No
dia 06 de dezembro de 2004 o governo enviou para o Congresso o
Anteprojeto da “reforma” universitária. Na
ocasião, o ministro Tarso Genro declarou que este seria
o marco inicial da “reforma”. Mais uma mentira do
Ministro da Educação, pois diversos pontos da contra-reforma
universitária do MEC/Banco Mundial já foram implementados
em 2004, através das Medidas Provisórias (MP’s)
expedidas pelo presidente Lula. As MP’s editadas pelo governo
federal implementaram quatro questões centrais da “reforma”
universitária: 1) o PROUNI; 2) o SINAES, novo Provão;
3) a Lei de Inovações Tecnológicas; e 4)
a institucionalização das Fundações
Privadas. Estas MP’s já deram o conteúdo criminoso
do ataque à Universidade Pública o anteprojeto só
as complementa, apontando como viabilizará a privatização
da universidade. Ocultar este fato, dizer que tudo está
começando agora, revela a estratégia do governo
federal de esconder da opinião pública e principalmente
dos estudantes o real conteúdo desta contra-reforma nas
universidades.
O
fim da diferença entre o público e o privado
Antes
de discutirmos o Anteprojeto apresentado pelo MEC vamos analisar
façamos as MP’s editadas pelo governo Lula-FMI para
as universidades brasileiras.
O PROUNI, como já havíamos analisado em materiais
anteriores, é o carro chefe da privatização
da universidade brasileira. A compra de vagas nas instituições
privadas de ensino, como fez o governo federal, é uma medida
reacionária e astuta, porque combina a demagogia populista
com a privatização da universidade. O governo Lula
e seus marqueteiros de plantão anunciaram com grande estardalhaço
a compra de 100 mil vagas do ensino privado. Na cerimônia
de lançamento do projeto, Luis Inácio em seu discurso,
para uma platéia de 5 mil estudantes e pais, afirmou que
pela primeira vez na história do Brasil os pobres teriam
acesso à universidade. Na realidade, só os empresários
do ensino privado saíram ganhando. A PUC-MG, por exemplo,
por ser classificada como instituição filantrópica,
revertia 20% de sua arrecadação em bolsas para os
estudantes. Agora, está acabando com essas bolsas e substituindo-as
pelas do PROUNI, pagas pelo governo. Esta é a “democratização”
do governo: assegurar o “direito” destes monopolistas
acumularem mais lucro. Um olhar mais atento logo conclui que o
objetivo do governo não é fazer com que os pobres
entrem na universidade, se fosse assim bastaria utilizar os mesmos
recursos para criar 100 mil vagas nas universidades públicas.
Mas, então, qual objetivo está por de trás
do PROUNI? Qual a relação do PROUNI com a privatização
das universidades públicas? Com o PROUNI o governo lançou
as bases para a privatização das universidades ao
estabelecer a indiferenciação entre a universidade
pública e a privada. As vagas compradas no PROUNI são
chamadas de “vagas públicas”, como se fosse
possível a uma instituição privada oferecer
vagas de caráter público, que vinculem ensino, pesquisa
e extensão. Para o governo Lula-FMI o que existe são
as “vagas públicas”, sejam elas nas universidades
privadas ou públicas. Assim, o governo nivela as instituições
de ensino num mesmo patamar, afirmando que ambas possuem a mesma
“função social”, como se não
houvesse uma diferença essencial entre as duas. O governo
se comprometerá em financiar as “vagas públicas”
e não mais as universidades públicas, enviará
recursos para os dois sistemas de ensino igualando-os. Porém
esta igualdade não consiste em transformar o privado em
público e sim o contrário. Vejam, companheiros,
esta é a forma mais sofisticada de privatização
que já existiu, pois se existem “vagas públicas”
nas particulares, o contrário fica implicitamente estabelecido.
O resultado da indiferenciação entre o público
e o privado é que o público deixa de estar vinculado
necessariamente ao gratuito. As universidades públicas
passarão a ter também, e isto já está
acontecendo principalmente nos cursos de pós-graduação,
vagas que não são gratuitas. Hoje, a gratuidade
é um direito constitucional, pois a lei afirma que ser
público é ser gratuito. Com a indiferenciação
este princípio acaba e a gratuidade deixa de ser um direito
e passa a ser uma concessão, de regra se torna exceção.
