UNE e o caminho reformista

 

A UNE, entidade que antes representava e dirigia a luta dos estudantes universitários no país, já de muito tempo entrou num caminho sem volta, afastou-se das lutas estudantis e chafurdou no pântano do oportunismo. O início deste caminho data da década de 80 e tem como norteador a estratégia de participação nas eleições.

Agora, com as eleições municipais, a UNE novamente reforça sua posição reformista e ilude a juventude chamando-a a votar, difundindo a mentira de que eleição é possibilidade de transformação. O mais novo documento da UNE que trata sobre eleições tem como título "A juventude quer mudanças".

 

Presidente da UNE cumprimenta seu patrão Luiz Inácio

A agência do governo dentro do movimento estudantil, a UNE, aprovou em seu último Conselho uma resolução sobre as eleições municipais em curso. Uma vez mais a UNE de hoje mostra-se como entidade antagônica à UNE dos anos 60 e 70.

Tomada pelo oportunismo do PT e pecedobê desde os anos 80, a UNE cumpre o nefasto papel de desviar a juventude do caminho revolucionário para afundá-la na vil disputa por cargos no velho Estado. Assim foi durante estas últimas 3 décadas com as campanhas “lula lá”, “fora fhc” e “fora collor” que, debaixo de um discurso aparentemente progressista e radical, propagandeou a ilusão de que a transformação da sociedade depende de se colocar ou retirar “governantes” do Estado.

Passar esta crença de que via eleição pode-se mudar alguma coisa é questão-chave para os exploradores,

pois assim se encobre o caráter de classe do Estado, passando a falsa conclusão de que este pode estar tanto a serviço de uma quanto de outra classe.

Esta ilusão de mudança por meio das eleições, ardorosamente defendida pela fauna oportunista no país, anestesiou as lutas e até hoje trás sérias conseqüências para o povo.

Foi precisamente este discurso, hegemônico no último período, que canalizou a revolta popular nos últimos anos para o jogo eleitoral e trouxe, é claro, sucessivas derrotas para o povo, com retirada acelerada de direitos, decréscimo da qualidade de vida e o estouro das privatizações que rifou todas as riquezas do país. Enquanto a UNE, CUT, PT, Pecedobê, além de outros, indicavam o caminho eleitoral como solução e, faziam, portanto, de todas as lutas um trampolim para sua promoção nas eleições, o imperialismo privatizou dezenas de empresas estatais: Vale do Rio Doce, Embraer, Embratel, CSN, RFF(Rede Ferroviária Federal), diversas estradas, Telesp, Usiminas, etc. etc. impulsionou o setor privado na educação e acelerou o desmonte de serviços públicos em geral.

O saldo do caminho dirigido pela UNE é somente de derrotas para os estudantes. Collor caiu e entrou Itamar, o que mudou? FHC terminou sua gerência e deu a vez a Luiz Inácio, projeto de 23 anos da autodenominada “esquerda”, e o que mudou? Não mudou nada. O governo das classes dominantes continuou intacto, aplicando todas as medidas contra o povo de que necessitava. Inclusive, foi Luiz Inácio quem conseguiu aprovar a “reforma” da previdência e aplicar várias partes da “reforma” universitária, medidas imperialistas que os gerentes anteriores não conseguiram.

A UNE da década de 60 e 70 sempre denunciou o caráter de classe do Estado. Além de dirigir as lutas estudantis, apontava que a luta principal era a luta pela destruição deste Estado. Assim, a UNE não iludia os estudantes com promessas eleitorais, mas indicava a revolução como único  caminho, prova disto são as dezenas de diretores e estudantes da entidade que foram para a luta armada.

Negando todo o passado de lutas da UNE, estes que hoje se organizam sob esta sigla, chamam a juventude para participar das eleições burguesas. Continuam, sendo os porta-vozes das classes dominantes dentro do movimento estudantil. Deixando a palavra com eles: “Nas próximas eleições, convocamos a juventude a participar ativamente, com propostas e mobilização, entendendo que os rumos do país estarão em disputa.” Nada muito diferente da propaganda da justiça eleitoral: “seu voto pode mudar seu futuro, o futuro da sua família e o da sua comunidade”.

Não por acaso é importante para o governo, e para todos comprometidos em manter esta sociedade, transmitir a idéia de que o povo, através do voto, está decidindo o futuro. Este é o momento de afirmarem a democracia que tanto alardeiam. Uma falsa democracia, pois na prática o povo não está decidindo nada. A própria estrutura do sistema eleitoral e deste Estado permite sempre o favorecimento das classes opressoras. Quem irá ganhar em cada cidade senão os que injetarem mais dinheiro, ou seja,  os que forem escolhidos por banqueiros, latifundiários, e grandes capitalistas?

Além de toda a corrupção envolvida no processo eleitoral há que se ressaltar que para se transformar profundamente a realidade, para se construir uma nova sociedade, é necessário não ocupar os cargos deste Estado que esta aí, mas precisamente destruí-lo, quebrá-lo.

Retomando Marx e Engels, os dois fundadores do socialismo científico, reproduzimos trechos de suas obras que tratam do assunto:

“a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina de Estado montada e pô-la em movimento para os seus objetivos próprios". (Marx e Engels no prefácio de 1872 do Manifesto do Partido Comunista)

“...Afirmo que a revolução em França deve tentar, antes de tudo, não passar para outras mãos a máquina burocrática e militar – como se tem feito até aqui – mas quebrá-la. Eis a condição preliminar para qualquer revolução popular do continente. Eis também o que tentaram os nossos heróicos camaradas de Paris.” (Marx em carta a Kugelmann datada de 12 de abril

Abaixo a UNE governista, oficial, pelega e reformista!

Eleição, não! Revolução, sim!

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