“Eleição” para reitor na UNIRIO

 

Diante de três candidatos com o mesmo programa, que se engalfinham apenas por picuinhas pessoais, levando as campanhas à completa despolitização, os estudantes da Unirio têm protestado e denunciado que não há nenhum candidato com programa democrático e realmente compromissado com a Universidade Pública e Gratuita.

 

Os candidatos ao cargo, longe de defenderem seus reais posicionamentos, fazem um show de briguinhas pessoais na tentativa de encobrir o que realmente interessa aos estudantes. A verdade é que todos têm a mesma posição e para diferenciarem-se um do outro fazem um verdadeiro escarcéu com divergências pontuais, pouco relevantes para os estudantes.

 

O que realmente interessa, como a aplicação da “Reforma” Universitária do governo, que já está em andamento e prejudica a Unirio com cursos aligeirados à distância, com Fundações de Apoio privadas que administram o dinheiro público, com a falta de estrutura, de laboratórios, de concursos públicos, com o REUNI (aprovado ilegalmente em 2007), enfim, sobre o processo de desmonte que a Universidade Pública está sofrendo, pouco ou nada é falado.

 

Nem a atual reitora Malvina Tuttman, também candidata ao cargo, fala sobre a “Reforma” que ela própria aplicou e defendeu durante os 4 anos de sua administração. Esta situação tem colocado aos estudantes a tarefa de politização deste debate, de denunciar que os três candidatos estão com o mesmo programa do governo e de que é preciso lutar por uma democracia interna de verdade.

 

Leia, abaixo, panfleto distribuído pelo MEPR na UNIRIO:

 

UNIRIO e a Democracia do faz-de-conta

 

 

Estrutura autoritária

Distribuição do número de votos no Conselho Universitário (CONSUNI)

Estudantes

15%

Técnicos-administrativos

15%

Professores

70%

Basta observarmos o cotidiano de nossa Universidade para constatarmos o autoritarismo que permeia a Instituição. De quais decisões você participa dentro da Universidade? Você decidiu sobre a mudança de seu currículo? Sobre a mudança de seu horário? Sobre a distribuição e oferta de disciplinas? O estudante realmente participa da gestão? Questionando-nos sobre as coisas mais simples, percebemos que os estudantes, maior segmento, não têm quase nenhum direito. Nem direito de reservar o auditório temos, pois é exigido que um professor o faça em nosso nome!

 

Analisando a estrutura também vemos a democracia de fachada que é mantida na Unirio. Qual é a porcentagem de voto que os estudantes têm nos Colegiados de Escola, de Centro, nos Conselho Universitário e de Ensino, Pesquisa e Extensão? São porcentagens simbólicas, que na prática não dão direito algum de decisão aos estudantes. (veja quadro ao lado)

 

Defendemos que os Conselhos Superiores devem ter a formação de 1/3 (33%) para cada segmento (estudantes, professores e técnicos), assim teríamos um co-governo democrático para a Universidade. A mesma composição devem ter os Colegiados, onde são decididos tudo sobre o Centro e sobre o curso. Esta é a base de uma gestão democrática para a Universidade. Também nas eleições de diretores, decanos e reitor é imprescindível que se acabe com esta forma que vigora hoje, onde o peso do voto de um professor equivale ao de vários estudantes. É necessário que todos da comunidade tenham o mesmo peso de voto, através de um sistema universal.

 

Chamamos atenção das pessoas honestas da Universidade para não caírem no jogo de alguns candidatos que agora dizem defender estas bandeiras democráticas. Se defendem mesmo, por que nunca vimos nada de concreto vindo destas pessoas: uma mobilização, um manifesto, carta aberta etc? Anos se passaram e esta estrutura continua, qual dos dirigentes da Universidade tentou mudar isso, realmente? Qual deles passou em sua sala de aula para levantar esta discussão?

 

Administração Malvina, autoritarismo e compromisso com o setor privado – uma reitoria títere do governo FMI-LULA

A prova mais contundente do governismo e da conduta anti-Universidade Pública de Malvina foi a aprovação do decreto do REUNI em outubro de 2007. Sem debate com a comunidade universitária, sem mesmo divulgar a votação de um projeto tão nocivo para a Universidade, Malvina convocou os Conselhos e deu por aprovado o REUNI numa votação duvidosa e tumultuada. Em primeiro lugar, vale lembrar que Malvina descumpriu uma deliberação do Conselho e o próprio decreto, quando convocou sessão conjunta dos Conselhos (CONSUNI e CONSEPE) para garantir os votos: um Conselho realizado em agosto já havia deliberado que o reuni não poderia ser votado em sessão conjunta, além do próprio decreto estabelecer que o Reuni deveria se aprovado “pelo órgão superior da instituição” (ou seja, por um só).

