Por uma avaliação de verdade:
boicotar o ENADE!
Documento da Executiva Mineira dos
Estudantes de Pedagogia
Executiva Mineira dos Estudantes
de Pedagogia - Gestão 2008/2009.
A Executiva Mineira dos Estudantes de Pedagogia - ExMEPe, de
acordo com a resolução tomada na plenária final do 28º ENEPe –
Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia em Vitória - ES,
que contou com a participação de 500 estudantes de diversas
regiões do país, está organizando uma campanha nacional de
boicote ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - ENADE,
que é parte constitutiva do Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior - SINAES.
No curso de
Pedagogia há um grande debate em torno da avaliação educacional,
sua concepção e seus métodos. Em varias instituições de ensino
superior (IES) há, inclusive, disciplinas específicas a este
respeito. Nos diversos momentos em que debatemos sobre a
avaliação durante as aulas, alguns conceitos de tão aceitos e
difundidos já se transformaram em senso comum, tais como: “a
avaliação deve ser processual”, “tem de respeitar o tempo e as
diferenças do indivíduo”, “tem que se planejada e desenvolvida
coletivamente pelo conjunto dos educadores”, etc. No entanto, o
ENADE, que é parte do SINAES, não cumpre qualquer destes
requisitos, pelo contrário, expressa uma concepção completamente
oposta aquela defendia nos cursos de Pedagogia como uma prática
crítica da avaliação. Por que isto ocorre?
Isto ocorre
porque o ENADE é parte da “reforma” universitária imposta pelo
atual governo. Essa "Reforma" institucionaliza uma pseudo
“autonomia financeira” que atribui ao Estado o papel de mero
REGULADOR da educação superior pública, retirando-lhe a
responsabilidade de atuar como PROVEDOR e MANTENDEDOR da mesma.
Ou seja, esta autonomia significa, na realidade, que as verbas
públicas deixam de ser exclusividade das universidades públicas
e o capital nacional e internacional passam a poder "investir",
ou melhor, usar as universidades públicas para fins de mercado.
O PL
7.200/06 que institui a “reforma” universitária e está em
tramitação no Congresso, prevê a possibilidade de investimento
de até 30% de capital estrangeiro nas universidades públicas,
através de ações com direito a voto nas instituições, ou seja, a
“reforma” universitária permite que o capital estrangeiro
administre diretamente até 30% das universidades públicas
brasileiras. Isto sem contar as formas indiretas como o capital
já exerce seu controle sob as universidades públicas, através da
presença de Fundações Privadas, Parcerias Público-Privadas com
Transnacionais, corrupção de dirigentes, etc.
O
ENADE/SINAES, que assim como as demais medidas da “reforma” foi
aprovado de forma antidemocrática, por meio de medida
provisória, está inserido neste mesmo contexto de desmonte da
educação superior pública e de favorecimento ao setor privado
nacional e internacional. O ENADE/SINAES estabelece uma fictícia
e perigosa equiparação entre as instituições públicas e
privadas, gerando competição entre as instituições de ensino e
entre seus alunos. O MEC diz não promover este ranqueamento, mas
os dados que ele "ingenuamente" disponibiliza após o ENADE
tornam possível uma disputa imediata.
Algumas
instituições como UCG – Universidade Católica de Goiás chega ao
absurdo de promover cursinhos preparatórios para o ENADE/SINAES.
Além disso, visto que as verbas públicas, com a implementação da
"Reforma" Universitária, deixam de ser exclusividade das
Universidades Públicas, o ranking torna-se necessário para a
seleção e distribuição das verbas entre as públicas e
particulares e é justamente por este motivo que o ENADE/SINAES
avalia as instituições públicas e privadas.
Outro
prejuízo a educação pública proveniente do ENADE/SINAES é o
desrespeito às particularidades das diversas regiões do país e
instituições de ensino, promovido pela imposição de um “provão”
único, modelado a partir das demandas do mercado que exerce sua
hegemonia através da Comissão
Nacional de Avaliação da Educação Superior – CONAES, instancia
máxima de deliberação a respeito da avaliação do ensino superior
que, para se ter uma idéia, tem como representantes dos
estudantes a UNE- União Nacional dos Estudantes, entidade
oficialmente deslegitimada pelos estudantes de Pedagogia, devido
a sua pública vinculação com o governo, particularmente com o PT
e PCdoB.
O processo
de avaliação preconizado pelo ENADE/SINAES é tão falido que o
governo teve de impor a ilegal obrigatoriedade do mesmo aos
estudantes, enquanto um componente curricular obrigatório. Por
que ilegal? Porque ao estudante se matricular, seja numa IES
pública ou privada este está, sem ser informado, obrigado a
fazer uma prova que não consta, oficialmente, em seu currículo.
Por que obrigado? Porque se o aluno não comparecer para fazer o
ENADE/SINAES este pode ser impedido de se formar!!!
Por todos
estes motivos consideramos que o SINAES/ENADE, ao invés de
apontar as fraquezas do ensino superior visando a busca de
soluções para os problemas enfrentados pelas IES, avalia-o para
premiar e punir. Entendemos que uma avaliação de verdade deve
ser formativa e emancipadora e não maqueadora da realidade,
ocultando os problemas para que o governo não tenha que arcar
com a responsabilidade do total descaso a que foram relegadas as
universidades públicas nas últimas décadas, atribuindo a falta
de qualidade apenas às instituições.
ZERAR A
PROVA DO ENADE!!!
A ExMEPe
decidiu organizar neste ano o BOICOTE ao ENADE/SINAES, como
uma forma coletiva de resistência à esse modelo antidemocrático
de avaliação. Convocamos todos os estudantes de Pedagogia a
tirarem ZERO NA PROVA. O que significa compareceremos no dia
da prova, assinarmos nosso nome e não preencheremos nenhuma das
perguntas.
Zerar a
prova é importante para demonstrarmos nosso repúdio ao ENADE.
Segundo a lei, o ENADE passa a ser "componente curricular
obrigatório". Por isso, é importante que todos compareçam no dia
da prova e ZEREM! A nota individual do aluno não será publicada
e nem constará no diploma. A que será publicada é a nota geral
do curso. No diploma só constará a data de realização da prova.
PELO ZERO NO ENADE! POR UMA
AVALIAÇÃO DE VERDADE!
DERROTAR A REFORMA UNIVERSITÁRIA
DO BANCO MUNDIAL/LULA!