seu caráter ativo e de luta parece ter se perdido num passado
relativamente distante para as nossas gerações.
Não creio que não devemos ter instrumentos representativos
que possam organizar a luta dos estudantes em nível nacional,
mas a Une hoje, definitivamente, não é este instrumento.
Sobretudo porque virou um aparelho partidarizado, que reflete
os interesses específicos de uma legenda, e que transforma
seus congressos num verdadeiro engodo para a manutenção
desta legenda no poder.
JEP
- O movimento tem organizado "pulões" nos ônibus
como forma de pressionar a prefeitura e ganhar o apoio da população.
Como tem sido a adesão do povo?
A
população tem apoiado plenamente as manifestações.
As pulagens de catraca são atos de protestos, que sempre
estão ligados a um discurso voltado para os passageiros
e para o motorista e cobrador, que muitas vezes se sensibiliza
e tem acordo com a atitude. Na UFSC os estudantes têm organizado
turnos de pessoas que ficam responsáveis por abrir a porta
detrás dos ônibus e convida a população
por ali entrar, sem pagar o valor da tarifa. Essa é uma
forma de atacar o lucro dos tubarões e agradar a população
que necessita desse dinheiro no seu orçamento.
JEP
- As prefeituras fazem o discurso de que se derem o passe livre
para todos os estudantes, a tarifa aumentará para os demais
usuários, como forma de chantagear a população
e jogá-la contra a luta dos estudantes. Como desmascarar
este discurso que encobre os exorbitantes lucros das empresas
de "transporte coletivo" privadas?
Essa
é uma lógica esquizofrênica, que parte do
princípio de que os estudantes são uma categoria
que brotou do chão, ou que desembarcou de Marte. Os estudantes
são filhos da classe trabalhadora, que é em última
análise, é a principal beneficiada com a isenção
do transporte dos estudantes. Nós não somos um setor
apartado do restante da sociedade. Reivindicamos que o poder público
coloque no seu orçamento o passe-livre, isentando do calculo
tarifário o meio passe dos estudantes, o que naturalmente
rebaixaria o valor das tarifas.
Entendemos
que a vitória na luta pelo passe livre depende de uma organização
prolongada e que aumente cada vez mais sua radicalidade e combatividade,
pois nenhum prefeito dará o passe, este só será
conquistado com muita luta e organização. E, principalmente,
com a participação massiva dos estudantes, os principais
interessados. O que vocês têm a dizer aos estudantes
de todo o Brasil que, assim como vocês, estão na
luta pelo Passe Livre?
Organizemo-nos!
Venham para o Encontro Nacional pelo Passe Livre, nos dias 16,17
e 18 de julho em Florianópolis.
É
preciso que façamos o esforço de nos comunicarmos,
assim como fazemos com essa entrevista. É preciso que esse
novo paradigma do ME tome corpo, tenha cara, e torne-se uma expressão
mundial de luta, não só pelo passe-livre, mas pela
construção de uma alternativa ao sistema de produção
que hoje conduz a humanidade à destruição.
Passe
livre já!
É
retomada a luta do passe livre em BH

Os
estudantes de Belo Horizonte retomam vigorosamente a luta pelo
passe livre na cidade. A União Colegial de Minas Gerais
(UCMG) entidade estudantil independente de governo e Une e Ubes,
tendo se tornado a maior referência de luta do passe livre
nos anos 99/2000 com a jornada de lutas, toma impulso e inicia
a batalha com força e combatividade.
Em
maio deste ano convocou uma plenária de estudantes para
a retomada da luta. O debate deixou claro que um dos principais
motivos da evasão escolar é o alto custo da educação,
principalmente com o transporte. A plenária formou um comando
de lutas pelo passe livre para organizar a luta.
Seguindo
os planos deliberados na plenária a primeira ação
foi uma invasão à prefeitura da cidade. Em uma quinta-feira
dia 03/06 estudantes de várias escolas organizaram uma
combativa manifestação dentro da prefeitura de Belo
Horizonte, para exigir do prefeito Fernando Pimentel-PT o Passe-livre
nos ônibus para todos os estudantes. Mais de cem estudantes
entraram na prefeitura (em grupos pequenos para não chamar
a atenção) até que num momento certo todos
se reuniram na porta do gabinete do prefeito e gritaram: Passe
Livre já, só falta BH! O grito ecoou forte por todas
as partes do prédio da prefeitura, demonstrando a disposição
dos estudantes de ir até o fim para a conquista deste direito.
Isto incomodou muito o prefeito que estava reunido com o embaixador
da Argentina em seu gabinete.
No
intuito de intimidar os estudantes o prefeito acionou a guarda
municipal patrimonial que agiu de forma truculenta contra os manifestantes.
Antes mesmo que o COMANDO DE LUTAS PELO PASSE-LIVRE lesse a carta
de reivindicação que seria entregue ao prefeito,
os guardas municipais começaram a agredir os manifestantes
batendo com cassetetes e prendendo vários companheiros.
