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Denúncia |
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Montes Claros, 23 de Maio de 2005 |
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Diretor da Fábrica do Vice-presidente da República,
José Alencar, em Montes Claros, ao arrepio da lei, ameaça, achaca,
destrói e tenta manter em cárcere privado família camponesa que
lhe impede grilar terras públicas! |
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José Alencar: Vice Presidente, dono da Cotenor e Coteminas
e de milhares de hectares no Norte de Minas
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Há mais ou menos 27 anos Dona Maria Benvinda,
junto com seu marido, vive e trabalha em terras do CDI de Montes
Claros. Lá ela criou oito filhos. Junto com dezenas de outras
famílias, Dona Maria Benvinda e seu marido tiveram a permissão
para viver e produzir na área, concedida pelo então Prefeito
de Montes Claros Tadeu Leite. Ela se lembra bem das palavras
do Prefeito, que afirmou à época que as famílias poderiam viver
e plantar na área até o dia em que uma empresa solicitasse,
e o município autorizasse, tal empresa se instalar no distrito
industrial na área onde as famílias estivessem, sendo que estas
seriam indenizadas, se isso ocorresse, mas que teriam de se
retirar.
Até hoje isso não ocorreu!
Entretanto, de uns 3 anos para cá, o terror se
espalhou em volta de Dona Maria Benvinda. Utilizando-se de seguranças
da Cotenor - fábrica de tecidos de José Alencar - o diretor
da empresa, Valter Henrique Costa, para criar gado na área pública,
em seu próprio proveito, desencadeou uma verdadeira operação
de guerra contra as famílias camponesas conhecidas em Montes
Claros como os “chacreiros” do CDI.
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| Famílias são impedidas de ir e vir. Cães pit-bul
presos por finas cordas de nylon ameaçam os camponeses nas
estradas que eles mesmos construíram. A luz que o próprio
governo do qual faz parte José Alencar, diz ser “para todos”,
não chega por pressão de Valter Henrique Costa. Animais
e motores somem e são encontrados no meio do mato.
Desesperados, muitos venderam suas posses para
Valter Henrique Costa. Outros abandonaram a área. O senhor
Antônio Teixeira, de 86 anos, que hoje está inválido e mora
de favor no município de Coração de Jesus, à beira da morte,
teve seu barraco destruído e sua esposa morreu de desgosto.
Outra camponesa, que fez um barraco para servir de companhia
para a família de Dona Benvinda, teve sua moradia destruída.
É muita canalhice e covardia! |
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Esta é a limpa e organizada moradia de
Dona Maria Benvinda e seu marido
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Depois
da destruição só sobraram os tijolos e o reboco novinho
do barraco da vizinha de Dona Benvinda |
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De seis da
manhã às altas horas da noite, os seguranças da Cotenor
vigiam Dona Maria Benvinda e seu marido. Que não se entregam!
Acreditam, e estão certos, que não devem temer, que estão
no seu direito, que não precisam sair de seu pedaço de terra
para que um outro, rico, que poderia comprar quantas terras
quizesse, se utilize destas pressões e do poder público,
para criar gado numa área verde, em que o máximo que a Cotenor
poderia, por lei, seria explorar o subsolo para retirar
água para as empresas!
Quanta podridão acobertada por vereadores que, ao conhecer
as denúncias de Dona Maria, lhe viraram as costas, depois
que Valter Henrique Costa, o grileiro, lhes ofereceu pelo
silêncio empregos para seus cabos eleitorais na Cotenor.
Até hoje,
sob a proteção do nome da Cotenor, toda tipo de injustiça
foi praticada contra os camponeses e trabalhadores da periferia
de Montes Claros que moram no entorno do CDI. |
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Chamamos
todos a espalharem esta denúncia e a se mobilizarem para
acabar com o cativeiro a que pretendem submeter Dona Maria
que bravamente, com o apoio de todos os chacreiros, e até
de alguns industriais honestos do CDI, defende e não abre
mão de seu pedaço de terra. Se mantêm firme à sua palavra
dada há 27 anos: não vende a terra onde trabalha.
Que as autoridades, que fazem tanta propaganda de que os
camponeses são violentos, ladrões e, depois de ganhar um
pedaço de terra, a vendem, deveriam ver que este é um exemplo
claro de que o que acontece é justamente o contrário, e
nas barbas do Vice-presidente da República.
Abaixo
as cruéis perseguições de Valter Henrique Costa, da Cotenor,
contra os chacreiros da CDI!
Terra para quem nela vive e trabalha! |
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A
criação de porcos de Dona Benvinda é um dos bens que
ela pode perder depois de muita luta |
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Segue
abaixo carta enviada por Dona Benvinda:
Montes
Claros 09/05/2005
Prezado?