O governo, com a indiferenciação, está copiando
o modelo de universidade do EUA. Lá não existe universidade
gratuita, todas as universidades “públicas”
cobram anuidades que variam de 2 mil a 13 mil dólares.
Para conseguir uma bolsa o aluno tem que ser selecionado, não
há um concurso público, é a universidade
que escolhe quem receberá a concessão da gratuidade.
Como o número de “vagas públicas” não
é um direito legislado, o governo ou as universidades podem
alterar o seu número como bem entendam. Hoje como a gratuidade
é um direito constitucional no Brasil, sabemos que todo
ano temos um número definido de vagas nas universidades
públicas, que obrigatoriamente devem ser gratuitas. Com
a indiferenciação, que garantia teremos da manutenção
da gratuidade destas vagas? O que impede o governo de fornecer
hoje 100 mil bolsas e amanhã nenhuma?
O Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino
Superior) terá um papel chave no processo de privatização
da universidade. Com a indiferenciação entre o público
e o privado, as instituições públicas e particulares
disputarão as mesmas verbas governamentais. Como definir
quem irá receber o bolão? É aí que
entra o Sinaes, assim como no Provão servirá para
o governo montar um ranking das universidades e decidir quais
devem receber as verbas públicas. A diferença do
Sinaes em relação ao provão é que
agora estarão na disputa não somente as universidades
públicas, mas também as particulares. Concorrência,
bem ao gosto dos adoradores das leis do mercado.
O projeto de Lei de Inovações Tecnológicas
obedece a mesma lógica: que as universidades se tornem
“competitivas” no mercado para atrair financiamento
privado para pesquisas e outros investimentos. Desta maneira,
que tipo de pesquisa será financiada? Aquelas que beneficiam
o povo e o país de um modo geral, ou aquelas que trarão
mais e mais lucros para os monopólios privados?
O
papel das Fundações Privadas
A
institucionalização das Fundações
Privadas é a medida que mais escancara o processo de privatização
das universidades brasileiras. Institucionalizar a existência
e o papel das Fundações Privadas é legalizar
o processo de privatização “branca”
que já vinha ocorrendo em nossas faculdades. Hoje, quem
faz a cobrança de mensalidades nas universidades públicas,
quem capta recursos da iniciativa privada e vende nossas pesquisas
para o mercado? São as Fundações Privadas,
instituições de direito privado que não estão
submetidas legalmente aos Conselhos Universitários, que
possuem normas de funcionamento independentes dos estatutos das
universidades e que hoje já controlam a maior parte do
orçamento destas. A luta contra as Fundações
Privadas é uma bandeira histórica do movimento estudantil,
e era uma das principais reivindicações da luta
dos estudantes nos anos 60. Desta maneira, o governo legitima
a cobrança de taxas por parte destas Fundações
sem precisar retirar o termo da gratuidade da Constituição
Federal.
Assim como as MP’s, o Anteprojeto do governo para a “reforma”
universitária baseia-se na concepção das
Parcerias Público-Privadas (as PPP’s). Este fato,
dentre outros, já demonstra como o Anteprojeto do MEC não
representa nenhuma “mudança” de orientação
do governo em relação ao conteúdo da “reforma”,
expressos pelas MP’s; ao contrário, o governo parte
delas, dando um passo adiante na regulamentação
de mais esta contra-reforma.
Anteprojeto
do MEC, o fim da autonomia universitária
O
Anteprojeto apresentado pelo MEC em dezembro e que será
enviado ao Congresso como Projeto de Lei no dia 30 de março,
trata fundamentalmente da autonomia universitária. Ou melhor,
do fim de qualquer tipo de autonomia. A autonomia que existirá
será a “autonomia financeira”, que é
o “direito” da universidade se virar para conseguir
os recursos necessários para o seu funcionamento. Isto
que o governo chama de autonomia é o contrário da
autonomia universitária defendida pelo movimento estudantil.
Quando falamos de autonomia estamos defendendo que a universidade
deva ter liberdade de gerir os recursos públicos com uma
política própria, que a universidade tenha o direito
de definir seus próprios currículos, que as decisões
dos Conselhos Universitários sejam soberanas e não
estejam submetidas ao Ministério da Educação.
