Estudantes protestam contra
corrupção na reitoria da UNIFESP e são tachados de bandidos pelo
monopólio de imprensa
Na madrugada
de sábado, 14 de junho, dezenas de estudantes invadiram o prédio
da reitoria da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – e
quebraram os pertences do prédio.
O monopólio
de imprensa e alguns sítios e blogs de reacionários de plantão
logo tacharam os estudantes de bandidos e criminosos pelo
‘grande prejuízo causado’. Curioso é que se “esquecem” de contar
o prejuízo causado pelas reitorias corruptas títeres do MEC e do
Banco Mundial que roubam dinheiro público incansavelmente, além
de instalarem Fundações Privadas para regularizar oficialmente o
furto de verbas públicas.
Sobre o
processo de privatização ilegal que acontece na UNIFESP a
imprensa reacionária não só não alardeia como está fazendo com o
protesto estudantil como simplesmente abafa, não fala nada. A
FAp-UNIFESP (Fundação de Apoio à Universidade Federal de São
Paulo) já controla pelo menos 98 cursos pagos e 40 convênios com
a iniciativa privada. O que é falado sobre isto, que é um
verdadeiro escândalo de privatização escancarada de nossa
Universidade?! Não falta reacionário para caracterizar os
estudantes de baderneiros, sob o pretexto de serem os maiores
defensores da educação; mas não tem um sequer destes senhores
que tanto odeiam o movimento estudantil que denuncia as ações
privatistas do Estado Brasileiro para com a Universidade
Pública.
Estes
reacionários que agora correm para criminalizar os estudantes da
UNIFESP são incoerentes até mesmo na lógica que utilizam. Bradam
com histeria o ‘prejuízo’ causado pelos estudantes à
Universidade, mas se o problema é este por que então não dedicam
muito mais linhas ao reitor da UNIFESP que conseguiu gastar R$12
mil em gastos pessoais com seu cartão corporativo? Por que o
monopólio dos meios de comunicação não propagandeia com tanta
intensidade os R$178 milhões de reais que a reitoria deixou de
prestar contas só no ano de 2005?
Se a lógica
é esta deveriam falar do relatório da Controladoria Geral da
União que apontou 27 irregularidades no ano de 2005 e mais 67 no
ano de 2006. O relatório aponta problemas em vários pontos,
entre eles:
-
Gastos
acima do valor das diárias devidas em viagens ao exterior,
por meio de cartão de pagamentos
-
Imóveis
utilizados comercialmente por terceiros ou sem utilização
-
Risco
potencial de sobrepreço
-
Obstaculização aos trabalhos da auditoria
-
Riscos
de favorecimento em processos de dispensa de licitação
-
Omissão
na apresentação de documentos à Controladoria Regional da
União em São Paulo
Ou seja,
está claro que aqueles que agora criminalizam os estudantes por
terem protestado contra a corrupção instalada na reitoria não o
fazem com intuito de defenderem a Universidade; aliás, pelo
contrário, estes estão comprometidos com a privatização da
Universidade e só fazem uma ou outra denúncia de corrupção para
fingir que são democráticos. Ainda, estes escândalos que por
vezes estouram na mídia são muitas vezes o menor dos crimes
cometidos dentro da Universidade Pública. Jamais denunciam, por
exemplo, a entrega das pesquisas científicas para as mãos do
imperialismo, servindo grandes indústrias em detrimento dos
interesses da nação e do povo.
É evidente
que o Reitor da UNIFESP, Ulysses Fagundes, é um grande pilantra
que mama no dinheiro público. Ele e toda a reitoria que responde
por estas irregularidades com uso de verba pública. Isto sim é
crime. Cobrar por cursos dentro da Universidade Pública é crime.
Repassar verbas para Fundações Privadas é crime. Alimentar os
interesses do capital com pesquisas públicas é crime. Destruir o
ensino público é verdadeiramente criminoso. O reitor não quebrou
nenhum vidro da Universidade, entretanto suas assinaturas
entregando e privatizando os bens públicos constituem violência
muito maior.