Nota
de Repúdio
Campanha
difamatória perpetrada por “IstoÉ” contra movimento camponês
tem por objetivo justificar massacres contra o povo
Na
última semana a revista “IstoÉ” publicou matéria
sensacionalista acusando o Movimento Estudantil Popular
Revolucionário - MEPR de ser uma organização que
“arregimenta” “jovens da classe média do movimento
estudantil” para uma suposta guerrilha desenvolvida pela Liga
dos Camponeses Pobres - LCP a qual acusa de ser
“clandestina”, treinar homens armados e promover
assassinatos de dezenas de pessoas em Rondônia.
Em
primeiro lugar, repudiamos essas afirmações mentirosas e
provocadoras que visam a criminalização de nosso movimento,
desinformar e confundir a opinião pública. O tom policialesco
das “reportagens” assinadas por Alan Rodrigues, bem nos
moldes dos relatórios da polícia política do regime militar
fascista que infelicitou o país em passado recente, destila seu
ódio de classe à liberdade de expressão, manifestação e
organização do povo. Para tal, lança todo tipo de acusações
covardes contra organizações populares, sem apresentar
qualquer prova, como ora faz contra a Liga dos Camponeses Pobres
de Rondônia, tratando seus membros por assassinos,
torturadores, etc. Aliás, pra este tipo de jornalismo podre não
se faz necessário provar nada, basta acusar e pontuar declarações
encomendadas e no mínimo suspeitas de gente encarregada de
assegurar os privilégios dos potentados como atestado de
veracidade.
As
provas são declarações de delegados de polícia encarregado
de pistolagem, latifundiários grileiros denunciados por várias
órgãos do próprio Estado, políticos corruptos e governador
do estado volta e meia envolvido em escândalos de corrupção.
Todos sabidamente membros das famílias poderosas, ou a seu
serviço, que dominam o estado de Rondônia. Umas poucas famílias
que controlam toda a economia, o comércio e os transportes,
inclusive o trafico de cocaína e armas, bem como a imprensa e a
política oficial da região e as principais instituições do
Estado. São grandes criadores de gado principalmente, donos das
grandes madeireiras e cultivadores de soja.
Já
no caso dos ataques ao MEPR bastou-se colher nas catacumbas da
ditadura militar-fascista – os sites “mídiasemmascara”,
“ternuma” e outros como o
do desprezível e desmascarado covarde torturador de
democratas e patriotas coronel Brilhante Ulstra – as imundices
ditas desde a criação do movimento em 2000.
Já
quanto ao pensamento, idéias, organização e métodos do MEPR,
estes estão expressos em nosso site mepr.org.br, no jornal
Estudantes do Povo e outros materiais programáticos amplamente
difundidos. O MEPR é um movimento estudantil independente que
organiza a luta nas universidades e escolas em defesa
intransigente da educação pública e gratuita. É um movimento
de caráter democrático-revolucionário, antifascista,
antifeudal e antiimperialista.
Entende
que as misérias e desgraças em que se afunda a sociedade
brasileira são conseqüências da condição
semicolonial-semifeudal a que o Brasil está submetido
secularmente. O capitalismo burocrático gerado e sustentado
pelo sistema imperialista se assenta na manutenção do monopólio
e concentração da propriedade da terra e na reprodução das
relações de dependência semicolonial do país. É esta condição
que tem mantido invariavelmente a sociedade brasileira afundada
na mais profunda desigualdade social, exploração e violência
sobre os trabalhadores e as massas populares da cidade e do
campo. Sistema e regimes mantidos secularmente pela grande
burguesia e latifundiários, serviçais do imperialismo,
principalmente o norte-americano.
O
MEPR defende em função desta compreensão que só a revolução
popular, como via política, é capaz de resolver as profundas
contradições econômicas, sociais, políticas e culturais que
opõem classe operária e burguesia, camponeses pobres e
latifundiários e nação brasileira e imperialismo. O que, de
forma geral, converge-se na contradição entre a imensa maioria
da nação e o capitalismo burocrático e seu velho Estado de
grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo.
A solução destas contradições passa inevitavelmente pela
liquidação do latifúndio através da democratização da
propriedade da terra, entregando a terra a quem nela trabalha.
Da mesma forma que todo o grande capital monopolista (nacional e
estrangeiro) deve ser concentrado no Estado Popular e eliminadas
todas as relações indecentes de subordinação ao
imperialismo. Toda a produção nacional, bem como todos os
recursos naturais deverão ser colocados para o bem estar da
imensa maioria da nação, as massas trabalhadoras da cidade e
do campo, os pequenos e médios proprietários e a serviço do
desenvolvimento da cultura e da ciência, do progresso geral da
nação e não mais para a apropriação, usufruto e privilégio
da minoria parasita de grandes burgueses, latifundiários e
transnacionais.
