Companheiras e companheiros,
Este
tem sido um ano ímpar para a luta dos estudantes de Pedagogia.
Desde o início do ano, a partir do momento em que o CNE
tornou público seu projeto de resolução
para as DCN’s do curso de Pedagogia, os estudantes imediatamente
se levantaram em manifestações, assembléias
e atos em todas as partes do Brasil. Os intensos debates, paralisação
das aulas e protestos
diversos marcaram o movimento da Pedagogia neste semestre e
foram impulsionados diretamente pela realização
do FONEPe – Fórum Nacional de Entidades
de Pedagogia, que contou com a participação de
nove estados e definiu clara posição de
combate ao projeto de resolução do CNE. Belo Horizonte
e Montes Claros (MG), Curitiba e Ponta Grossa (PR), Rio de Janeiro
e Niterói (RJ), Goiânia (GO), Brasília (DF),
Belém e Conceição do Araguaia (PA), Natal
(RN) dentre várias outras cidades, reuniram estudantes
das universidades públicas e particulares nesta luta
e fizeram com que o próprio CNE recuasse em sua ofensiva
contra a Pedagogia.
Deixamos
claro nosso recado: não aceitaremos esta resolução
e lutaremos até conquistarmos diretrizes que definam
pela formação científica e valorização
do profissional pedagogo.
É
neste momento de aguda luta em defesa da cientificidade na formação
do pedagogo, de resistência aos ataques do governo à
educação pública brasileira, que realizaremos
o 25 ENEPe, com o tema Quemeducaquem: por uma educação
que sirva ao povo. Nosso Encontro Nacional cumprirá
um papel decisivo para impulsionarmos nacionalmente as mobilizações,
não só para derrotarmos o projeto de resolução
do CNE, mas para unificarmos a luta pela implementação
das diretrizes que nós queremos. A principal tarefa do
Movimento Estudantil da Pedagogia hoje é construir essas
Diretrizes Curriculares da forma mais ampla e democrática
possível, aprovando-as no 25º ENEPe, para colocá-las
depois em debate com as demais entidades que discutem o tema.
Temos a possibilidade de fazer aprovar as Diretrizes Curriculares
Nacionais construídas historicamente pelos setores progressistas
no campo da educação. Essa é uma grande
e histórica tarefa! A mobilização nacional
dos estudantes ocorrida neste semestre, nos dá a certeza
de que conseguiremos realizá-la!
O projeto de resolução
defendido pelo CNE teve imediato repúdio dos estudantes
e professores progressistas por seu descarado caráter
anticientífico, que reduz a formação do
cientista da educação ao tecnicismo, fragmentando
o conhecimento e voltando-a para o mercado. Para o CNE, o pedagogo
é o profissional habilitado para atuar no magistério
das séries iniciais do Ensino Fundamental e na Educação
Infantil, ponto final.
O que está em jogo com
essa resolução não é somente o futuro
de uma profissão, mas a qualidade da educação
pública brasileira, particularmente a básica,
que é o campo privilegiado de atuação dos
pedagogos. Ter um profissional crítico, que tenha a educação
como objeto de estudo e pesquisa, representa uma pedra no caminho
do governo. O que eles querem é transformar os pedagogos
em professores com uma formação pragmática
e acrítica, a fim de fazer passar com mais tranqüilidade
suas políticas educacionais anti-povo, como a “aprovação
automática”, a “reforma” universitária,
dentre outras.
Como bem fundamentou o documento
elaborado pelo VI FONEPe, “este Projeto de Resolução
tem, no entendimento deste Fórum, uma relação
estreita com a ”Reforma” Universitária do
governo Lula/Banco Mundial. (...) A “Reforma” Universitária
fragmenta a formação superior de professores,
dissociando a licenciatura do bacharelado e colocando como locus
principal da formação dos especialistas os Cursos
de Especialização, atacando uma vez mais o princípio
constitucional de indissociabilidade entre ensino, pesquisa
e extensão, já relegado a segundo plano atualmente.
Preocupa-nos, particularmente, o fato de que no anteprojeto
da “Reforma” Universitária do MEC a gratuidade
é garantida apenas a nível de graduação
e que via Medida Provisória o MEC legalizou a atuação
de Fundações de Direito Privado, que vão
lucrar rios de dinheiro com os cursos pagos. Esse projeto de
resolução é, portanto, uma parte do todo
intitulado “Reforma” Universitária e não
pode ser considerado fora deste contexto.” (ver documento
na íntegra na página www.exmepe.com.br).
A luta que estamos desenvolvendo
está cumprindo um papel fundamental: o de resistir não
somente ao fim do profissional pedagogo, mas à “Reforma”
Universitária do governo Lula/ Banco Mundial. Derrotar
a resolução do CNE / MEC e implantar as Diretrizes
que os estudantes e toda a comunidade acadêmica progressista
defendem, significará uma gigantesca vitória e
dará exemplo a todos os estudantes dos demais cursos
de que é possível barrar a implementação
da “Reforma” privatizante com luta e organização.
No dia 07 de junho o CNE realizou
no prédio do MEC, em Brasília, uma Audiência
com as entidades ANFOPE, ANPED, FORUNDIR e CEDES (é claro,
por seu caráter antidemocrático não abriu
para a participação dos estudantes). Mesmo sendo
proibidos de entrar, os estudantes (vindos de Goiânia,
Brasília, Belo Horizonte e Curitiba) protestaram no saguão
do MEC, com faixas e cartazes, contra a resolução
do CNE. Preocupados com a repercussão que tal manifestação
poderia causar, membros do Conselho foram obrigados a descer
e escutar os estudantes. Sem conseguir sustentar sua posição,
o CNE recuou a ponto de dizer que não existia mais resolução,
que eles iriam retirá-la da Internet, que o Presidente
do Conselho nem tinha conhecimento da mesma (ao ser questionado
como o Presidente teria assinado algo que supostamente não
conhecia, o Conselheiro mudou de assunto).
Ficou aí comprovada nossa
vitória sobre o CNE, grande vitória dos estudantes
e professores democráticos sobre a política privatista
e antidemocrática do CNE / MEC (lembremos que a resolução
foi aprovada pelo Conselho Pleno e assinada por seu Presidente
sem parecer prévio, sendo dados inicialmente 30 dias
para “sugestões” via e-mail!). Ou seja, não
conseguiram aprovar sua resolução com a truculência
que pretendiam! Esse recuo não significa, entretanto,
que o governo desistiu de aprovar a resolução.
Devemos agora, aproveitar ao máximo esse momento para
mobilizarmos ainda mais, exigir mais do governo. Queremos não
só a derrota desta resolução, mas a aprovação
da nossa, que aprovaremos no 25º ENEPe, e não descansaremos
enquanto isso não se concretizar! Se abre com a luta
um período de grandes perspectivas e possibilidades para
o movimento da pedagogia e será com a continuidade e
persistência na luta que alcançaremos maiores vitórias.
Não nos enganaremos com as demagogias do governo; prosseguiremos
vigilantes e ativos na defesa da educação pública
e gratuita e da formação científica do
pedagogo.
20 de Junho de
2005