Chacina
em Buritis
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Corpos
dos companheiros José e Nélio,
assassinados a mando do latifundiário Lourival.
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1.
O povo assiste mais um crime contra os camponeses pobres em Rondônia.
No dia 26 de março de 2006, dois camponeses foram assassinados
e um menino de 12 anos foi atingido com um tiro na testa e está
internado em estado grave em Porto Velho.
2. Este fato hediondo ocorreu num boliche na linha 05/421 no município
de Campo Novo com camponeses do acampamento Jacinópolis 2.
Depois de comprar mantimentos, os companheiros se preparavam para
ir embora quando dois pistoleiros chegaram de moto atirando. O companheiro
José Vanderlei Parvewfki, conhecido como Polaco, foi atingido
com vários tiros de pistola e morreu na hora. Nélio
Lima Azevedo, conhecido como Pindaíba, foi atingido com 5
tiros pelas costas e morreu fora do boliche. A criança ferida
chama-se Lucas Kaoltchinfki. Os outros companheiros conseguiram
escapar da emboscada.
3. O mandante desta chacina é o latifundiário Lourival
Carlos de Lima, que se diz dono das terras do acampamento Jacinópolis
2. Testemunhas reconheceram os pistoleiros que assassinaram os companheiros
como sendo Osmar e Negão.
4. Há muito tempo Lourival ataca o acampamento, mas a situação
piorou depois de uma audiência em junho de 2005 quando o Incra
e o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva,
confirmaram que as terras são da União, que Lourival
não tem nenhum documento de posse e que portanto os camponeses
é que têm direito sobre elas.
5. Mais de 50 famílias estão nesta área desde
setembro de 2003, já cortaram os lotes por conta, construíram
suas casas e estão produzindo. Já tem 40 alqueires
plantados de arroz, milho, feijão e mandioca. Para evitar
conflitos os camponeses ofereceram 450 alqueires para Lourival,
mas ele não aceitou e aumentou a perseguição
contando com o apoio e a cumplicidade da juíza de Buritis
Dra. Cristiane Costa de Almeida, do delegado da Polícia Civil
Dr. Iramar e dos policiais Amazonas, da Civil e Ronaldo, da PM.
6. O acampamento já foi despejado sem mandado judicial; a
juíza diz que não há famílias no acampamento,
apenas bandidos e baderneiros; camponeses foram presos, humilhados
e ameaçados de morte por policiais; Lourival soltou o gado
nas plantações dos camponeses.
7. Em fevereiro, o delegado Iramar comandou policiais numa busca
e apreensão de armas e veículos irregulares no acampamento.
Mais uma vez o grileiro Lourival e seus pistoleiros estavam presentes,
o que é proibido por lei. Não foi encontrado nada,
o que reforça a suspeita de que a operação
era para garantir que os camponeses não tivessem meios de
se defender de ataques do Lourival, como a chacina do dia 26 de
março.
8. Dois dias depois da busca, Lourival, acompanhado de mais 4 pessoas
em uma caminhonete, atirou várias vezes de pistola contra
5 camponeses que trabalhavam numa marcação. 5 dias
depois, Lourival e um pistoleiro armado ameaçaram um acampado
que capinava um mandiocal, falando que “se não saírem
da área o sangue vai correr”. No dia 13 de março
alguns camponeses prestaram mais um depoimento ao delegado Iramar,
novamente com a presença do Lourival, que gritou e empurrou
o advogado dos camponeses.
9. O Incra e o ouvidor agrário Gercino também têm
responsabilidade no assassinato dos companheiros José e Nélio.
Eles tinham condições de evitar esta chacina se tivessem
regularizado as terras dos camponeses, mas lavaram as mãos,
mesmo sabendo das denúncias contra o latifundiário.
10. Esta é a Reforma Agrária do governo FMI/Lula:
para os camponeses, fome, desemprego, enrolação, despejos,
processos, prisões e morte. Enquanto para os latifundiários,
financiamentos milionários e impunidade para seguir com seus
bandos armados matando o povo.
11. Isto tem que ter um fim! Basta de injustiça! Basta de
impunidade! O povo pobre não aguenta e não quer mais
continuar vivendo assim. O povo quer terra para viver, trabalhar
e criar seus filhos.
12. Esta chacina não vai ficar sem resposta. A morte dos
companheiros não será em vão. O povo não
vai descansar enquanto os culpados não forem punidos. A luta
pela terra não vai parar enquanto existir um latifúndio.
- Exigimos punição para Lourival e os pistoleiros
culpados!
- Exigimos punição para as arbitrariedades da justiça
e dos policiais envolvidos!
- Exigimos do Incra a imediata regularização das terras
do Jacinópolis 2!
- O povo quer terra, não repressão!
- Honra e glória aos mártires da luta pela terra!
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