O novo Velho
Movimento Estudantil
Já
faz alguns anos que o PSTU vem encabeçando a construção de
encontros nacionais de estudantes e, agora, o chamado congresso
nacional dos estudantes a ser realizado em junho próximo.
Defendendo a fundação de uma nova entidade nacional o PSTU brada
cinicamente a falência da UNE e a necessidade de construção do
novo movimento estudantil. Mas que “novo movimento estudantil” é
esse que o PSTU defende? Ou melhor, qual é a crítica do PSTU à
UNE? Tendo em vista que eles saíram da UNE há poucos anos atrás
(2005) - e não fazem autocrítica disto! - a crítica não deve ser
muito grande...
O
velho movimento estudantil da UNE (PT/PCdoB/PSOL/PCR etc.)
Afinal,
o que a UNE fazia até 2005 (para manter o PSTU dentro de sua
estrutura) e deixou de fazer nestes últimos 4 anos? Tem alguma
diferença da prática da UNE de 5 anos atrás para hoje?
Absolutamente não existe diferença alguma. Em verdade, desde os anos 80, com os
acordos PT-PCdoB na diretoria da entidade e o embarque na onda
da suposta “redemocratização” do país, a UNE tem sido coerente
em sua política conciliadora, pelega e entreguista.
Desde
então, o papel da UNE tem sido o de frear a luta estudantil, de
iludir as massas estudantis com falsas promessas e de canalizar
a rebeldia da juventude para seus projetos parlamentares e
eleitoreiros cretinos – como
UNE/UBES em
confraternização com Luiz Inácio
foram
as campanhas pró-Lula.
A
única mudança que aconteceu na UNE nas últimas décadas foi a
passagem da condição de oposição oficial aos governos (até 2002)
para entidade integrante do governo Lula, transformando-se
também em agência do próprio Estado Brasileiro.
Acontece que com a vitória de Lula em 2003 a política serviçal
da UNE ficou escancarada e progressivamente as massas estudantis
aumentaram seu repúdio à entidade. Com o crescente descrédito da
UNE pelos estudantes em luta, algumas organizações e partidos
eleitoreiros e oportunistas se viram na condição de romper com a
UNE sob pena de serem atropelados pelos estudantes.
Foi
neste processo que um punhado de organizações, que hoje
constroem o congresso nacional dos estudantes, se desfiliaram da
UNE.
O
novo que nasce velho
Entretanto, várias das correntes que se desfiliaram da
UNE (ou seja, deixaram de participar de Congressos) continuaram
com a mesma e velha prática que levou a UNE a ser o que é hoje:
a prática do caminho eleitoreiro e conciliador.
Ora,
a UNE é o que é hoje, não por um acaso misterioso e
inexplicável, mas por uma concepção que vem aplicando que é o de
seguir a via eleitoral como estratégia de mudança social. Da
mesma forma, a UNE era uma legítima representante dos estudantes
e apoiadora da luta popular e revolucionária na década de 60 e
70, por uma concepção que tinha: que era a da negação da via
eleitoral e afirmação do caminho da luta popular e
revolucionária pela destruição do Estado como única forma de
transformação.
Os
oportunistas que dizem hoje serem defensores do novo movimento
estudantil, nada mais fazem do que a mesma prática da UNE nestas
últimas décadas, quando fora do governo: lutam para acumular
eleitoralmente – desgastar o governo de plantão e propor o seu
candidato como solução. Por mais que neguem, na prática é isto
que realizam.
Na
própria convocatória do congresso se faz uma louvação ao velho
movimento estudantil afirmando, como se se tratasse de algo
positivo, que “episódios como o Fora Collor estão marcados na
memória do povo brasileiro”. Ora, o que foi o “Fora Collor”? Uma
campanha patrocinada pela Rede Globo e demais monopólios de
imprensa para retirar da gerência do país um elemento
extremamente desgastado e propagar a idéia de que democracia
significa a possibilidade de colocar e retirar governantes no
Estado burguês-latifundiário.
De
que serviu o “Fora Collor”, tirado como exemplo de prática do
movimento estudantil por estes organizadores do “congresso
nacional dos estudantes”? Apenas para alimentar a ilusão no povo
brasileiro de que a mudança social virá a partir da troca de
governantes deste velho e podre Estado.
Todo
o passado destes oportunistas que encabeçam a construção deste
congresso, desde a participação recente na UNE, passando pelas
campanhas reformistas do “fora Collor”, “Fora FHC”, pelas
campanhas de Lula (cujo PSTU apoiou também no segundo turno de
2002), até sua prática legalista e pacifista dos dias de hoje,
atestam que o “novo movimento estudantil” prometido não passa do
mesmo e ensebado velho movimento estudantil.