Resistiram a estas agressões da forma que puderam e tiveram
que usar até o bumbo para tirar os companheiros das mãos
da polícia. Mesmo assim cinco companheiros foram levados
para a delegacia, sendo soltos somente no final do dia.
No
dia seguinte, vários jornais noticiaram a manifestação,
ficando clara a truculência da guarda municipal a mando
da prefeitura, e demonstrou como o prefeito está disposto
a defender os ricos empresários donos do transporte coletivo
urbano.
A
tentativa da prefeitura de intimidar os estudantes e impedir sua
organização foi em vão. Três semanas
depois cerca de 600 estudantes fecharam a avenida principal da
cidade e seguiram até a porta do gabinete do prefeito Fernando
Pimentel – PT em manifestação.
A
realização da manifestação foi uma
grande vitória para os estudantes. A prefeitura e a Secretária
do Estado de Educação, há algum tempo vêm
organizando um cerco para impedir qualquer ação
de movimentos estudantis e de lutas nas escolas.
Na
véspera da manifestação a Superintendência
Regional de BH da Secretaria Estadual de Educação
ligou para as diretorias das escolas estaduais orientando que
proibissem os alunos de participarem. Para isso marcaram provas
relâmpagos, trabalhos e atividades extraclasse avaliativos,
chegando a ponto de anotarem os nomes daqueles que mesmo com provas
fossem ao ato. Além disso outras escolas para reprimir
os mais ousados passaram graxas nos muros para que eles não
pulassem.
Ainda
por cima, militantes da Ubes (os filhotes do governo e da prefeitura
do PT, defensores do meio-passe e amaciadores da prefeitura e
dos empresários) tentaram boicotar nossos piquetes fazendo
agitação contra a manifestação na
porta das escolas.
A
prefeitura preparou uma recepção com o batalhão
de eventos (tropa de choque), no local da concentração
da manifestação e em todas as proximidades da PBH.
O ato seguiu combativo e agitado apesar de todo cerco.
De
nada adiantou tanto serviço policial e fascista. Os estudantes
enfrentaram as diretorias, deixando provas e trabalhos para trás.
Pularam os muros com ou sem graxa, porque estavam decididos a
lutarem pelo seu direito. Demonstraram coragem e ousadia para
enfrentarem todo esse cerco. Se ligaram a essa luta que se estoura
em todo Brasil, unindo-se aos companheiros de Salvador, Florianópolis,
Fortaleza e tantos outros do país. Depois dos esforços
para chegarem à manifestação ainda demonstraram
grande combatividade e organização através
das bandeiras vermelhas do movimento e faixas, total compactação
nas palavras de ordem puxadas sem o carro de som, preso pela polícia
na concentração do ato.
Por
isso vemos que se a intenção do prefeito é
deter os estudantes em suas manifestações pelo passe
livre, está muito enganado! Esta manifestação
foi só um aviso, a 1° de uma jornada de lutas. Os estudantes
de BH estão decididos a tomar as ruas da cidade até
a conquista do passe livre!
Rio
de Janeiro:
Estudantes
não aceitam a atuação de entidades governistas
e avançam na luta do passe-livre
Durante
todo ano passado e principalmente em 2003, o Rio de Janeiro foi
sacudido por sucessivas passeatas em defesa do passe livre, organizadas
por grêmios e movimentos independentes. O Jornal Estudantes
do Povo procurou os companheiros do Movimento Educação
Popular (MEP) que tiverem participação ativa nesta
luta para relatarem um pouco desta rica experiência.
JEP
(Jornal Estudantes do Povo): Como se desenvolveu a luta pelo passe
no Rio de Janeiro?
MEP:
Os atos eram sempre decididos por ligações entre
movimentos e sempre eram decididos pelas entidades. Porque não
mudar se quem constrói os atos são as estudantes
com os grêmios as bases?A partir daí passamos a correr
os grêmios pedindo apoio. Assim se estruturaram as plenárias
democráticas horizontais resgatando a cultura de cada um
ter voz, ter em suas mãos o caminho para a ação.
Começou
de forma fraca, ainda cambaleando. De fato foi neste ano que essas
estruturas amadureceram. Em março/ abril começaram
a ter plenárias mais legítimas, mais representativas
com número maior de colégios.
Esse
ano a Fetranspor tentou acabar novamente com o passe intermunicipal.
Um ato liderado pelas plenárias que se opõem a prefeitura
e ao governo estadual e federal teve 1200 estudantes enquanto
o ato das entidades locais burocráticas aparelhadas teve
apenas 200 estudantes.
A
grande vitória foi ter criado um novo espaço de
discussão política e de deliberação
do movimento estudantil. Até então todas as decisões
do movimento estudantil era em reuniões de diretorias em
entidades locais. Que não eram reconhecidas pelos estudantes.
Hoje
nos organizamos com grupos de trabalhos operativos que são
abertos para todos que quiserem participar que organizam e põem
em prática os atos. As discussões políticas
e deliberações continuam sendo tiradas em plenárias
que acontecem aproximadamente de vinte e cinco em vinte e cinco
dias.
