| Viva
Manoel Lisboa, herói do povo brasileiro!
No
dia 21 de fevereiro comemora-se 61 anos do nascimento do camarada
Manoel Lisboa de Moura. Nascido em 1944, em Maceió Alagoas,
ainda jovem, aos 16 anos iniciou sua militância ingressando
na Juventude Comunista. Foi um destacado líder estudantil,
organizou lutas combativas nas escolas e universidades de Alagoas.
Desenvolveu um amplo trabalho de organização e agitação
política na Universidade Federal de Alagoas, onde cursava
medicina. Aos 20 anos, em 67, foi impedido de continuar seu curso
devido às perseguições do regime militar-fascista.
Participou, em 62, do processo de Reconstrução do
Partido Comunista do Brasil, que resultou na conformação
do PCdoB. Manteve-se em posição de combate irreconciliável
contra o revisionismo e o oportunismo. Em fevereiro de 1966, juntamente
com Amaro Luís Carvalho (Capivara), Emanuel Bezerra e outros
dirigentes fundou o Partido Comunista Revolucionário (PCR).
O curto tempo de atividade teórica e prática do
PCR sob direção de Manoel Lisboa foi extremamente
produtivo e legou importantes aportes à causa revolucionária
em nosso país, expressas em seus documentos principalmente
na “Carta de 12 pontos aos comunistas revolucionários”.
Nas difíceis condições de luta contra regime
militar-fascista deu grande exemplo de abnegação
e entrega à causa revolucionária. Defendendo os
princípios do marxismo, entregou seu contributo de sangue
e o esforço teórico para compreender de forma mais
profunda o processo revolucionário brasileiro e levar o
combate implacável não somente contra o regime fascista
e o imperialismo, mas para se opor ao reformismo e ao revisionismo
traiçoeiro.
O camarada Manoel Lisboa foi assassinado aos 29 anos no dia 4
de setembro de 73 pelo regime militar fascista juntamente com
dois outros dirigentes do PCR, Emanuel Bezerra e Manoel Aleixo.
Manoel Lisboa foi preso no centro de Recife e recambiado para
o DOPS de São Paulo, onde foi brutalmente torturado. Conta-se
que Manoel foi torturado pelo famigerado delegado Fleury, mas
nada foi capaz de dobrar a decisão revolucionária
deste grande comunista. Manoel Lisboa foi assassinado sem prestar
nenhuma informação aos gendarmes fascistas.
A “Carta de 12 Pontos”
Manoel
Lisboa é sem dúvida um dos maiores expoentes da
juventude estudantil brasileira. No entanto, sua importância
para o processo revolucionário ultrapassa sua posição
firme diante da ditadura militar e dos torturadores. Ele foi um
dos comunistas que melhor entendeu a realidade e as características
da sociedade brasileira, bem como foi capaz de elaborar uma estratégia
revolucionária criadora para a revolução
brasileira. O pensamento e proposições de Manoel
Lisboa estão registrados em alguma dezenas de documentos
e artigos escritos por este revolucionário. Documentos
que tratam desde a importância de resistir a tortura, à
necessidade de reorganizar o movimento estudantil brasileiro,
sobre as tarefas do movimento camponês e chegam na histórica
“Carta de 12 Pontos as Comunistas Revolucionários”.
A Carta de 12 pontos, escrita por Manoel Lisboa quando ele tinha
22 anos, guiou o processo de fundação do Partido
Comunista Revolucionário. A Carta é uma brilhante
síntese onde sistematiza a análise de classes de
nossa sociedade, a correlação entre elas, formulando
que as forças revolucionárias fundamentais são
o proletariado como força dirigente, o campesinato como
seu aliado principal, os estudantes e intelectuais, podendo ainda
contar com setores da burguesia nacional (média burguesia),
que aponta seu duplo caráter – oprimida pelo imperialismo
e temente à revolução popular. Define a revolução
brasileira como democrática antiimperialista como primeira
etapa da luta pelo socialismo no Brasil, partindo da compreensão
de que a contradição que opõe o imperialismo
norte-americano à imensa maioria do nosso povo é
a principal e da necessidade de derrubar o poder da grande burguesia
e do latifúndio para destruir o poder pró-imperialista
no país. Manoel Lisboa deixa bastante claro a relação
entre as classes revolucionárias ao expor sua concepção
de Frente Única: “Sobre um segundo tipo de aliança,
ou mais precisamente a frente única com a burguesia nacional,
autenticamente nacional, submetida também ao imperialismo
ianque, a condição básica para sua efetivação
é a formação das forças armadas populares
através do próprio desenvolvimento da guerra popular.
Seria erro grave e ilusão de classe supor que a aliança
se faça antes do início da insurreição
armada, à base de conversações ou trocas
de pontos de vistas.”