Mas,
a propósito, este ódio peçonhento, fascista e anticomunista
visceral lançado contra o MEPR por esse tipo de “imprensa”
não é novidade e tem sentido de ser dado os interesses de
classes exploradoras e pró-imperialistas que esta representa. O
MEPR não é como determinadas correntes políticas estudantis
filiadas a partidos que se auto proclamam socialistas e até
mesmo comunistas, partidos socialistas e comunistas de palavras
e de fato partidos eleitoreiros integrados por completo a este
velho Estado secularmente genocida e corrupto da cabeça aos pés.
O MEPR acredita e propaga que as transformações radicais e
mesmo quaisquer reformas progressistas em favor do nosso povo e
da independência e soberania de nosso país, só poderão ser
alcançadas através da luta combativa e revolucionária do povo
e da construção de verdadeiras organizações populares,
democráticas e independentes deste velho Estado. Ao contrário
de ditas correntes oportunistas, que desde o púlpito de ossos
do povo em que resume esse velho Estado, proclamam seu
“socialismo”, advogamos o caminho revolucionário cujos
meios de luta os definirão as massas em cada momento, pois só
as massas podem operar as grandes transformações sociais, são
elas e somente elas as que fazem a história.
Dessa
maneira nos colocamos total e incondicionalmente ao lado do povo
pobre e de todas suas lutas. Solidarizamos com a Liga dos
Camponeses Pobres e repudiamos essa campanha caluniosa e
bandidesca movida por esse tipo de “imprensa” como “Isto
É”, que em função da manutenção desse anacrônico sistema
de exploração e opressão, impera e monopoliza os meios de
comunicação no país. Apoiamos a LCP, pois ela é uma organização
de camponeses pobres que de forma corajosa e honrada lutam pela
terra enfrentando toda sorte de perseguições e violências
movidas pelo latifúndio, acobertado e auxiliado por órgãos
repressivos e judiciários do Estado.
O
objetivo dessa campanha de difamação é exatamente
criminalizar as organizações populares de luta para o Estado
reacionário e seus esbirros realizar perseguições políticas
contra as organizações populares e promover massacres contra o
povo pobre. Esta é uma história anunciada, pois secularmente
é vivida. O massacre em Corumbiara-Rondônia em 1995, onde
homens mulheres e até crianças foram assassinados foi
precedido de mesmo tipo de campanha na imprensa de Rondônia. O
massacre de Eldorado de Carajás-Pará, há exatamente 12 anos,
foi da mesma forma preparado e anunciado. E o que foi na história
Palmares, Canudos, Contestado, Caldeirão e Pau de Colher?
Canudos, uma povoação de camponeses pobres que alcançou um
alto nível de organização coletiva econômica e socialmente,
localizado no que à época não era mais que um remoto ponto no
sertão baiano, foi alvo de intensa campanha de difamação para
justificar e legitimar o oprobioso genocídio cometido pelo
nascente Exército Brasileiro. Campanha difamatória que
inclusive chegou ao delírio do absurdo de acusar que este era
um perigoso movimento pró-monarquia de resistência à “República”
recém “proclamada”. Vê-se que república proclamou-se no
país e como pouco ou nada se alterou até nossos dias.
A
Liga dos Camponeses Pobres é uma organização popular aberta
de luta pela terra que organiza camponeses para lutar por um
pedaço de terra, que faz manifestações públicas e que,
portanto, não tem nada de clandestina nem de guerrilheira.
Essas “reportagens”, que de jornalísticas não têm nada, são
pagas pelos latifundiários (grandes criadores de gado, grandes
empresas de soja e grandes madeireiras) que estão devastando a
floresta amazônica e enxergam nos camponeses pobres em luta o
obstáculo para a continuação e expansão de seus lucrativos
negócios. Os camponeses pobres, particularmente na região da
Amazônia, são hoje a única força ao lado das populações
indígenas e ribeirinhas capaz de ocupar e preservar aquele meio
geográfico e defender a soberania nacional contra a cobiça
imperialista, cujo controle e posse já atingiu níveis
calamitosos. E isto vem se dando de forma ilegal e legal, através
destes grandes “empreendimentos” e agora reforçados com a
lei de aluguel de florestas instituída pelo gerenciamento Lula.
Reafirmamos
aqui o nosso apoio e a mais irrestrita solidariedade à Liga dos
Camponeses Pobres e alertamos aos estudantes brasileiros, à
juventude brasileira e a todos os democratas e progressistas
sobre a reação que está em marcha contra os direitos do povo
já tão pisoteados.
Abaixo
a imprensa venal e fascista!
Abaixo
o monopólio dos meios de comunicação!
Pela
liberdade de expressão, manifestação e organização do povo!
Movimento
Estudantil Popular Revolucionário – MEPR
Coordenação
Nacional