 

Também quando da legítima Ocupação da reitoria pelos estudantes, a Gestão Malvina mostrou sua forma de tratar as divergências dentro da Universidade. Primeiramente mandou arrancar as faixas e cartazes feitos e afixionados pelos estudantes. Depois, na tentativa de prejudicar o revezamento de estudantes na Ocupação, proibiu a entrada de estudantes no campi onde fica a reitoria durante 4 dias de feriado prolongado. Também passou a publicar notas contra a Ocupação na página oficial da Unirio. Tudo dizendo ser a maior defensora da democracia. Mas se é tão democrática assim, porque não permitiu que a Ocupação publicasse notas de resposta na página da Unirio também? Assim, quem acessasse a página poderia ver a posição dos dois lados e não

 

só a sua (que inclusive não é a que representa a maioria da Instituição).

Assembléia estudantil na Ocupação de Reitoria Out/2007

 

Mas tudo isso foi em vão. Mesmo com todas estes golpes os estudantes permaneceram por 13 dias na reitoria. Foram os 13 dias mais democráticos daquele prédio. Para conter o crescente movimento de Ocupação Malvina mandou a Polícia Federal para intimidar os estudantes, com ameaça de agressão física e prisões.

 

Ademais destes tristes episódios, vale lembrar que a reitora Malvina assinou já em 2006 uma carta, juntamente com outros reitores testas-de-ferro do governo, defendendo a “Reforma” Universitária do Banco Mundial. Ou seja, o compromisso em esfacelar a Universidade Pública e Gratuita e avançar com a privatização já vinha de anos anteriores.

 

 

Eleição pra reitor que nada! Isto é só uma consulta...

Text Box: VOTE NULO CONTRA O GOVERNISMO! ABAIXO A LISTA TRÍPLICE!

O espaço universitário está inundado de faixas de candidatos a reitores da Unirio. Como num susto, estes candidatos, estranhos à maioria da comunidade, passam a nos tratar bem e a requisitar nosso voto. Falam que é o processo democrático de “eleição para reitor e vice-reitor”. Mas isto é uma mentira! O atual sistema brasileiro de escolha de reitor não garante à comunidade acadêmica a eleição direta. Quem o escolhe é o governo, diretamente de Brasília. O que está acontecendo é uma “Consulta” à comunidade, para que seja enviado ao presidente a lista com os 3 nomes mais votados, para que então, o presidente decida quem será o reitor. Isto não é um mero detalhe, mas a expressão da ausência de um mínimo de democracia e autonomia universitárias. Pois, sob o amparo da lei, o governo pode escolher um candidato, enquanto nós, da comunidade universitária, escolhemos outro. Este sistema, conhecido como “Lista Trípilice”, é um instrumento de controle e regulação que o governo tem sobre as Instituições de ensino.

 

E qual candidato falou sobre isto? Qual se posicionou e luta efetivamente contra a Lista Tríplice? Como sabemos, nenhum! Não fazem porque estão comprometidos com esta estrutura antidemocrática.

O principal problema da Universidade hoje é a aplicação da “reforma” universitária, da qual o REUNI faz parte. E está claro para todos que os três estão defendendo esta “reforma” e esta falsa “expansão” da Universidade. Nenhum dos três candidatos apresenta um programa realmente democrático; enquanto o governo FMI-Lula vem aplicando todas medidas do imperialismo pra Universidade Brasileira, estes candidatos simplesmente fingem não se posicionar ou mesmo defendem este governo vende-pátria e suas medidas antipovo e antinacionais. Significa que ideologicamente estes candidatos estão alinhados com o governo, brigam apenas pra ver quem será o fantoche da vez, que continuará aplicando os projetos contra a Universidade Pública e Gratuita. Por isso chamamos as pessoas honestas a lutar pela democracia na Universidade e repudiar os candidatos governistas com voto nulo.

 

 

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