Velho
movimento estudantil da mendicância de voto de dois em dois
anos, da prática carreirista de seus militantes – que fazem
movimento estudantil visando seguir carreira de político oficial
no Estado brasileiro. Velho movimento estudantil do respeito às
leis, da burocracia, dos acordos e da pelegagem.
Abaixo o oportunismo! O novo movimento estudantil se constrói
nas lutas
Assembléia na
Ocupação daUSP
O
novo movimento estudantil só pode ser construído a partir das
lutas em defesa do ensino público e gratuito, no embate direto
com o governo FMI-Lula e demais oportunistas, e na defesa e
participação ativa na Revolução Brasileira.
A
onda de ocupações de reitoria que sacudiu o país em 2007 e 2008
faz parte do novo movimento estudantil. Foram lutas combativas
contra a privatização e o desmonte do ensino público que se
deram de forma independente do Estado, de governos e reitorias e
no embate com oportunistas dentro do movimento.
O
PSTU agora quer capitalizar estas lutas que se deram por fora e
contra a UNE como se estivessem de acordo com o que propõem,
enquanto na verdade são práticas bem distintas. Exemplo foi o
que aconteceu na Ocupação da USP em 2007, quando os estudantes
ficaram 51 dias no prédio da reitoria, enfrentando a repressão
policial e perseguições administrativas. Já no final da ocupação
o pstu, que votou várias vezes pela desocupação, convocou uma
“plenária nacional” lá, dando a entender que tinha participado e
construído todo o processo, enquanto na verdade foram
verdadeiros traidores.
A
postura destes oportunistas que encabeçam a construção deste
congresso nacional dos estudantes é a da famosa posição
centrista – nunca se colocam frontalmente contra o Estado;
dizem algumas palavras contra, mas na prática dão as mãos para
os inimigos. Ou não é verdade que o PSTU passou todos estes anos
brigando pela unidade com a UNE/UBES, CUT, Força Sindical e
demais entidades fundidas com o velho Estado Brasileiro,
controladas de cima a baixo por oportunistas que estão no
governo?
Evocaram gritos histéricos pela necessidade da “unidade” com
setores que não só apóiam, mas fazem parte do governo FMI-Lula.
Chegaram mesmo a escrever “Carta aberta” em defesa da unidade da
“esquerda brasileira”, onde se referem à CUT (dirigida pelo PT)
e demais entidades governistas, que são dirigidas pelos mesmo
partidos que controlam UNE e UBES, afirmando que “não
há nenhuma justificativa para que não se somem todas as forças
da esquerda brasileira”.
Denominando setores do governo de
“esquerda brasileira” este pretenso “novo movimento estudantil”
participou de várias manifestações conjuntas com a UNE, UBES,
CUT (PT), Força Sindical (PDT), Intersindical (PSOL), CTB (PCdoB-PSB)
UGT (PMDB) etc. Uma destas manifestações, realizadas no dia 30
de março deste ano, recebeu inclusive uma avaliação do
presidente nacional do pstu:
“acho
importante destacar a unidade na ação que se construiu. Apesar
das diferenças entre as centrais sindicais, a unidade foi
importante, justamente para assegurar a vitória dessas
mobilizações...”.
Como não
classificar este “novo movimento estudantil” como VELHO e
condená-lo necessariamente ao fracasso?
Aumentar o
protesto, forjar o novo movimento estudantil
As inúmeras
lutas combativas que percorrem as escolas e universidades no
país dão conta de que o novo movimento estudantil vem se
forjando cada vez mais. Os protestos contra a “reforma”
universitária do Banco Mundial, as dezenas de ocupações de
reitoria em resistência ao REUNI, as lutas localizadas dos
secundaristas pelo direito ao passe-livre revelam que o
movimento estudantil independente e combativo desenvolve-se
progressivamente.
As condições
ainda são difíceis devido ao predomino do oportunismo na direção
do movimento estudantil. Entretanto, o avanço das lutas das
massas fará ruir o oportunismo e florescer uma direção
conseqüente no movimento estudantil brasileiro.
Mais à frente,
com maior consolidação do movimento estudantil independente e
combativo, será possível aos estudantes brasileiros construir
novamente uma entidade nacional. A formação de uma federação de
âmbito nacional dos estudantes necessita ainda de um maior
acúmulo, principalmente, de uma direção revolucionária no
movimento estudantil.
Abaixo o oportunismo!
Viva o movimento estudantil
independente, combativo e rebelde!