A
partir do momento que as plenárias passaram a existir passou
a ter a disputa, já que em ano eleitoral as entidades burocráticas
querem organizar passeatas para promover seus candidatos. Mas
a política desses setores que dirigem estas entidades tem
cada vez menos inserção no conjunto dos estudantes.
JEP:
Como foi a resposta dos estudantes diante desta nova forma de
organização?
MEP:
A resposta dos estudantes foi muito boa, pois nas escolas, que
não havia movimento estudantil as entidades apareciam só
para tirarem delegados. Quando a gente passou nos colégios
chamando-os para participar ativamente do movimento estudantil
a resposta foi muito boa. Eles compreenderam com muita facilidade
a diferença dos dois modelos de organização
e não só se interessaram como começaram a
participar. E nos colégios onde tinha a burocracia da AMES
mais organizada ou alguém ligado a algum dos partidos que
dirige a Ames, se tinha um debate mais tencionado. Isso era um
empecilho para a luta pois eles boicotavam as atividades jogando
para a despolitização, tentando jogar que as plenárias
era do MEP. Mas hoje podemos dizer que a grande maioria do movimento
estudantil organizado se organiza através das plenárias
e não se organiza através da Ames.
JEP:
No dia 1º de abril, a Une e Ubes em sua campanha pela "Reforma
Universitária Já", organizaram uma passeata
no centro do Rio. Qual foi à repercussão nos estudantes?
MEP:
Este ato do dia 1º de abril foi algo curioso pois tanto as
entidades locais aprovaram, a construção deste ato
quanto as plenárias de estudantes. Só que existia
uma divergência muito grande em como deveria ser este ato.
Tanto as entidades nacionais quanto as entidades locais, defendiam
que deveria ser um ato em defesa da reforma universitária,
enquanto as plenárias de estudantes exigiam uma manifestação
que fosse contra a reforma universitária e contra a política
do governo. Esta polêmica começou já na construção
do ato. As entidades governistas queriam o ato para o dia 1º
de abril, pois era a única data que o "Gavião"
presidente da Ubes poderia estar no Rio. Os estudantes percebendo
alegaram que haveria uma paralisação de professores
no dia é poderia esvaziar o ato. Mas acabaram mantendo
o consenso sobre o dia.
A
discussão começou nas escolas. Fomos às escolas
saber o que os estudantes pretendiam para a passeata do dia 1º
de abril, e nos surpreendermos em ver algo que há muito
tempo nos não víamos no Rio de Janeiro: os cartazes
das entidades oficias que defendiam a reforma universitária
foram arrancados e durante as plenárias foram rasgados
sob calorosos aplausos.
No
dia 1º de abril, a manifestação da Une/Ubes/Ames
rachou o movimento, saindo uma hora antes, com apenas uns 600
estudantes. Logo depois saiu à passeata dos movimentos
independentes com mais de 1500 estudantes. Esta passeata foi marcada
por intervenções contra a política do governo,
apontando o caminho da luta para derrotar sua política.
Perto
do final do ato na Cinelândia, (local tradicional de concentrações
das passeatas), abriram-se intervenções no carro
de som. Os oportunistas tentavam monopolizar, mas sem muito sucesso,
e quando um companheiro que estuda no colégio Herbert de
Sousa foi intervir, denunciando a prática das entidades,
denunciando o caráter das entidades, chamando contra a
reforma, contra o governo, contra a ALCA, a sua intervenção
era reconhecida pelos estudantes (não por acaso pois esta
discussão foi feita nas escolas), a diretoria da Ubes representada
na figura do seu presidente, o "Gavião", não
contente em trair a luta em Salvador, resolveu vim prejudicar
os estudantes do Rio de Janeiro. Tomou o microfone da mão
do nosso companheiro, agredindo-o companheiro. Foi amplamente
repudiado pela massa de estudantes ali presentes, e teve que fugir
correndo da passeata para não apanhar da massa de estudantes
que estava ali e não o reconheciam, nem sua política
e nem sua entidade governista.
Este
foi um processo importante para os estudantes compreenderem que
não dava pra ter qualquer confiança nessas entidades.
Que o mais importante é estar tocando a luta por fora dessas
entidades governistas para garantir, não parcialmente mas
plenamente, o passe livre, ser contra o governo federal, estadual
e municipal, contra a "reforma" e contra a ALCA.
Um outro companheiro completa dizendo: o novo esta nascendo no
Brasil inteiro, Salvador, BH, Rio de Janeiro, Fortaleza. Os estudantes
não podem ter medo de estar construindo o novo. E se o
novo movimento estudantil está surgindo e o velho movimento
caduco, governista burocratizado eleitoreiro. Se nega a morrer
de forma definitiva, é tarefa de cada estudante que quer
construir uma nova sociedade, jogar a última pá
de cal para sepultá-lo, pois o novo sempre prevalece sobre
o velho.
Alerta,
alerta nacional: Os estudantes gritam passe-livre integral! |