Universidade
Braz Cubas, Mogi das Cruzes- SP, suspende alunos bolsistas
por participarem de atos contra fraudes nas eleições do DCE
Nessa última
semana - 17/11 a 21/11, na Universidade Braz Cubas, em Mogi
das Cruzes, ocorreram eleições para o DCE. Insatisfeitos com
as inúmeras fraudes ocasionadas pela chapa 1 (ligada ao
vereador Mauro Araújo, do PSDB), vários alunos se
organizaram e fizeram atos pacíficos no interior da
universidade, com batucadas de maracatu, apitaço, gritos de
guerra e etc, com o apoio da grande maioria dos alunos.
Ironicamente, aqueles que foram considerados líderes (os
nomes estão no fim do texto), foram filmados na manifestação
e surpreendidos com telegramas avisando da suspensão, além
de terem seus nomes expostos nos murais. A suspensão chega a
17 dias, e uma vez suspensos, serão impossibilitados de
realizar as provas (já que é semana de prova) e aqueles que
têm problemas com falta, podem perder o ano.
Tudo começou com
as fraudes, antes mesmo das eleições. A chapa 1 (situação no
DCE há mais de 7 anos, nos quais não realizaram nenhuma
eleição, que deveria ser a cada 2 anos) decidiu que haveria
apenas um dia para fazer campanha e que no dia seguinte já
seria a votação. Controlavam completamente a comissão
eleitoral e não permitiram aos alunos da chapa 2 participar
dela.
O apoio dos
alunos à chapa de oposição (chapa 2) era (é) nítido, pois
seus integrantes fizeram questão de conversar com os alunos
para explicar o que é o DCE, para que serve e etc. e o papel
do movimento estudantil na luta contra o aumento das
mensalidades. Na votação, os mesários eram somente pessoas
ligadas à chapa 1 (um deles assessora do tal vereador), a
cédula não foi numerada, vários alunos vieram falar que a
chapa 1 oferecia mais de uma cédula, caso votassem nela.
Foram vistas pessoas introduzindo maços de cédulas nas
urnas. Os fiscais da chapa 2 foram impedidos de entrar nas
salas de votação, enquanto os fiscais da chapa 1 e
seguranças ficavam dentro das salas.
A UBC é dividida
em dois campi principais, um fica longe do outro. O Campi de
Direito é mais próximo do centro. A apuração foi marcada
para acontecer no campi 1, portanto a urna do Campi de
direito teria que ser transportada até lá. Dado o fim da
votação, a urna seria lacrada e os representantes das chapas
assinariam um documento. Acontece que a representante da
chapa de oposição não pôde assinar o tal documento, tampouco
acompanhar o transporte da urna (os integrantes da chapa 1
não deixaram e agiram de forma truculenta, e transportaram a
urna sozinhos num carro).
Ao que tudo
indica, eles fraudaram essa urna também, visto que uma
fiscal da oposição verificou que a urna chegou ao local de
apuração com o lacre alterado. Havia um clamor para que a
apuração fosse pública, mas eles levaram para uma sala
isolada e obrigaram a apuração a ocorrer em fechado, com
seguranças na porta. Os integrantes da chapa 1 e os
seguranças intimidaram observadores da sociedade civil –
associações e sindicatos, que ali estavam para acompanhar o
processo.
No fim das
contas eles – da chapa 1 - ganharam com aproximadamente 50
votos de diferença. O problema é que a UBC é uma
universidade privada, e goza de certas regalias judiciais
que uma universidade pública não tem, portanto é muito fácil
para a faculdade reprimir os alunos e ficar tudo por isso
mesmo.
A reitoria
desencadeou uma perseguição contra estudantes, que já atinge
nove estudantes, mas a lista pode crescer. Demais estudantes
relataram sofrer intimidações de membros da Chapa 1 e
seguranças, que dizem ter filmado e fotografado pessoas.
Igualmente, membros da sociedade civil e comunidade
universitária que estiveram presentes nas eleições para
acompanhar o processo sofreram intimidações por parte dos
serviços internos de segurança da universidade.
Os estudantes e
a comunidade exigem que as punições sejam revertidas e que
sejam amplamente denunciados à sociedade civil estes abusos
de autoridade, inconstitucionais e que mais se assemelham às
atitudes da ditadura militar.
O movimento
estudantil marcou nova manifestação pela reversão das
punições e por novas eleições no DCE. Pedimos apoio e
solidariedade aos estudantes punidos injustamente e de forma
inconstitucional. Entrem em contato conosco.
Nome dos alunos
suspensos:
FERNANDA NAOMI
YAKURA
JUAN FELIPE
SANTIAGO
MOISÉS DA SILVA
SANTOS
RENAN FERNANDO
DE CASTRO
JOSÉ ORLANDO DA
SILVA JÚNIOR
JOSÉ REIS
SANTANA MENES
FABIANA MENDES
RANGEL
THAÍS LEMES
TRISTÃO
CARLA MENEZES
SILVÉRIO
Observação: mais
alunos podem entrar para essa lista.
Para apoio ao
movimento, entre em contato:
oinomedvive@yahoo.com.br
Movimento
Estudantil Mogi das Cruzes