A “autonomia universitária” do governo Lula-FMI
é a autonomia para as Fundações Privadas,
para que elas façam o que bem entendam com a universidade.
A forma de abrir espaço para que os monopólios privados
ditem as políticas de investimento das universidades públicas
será com a criação dos chamados “Conselhos
Sociais Comunitários”. O governo apresenta esta medida
como se fosse a democratização da gestão
universitária, porém na prática ela inviabiliza
a real autonomia das universidades e seu princípio de liberdade
acadêmica. A exemplo dos conselhos governamentais existentes,
nos quais o setor privado domina, o “Conselho Social Comunitário”
legitimaria a ação aberta da “iniciativa privada”
nas universidades públicas. Isto já ocorre em muitos
CEFET’s, onde empresas privadas participam dos órgão
diretivos da escola e “ajudam” a definir sobre a criação
de novos cursos, sempre voltados, é claro, para suas necessidades.
Este Conselho Social fere o pouco de autonomia que existe em nossa
universidade e quebra a democracia interna, pois quem elegerá
este Conselho? Que legitimidade ele teria a não ser a outorgada
pelo governo?
O Conselho Universitário deve ser o órgão
máximo da universidade e nós defendemos que 50%
dele seja composto por estudantes, assim como acontece na Argentina,
Bolívia, Uruguai, Peru, México e outros países
da América Latina. No Brasil, os Conselhos Universitários
são limitados por não existir o co-governo, entretanto
eles ainda possuem princípios democráticos, são
órgãos da universidade e estão sujeitos às
pressões do movimento de funcionários e estudantes.
Já as Fundações Privadas são dirigidas
e reguladas segundo interesses próprios e não estão
submetidas às universidades. Com a institucionalização
das Fundações Privadas e com os Conselhos Sociais,
a reitoria e o Conselho Universitário se tornarão
órgãos meramente formais. Quem mandará mesmo
na universidade serão as Fundações Privadas,
com seu poder legitimado por um pomposo “Conselho Social”.
As Fundações em muitas universidades definem em
última instância toda a linha de ensino, pesquisa
e extensão já que são elas que captam a maior
parte dos recursos da universidade. O que o governo faz é
legalizar esta absurda situação. Que democracia
haverá? Alguém sabe quem é o presidente da
Fundação Privada de sua universidade? Quem o escolheu?
Se o governo estivesse interessado em envolver a sociedade, os
movimentos sociais no desenvolvimento das universidades bastava
incluir estes setores dentro do Conselho Universitário,
mas não criando um conselho paralelo.
O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) são os planos
de metas para cinco anos que supostamente serão elaborados
por cada universidade e aprovados pelo Conselho Social Comunitário.
O PDI deixa explícito que ao apresentar qualquer projeto
de expansão, a universidade pública deverá
indicar como irá conseguir os recursos necessários
para viabilizar tal projeto. É a “lei de responsabilidade
fiscal” aplicada à educação superior.
Por exemplo, se determinada universidade planejar abrir um novo
curso, ou mesmo criar mais vagas nos cursos já existentes,
ela terá que indicar primeiro como irá conseguir
os recursos para financiar estas expansões. Como não
existe verba governamental, pois todo dinheiro público
está reservado para os banqueiros internacionais, restarão
duas opções: conseguir dinheiro dos monopólios
privados, ou cobrar mensalidades destes novos alunos. O governo
não está dando a liberdade para as universidades
definirem seus planos, porque estes PDI’s deverão
ser aprovados pelo MEC. O que o governo faz com o PDI é
obrigar a universidade a arrecadar os recursos para aplicar os
projetos definidos em Brasília.
Capital estrangeiro na educação
Outra
medida completamente entreguista e posta em prática pela
primeira vez na história da educação brasileira,
é a transformação da educação
em uma área aberta ao capital estrangeiro. O governo escancara
a entrega da educação superior ao capital estrangeiro
com a admissão de até 30% deste neste lucrativo
“negócio”. E nada impede que o parlamento aumente
posteriormente este montante. Esta é uma exigência
do EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio)
como forma de preparar legalmente a implantação
da Alca em todos os setores econômicos, inclusive a educação.