Na Carta de 12 Pontos, Manoel Lisboa sustenta que a revolução
brasileira tem como único caminho possível a Guerra
Popular prolongada. Explica que a aliança operária-camponesa
não pode ser formal ou abstrata como fazem os revisionistas,
mas sim com o deslocamento dos elementos portadores da ideologia
do proletariado, o Partido Comunista, para o campo, aliando-se
aos camponeses em sua luta pela terra, organizando a luta armada
e desenvolvendo o Exército Guerrilheiro Popular. Afirma
que: “O cerne da estratégia do proletariado e de
seu Partido é o desenvolvimento da guerra popular através
da guerra de guerrilhas”; que “Somente é a
guerra que pode inverter os papéis e tornar o inimigo débil
e as forças armadas populares fortes.”; e ainda “...
por isso o Partido da Classe Operária deve elaborar sua
estratégia e aplicá-la onde se reflete de modo mais
agudo a contradição principal. Aí desenvolver,
com profundidade, a aliança operário-camponesa,
através do deslocamento para o campo dos elementos mais
avançados da classe operária, dos intelectuais e
estudantes com ideologia do proletariado para criar as bases de
apoio rurais. (...) A guerra de guerrilhas, através das
formas mais primitivas e rudimentares de combate, proporciona
às massas organizadas na base de apoio um adequado método
de luta, e possibilita que cada elemento de massa se converta
num soldado da guerra popular.”
Revolução
Brasileira: democrática e antiimperialista
Num
Editorial do jornal “A luta” (Órgão
dos Comunistas Revolucionários) chamado “O caráter
da revolução brasileira”, Manoel Lisboa expõe
sinteticamente a posição do PCR sobre esta questão
fundamental. “O PCR define a Revolução Brasileira
como democrática e antiimperialista em contraposição
a vários setores da esquerda brasileira que a definem como
socialista.”. Manoel Lisboa defende que a contradição
principal no país naquela época era a que opunha
imperialismo versus povo brasileiro: “A solução
desta contradição principal é o conteúdo
da revolução brasileira na atual etapa. Solução
que se dará no momento em que um governo revolucionário,
SOB HEGEMONIA DO PROLETARIADO, confisque todas as empresas ianques,
destrua o latifúndio, confisque as grandes empresas ligadas
ao imperialismo, institua a democracia no país.”.
“Com a solução da contradição
imperialismo x povo a contradição principal passará,
imediatamente, a ser proletariado x burguesia.” (Os grifos
são de Manoel Lisboa).
Manoel deixa claro a relação entre a revolução
democrática como uma etapa inevitável da revolução
socialista nas condições objetivas de nosso país.
“Se a revolução nascesse na cabeça
dos revolucionários e não das imposições
da realidade econômica, definiríamos, sem pestanejar
a revolução brasileira como socialista. É
a realidade, nem sempre de acordo com os sentimentos dos revolucionários,
que nos obriga a definir a Revolução Brasileira
como democrática e antiimperialista.”
Ao defender a revolução brasileira como democrática,
que seu caminho é o da guerra popular através do
cerco da cidade pelo campo, da necessidade do Partido Comunista,
do Exército Guerrilheiro e da Frente Única, ao combater
sem conciliação o revisionismo e o reformismo, ao
elucidar a realização da aliança operário-camponesa,
ao trabalhar com o método da contradição,
caracterizando sempre qual a contradição principal,
ao fazer tudo isto Manoel Lisboa demonstra que sua fonte ideológica
não foi outra senão o maoísmo, etapa mais
desenvolvida do marxismo. E é justamente por isto que as
formulações de Manoel foram tão corretas
e que muitas continuam vigente ainda hoje.
Otimismo revolucionário
Uma
das características pessoais de Manoel Lisboa era seu bom
humor e otimismo revolucionário que carregava mesmo nas
situações mais difíceis. Um amigo pessoal
conta que em certa ocasião quando discutia a estratégia
da revolução brasileira, ele teria explicado assim
o problema do “cerco da cidade pelo campo”: “É
claro que é o campo que tem de cercar a cidade, você
já imaginou se seria possível a cidade cercar o
campo?”. Outra vez discutindo com simpatizantes de seu Partido,
que estariam um pouco frustados com a possibilidade de não
poderem viver no mundo comunista, Manoel argumentou: “Vocês
acham que estamos longe do comunismo?! Imaginem a condição
de um escravo consciente trabalhando nas pirâmides do Egito
para convencer seu companheiro de labuta a lutar? ‘Olha
companheiro, nós agora teremos que derrubar o sistema escravista,
mas não será aí que virá a libertação,
pois teremos que lutar muitos séculos para destruir depois
o feudalismo, porém aí virá o capitalismo,
com ele surgirá o proletariado, passará mais alguns
séculos chegaremos ao socialismo, e aí virá
a libertação com o comunismo.”
Manoel Lisboa foi um grande exemplo de comunista e jovem revolucionário
e deve sempre estar presente conosco. Devemos estudar detidamente
seus escritos e mirar sempre em seu exemplo de luta e abnegação.
O Partido fundado por Manoel Lisboa, depois de sua morte abandonou
o caminho revolucionário e degenerou no revisionismo. Mesmo
assim sua luta não foi em vão, as formulações
do camarada Manoel Lisboa são o ponto de partida para a
retomada da luta dos revolucionários brasileiros em nossa
luta por um novo poder, uma nova democracia, pelo socialismo.
Rendemos, pois, nossa homenagem a este grande revolucionário,
que fez de sua vida instrumento de luta pela emancipação
das massas oprimidas e exploradas de nosso país.
Viva
os 61 anos do nascimento de Manoel Lisboa!
Honra e glória aos heróis de nosso povo!
Viva a revolução democrática ininterrupta
ao socialismo! |