Estudantes de Recife se levantam contra aumento de passagens

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Ativistas bloquearam por sete horas as principais vias de acesso ao centro comercial e financeiro do Recife em protesto contra o aumento de 9,55% nas pasagens de ônibus no Estado. Houve confronto e cerca de dez manifestantes foram presos.

O centro do Recife parou por mais de sete horas após manifestantes contrários ao aumento de 9,55% nas passagens de ônibus, anunciadas no último dia 11 e em vigor desde o último domingo. Os manifestantes bloquearam as principais vias de acesso ao centro comercial e financeiro da cidade por volta das 15h de ontem (17) reivindicando o cancelamento do aumento e a implementação do Passe Livre para estudantes e desempregados. Somente às 20h a avenida Conde da Boa Vista foi desocupada, mas as demais vias de acesso, avenida Guararapes, rua da Aurora, e avenida Cruz Cabugá, também foram bloqueadas. Houve confronto com a polícia e a Tropa de Choque, resultando na prisão de cerca de dez ativistas.

Somente às 19h representantes da Empresa Metropolitana de Transporte Urbano do Recife (EMTU/Recife) se reuniram com uma comissão composta por sete integrantes da manifestação, representantes dos diversos segmentos presentes. Na reunião, que durou cerca de uma hora, nada foi definido. A comissão dos manifestantes apresentou uma pauta de reivindicações exigindo, principalmente, a diminuição de 20% nas tarifas.

E enquanto o movimento dispersava na avenida Conde da Boa Vista, outros grupos continuaram os protestos em outros pontos do centro e até os limites da cidade com a vizinha Olinda. Ônibus foram pichados com palavras de ordem, seus vidros foram quebrados e seus pneus esvaziados pela multidão. A multidão gritava "se a passagem não abaixar, a catraca eu vou pular" e "se a passagem não baixar, o Recife vai parar". No fim, o grupo já gritava "a passagem aumentou e o Recife já parou".

Em resposta às ações, novas equipes da Tropa de Choque foram acionadas e, por volta das 21h, houve confronto direto com a polícia. Nenhum dos policiais apresentava identificação. Descentralizados, os ativistas driblaram diversas vezes o bloqueio policial. Os jovens demonstraram organização, mesmo muitos tendo se conhecido no momento dos protestos.

Com este aumento, o segundo do ano, as passagens passariam para R$ 1,65 (anel A) e R$ 2,50 (anel B), um acréscimo de quase 25%, que não acompanha a progressão da renda do trabalhador do Estado.

De acordo com informações de ativistas contra o aumento das passagens e pelo Passe-Livre em Pernambuco, as autoridades do Estado decidiram ressuscitar o Ato Institucional nº 5 no Recife. Em uma medida inédita, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) decidiu na sexta-feira (18) que todo manifestante que for detido durante protestos contra o aumento de passagens será preso e não será liberado em seguida. Já o comando da Polícia Militar informou na noite de sexta que irá dispersar e deter qualquer grupo suspeito de estar organizando uma manifestação nos próximos dias. Em resposta, alguns manifestantes já planejam fazer greve de fome na próxima semana. Outra medida que já foi tomada pela polícia é o confisco de equipamento de foto e vídeo dos que não tiverem identificação de imprensa. A própria polícia, no entanto, se valeu de câmeras digitais para fotografar manifestantes e prendê-los em emboscadas.

Ainda na sexta, as ruas do Recife foram tomadas novamente pela revolta, no segundo dia de protestos contra o aumento de 9,55% nas tarifas de ônibus de Pernambuco, em vigor desde o último domingo (13). Dessa vez, as manifestações começaram ainda pela manhã e se estenderam por cerca de doze horas. Ao todo 50 ônibus foram destruídos e 30 manifestantes foram presos. Dessa vez, além de exigirem a diminuição em 20% das passagens, os integrantes da passeata passaram a reivindicar o Passe-Livre estudantil, pichando nos ônibus a frase "redução é pouco, passe-livre já".

Confirmando informações colhidas ainda na quinta-feira junto à própria polícia, a Tropa de Choque agiu com mais truculência, despejando seu arsenal de bombas de efeito moral nos ativistas e prendendo transeuntes a esmo. Dois voluntários do CMI-Recife foram detidos enquanto faziam a cobertura do movimento. Repórteres independentes de outros veículos também foram presos e outros ainda foram ameaçados. Pessoas que tiravam fotos com celulares equipados com câmeras digitais tiveram seus equipamentos apreendidos pela polícia. Os protestos começaram por volta das 10h30 em frente ao Ginásio Pernambucano, no centro do Recife.

 

 
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