Até então, este tipo de financiamento nunca foi
permitido no Brasil, justamente porque investir na educação
deveria significar investimento na produção científica
nacional. Se aprovada esta lei, instituições de
ensino dos países imperialistas poderão montar suas
universidades aqui no Brasil. Isto seria a maior dominação
cultural feita em nossa história, educação
é um problema nacional, relacionado com o fortalecimento
e formação de nossa cultura, de nosso pensamento
nacional. A Une, como exemplar defensora do governo e de suas
medidas pró-imperialistas, teve a cara-de-pau de comemorar
a definição do percentual de 30% como se fosse uma
limitação aos “investidores” do setor
privado. Acontece que era proibido este tipo de investimento na
educação superior, não se trata, pois, de
uma “limitação”, mas de escancarar as
portas para o imperialismo, de legalizar a educação
como uma questão de mercado. E eles que falavam tanto contra
a mercantilização do ensino...
Como se não bastasse legislar tão servilmente para
o setor privado, o governo também define no anteprojeto
a linha da suposta “expansão” da rede pública,
que se dará fundamentalmente por meio de cursos à
distância, cursos seqüenciais e os Centros Universitários
(cursos técnicos com status de nível superior, sem
haver exigência de desenvolver pesquisa e extensão).
Tudo converge na precarização dos cursos superiores
públicos, incentivando os cursos de formação
rápida para atender às demandas do mercado.
Sobre a assistência estudantil, que é um direito
dos estudantes, parece piada: o anteprojeto não prevê
a mínima verba orçamentária para isso. Esta
será vinculada a recursos arrecadados com a loteria federal!
O cerne do Anteprojeto do governo é, portanto: a instituição
da autonomia financeira das universidades públicas, e o
aprofundamento e legalização do caráter mercadológico
do ensino superior.
As
demagogias do Anteprojeto
Para
conseguir passar o Anteprojeto sem grande desgaste com os estudantes,
o governo utiliza-se de um falatório e propaganda demagógicos.
Coloca alguns pontos no Anteprojeto com aparência de democráticos
para tentar confundir e enganar os estudantes e intelectuais sobre
o que realmente estão fazendo. Para isso o MEC conta com
sua principal aliada, a Une, que recentemente fez uma eufórica
comemoração das supostas “conquistas”
dos estudantes com o Anteprojeto. Enquanto a Une comemora, o governo
privatiza a universidade com sua ajuda.
Uma das principais medidas que o governo e a Une estão
usando para mascarar o anteprojeto é em relação
à regulamentação do ensino privado. Na realidade,
no que toca aos interesses dos estudantes o governo passa longe.
Nem pensam em tabelar as caríssimas mensalidades que chegam
à 2 mil quinhentos reais. A regulamentação
não passa da simples legalização das milhares
de instituições privadas de ensino existentes, visando
instituir algumas regras para favorecer os monopólios deste
setor, uma vez que é um problema para os grandes empresários
a abertura indiscriminada de faculdades, pois aumenta a concorrência.
Hoje no Brasil, a universidade não elege seu reitor, escolhe
uma lista com três nomes que é enviada ao MEC e um
deles é escolhido pelo Ministro. A Une e o governo tentam
se passar por democráticos ao propor o fim da lista tríplice
nas eleições para reitor. Apresentar o fim deste
resquício monárquico da universidade brasileira
como sendo um grande avanço é uma vergonha. Ainda
mais porque na proposta do governo o voto dos estudantes continuará
valendo somente 10%, muitas vezes 20 votos de alunos equivalem
a 1 voto de professor. Por outro lado, o que adianta a eleição
sem lista tríplice para reitor se com a legalização
das Fundações Privadas o verdadeiro gestor será
o diretor da Fundação e não o reitor? Não
será necessário um reitor interventor, os empresários
dirigirão diretamente, via Fundações e Conselhos
Sociais, a Universidade Pública.