Senhor!...
Bom
Dia!
Aqui quem lhe escreve é Maria Benvinda da Cruz escrevo-lhe
pois estou precisando urgentemente de sua ajuda. Há 27
anos trabalho em uma terra o qual pertence ao CDI uma área
verde, nestas terras que trabalhamos não foi invadida foi
dada para nós trabalharmos em beneficio de criar nossos
filhos. E quando uma firma entrasse nós teria que sair,
mais até hoje não foi nem uma firma e nos continuamos
a trabalhar. Mais há uns três anos que várias
família tiveram que sair obrigada e ameaçados por
Valter Henrique Costa, que exigiu com forças de policiamentos
ameando de derrubar suas moradias e todos os dias os empregados
deles indo na casa de cada um com cachorro feroz e dizendo que
o senhor Valter Henrique quer as terras.
O
senhor Valter Henrique Costa e diretor da Coltenor Industria Têxtil.
A qual este terreno em que trabalhamos não pertence a cotenor
ele exigir que nós saímos, para ele criar gado plantar
capim, fazer postos arteciano e outros demais Olha senhor .....
existe uma parte da área que o prefeito doou para ele fazer
subsolo esta parte ninguém mexe com ele, foi declarado
pelo prefeito que ele não prejudicasse nem um morador do
lado mais ele está sempre tendo problema, e prejudicando.
Olha
aqui nós moradores desta área, já procuramos
nossos direitos na prefeitura, na polícia, na Tv, infelizmente
não conseguimos nada. Direitos a qual queremos para trabalhar
diguinamente como ser humanos. Aqui nesta roça eu criei
os meus 8 filhos. Tirando daqui o pão para o sustento nosso
não sé eu como os outros moradores. Mais infelismente
não tem justiça para nós ajudar, por isso
estou procurando o senhor para que tenha misericórdia da
cada um de nós e nós ajude a resolver de uma vez
por toda esta situação por favor? Pois não
sabemos mais o que fazer.
Aqui do lado da minha roça tinha um senhor de idade de
85 anos que havia 18 anos que ele é a esposa dele morava
lá a esposa dele veio a falecer e logo depois de duas semanas
o Valter Henrique Costa tirou ele a força de lá
derrubando a casa dele e colocando ele na rua, ele além
de ser de idade anda de moleta e tem duas pernas engesada pois
ficou desorientado com tanta covardia que fizeram com ele que
não andar pela rua porque não tem para onde ir foi
para no hospital. Procuramos a justiça para resolver o
problema dele e não conseguimos nada até hoje. Isso
vem acontecendo com todos, amanhã e o despejo de uma outra
moradora , ele disse para ela que vai passar a máquina
em cima da casa dela, com ela ou sem ela lá, isto e uma
injustiça.
Senhor
....... aqui na roça nos não temos o direito nem
mesmo de passar na estrada o qual foi nós que fizemos pois
tem uma cancela e ele manda trancar nós lá fecha
a cancela e nós não temos o direito de passar com
a carroça com água ou mesmo com alimento, para nossos
bichos. Olha eu tenho duas éguas e eles vem tirar elas
da manga e coloca na avenida eles abre minha cerca ele o Valter
Henrique manda fazer muita covardia com todos nós, já
tive tanto prejuízo que só Deus sabe o quanto estamos
sofrendo.
Agora
estamos juntando as ameaças dele ele colocou um homem para
andar na estrada que passamos com um cahorro pete-bur amarrado
com uma corda de malha fina e o cachorro e ensinado para matar.
Então conversamos com o homem o qual esta com o cachorro,
falamos para ele não andar com ele naquela corda pois podia
arrebentar e morder alguém ele nos disse que não
esta nem ai ele apenas esta cumprindo ordem do senhor Valter Henrique
Costa. E as terras não pertencia a nós e sim a Cotenor,
que nos estava lá porque nos tinha invadido e o senhor
Valter Henrique havia comprado aquela terras. Olha senhor....
nós procuramos a prefeitura e a prefeitura nos informou
que lá não existe nenhum documento provando que
ele comprou, foi doado para ele uma parte para sob solo.
Eu
Maria Benvinda da Cruz, tenho 62 anos e o meu marido se chama
Antônio Bento da Cruz, 65 anos, temos muito medo pois todos
os dias tem homens rondando nossas cerca a noite temos que ter
muito cuidado pois volta e meia some os meus bichos e outros demais,
aqui não tem luz pois já conseguimos muitas vezes
a luz e ele Valter Henrique barra, aqui usamos lamparina e velas
para clariar.
Por
favor peço que nos ajude pois não tem com quem posso
pedir ajuda!
Ass:
Maria Benvinda |
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Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas |
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