Fora PM da
USP! Rebelar-se é justo!
Publicado em 19/06/2009


Dia
09/06, o movimento estudantil voltou a ser notícia em todo o
País. Os estudantes da USP, em combativa manifestação, exigiram
a retirada imediata da inaceitável presença da Polícia Militar
do campus universitário. Numa atitude típica do regime militar a
PM interviu com forte repressão mas, longe de intimidar os
estudantes, a atitude apenas serviu para deixar claro que desse
velho Estado a juventude nada tem a esperar e que os esforços
por erguer um novo movimento estudantil devem ser elevados a
novos patamares.
O que está
acontecendo?
A nova onda de mobilizações na USP teve início no dia 05 de maio
quando os funcionários da Universidade deflagraram greve
exigindo, dentre outras coisas, a readmissão do funcionário
Claudionor Brandão. Brandão é diretor do Sindicato dos
Trabalhadores da USP (SINTUSP) e teve combativa atuação nas
manifestações de 2007. Sua demissão, além da série de processos
administrativos contra vários professores, funcionários e
estudantes em virtude de suas atuações em defesa da universidade
pública, significa um claro caso de perseguição política e
demonstra a estratégia dos diferentes governos estaduais e
federal de criminalização dos movimentos populares em geral.
No dia 04 de junho os estudantes, em assembléia com mais de
1.000 pessoas, somaram-se à luta dos funcionários e também
deflagraram greve. As principais reivindicações são o fim
imediato da ocupação militar da Universidade e a suspensão
da criação da UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São
Paulo), que ratifica a implementação dos cursos à distância e
abre o caminho para o desmonte total do ensino público. Desde
então a tensão entre os grevistas e a polícia aumentou dia a
dia, culminando na primeira ação repressiva da PM dentro do
campus da USP desde 1979. Vale lembrar que em 2007 os 51 dias
de ocupação da reitoria da USP serviram para detonar o processo
de ocupações que sacudiu o País e botou em questão o modelo
antidemocrático das universidades brasileiras. Atualmente, além
da própria USP, também a UNESP e a UNICAMP encontram-se em greve
estudantil. A UnB, outro reduto histórico do movimento
estudantil, tem sua reitoria ocupada novamente. Não há dúvida
de que, mais uma vez, a combatividade demonstrada nessa nova
jornada de lutas pavimenta o caminho para mais uma tempestade de
mobilizações que já acontecem por todo o País e tendem a se
alastrar como um rastro de pólvora.
Não há
democracia na Universidade

Para
quem ainda acreditava na existência de democracia nas
Universidades brasileiras as bombas da polícia paulista
significaram, sem dúvida, um “argumento” definitivo. Mas o caso
da USP não é nem um acontecimento isolado e nem tampouco o
primeiro.
Na vitoriosa luta dos estudantes contra o REUNI as reitorias
vendidas ao governo federal fizeram todo o possível para aprovar
de qualquer forma aquele projeto demagógico do governo Banco
Mundial/Lula. Desde cordões de isolamento impedindo que
conselheiros universitários participassem da votação do projeto
até casos agudos como da UNIR, em Rondônia, em que a votação foi
encaminhada dentro da SIVAM (Serviço de Inteligência e
Vigilância da Amazônia), ou seja, literalmente em uma base
militar. Na Universidade Federal da Bahia a polícia interviu
para cumprir a reintegração de posse exigida pela reitoria.
Assim fica claro que o que acontece atualmente em São Paulo não
é um caso exclusivo da REItora da USP, Sueli Vilela, nem do
fascistóide José Serra. A ausência completa de democracia não é
exceção mas regra nas universidades brasileiras. Impedir a livre
manifestação dos diversos setores da comunidade acadêmica é um
recurso indispensável para ampliar o controle da iniciativa
privada sobre as universidades (através das fundações) e
liquidar com os mínimos resquícios de uma autonomia
universitária que, no caso de um país semicolonial como o
Brasil, nunca passou de mera fachada.
Não é à toa que todas as greves, ocupações,
manifestações e todo tipo de pronunciamento feito pelos
estudantes desde o processo de ocupações em 2007 colocam como
reivindicação fundamental a democratização das eleições para os
órgãos colegiados e a ampliação da participação estudantil nos
conselhos universitários, que atualmente possui esdrúxulos
índices de, em média, 1/10.
Unificar as
lutas com Greve geral!