É importantíssimo que avaliemos bem objetivamente
o que leva o governo a adotar a tática demagógico-populista
neste momento, para não corrermos o risco de nos deixar
iludir. É inegável, o próprio governo admite,
que a Frente Oportunista Eleitoreira sofreu derrotas importantes
nas últimas eleições municipais, como em
São Paulo e Porto Alegre. Ganharam em vários municípios,
mas perderam em alguns estrategicamente necessários para
terem uma relativa tranqüilidade em relação
à reeleição em 2006. Além disso, o
desgaste do governo com os movimentos populares foi grande. Suas
entidades oficiais principais, Une e CUT, foram repudiadas pela
massa em várias situações, particularmente
na luta contra a “reforma” universitária e
na greve dos bancários. Isso demonstra que não está
fácil para o governo passar goela abaixo a privatização
da universidade; há resistência e o desmascaramento
de suas medidas é feito pelos movimentos independentes
que se desenvolvem. Avaliando estes aspectos, e tendo em vista
a importância deste ano para sua reeleição,
foi que o governo resolveu adotar tais medidas populistas e fazer
forte propaganda na esperança de que “uma mentira
repetida mil vezes se transforme em verdade”.
Por isso afirmamos com total convicção: não
houve recuo algum por parte do governo com este Anteprojeto. Os
floreios governamentais só servem para camuflar as medidas
centrais, garantindo além de sua aprovação,
uma repercussão melhor na massa em relação
a 2004. Dessa maneira tentam enquadrar os estudantes, para que
não haja luta, já que a “reforma” é
“democrática” e existem “pontos positivos”.
Não cairemos nesta conversa fiada! Mais dia, menos dia,
a privatização da universidade pública será
desnudada e, quanto mais profundamente ela for implementada, maior
será a revolta dos estudantes e funcionários contra
ela. Isso é questão de tempo.
A
“crítica” dos direitistas
Os
setores mais reacionários das classes dominantes bravateiam
aparentemente contra a “reforma”. Dizem que esta apresenta
um “viés ideológico”, que acarretará
no controle do PT sobre as universidades, e principalmente, defendem
mais autonomia para as particulares.
É preciso dizer, em primeiro lugar, que os objetivos destes
direitistas são exatamente os mesmos que os do governo:
fortalecer o ensino privado, destruir o público. A única
diferença entre eles é que o governo sabe bem como
manobrar politicamente para não se isolar dos movimentos
de massa, para influenciá-los. É uma enganação
mais refinada. Já os abertamente pró-privatização,
não se preocupam com isso, acham que é bobagem ou
“ideologização”, como dizem. O projeto
de universidade das classes dominantes, estilo “Veja”,
é a cópia da universidade ianque, criticam o governo
não para opor, mas para dar a linha do que deve ser feito,
enquadrar para que seus objetivos aconteçam o mais breve
possível. E se possível adotemos o “inglês”
como língua nacional.
Na realidade as supostas “críticas” da direita
servem apenas para legitimar as ações do governo,
que tenta ridicularizar aqueles que defendem a universidade pública,
gratuita e verdadeiramente autônoma e democrática
apoiando-se nos reacionários direitistas, no intuito de
reforçar sua máscara de “esquerda” e
“democrático”.
O
único caminho é lutar!
Um
dos pontos em que o governo mais bate, em sua ofensiva na propaganda
demagógica, é dizer que esta “reforma”
foi amplamente discutida, que várias entidades contribuíram
com sua elaboração, que assim se afirma a democracia
em nosso país. Que “debate” aconteceu senão
a imposição de uma série de medidas provisórias,
mesmo artifício usado nos últimos governos em substituição
aos Atos-Institucionais do regime militar? É isso que o
governo chama de democracia e amplo debate? E agora, depois da
essência da contra-reforma ser imposta, dizer que haverá
debate no Congresso, naquele antro de sanguessugas do povo? E
quando o governo diz que os estudantes participaram do debate
através da Une, “sua representante oficial”,
esqueceram eles do repúdio massivo às audiências
públicas que eles (governo, Une e outras entidades governistas)
organizaram? Das manifestações em todos os cantos
do país contra a “reforma”? Não, disso
eles não esquecem. É exatamente por isso que manobram,
na tentativa de confundir e, conseqüentemente, paralisar
o movimento democrático e de luta dos estudantes. Mas também
isso será em vão. A única forma de defender
a universidade pública é com uma persistente luta
contra a implantação da “reforma”, em
defesa dos nossos direitos. Por mais propaganda que o governo
faça, é a realidade das universidades públicas
brasileiras que impulsionará os estudantes a falarem mais
alto. E não haverá propaganda capaz de escondê-la. |