O
que fica claro na atual onda de manifestações nas Universidades
paulistas é que a luta de todas as universidades públicas, sejam
estaduais ou federais, é na verdade uma só: a luta contra a
“reforma” universitária aplicada paulatinamente no ensino
superior brasileiro.
Vejamos um fato: uma das principais reivindicações da greve
estudantil na USP é a abolição da UNIVESP, ou seja, da criação
dos famigerados cursos à distância. É essa uma política do
governo José Serra especificamente? De forma nenhuma! Na verdade
o que faz atualmente o governo de São Paulo é simplesmente
seguir as pegadas do Ministério da Educação e do governo Lula. O
modelo que se tenta implementar com a chamada UNIVESP é nada
mais nada menos que a cópia do que vem aplicando o governo
federal com a chamada “Universidade Aberta do Brasil”.
Atualmente no Brasil, das 174 instituições de ensino superior
consideradas Universidades, 76 (43,67%) oferecem cursos a
distância. No ano 2000 haviam 10 cursos e um total de 1.682
estudantes cadastrados em algum tipo de EaD. Em 2006 eram já 349
cursos totalizando 207.206 matriculados ( Fonte: IPAE- Instituto
de Pesquisas aplicadas em Educação, vinculado ao MEC. Ver dados
em http://ensinoadistancia.wikidot.com/crescimento:estatistica-dados-brasileiros).
Essa explosão do ensino superior à distância, longe de
significar uma democratização do acesso à universidade,
significa a mais absoluta destruição da mesma como um centro de
produção científica que deve conjugar o tripé
ensino-pesquisa-extensão. Significa milhões de reais no bolso
dos tubarões do ensino privado e a desresponsabilização do
Estado com a manutenção do ensino público e gratuito. Tal
medida, aliada a outras como o PROUNI,REUNI etc., qualquer que
seja a roupagem que tome é a aplicação de uma só política: a
contra-reforma em curso em todas as universidades brasileiras. A
conclusão dos velhos acordos MEC-USAID, em pleno governo PT/PCdoB.
E, uma vez que o adversário a ser batido é o mesmo, é
fundamental coordenar as diferentes explosões em uma só luta
unificada nacionalmente. E não há outra bandeira que possa
unificar a luta de todos os estudantes, professores e
funcionários que não seja a Greve Geral contra as “reformas”
antipovo em curso. Construir a greve geral como resposta
contundente aos ataques ao ensino público e, não apenas isso,
mas contra a crescente militarização das Universidades e
repressão desenfreada do movimento estudantil! Ocupar as
universidades e construir a greve geral em todo o país: esse é o
único caminho capaz de unificar as lutas e conduzir os
estudantes à vitórias!
Construir na
prática um novo Movimento Estudantil!

Mas
só será possível avançar nesse sentido combatendo o velho
movimento estudantil que serve como uma verdadeira camisa de
força que, a cada dia que passa, revela de maneira mais clara
sua verdadeira face. O oportunismo sem precedentes da UNE
dirigida pelo PT/PCdoB e seu vergonhoso papel de agência do
ministério da educação dentro das universidades, sua traição
aberta e declarada a todas as lutas estudantis nos últimos anos,
deixa patente que a UNE é inimiga de qualquer mobilização
independente que realizem os estudantes brasileiros. Quanto a
isso não pode haver dúvidas.
Mas também é necessário não manter qualquer tipo de ilusão com
PSOL e PSTU que tentam capitalizar a oposição à UNE dentro do
movimento estudantil. O PSOL (que permanece naquela entidade) e
o PSTU, com sua política eleitoreira (que em nada se diferencia
da prática que conduziu a UNE à bancarrota) e sua traição a
diversas ocupações e greves estudantis nos últimos anos
(inclusive a própria deflagração da greve na USP) deixam claro
que se opõem ao governismo da UNE e não à sua prática
eleitoreira e reformista, da qual aquele é uma mera
conseqüência. Inclusive na manifestação nacional realizada dia
30/03 último estavam todos lá, PT, PcdoB, PSOL, PSTU e Força
Sindical de braços dados celebrando a “unidade da esquerda”.
Por isso
construir o novo movimento estudantil, novo na concepção e na
prática, é tarefa inadiável para todos os estudantes
brasileiros. Um movimento estudantil que se oponha às velhas
práticas eleitoreiras e que afirme o caminho da luta
inconciliável por uma universidade verdadeiramente científica, à
serviço da emancipação do povo brasileiro. A luta por
democratizar as universidades é uma demanda histórica da
juventude estudantil e teve seu auge na década de 60, na famosa
greve em defesa de 1/3 das cadeiras dos conselhos universitários
para os estudantes. Retomar portanto o caminho revolucionário no
movimento estudantil brasileiro, combatendo qualquer tipo de
ilusão com o mesmo Estado reacionário que leva cabo a repressão
em escala cada vez maior às lutas não só dos estudantes como do
povo brasileiro em geral é o único caminho capaz de conduzir o
movimento estudantil aos mais elevados níveis de consciência e
organização, condições indispensáveis para vencer a luta em
defesa da Universidade Pública e da construção de uma nova
sociedade.
vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=umPd5Sz9tjQ
Exigimos Democracia nas Universidades!
Greve
Geral contra as "Reformas" do Imperialismo!
Viva o
Novo Movimento Estudantil!